Os sentidos do morar pequeno-urbanos ou sobre a categoria (vivida) pequena cidade
Manuela Vieira Blanc
O ponto de partida
Aperibé “é cidade” há pouco mais de 27 anos graças à Lei Estadual n.º 1985, de 10 de abril de 1992, assinada no Governo de Leonel Brizola, que “cria” a unidade administrativa “a ser desmembrad[a] do município de Santo Antônio de Pádua”. No mesmo processo, Aperibé passa a centralizar administrativamente outros vilarejos localizados em seu território, bem como a se reposicionar na dinâmica política e econômica regional.
Alcançada no início da década de 1990, a emancipação da cidade foi comemorada entusiasticamente por seus habitantes, inflamados pela elite política local, que viria a ocupar os cargos públicos do recém-proclamado município. O prefeito, que seria eleito meses depois, finalizava sua carreira como vereador no antigo município-sede, levando consigo como vice outra proeminente figura política local. Nos mesmos moldes, forma-se a primeira composição da Câmara de Vereadores da cidade. O processo de emancipação político-administrativa da localidade mereceria um estudo aprofundado para avaliar os impactos da centralização de recursos para a gestão pública do então município, igualmente interessante para se pensar o reposicionamento das elites políticas locais e as suas carreiras pós-emancipação. Aos interesses que aqui nos dizem respeito, valeria refletir apenas sobre os efeitos da política de descentralização administrativa para a construção dos imaginários sociais em termos do sentimento de pertencimento e, por que não, dessas experiências citadinas.
É evidente que o que faz de uma cidade uma cidade não é um decreto, mas não podemos ignorar seus efeitos, sejam aqueles relacionados à sua gestão administrativa, sejam os que se referem à construção dessas experiências citadinas.
Administrativamente, tornar-se cidade impactou de forma positiva na construção das representações sobre o espaço entre os meus interlocutores de pesquisa. Quase três décadas após o processo de emancipação de Aperibé, agora as hierarquias já se reorganizaram entre os moradores da sede do município e de seus atuais distritos, bem como entre os moradores das áreas mais centrais e os dos bairros periféricos da cidade, com a proximidade do “Centro” sendo um critério de valor absoluto no que se refere à valorização do local de moradia, assim como o simbolizado pela frase que abre o título deste artigo.
Deste modo, “do ponto de vista dos nativos” (Clifford, 2002), habitar a sede de uma cidade pequena assume uma representação simbólica superior com relação ao habitar o distrito de outra cidade, mesmo que essa seja maior e mais relevante do ponto de vista da dinâmica regional. Assim também se passa entre morar em uma casa no Centro ou em um de seus bairros periféricos; na sede ou em um dos seus distritos; e nesses ou em uma área rural do mesmo município. Essas diferentes hierarquias estabelecidas entre setores de uma mesma cidade são bem reportadas em contextos de cidades grandes, seja entre bairros nobres e favelas; bairros centrais e periferias; ou entre diferentes faixas desses territórios entre si, de acordo com as representações que possuem, seus estigmas ou valores atribuídos.
Assim, igualmente, o que faz de uma cidade pequena são as relações que ela estabelece com um conjunto determinado de outras cidades e a posição que ela ocupa, portanto, no interior de uma hierarquia de unidades administrativas e que reflete uma lógica que perpassa diferentes critérios. Mais do que seu tamanho ou densidade populacional, estas unidades administrativas assumem sua pequenez em termos de potencial de influência e centralidade, passíveis de serem analisadas em diferentes camadas de sentidos e com base em referenciais variados: econômicos, em termos de sua arrecadação ou oferta de serviços, básicos ou especializados; geográficos, quanto à distância dos principais centros regionais ou da capital, bem como sua paisagem ou riquezas naturais; potencial de atração, turística ou de lazer, não apenas em volume de visitantes ou de capital dinamizado, mas enquanto “cidade espetáculo” (Maricato, 2000), ou passível de ser espetacularizada; entre outros.
Que essas posições sejam relativas não acredito ser necessário desenvolver; o que elas implicam, no que se refere aos seus efeitos para as experiências citadinas que aí se desenrolam, é o que podemos tentar refletir. Assumindo esse posicionamento como base, não são as cidades pequenas, enquanto objeto em si, que me atraem a atenção em geral, mas estas enquanto laboratório privilegiado à observação de relações marcadas por uma intensa pessoalidade (Kouri, 2014). Estas, finalmente, não estão presentes apenas em pequenas cidades, nem as definem necessariamente, mas implicam modalidades de agenciamento que podem incidir em diferentes contextos, permitindo entender a
… maneira como as relações interpessoais são estruturadas e influenciadas, no modo como indivíduos – vistos como empreendedores sociais – procuram manipulá-las para atingir metas e resolver problemas, e na organização e no dinamismo das coalizões que constroem para atingir os seus fins (Boissevain, 2010, p. 208).
Ao mesmo tempo, assumir cidades médias e pequenas como contextos de observação, contestando as limitações analíticas que partem de uma referência aos fenômenos que se desenvolvem em grandes cidades como modelo explicativo, é necessariamente disputar lugar no interior de um campo de conhecimento. A quem essas reflexões interessam? Quem as assume como questão?
Não por acaso, a I Jornada Latino-Americana de Estudos sobre Pequenas e Médias Cidades aconteceu pela primeira vez em Campos dos Goytacazes (RJ), por iniciativa de um Grupo de Pesquisa campista[2], em sua origem, e médio urbano por excelência. Das angústias quanto à inadequação das ferramentas emerge inevitavelmente a necessidade de refletir sobre esses contextos de observação.
Partindo de um esforço coletivo pela superação da dicotomia entre o rural e o urbano, empreitada assumida na proposição do evento, destaco a sua centralidade nos imaginários sociais e enquanto referência de valor na qualificação de experiências urbanas. Na realidade da vida cotidiana, estas se mantêm hierarquicamente mais valorizadas quando nos remetem ao modelo metrópole e menos valorizadas quando nos reenviam às referências caricaturais de rural, mesmo que em outras roupagens: provinciano, interiorano ou mesmo pequeno-urbano. Mas o esforço analítico que se opõe a essa polarização categórica inicial, ao mesmo tempo, é profícuo ao desenvolvimento de um conhecimento capaz de captar a complexidade do urbano, conferindo destaque para as limitações dos grandes modelos explicativos.
O que está no cerne dos meus interesses é a análise das pistas deixadas pelas reflexões sobre o urbano para pensar a experiência humana. É o que a cidade, como contexto cognitivo, aglomera em si, em diferentes arranjos, não por ser cidade, mas por ser a forma de organização social que caracteriza os espaços de observação com os quais lidamos, levando em consideração as modalidades como se apresentam aos habitantes de contextos em suas práticas e experiências rotineiras.
As minhas reflexões refletem uma trajetória de pesquisa atravessada por experiências de análise em contextos urbanos de diferentes dimensões. Porque, então, a dimensão é uma questão importante, afinal? Para testar pistas acumuladas através dessas experiências, para experimentar gradações, mas, sobretudo, porque assim se organizam os mundos nos quais a vida social urbana se enquadra, segundo classificações entre cidades pautadas em critérios de valor expressos em um referencial de tamanho.
O pulo do gato: ou o que a pequena cidade nos permite superar
Se o modo de vida que emerge com a forma urbana é marcado pela maior heterogeneidade, pela intelectualização ou mesmo impessoalização das relações, entre outros tantos pressupostos continuamente reafirmados, por mais que reconheçamos suas limitações, a mais simples análise comparativa nos permite observar de que modo essas tendências podem operar em suas possíveis variações. Mas o que os resultados que venho obtendo demonstram é que tais variações dizem muito menos respeito a diferenças quanto à qualidade das formas sociais identificadas nesses diferentes espaços do que a maior ou menor proeminência de determinados arranjos e seus efeitos, ainda assim, quando observados à distância.
Tomando a condição citadina como objeto de reflexão e reconhecendo que, desde a sua descrição embrionária, ainda por Simmel (1979), sempre se reconheceu que esta tenderia a extravasar os seus efeitos para além das fronteiras da própria cidade (mais especificamente, em Wirth, 1979), já se pode identificar ao menos um ponto que, uma vez testado, foi rejeitado nas minhas experiências de pesquisa em diferentes contextos de observação, diferentes cidades em dois países[3]: a centralidade conferida à impessoalidade como modo de conduta pública, base da definição da “condição citadina”, até hoje marcante nos imaginários sobre a metrópole.
Basicamente, parte-se do princípio de desconhecimento mútuo como inferência lógica a tais definições de situação, dadas as implicações de uma noção de público como um conjunto indiscriminado de atores em copresença para a constituição cognitiva de experiências em comum (ideia desenvolvida em Blanc, 2017a e 2017b).
A figura do anônimo aparece, desse modo, como a representação abstrata dos atores individuais presentes em tais contextos de sociação, o membro típico-ideal dos ajuntamentos assim caracterizados: um ordinário, um “zé ninguém”. Destaco, com base nesta agenda comparativa de pesquisa em contextos de diferentes dimensões (ou, mais precisamente, que ocupam diferentes posições na hierarquia entre cidades, por acaso expressa em referenciais de tamanho), que esse ator anônimo, no entanto, não define o caráter do contexto, isto é, não é o traço genérico (ou personalizado) dos atores em copresença que constitui o público presente ou confere ao contexto o caráter de espaço público. Desse modo, é possível aos atores se apropriarem desses espaços em função de variadas definições da situação, como o próprio Goffman (2012) destacou.
Ao mesmo tempo, se tomada como questão de pesquisa a ordem normativa que vale para além do interior de unidades de interação, parafraseando o autor, ou seja, os “quadros de referência” ou modos de conduta que caracterizam comportamentos em lugares públicos, o contexto de observação, aqui analisado como um exemplar entre os possíveis, confere destaque para a complexidade com que se constituem as mais diversas condições citadinas. Parte-se, portanto, de uma proposta que seja capaz de reconhecer a variedade de urbanismos e sua diferença interna — assim como o proposto por Hannerz em sua defesa da análise de contextos pequeno urbanos, 2015. Mas a mim interessa menos o pequeno urbano em si do que as formas facilmente observáveis em seu interior me permitem analisar.
Parte-se do princípio, portanto, de que a proeminência da pessoalidade incide sobre a avaliação da própria situação por parte dos atores em copresença direta ou indireta (efeito do modo como as “cadeias de reputação”[4] operam no contexto analisado), refletindo sobre seus agenciamentos. Sendo assim, espaços públicos de sociação podem ser definidos como contextos de intensa pessoalidade, porque são assim constituídos, sejam em seu esquema primário, sejam a partir da tonalização que recebem (Goffman, 2012). Quando esses processos se constituem como experiências compartilhadas, os modos de conduta pública, enquanto referencial que extravasa os contextos situados, são eles mesmos marcados pela pessoalidade. A circulação, o dinamismo ou mesmo essa abertura, que caracteriza o caráter público do contexto de sociação, culminam em processos de discriminação mútua, e não necessariamente impessoalidade, assim como o destacado anteriormente (Blanc, 2013).
Foi possível notar que acultura pública pequeno-urbana observada,
… mais do que meramente penetrada por traços de um regime de engajamento na ação centrado em um registo de proximidade, é em grande medida constituída por ele. Esse estoque de conhecimento compartilhado sobre pessoas, suas cadeias de reputação e afiliações, evidenciado nos dados de campo coletados ao longo dos últimos anos, é ele mesmo autonomizado, se constituindo como um repertório público, que produz efeitos objetivos e participa da constituição dos quadros de interação (Blanc, 2017b).
Percebidos como laboratórios de experimentação, contextos pequeno-urbanos aqui inspiram reflexões que contribuem para se pensar muito mais do que gradações entre dimensões urbanas, objetivando o entendimento de fenômenos, processos e relações sociais transcorridos em contextos marcados pela pessoalidade como modo de conduta pública.
Começamos por pensar o que o conhecimento deste contexto de observação específico me permite exercitar sobre o efeito de habitar uma cidade (não meramente como unidade administrativa, mas a partir do seu reconhecimento enquanto tal) e uma cidade pequena. Assim também, pretendo refletir sobre a experiência de habitar essa cidade pequena em específico como questão em si. Destaco, finalmente, que os dados utilizados para o desenvolvimento deste artigo, que é um desdobramento de uma fala no evento acima mencionado, foram obtidos a partir de diferentes técnicas de coleta de dados que entremeiam documentos, conversas informais e observações sistemáticas em seus espaços públicos de sociabilidade e, por vezes, e nesse artigo em específico, memórias pessoais alimentadas ao longo de uma trajetória de vida habitando este local.
Dentro, pra dentro e por dentro: Aperibé, a posição que ocupa no interior de uma cadeia de reputação entre cidades – algumas pistas sobre essa experiência citadina
Os diferentes urbanos e seus sentidos atribuídos à relação que estabelecem entre si assumem caráter equivalente aos sentidos de pertencimento às cadeias de reputação, aqui tão centrais ao posicionamento dos citadinos em situação de copresença, assim como o observado anteriormente (Blanc, 2017): são equivalentemente relativos, mas proporcionalmente tão positivos quanto o seu potencial de abrangência. Cidades pequenas assim o são por ocuparem essa posição no interior de um conjunto de outras cidades, necessariamente comparadas entre si.
Ser de uma localidade com status de cidade é habitar a sede, não o distrito. Se, por um lado, o endereço se mantém, sua posição na hierarquia dos lugares ao redor é consideravelmente alterada. Como em um passe de mágica, as moradias passam a estar posicionadas em áreas centrais (ou menos distantes) da (então) “cidade”, o que assume impactos consideráveis em uma cidade pequena cujo perímetro urbano não ultrapassa os 3 quilômetros, mas que está situada há 15 da sua antiga cidade-sede. Ao mesmo tempo, se antes a oferta de serviços, o comércio e os principais espaços públicos de sociabilidade se concentravam nessa região central, aqui também passou a se situar a sede de governo e seus principais órgãos, agora operando de maneira autônoma a gestão da cidade. As ruas centrais de Aperibé são as primeiras a receber asfaltamento e as únicas, até os dias de hoje, a ter uma galeria subterrânea de águas pluviais[5].
Habitar uma cidade, não um distrito, não é pouco relevante moralmente. Assim como se reconfiguram as posições dos seus habitantes de um modo geral, são reformuladas as relações dos moradores de seus diferentes bairros.
Aperibé é, portanto, um jovem município que está situado na região noroeste do estado do Rio de Janeiro, possui como centro regional “oficial” a cidade de Itaperuna (segundo o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro [TCERJ], 2016), cujos hospitais oferecem serviços médicos especializados para os habitantes da cidade — que dispõe de apenas um hospital, público e de baixa complexidade. Ao mesmo tempo, esse espaço de observação encontra-se situado a uma posição equidistante de duas outras importantes cidades que igualmente assumem, para a população local, “certa centralidade na distribuição de bens e oferta de serviços, apresentando maior grau de especialização” (segundo definição de Santos, 2004, para os centros regionais): as cidades de Nova Friburgo (na Região Serrana) e Campos dos Goytacazes (na região norte fluminense).
Cada um desses centros regionais encontra-se a uma distância de mais ou menos 100 quilômetros de Aperibé, o que corresponde a percursos de, pelo menos, três horas de ônibus em traslados oferecidos entre as seis e as nove horas da noite, em média (variando segundo a origem da linha oferecida a cada um dos destinos), em horários pré-definidos por uma única companhia de transportes. Essas viagens podem ser realizadas em menos de duas horas, de carro.
As cidades limítrofes ao município, seu antigo município-sede, Santo Antônio de Pádua, e Itaocara, ficam localizadas a 15 e 5 quilômetros, respectivamente, percursos estes atendidos pelas mesmas linhas de ônibus acima descritas, exclusivamente. O potencial de circulação dos moradores da localidade aqui tomada como espaço de observação nesta região é diretamente impactado pela posse de um veículo, refletindo não apenas desigualdades em termos do acesso a serviços especializados (sejam hospitais melhor equipados, comércio ou atividades de lazer), como também a redes de relações para além daquelas construídas entre conterrâneos. Em Blanc (2017), analiso os efeitos da circulação para a construção de cadeias de reputação neste contexto, bem como a centralidade desse ritual de exposição pública enquanto modo de conduta.
O município, finalmente, situa-se a 277 quilômetros de distância da capital do estado, a cidade do Rio de Janeiro. Está localizado em um dos estados mais conhecidos do País, mas na região menos adensada e menos influente do estado Fluminense (TCERJ, 2016).
A população estimada da cidade é de pouco mais de 11.000 habitantes (IBGE, 2019), 94% deles concentrados no núcleo urbano da localidade, que corresponde a pouco mais de 20% do território correspondente a sua área total (assim como demonstrado em Blanc, 2017, p. 2):
As principais atividades econômicas correspondem ao setor de serviços e da indústria (IBGE, 2010a, 2010b) e esse núcleo urbano não apenas concentra os estabelecimentos comerciais, de lazer, de saúde ou de administração pública: é exclusivamente a área em que se oferecem tais serviços.
Ao mesmo tempo, o município apresenta uma população relativamente estável quanto à sua formação e composição, caracterizada por pessoas que, em sua maioria, nasceram na localidade (mais de 70%), senão no mesmo estado da Federação (o que atinge 97%). Trata-se de um contexto no qual o conhecimento mútuo, seja ele direto ou indireto (por meio de cadeias de reputação), incide sobre as relações face a face e experiências citadinas marcadas por “relações multiplex”, nas quais a inserção em uma situação específica tende a acionar um conjunto de diferentes papéis (Gluckman, 1987).
Apenas duas empresas de transporte coletivo atendem os moradores de Aperibé, ambas oferecendo linhas intermunicipais e que seguem um único itinerário no interior da cidade. Uma delas disponibiliza linhas de ônibus que conectam a cidade aos três centros regionais de maior influência, e outra, que a conecta à capital do estado do Rio de Janeiro. A oferta de serviços de transporte coletivo no município foi significativamente alterada ao longo desta última década, primeiro com a proibição da oferta de transporte por vans na localidade (e municípios próximos), posteriormente, com a definição de paradas de ônibus na zona central da cidade, até a inauguração da rodoviária municipal.
A oferta de serviço de transporte intermunicipal que conectava Aperibé às cidades de Itaocara, situada a 5 quilômetros ao sudeste, e Santo Antônio de Pádua, a 15 quilômetros noroeste, então oferecida também por motoristas de vans, passa a ser monopolizada por uma única empresa de transporte coletivo, a empresa Brasil SA. Esse serviço é encarecido e passa a se limitar aos horários pré-estabelecidos para a circulação das linhas que conectam Itaperuna, Campos dos Goytacazes e Nova Friburgo entre si. A definição de paradas de ônibus em áreas centrais da cidade restringiu, por outro lado, a flexibilidade de uso desses serviços, que antes permitia aos moradores embarcar ou desembarcar ao longo de todo o trajeto dos ônibus, ou mesmo se deslocar por diferentes pontos da cidade. A inauguração da rodoviária municipal, finalmente, limitou a permissão para embarque e desembarque a este ponto, sem apresentar vantagens significativas em termos da oferta desses serviços. Enquanto o serviço de transporte oferecido pela empresa Brasil SA permite a compra direta das passagens ao motorista, os moradores da localidade precisam se deslocar para as cidades vizinhas para realizar a compra ou obter o bilhete impresso (em caso de passagens compradas via internet), para acessar os serviços oferecidos pela empresa Viação 1001, sem que um guichê dela tenha sido instalado na rodoviária local.
Este é um contexto passível de ser caracterizado como de restrita circulação tanto no que se refere à composição da sua população ao longo do tempo, às ofertas de serviços públicos de transporte quanto no potencial de “trânsito” entre mundos sociais (Hannerz, 2015) experimentado nessa condição citadina. Nos termos que aqui nos interessam, “constitui-se como um contexto urbano, seja no que se refere à organização socioespacial da sua população ou à organização da sua produção” (Blanc, 2017b, 2), mas se objetiva refletir neste artigo sobre as experiências urbanas experimentadas neste contexto, no interior uma multiplicidade de urbanos, todos eles classificados mutuamente.
Fora demonstrado anteriormente como a oferta de serviços de lazer disponibilizada aos habitantes de nossa pequena cidade compõe circuitos de sociabilidade intermunicipais, as próprias limitações apresentadas pela restrita oferta de serviços de transporte na localidade sendo transpostas por estratégias coletivas que visam a garantia da circulação de determinados grupos (com o fretamento de veículos) ou de pessoas (em redes de relações que utilizam a carona como recurso para a ampliação da circulação dos seus membros) pelo território (Blanc, 2016).
Os efeitos dessa circulação para as sociabilidades locais, os significados das posições ocupadas nestes diferentes contextos de sociação para as experiências citadinas pequeno-urbanas ainda requerem maior reflexão. Inspirada por Assis (2016), sugiro avaliarem em que medida a interação intensa experimentada entre conterrâneos entre si, considerado seu limitado potencial de interação com pessoas de fora, incide sobre a constituição de uma modalidade de sociabilidade fechada (Mamani, 2016).
Assis demonstra que é apenas por experiências de interação intensa estabelecidas entre os moradores de um bairro segregado de uma cidade de médio porte (Campos dos Goytacazes – RJ) e seus demais conterrâneos que os primeiros se deparam com as representações do outro (no caso, do “outro lado” da cidade, cortada por um rio) sobre seu espaço de moradia e aqueles que o habitam. Essa circulação é relativamente restrita aos interlocutores do autor que, em algum momento da sua trajetória individual, passam a interagir intensamente com habitantes do outro lado do rio — destacando-se aqueles que se tornam estudantes de instituições de ensino técnico ou superior —, conferindo destaque aos efeitos do processo de segregação urbana para a construção de experiências citadinas paralelas entre si.
Os demais moradores do bairro, limitados, em suas práticas cotidianas, ao convívio entre vizinhos, com experiências esporádicas e efêmeras de circulação para além desse espectro, constroem percepções positivas sobre seu lugar de habitação e sobre si, em detrimento dos estigmas que persistem sobre eles do outro lado da cidade. Assim também, o baixo convívio social entre esses grupos, habitantes de um lado e do outro do rio, contribui para potencializar a estigmatização daquele que se encontra em desvantagem no interior da cartografia moral da cidade. A experiência de interação intensa contribui, segundo seus dados, para a diminuição desses estigmas na medida em que permite a construção de relações que colocam em questão uma visão generalizada do outro, estigmatizado. Do mesmo modo, incita, entre esses citadinos de mobilidade ampliada, reflexões sobre os modos de vida coexistentes na cidade e suas próprias percepções de mundo (Assis, 2016), possibilitando o que podemos interpretar como redefinições dos seus campos de possibilidades (Velho, 2003).
Resultados semelhantes obtive em pesquisas realizadas com estudantes integrantes de repúblicas universitárias, também na cidade média de Campos dos Goytacazes. O afastamento de suas redes primárias de sociabilidade, bem como a experiência de habitar em outra cidade, contribuiu, por um lado, para a ampliação dos seus horizontes valorativos, assim como para um processo de autonomização individual com relação aos seus familiares (Blanc, 2007 e 2009). É possível destacar aqui como os estudantes originários de pequenas cidades do Norte e Noroeste Fluminense, maioria da amostra na época da primeira coleta dos dados, relatavam efeitos ainda mais sensíveis neste sentido.
Estar em uma cidade maior, mais diversa e dinâmica do que suas cidades de origem, os incitava a refletir sobre as vantagens do novo contexto de moradia (mesmo que transitório, dado que muitos só permaneciam em Campos durante o calendário escolar) e a construção de modos de vida que conflitavam com aqueles dos seus pais e antigos amigos. Essas novas experiências eram sobrevalorizadas com relação àquelas vivenciadas durante os períodos de retorno à casa dos pais, nesse caso se refletindo em uma percepção negativa desses lugares de origem, nova, com relação àquelas que teriam antes de sair de casa (momento inicial marcado por estranhamentos, saudade e uma dificuldade passageira de adaptação).
Mamani (2016, p. 54), finalmente, define a sociabilidade fechada como o “cultivo de uma sociabilidade restrita a pequenos círculos, própria de uma ‘região fechada’ (Oliveira, 1981, p. 31) que se perpetua na relação entre ‘nativos’ e ‘estrangeiros’, mesmo quando a cidade experimenta mudanças econômicas significativas” e, no caso analisado por ele, apresenta então um incremento populacional marcado pela ampliação do contato com pessoas “de fora”. Não é a ausência de convívio com o outro, o estrangeiro, que incide sobre práticas de sociabilidade encerradas em si mesmas, mas um modo de lidar com essa diversidade que leva a um fechamento, a uma resistência ou mesmo negação em relacionar-se com aquele que é de fora e que envolve a desqualificação do seu modo de agir, bem como da sua presença na cidade.
O caso aqui observado não sugere um fechamento como prática reativa à presença “dos outros”, uma negação do convívio com aquele que é de fora, mas sim uma consequência da baixa variabilidade dos contatos estabelecidos na vida cotidiana. As experiências citadinas observadas na pequena cidade de Aperibé são marcadas por uma restrita mobilidade dadas as limitações de circulação pelo território em si, ele mesmo marcado regionalmente por uma baixa densidade populacional e pelo distanciamento geográfico de grandes centros urbanos. Observada de dentro, a estabilidade da sua população e a predominância de habitantes nativos da cidade ou região contribui ainda para o cultivo de modos de vida que operam segundo uma dinâmica particular, em nível municipal e, em certo nível, mesmo regional, entre as cidades vizinhas que compõem o mesmo circuito de sociabilidade.
Fechadas, dadas as circunstâncias, essas sociabilidades operam segundo uma lógica marcada pela proeminência de uma cultura subjetiva, na qual os modos de conduta pública são regidos segundo um regime do próximo que “extravasa o particularismo e se consolida como base de referência a uma cultura pública propriamente dita, a marca da pessoalidade considerada característica às cidades pequenas brasileiras por Rosane Prado (1998), por exemplo” (Blanc, 2017b, p. 48).
Ser morador de uma cidade pequena não é uma questão em si para os seus habitantes nativos do local, por mais que seus comportamentos e modos de vida sejam objeto de crítica pelos forasteiros com os quais tive a oportunidade de conversar. São eles que enquadram as práticas pequeno-urbanas experimentadas a partir de referências externas, classificando-as, em caráter de desqualificação, como típicas dessas localidades. Os dados estatísticos acima mencionados apontam para uma presença pouco significativa de migrantes habitando Aperibé, mas eles existem e participam da dinâmica pública de sociabilidade local apresentando diferentes perfis de envolvimento e projeção.
Tive a oportunidade de observar informalmente a trajetória de vida de uma dezena de pessoas com esse perfil, provenientes da capital do estado e que se estabeleceram, senão por toda, por boa parte da vida na cidade: estrangeiros que assumiram cargos púbicos de confiança ao longo das suas trajetórias, ou mesmo uma carreira política propriamente dita, aqueles que se estabeleceram na cidade com sucesso, sendo profissionais liberais (o que lhes exige a construção de certa reputação pública), que se tornaram ativos membros das igrejas da cidade, entre outros casos possíveis. Pessoas distintas pela sua origem, distinção esta que marca a construção das suas cadeias de reputação, não veiculadas a relações consanguíneas, mas às notoriedades construídas ao longo do tempo e através da construção das suas próprias cadeias de reputação. Mas que não reclamam de dificuldades em se relacionar ou sentir-se acolhidos. Ao contrário, é o controle social, na forma como só afeta aqueles que compartilham de um sentimento de pertencimento, objeto de questionamento. Esse questionamento remete aos referenciais de ação experimentados em suas cidades (grandes) de origem, mas não encontram efetividade no contexto dessa pequena cidade.
A ordem de grandeza que rege as relações entre conterrâneos nesse contexto segue outras definições de bem comum, relativamente protegidas de uma lógica objetivante, senão aquela dada na hierarquia das cadeias de reputação que elas mesmas produzem e alimentam. Nessas, como o destacado acima, os estrangeiros ocupam uma posição frágil, porque ainda carente de efetivação, o que só se obtém ao longo do tempo e pelas relações estabelecidas ou dos posicionamentos assumidos nesse contexto. Não contam com um potencial de abrangência capaz de posicioná-los nas situações, senão aquele que já foram, eles mesmos, capazes de conquistar.
Ao mesmo tempo, apesar de internamente potente em se efetivar como um referencial de bom, ao menos no contexto analisado, esse urbano é “pequeno” em seu potencial de extravasar seus efeitos para além das suas fronteiras.
Aqui me aproprio da noção de “pequeno” traçada por Boltanski e Thévenot (1991) para pensar a relação entre os atores no interior de uma ordem de grandeza. Essa, caracterizada pela definição de um bem comum, confere um ordenamento aos agenciamentos, servindo como referência ao posicionamento dos atores em relação, bem como para as disputas travadas entre eles. Freire (2013, p. 724) destaca, sobre a perspectiva analítica proposta pelos autores, que
[…] não se trata de apreender o mundo objetivo ou subjetivo e sim de apreender o mundo através dos sentidos corriqueiros do que é o mundo, dos sentidos construídos e mobilizados por atores em situação (os sentidos corriqueiros da justiça, do amor, da desigualdade etc.), bem como de observar o trabalho realizado por pessoas no intuito de se ajustarem de maneira situada a este mundo.
Nesse caso, me refiro à incapacidade dos modos de vida percebidos nesse espaço de observação se efetivarem para além do contexto em que se desenrolam, o modo de vida pequeno urbano; deste modo, é pequeno diante de um modelo (reconhecidamente metropolitano) de urbanidade. Assim como se subordina a toda uma série de outros possíveis, ranqueados segundo o seu potencial de se efetivar como grande.
Levando ao limite as classificações entre cidades — pequenas, médias ou grandes — e partindo dos imaginários sociais locais quanto às posições ocupadas nessa ordem de grandeza das urbanidades, o observado em Vitória ao longo dos últimos anos[6] nos permite uma reflexão interessante. Enquanto a população estimada da cidade (reconhecidamente média) de Campos dos Goytacazes é de 503.424 habitantes, a capital do estado do Espírito Santo apresenta um contingente populacional estimado de não mais do que 358.267 habitantes. Enquanto a cidade fluminense possui 4.031,989 km², Vitória é uma ilha de não mais do que 97,123 km² (IBGE, 2019). Não se cogita classificar Vitória como cidade média, sobretudo, devido ao seu papel centralizador enquanto capital de estado.
Mas, para seus moradores, Vitória é Vitorinha, o que inclusive inspirou uma marca de roupas local a fazer uma campanha — motivada pelo que consideram ser um adjetivo pejorativo — com o objetivo de substituir a categoria Vitorinha por Vitoríssima.
A bibliografia acadêmica dedicada ao desenvolvimento da cidade ou do seu estado confere destaque ao papel secundário ao qual teria sido enviado historicamente e por interesses do Poder Público Federal, o Espírito Santo — como em Achiamé (1999), Vasconcellos (1995) entre outros. Acometidos pelo comparativo com as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, esses autores reclamam os parâmetros desiguais de investimento que acometeram historicamente o Espírito Santo, especificamente, sua capital. Seu território fora apenas tardiamente explorado no período colonial, então utilizado como barreira verde de proteção a partir do descobrimento de ouro em Minas Gerais (Rocha; Morandi, 1991); finalmente, sua produção de café fora queimada, para sustentar os preços na crise, em favor de São Paulo (Ceotto, 1999), e assim sucessivamente.
Ao mesmo tempo em que Vitorinha pode ser um modo carinhoso de tratar a cidade, o apelido está carregado de sentidos que dizem respeito ao modo como os imaginários sociais locais se constituem. “Aqui todo mundo conhece todo mundo”, se ouve com frequência, afirmativa proferida de rostos tortos que evidenciam a sua carga crítica. “Vitória parece [ou é] uma cidade pequena”, dizem muitas vezes em seguida.
Em sua pesquisa em jornais locais sobre as representações das identidades culturais capixabas, Simonetti identifica os valores provincianos, as relações familiares e de compadrio e intimidade como definidoras da imagem veiculada sobre seus modos de vida, destacando ainda que
[…] essa cultura [assim como reportada nos jornais] é, ao mesmo tempo ‘deslumbrado[a] por tudo que vem de fora’ (Oliveira, 1992), é uma cultura que se afirma como provinciana, mas nega valor aos seus modos. Encanta-se pelo Outro e o toma como desenvolvido, moderno, como o modelo a ser seguido (Simonetti, 2002, p. 158).
No interior de uma ordem de grandeza que hierarquiza urbanidades, sentir-se pequeno não é uma condição exclusiva das cidades assim classificadas.
Considerações Finais
Assim como não existe uma relação de equivalência entre os habitantes do espaço de observação analisado, eles mesmos hierarquizados de acordo com o seu potencial de reconhecimento (pessoal ou como membros de uma cadeia de reputação de grande ou baixa abrangência), seus modos de vida são passíveis de serem colocados em questão por uma lógica que extravasa seu contexto de sociação, mas que é efetivada como o referencial de bem no interior de uma lógica classificatória de cidades (e, moralmente, suas urbanidades).
No interior de uma ordem de grandeza que hierarquiza cidades (em sentido literal) dado o seu potencial de influência e centralidade (apresentando um tamanho e adensamento populacional que reflete essa tendência, mais do que a estimula), a pequenez que constitui nosso espaço de observação também o subordina a uma lógica que desqualifica seus modos de vida e conduta pública.
Essas classificações partem do que pode ser definido como um princípio superior “comum”, uma ordem de grandeza, no sentido que lhe conferem Boltanski e Thévenot (1991), segundo a qual, de acordo com a apropriação aqui sugerida, as grandes cidades se estabelecem como o referencial de bom, aquilo que interessa econômica, política e analiticamente: “A pequenez e a grandeza dependem da convenção do estado de grande e de pequena”, assim como nos destaca Freire (2013) sobre a proposta analítica dos autores para pensar a realidade social.
O urbano enquanto objeto de análise e pensado segundo critérios metropolitanos é incapaz de se ater às modalidades de experiência citadina, ou urbanidades, que não lhe espelham, seja enquanto modelo de agir no mundo ou enquanto conceito analítico. Pensar a cidade partindo do pressuposto de que a condição citadina metropolitana é passível de generalização — por mais que se considere a diversidade com que pode se constituir no interior de uma grande cidade — é negar a complexidade com que se constituem os casos particulares entre os possíveis. É colocar em questão, ao mesmo tempo, outras experiências vividas nesses diferentes contextos, mesmo das grandes metrópoles, sejam em seus bairros ou a partir de diferentes trajetórias individuais ou coletivas de maior ou menor potencial de notoriedade, restringindo o nosso potencial de compreensão “da experiência pública e das suas vulnerabilidades”, nos termos de Breviglieri (2012).
O potencial do citadino pequeno-urbano como interlocutor de pesquisa está dado no domínio de agir segundo uma lógica recursiva pautada em um regime do próximo, bem como essa é uma das suas riquezas em termos analíticos. Ele não é o único que o domina, mas é certamente uma bela fonte de inspiração para analisá-lo em suas múltiplas faces e potencialidades, nos permitindo desvendar a complexidade da experiência urbana em diferentes contextos. Refletir sobre o que é ser pequeno, médio ou grande em termos de categorias de cidades é um exercício caro e fundamental para compreendê-las.
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- Grito de guerra entoado em coro por jovens estudantes habitantes da cidade selecionada como espaço de observação, em retorno de uma visita técnica, quando da descida de um colega, morador de uma área afastada da cidade. Afastada, mais precisamente, dois quilômetros do Centro da cidade, porém situada em uma área de expansão. É importante destacar que, entre a casa do estudante e a moradia mais próxima, já localizada em área contígua ao núcleo urbano, há uma distância de não mais do que 500 metros. Este artigo é fruto de um esforço de sistematização das reflexões levantadas por ocasião da mesa-redonda Quando as pequenas e médias cidades entram em cena, parte da programação da I Jornada Latinoamericana de Estudos sobre Pequenas e Médias Cidades, ocorrida na cidade de Campos dos Goytacazes em novembro de 2017.↵
- O Grupo de Pesquisa Cidades, Espaços Públicos e Periferias, organizador desta coletânea.↵
- Campos dos Goytacazes, em Blanc, 2007 e 2009, Rio de Janeiro e Paris, em Blanc, 2017a.↵
- Categoria desenvolvida para expressar o repertório de (re) conhecimento mútuo que é parte de um “estoque de conhecimento compartilhado” (Schultz, 1979), identificado nesse espaço de observação. Fundamentam modos relacionar-se socialmente que agregam pessoas segundo as conexões que estabelecem entre si porque assim conhecidas ou reconhecidas (o que exemplifico a partir dos sobrenomes de família, mas também envolve diferentes tipos vinculação). Potencializam a construção de uma forma compartilhada de notoriedade entre seus membros e que incide em distintas situações sociais ao permitir que o os atores em copresença, mesmo quando em contato com desconhecidos, acionem tais referências para se identificarem mutuamente. ↵
- Obra de infraestrutura básica realizada apenas nas ruas centrais da cidade, com o objetivo de conter as enchentes e alagamentos que atingem a cidade, ampliando o potencial de escoamento pluvial.↵
- Dados obtidos através de trabalho desenvolvido pelo CEP 29: Núcleo Capixaba de Estudos da Experiência Humana em Meio Urbano, projeto financiado pela Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES (FAPES).↵






