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4 Roessler e a União Protetora da Natureza (1955-1963)

Elenita Malta Pereira

Introdução

A União Protetora da Natureza (UPN), fundada em 1º de janeiro de 1955, foi, provavelmente, a primeira entidade organizada para a defesa ambiental no Rio Grande do Sul. Atuou no estado, com sede na cidade de São Leopoldo, durante oito anos, até a morte de seu fundador e único presidente, Henrique Luiz Roessler, em 14 de novembro de 1963.

A trajetória de Henrique Luiz Roessler (1896-1963) foi marcada pela proteção à natureza no Rio Grande do Sul. Nomeado capataz do Rio dos Sinos, do Ministério da Marinha, em 1937, exerceu também os cargos não-remunerados de delegado florestal regional (do Serviço Florestal) e de fiscal de caça e pesca, entre 1939 e 1954, ambos subordinados ao Ministério da Agricultura. Por meio desses cargos, possuía autoridade para fiscalizar o reflorestamento, a caça e a pesca, bem como para assinar editais do serviço público.

Desligado das funções públicas federais em dezembro de 1954, procurou uma forma de continuar atuando na área da proteção à natureza. Conseguiu uma licença para fiscalização da caça e da pesca em âmbito estadual e fundou a UPN. Como presidente da entidade, desenvolveu atividades educativas, por meio do proferimento de palestras, da confecção de panfletos e da escrita de textos jornalísticos. A partir de 15 de fevereiro de 1957, passou a escrever crônicas para o jornal Correio do Povo, espaço que ocupou frequentemente, às sextas-feiras[1]. Até uma semana antes de falecer, no ano de 1963, ele escreveu cerca de 300 artigos sobre reflorestamento, criticou caçadores e pescadores irresponsáveis, bem como denunciou maus-tratos a animais, a poluição dos rios e avaliou as consequências do tão propagado “progresso”.

A trajetória de Henrique Roessler foi tema de meu mestrado em história, defendido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2011. Tenho discutido, em meus trabalhos, a intersecção entre biografia e história ambiental, que permite acessar discursos, ideias, representações e éticas humanas proferidos por sujeitos e grupos em relação à natureza, no contexto do século XX.

O estudo da trajetória não se esgota na análise do indivíduo. Na verdade, é uma forma de se chegar, através da análise da vida de um sujeito, a um contexto mais amplo. No caso do estudo da trajetória de Roessler, acredito que foi possível chegar a um panorama das práticas e ideias sobre proteção à natureza nos anos 1930-60, no Rio Grande do Sul, contribuindo, dessa forma, para o campo da história ambiental.

A história ambiental trata, em linhas gerais, “do papel e do lugar da natureza na vida humana” (Worster, 1991, p. 201). Entre as questões básicas da história ambiental estão as próprias noções de “natureza”, as interações do domínio socioeconômico com o ambiente, o âmbito ético, de valores, na dinâmica homem-natureza, e o pensamento crítico-ambiental, na qual a análise do projeto protecionista de Roessler se insere.

Como Franco e Drummond (2009) que, preocupados com a historicidade, evitaram o uso dos termos “ambientalismo”, “ecologia política” e “desenvolvimento sustentável”, creio que a noção que melhor define a atuação de sujeitos contra a destruição ambiental na primeira metade do século XX seja “proteção à natureza”. Regina Horta Duarte (2010), ao analisar a trajetória de três cientistas vinculados ao Museu Nacional[2], utiliza a mesma expressão e entende, especialmente para o período dominado por Vargas, que a questão da proteção à natureza apareceu como um assunto educacional, importantíssimo para a construção da nação brasileira. Foi no âmbito dessa expressão, inserida num projeto maior, de construção da identidade nacional brasileira, que o personagem deste texto agiu: ela aparece no nome da entidade que fundou, a “União Protetora da Natureza”, em suas crônicas jornalísticas e documentos pessoais.

Neste capítulo, proponho uma análise do discurso protecionista presente em uma seleção de panfletos e textos escritos por Roessler[3]. Em seus artigos, ele abordou diversas questões ambientais da época em que viveu, como a caça e pesca com instrumentos proibidos, a caça de passarinhos, a poluição dos rios, o direito dos animais, o desmatamento e a necessidade de reflorestamento, a importância da educação para a proteção da natureza, a possibilidade ou não de futuro para a humanidade e questionou a importância do progresso.

A análise do discurso de Roessler/UPN nos possibilita adentrar as problemáticas ambientais de seu contexto (anos 1950-60) no Rio Grande do Sul e no Brasil como um todo, portanto antes do ambientalismo constituir-se como movimento social. Além disso, lança luz sobre o modus operandi de uma das primeiras entidades ambientais brasileiras.

A União Protetora da Natureza

Nove meses após sua fundação, a UPN já estava forte, contando com 160 associados, e Roessler já havia solicitado a todos os jornais do Estado a publicação de propaganda educativa. Os principais objetivos da entidade visavam à educação sobre a proteção da natureza e à formulação e aplicação de leis ambientais (UPN, Estatutos, 1955). Os Estatutos da entidade se alicerçavam no mesmo pilar do projeto de Roessler, desenvolvido desde que assumiu o cargo de delegado florestal, em 1939: a proteção à natureza. Para que essa realmente acontecesse, os dois elementos principais da entidade eram a ênfase na educação, encarada como um dos pontos-chave da atuação da UPN, e o aprimoramento da lei, necessário para tornar mais eficiente a repressão e a punição dos que destruíssem a fauna e a flora.

A proposta de educar para a proteção da natureza não era nova no Brasil. Bem antes, a Sociedade dos Amigos das Árvores tinha recomendações parecidas. Fundada em 1931, no Rio de Janeiro, pelo médico e botânico Alberto José Sampaio e por outros “patriotas”, queria ser a “sentinela vigilante do nosso ameaçado patrimônio florestal” (Franco e Drummond, 2009, p. 44). A Sociedade dos Amigos das Árvores (SAA) organizou a Primeira Conferência Brasileira de Proteção à Natureza, em 1934 e, no discurso de abertura, o presidente da SAA, Leôncio Correa, mencionou que “não bastava a elaboração de leis, fazia-se essencial cumpri-las e punir os infratores. Seria fundamental uma campanha educacional para despertar nas crianças, desde a mais tenra idade, o amor às árvores e aos animais, e a criação de uma escola florestal nos moldes existentes na Itália e nos Estados Unidos” (Franco e Drummond, 2009, p. 45).

Na palestra “Defendamos a natureza!”, 23 anos depois, Roessler propôs medida semelhante: a implantação de Bosques Escolares nas escolas, “de tanto sucesso na Alemanha, onde já existiam 3.000” (Roessler, 2005, p. 95), nos quais os estudantes aprenderiam in loco sobre as plantas e a necessidade de preservá-las. As propostas das duas entidades eram muito parecidas, considerando a educação o meio mais eficaz para atingir o objetivo da proteção à natureza. É interessante ressaltar que os presidentes da UPN e da SAA se referiam a experiências exitosas no exterior para demarcar o atraso brasileiro relativo ao assunto.

A UPN se mantinha com doações de sócios e simpatizantes, como estipulavam seus Estatutos. Não sabemos se chegou a receber donativos do poder público. Com frequência, o Presidente reclamava do atraso dos sócios em suas contribuições. Era o dinheiro arrecadado por Roessler em palestras e o patrocínio de empresas que pagava as contas da associação.

Roessler publicou um artigo no jornal Correio do Povo, no qual constam as realizações da UPN, em abril de 1958, quando havia passado mais de três anos de sua fundação e ela já possuía 250 sócios. Em “As atividades da União Protetora da Natureza” (Roessler, Correio do Povo, 11/04/1958), esclareceu que a entidade tinha

finalidades puramente idealísticas e, por isso, com poucos recursos está realizando muito. É centro de irradiação de um vasto programa educacional e de orientação popular, por meio da imprensa, rádio e cartazes ilustrados, de distribuição gratuita e direta aos interessados. Procura criar boas relações entre a humanidade e a natureza, a fim de preservá-la de destruição, especialmente as matas virgens. Ensina praticamente o reflorestamento e fomenta o amor e respeito aos animais silvestres, empenhando-se em criar uma nova mentalidade conservadora. Presta efetiva cooperação às Instituições Oficiais de Proteção à Flora e Fauna. Não está sujeita a influências políticas. Não modifica seu programa de ação com as sucessivas mudanças de Governo. É uma Entidade Livre.

As revistas Lavoura Arrozeira e Chácaras e Quintais[4] publicaram artigos sobre a UPN, a última teria alcançado, segundo Roessler, “a mais ampla repercussão, tornando a Sociedade conhecida em todo o Brasil, conforme provam os pedidos de material de propaganda vindos de vários estados, desde Pará, Mato Grosso, Pernambuco, Bahia, Paraná, Minas Gerais, Rio, São Paulo, etc.”. Tanto entidades oficiais quanto particulares pediram cartazes para servirem como modelo para iniciativas semelhantes.

A UPN ficou conhecida também no exterior, pois seu material foi solicitado pelo escritório Florestal da Organização das Nações Unidas (F. A. O.), no Rio de Janeiro, para ser exposto em uma exposição florestal, em Nova Déli, na Índia, “com a solicitação do direito de aproveitar os modelos para impressão de folhetos de propaganda em outros países, tanto na América Latina, como do Velho Mundo, fato que demonstra seu valor” (Roessler, Correio do Povo, 11/04/1958). No final de 1960, os panfletos já chegavam em 3.000 escolas, a UPN contava com 300 sócios e recebia constantemente pedidos de folhetos de propaganda, “até do centro e norte do Brasil [que] precisam ser atendidos, sob pena de fracasso da finalidade da Sociedade” (Roessler, Correio do Povo, 18/11/1960).

Os panfletos da UPN

Cartazes educativos já eram emitidos pelo Ministério da Agricultura, na forma de editais, quando Roessler ocupou o cargo de delegado florestal (1939-1954). Inclusive alguns desses panfletos foram aproveitados, com pequenas alterações, e distribuídos pela UPN. Entretanto, no geral, com a nova entidade, o caráter da campanha educativa mudou: deixa de ser legitimada por documentos oficiais, passando a ser veiculada por panfletos com mensagens mais diretas, reforçadas por desenhos ou fotografias. Ao mesmo tempo em que comandava as atividades da UPN, entre 1958 e 1963, ele escrevia crônicas para o Correio do Povo, proferia palestras em clubes, escolas e fiscalizava a caça e a pesca. Foi o período de maior autonomia e produção intelectual de nosso personagem: o auge de seu projeto de proteção à natureza.

A estratégia da propaganda através de panfletos, livretos, aliando textos e desenhos ou fotos, foi uma prática comum na época em que Roessler assumiu o cargo de delegado florestal, quando vigorava o Estado Novo no Brasil (1937-45)[5]. A propaganda estadonovista “orientava uma campanha de valorização nacional, procurando instilar um espírito de patriotismo e de confiança em relação ao país e seu futuro”. Através de rádio, livros, panfletos e até do cinema, difundiam-se mensagens para enaltecer a nação e suas “belezas naturais”. Com o objetivo de sugerir um futuro grandioso para o país, a natureza era apresentada de maneira extremamente positiva, no enaltecimento das “terras férteis”, nas “jazidas de incontestável pureza” (Garcia, 1999, p. 114-15). Para que essas mensagens fossem compreendidas pela população, instituições como a escola, a imprensa e a igreja eram fundamentais.

Vários panfletos veiculados pela UPN continham desenhos e mensagens direcionadas essencialmente aos pais, para que educassem seus filhos a não matar passarinhos, o que era prática comum em vários municípios gaúchos. Sobre essa temática, podemos ressaltar três panfletos bem característicos do trabalho de Roessler.

O primeiro (Figura 1) trazia, no alto, a mensagem “Destruir ninhos e matar pássaros é mau passatempo para os jovens”; abaixo, havia o desenho de um menino com bodoque ao peito e, nas mãos, um ninho de passarinhos, uma gaiola cheia e passarinhos mortos pendurados no punho. Ao lado dele, Roessler mostrava as maneiras mais usadas para “pegar” os bichinhos: o visgo, com ele se prendiam às árvores e caíam no alçapão; a arapuca, à qual o passarinho era atraído por um petisco e acabava ficando preso; o mundéu, que era, talvez, o mais cruel de todos, pois enforcava a ave.

Figura 1: UPN. Responsáveis são os pais

Fonte: S/data (APHR, reprodução da autora)

Figura 2: UPN. Fundas Não… 

Fonte: S/data (APHR, reprodução da autora)

Roessler tentava despertar compaixão pelos animaizinhos, através de seus desenhos. As cenas cruéis, como do passarinho enforcado, pareciam ter a finalidade de chocar os “pequenos”. A cultura da caça aos passarinhos estava tão “enraizada”, principalmente nas cidades de colonização italiana, no Rio Grande do Sul, que o desenho tinha que apelar para o lado sentimental da geração futura descendente dos imigrantes. Como se pode ver nesse panfleto, as mensagens eram dirigidas às crianças, aos jovens, aos pais e, também, aos professores. Ele tentava abarcar o máximo de pessoas possível, de preferência, as que podiam influenciar na educação dos infantes.

O segundo panfleto a ser examinado, como parte da campanha educativa da UPN, é o que contém no cabeçalho a mensagem: “Fundas não” (Figura 2), e o desenho de vários prejuízos que elas podiam causar à sociedade: matança de passarinhos, vidraças e lâmpadas quebradas, animais maltratados, placas estragadas, olhos vazados.

Roessler queria, com esse impresso, chamar a atenção da população em geral para as várias consequências do uso de fundas, não só a matança de passarinhos, mas, talvez, para ganhar a simpatia e o apoio da sociedade e do poder público. Por exemplo, uma dona de casa detestaria ter suas vidraças quebradas, e qualquer pessoa que fosse pega de surpresa por uma “pedrada perdida”, poderia ter, por isso, os olhos vazados ou qualquer outra lesão. Certamente, entraria na luta contra os malfadados bodoques. Com isso, Roessler conquistava aliados e, consequentemente, uma esperança de vitória, pois, se o uso de fundas diminuísse, também diminuiria o número de passarinhos mortos.

Também muito significativo é o folheto “Mais pássaros – melhores colheitas” (Figura 3), o qual enumerava seis argumentos, que condenavam a matança de passarinhos. Primeiro, Roessler falava de “quanto amor há nos ninhos”, como “símbolos de liberdade, plenos de vida e alegria”. O segundo ponto discorria sobre a “matança das avezinhas”, mesmo sua caça sendo proibida. O terceiro argumento era ressaltado na foto do prato “passarinhada com polenta”, característico das tradições italianas, obtido por meio das “passarinhadas”[6], que causavam, segundo Roessler, “incalculáveis prejuízos à agricultura e pecuária em geral e à Economia Nacional, pela diminuição da produção de alimentos, resultante das doenças e mortes de animais, frutas bichadas e cereais roídos pelas pragas de insetos daninhos”. Em quarto lugar, os “insetos nocivos”, em virtude da matança dos pássaros, proliferavam-se, levando “os colonos e o Governo a gastar anualmente muitos milhões de cruzeiros em inseticidas para combater as pragas de larvas e insetos roedores e sugadores das plantas e transmissores das doenças dos animais”.

Para Roessler, com a morte de passarinhos havia um duplo prejuízo, pois, além da perda do combate natural às pragas, ainda tinham de recorrer ao emprego de inseticidas que contaminavam os alimentos. O quinto ponto reforçava os argumentos anteriores, comparando “bico de pássaro ou veneno”; o bico seria muito mais eficaz, alcançando “os insetos escondidos debaixo das folhas e cascas”. O último ponto, encerrando a “moral da história”, era a condenação dos autores das matanças, das “passarinhadas”. De modo geral, pode-se inferir que o argumento principal, recorrente em vários panfletos e crônicas do autor, era a utilidade das avezinhas para a lavoura. Elas poderiam combater as pragas de maneira mais eficiente que os venenos e ainda sem cobrar nada.

Figura 3: UPN. Mais pássaros – melhores colheitas 

Fonte: S/data (APHR, reprodução da autora)

Sobre a caça, há dois panfletos que merecem destaque: o primeiro, sem data, mostra o desenho de um caçador, empunhando uma arma em direção de sabiás pousados numa árvore, com os dizeres: “O que diz a lei sobre o que você está fazendo?” E abaixo: “Resposta – veja art. 11º do Código de Caça – páginas 4 e 5.” Roessler se referia a um “livrinho” que confeccionou contendo “extratos de legislação interessante para caçadores, proprietários rurais, educadores, fiscais de caça, protetores de animais silvestres e amantes da natureza”. O referido artigo da lei dispõe, transcrito em letras maiúsculas, que

É PROIBIDA A CAÇA DE ANIMAIS ÚTEIS À AGRICULTURA, POMBOS CORREIO, PÁSSAROS CANOROS E INSETÍVOROS E DE PEQUENO PORTE, AVES ORNAMENTAIS E AS ESPÉCIES RARAS, EM QUALQUER ÉPOCA DO ANO E SOB QUALQUER PRETEXTO.

Constava, ainda, uma observação – texto de Roessler – reforçando a necessidade de proteção “dos animais úteis e raros, especialmente dos pássaros destruidores de insetos, em benefício da agricultura”. E novamente está ressaltado em letras maiúsculas: “PASSARINHO NÃO É CAÇA.” Ele recomendava aos caçadores que, antes de usar a arma, lessem a “Portaria Anual da Caça”. No panfleto citado, Roessler se utilizava da Lei de Caça, no caso o artigo 11º [sic], para legitimar sua advertência aos caçadores de passarinhos.

O segundo panfleto a enfatizar é um teste para o caçador se conhecer melhor, intitulado: “Que espécie de caçador é você?” Continha 80 perguntas, que permitiam verificar se o indivíduo caçava de acordo com as leis ou não. Entre os questionamentos, podemos destacar: “Você empresta sua arma para outros caçarem?”; “Você caça no período do defeso?”; “Você mata animais protegidos?”; “Você mata passarinhos?” As perguntas visavam a que o caçador fizesse uma espécie de exame de consciência, para ver se estava agindo corretamente em sua caça, de acordo com as leis, ou praticando contravenções. Ao término das questões, Roessler convidava o caçador a “reeducar-se para tornar-se um legítimo caçador”, e, ainda, um segundo convite: a ser “sócio cooperador da União Protetora da Natureza”. Na verdade, Roessler não era contrário à caça, desde que fosse responsável e dentro das regras e da lei.

A coruja foi defendida por Roessler, através de um panfleto da UPN, que trazia estampada a foto de um desses animais, segurando um rato em suas garras. Abaixo, a frase em destaque: “A coruja come rato!” (Figura 4), que alertava a população acerca da utilidade da ave como exterminadora de pragas. Porém, “o ‘passarinheiro’ mata e come a coruja”, o que fazia com que aumentasse o número de ratos, “que de noite vão comer o trigo na lavoura, de cujos prejuízos são injustamente acusados os tico-ticos, e outras avezinhas exterminadoras dos insetos nocivos dos trigais, como pretexto para serem caçados e comidos pelo ‘passarinheiro’”. Roessler explicava, no panfleto, a cadeia de prejuízos advinda da matança das corujas. Ele percebia que o sistema estava interligado; quando uma espécie predadora diminui, é normal que a presa se reproduza com facilidade. No caso, os ratos eram beneficiados, entretanto, isso causava a depredação da lavoura, que, depois, era creditada aos passarinhos, como desculpa para sua caça.

Figura 4: UPN. A coruja come rato! 

Fonte: S/data (APHR, reprodução da autora)

Sobre a temática florestal, podemos destacar dois panfletos: um deles, “O reflorestamento em ação”, traz um desenho, em forma de sombras, de dois homens: um de enxada na mão, provavelmente cavando um buraco, e o outro colocando uma muda de árvore no solo. A mensagem lista cinco vantagens em “plantar árvores: é uma das mais nobres e patrióticas atividades rurais; constitui o mais garantido emprego de capital, significa um sólido seguro de vida; valoriza a terra e garante a água; é prova de inteligência e previdência do proprietário rural”.

O outro panfleto em destaque é o que veicula, no cabeçalho, a seguinte mensagem: “O reflorestamento é obrigatório” e, abaixo, o desenho de uma mata de araucárias, voltado à conscientização do benefício que o reflorestamento representa, por si: “Plantem árvores – enquanto vocês dormem elas crescem, garantindo-lhes um futuro melhor”, e “Nunca é tarde demais para plantar uma árvore”. Roessler enfatizava as vantagens do ato de reflorestar, “que realiza milagres que maravilham, é um ótimo emprego de capital, um sólido seguro de vida”. Ele tentava mostrar o lado prático, útil da preservação da natureza, pois, do contrário, as pessoas não se interessariam pelo assunto.

Por fim, o panfleto mais importante da UPN foi o “Juramento de Proteção”, pois continha o texto elaborado por Roessler que todo o sócio da entidade deveria dizer, em voz alta, no ato da filiação (Figura 5, abaixo, no centro do panfleto):

Figura 5: UPN. Juramento de Proteção

S/data (APAC, reprodução da autora)

O texto e os desenhos do cartaz são muito representativos do projeto de Roessler; sua elaboração deve ter sido pensada detalhadamente, porque, em um parágrafo, estão presentes todos os elementos pelos quais ele lutava desde 1939: a proteção às florestas do fogo e do desmatamento; a necessidade de reflorestamento; o cuidado para impedir a poluição dos rios; a necessidade de impedir o extermínio dos animais (silvestres, aves e peixes), ou seja, o problema da caça e da pesca ilegais. E todo esse compromisso – pois se tratava de um juramento – se dava em nome da Pátria, de um “filho do Brasil” que se orgulhava das riquezas naturais de seu país. O sentimento patriótico movia o amor à natureza e deveria estar presente na consciência de todos os cidadãos. Ser nacionalista não era opção na época, e sim a tônica da maioria dos discursos correntes nos anos em que Roessler desenvolveu suas ideias protecionistas (as décadas de 1930 a 1960).

As crônicas jornalísticas

Na primeira crônica publicada por Roessler em sua seção no Suplemento Rural do jornal Correio do Povo, “Águas envenenadas nos nossos rios”, ele denunciou a poluição de vários rios do estado pelo despejo de resíduos tóxicos “in natura” em suas águas por diversas indústrias e curtumes. Entre os principais atingidos estavam o Rio dos Sinos e Arroio dos Curtumes (São Leopoldo), o Arroio Preto (Novo Hamburgo), Rio Gravataí (Santo Antônio da Patrulha, Glorinha, Viamão, Gravataí), Rio Caí (Montenegro) e Rio Ibicuí (principal afluente do Rio Uruguai, divide Uruguaiana e Itaqui).

Segundo o cronista, os maiores causadores do desastre eram curtumes, que lançavam taninos, sais minerais venenosos, anilinas e matéria orgânica; também as fábricas de papel escoavam seus detritos; ainda empresas como frigoríficos, fábricas de óleos, e até mesmo petroleiras despejavam seus restos em vários rios citados. Toda essa poluição causava a mortandade de milhares de peixes, doenças em eventuais banhistas, e mesmo problemas estomacais nas populações ribeirinhas que eram obrigadas a consumir as águas destes rios, sem tratamento. Roessler observava que só quando apareciam os peixes mortos nos cursos d’água se ouvia falar que as indústrias instalariam aparelhos para tratar seus resíduos, “mas quando desaparece o perigo comum, o que sempre acontece com a primeira chuva e consequente subida das correntes, tudo é esquecido, porque o micróbio do comodismo é muito forte entre nós” (Roessler, Correio do Povo, 15/02/1957). Ele denunciava os industriais, que nunca eram autuados pelas autoridades, o que o levava a questionar quais os interesses por trás disso, como se eles não pudessem ser incomodados. Já nessa crônica se manifesta o estilo de denúncia, indignado, provocativo e muitas vezes irônico de Roessler em seus escritos.

Uma das causas apontadas por ele da diminuição do número de peixes nos rios ano a ano era a poluição provocada pelo lançamento “in natura” de resíduos industriais tóxicos por diversas empresas no estado. Tema de vários textos, era um problema ignorado pelas autoridades, apesar de provocar prejuízos à pesca e às populações que consumiam as águas envenenadas. Na crônica “O Rio dos Sinos é um esgoto!”, Roessler observou que principalmente no verão, devido ao reduzido volume das águas, o rio “atinge tal grau de saturação de matérias orgânicas e fecais, resíduos cloacais e industriais, substâncias tóxicas e ácidas, que mata não apenas os peixes, mas o consumo ou um simples banho no rio oferecem sério perigo à saúde” (Roessler, Correio do Povo, 21/02/1958).

Ele denunciava a impunidade dos privilegiados curtumes e empresas poluidoras, que nunca atendiam, quando intimadas a tratar seus detritos antes de despejá-los nos rios. Sempre solicitavam maior prazo para cumprir a lei, a suspensão dela ou a indicação de algum aparelho barato. Segundo Roessler, “suas reclamações eram atendidas e assim conseguiam o seu principal objetivo – GANHAR TEMPO (…), pois, depois das chuvas, quando cresce o volume d’água do rio, diminui naturalmente seu índice de contaminação” [maiúsculas no original]. Nessa crônica, aparece a atenção com o aspecto social, além do ambiental. Ele se preocupava com o “povo que sofre as consequências desastrosas desse mau estado de cousas” e via na impunidade dos poderosos industriais um componente para reforçar a luta de classes: “Acentua-se assim entre a gente sacrificada o ódio contra a classe burguesa afortunada, que em vez de água do rio pode beber chope, água mineral ou refrigerantes e que preferem comprar um novo automóvel de luxo do que gastar a importância necessária à instalação de um purificador de águas” (Roessler, Correio do Povo, 21/02/1958).

A questão social também é tratada na crônica “Escassez de peixes – pescadores miseráveis”, na qual Roessler volta a expor os problemas da pesca, principalmente de água doce, que ele percebia como uma “grande injustiça: os pobres abandonados, os ricos protegidos e financiados, mau estado de coisas que vem alimentando ódio de imprevisíveis consequências e criando mais um perigoso problema social para o governo”. (Roessler, Correio do Povo, 18/12/1959). Todos os problemas com as águas, que levavam à poluição e morte dos peixes, resumiam-se, para Roessler, na “ação de gente ignorante, que só pensa no dia de hoje” (“Pesca destrutiva no Rio Carreiro”, Roessler, Correio do Povo, 21/07/1961).

Essa era uma ideia frequente em seus textos: a crítica do imediatismo e a defesa da preservação da natureza para o futuro; deixar um futuro para os descendentes. Ele criticava os industriais poluidores, arrozeiros e pescadores, porque pensavam apenas no presente, visando o máximo de vantagens, de lucros, sem se dar conta de que as gerações futuras iriam precisar dos mesmos elementos naturais.

A questão florestal foi outro tema destacado nos escritos de Roessler. A mais longa de suas crônicas, publicada em quatro partes, foi “A verdade sobre o problema florestal”, na qual ele citou trechos de obras e discursos de diversos autores que trataram o problema da destruição florestal e da necessidade do reflorestamento. Entre outras, declarações de Júlio de Castilhos (ex-governador do RS), do padre e biólogo Balduíno Rambo, do naturalista José Vidal, do engenheiro florestal alemão Wolfgang Herzog, dos escritores Monteiro Lobato e Euclides da Cunha, são comentadas por Roessler. Apesar de tanto debate sobre o tema, para o cronista “parece que o próprio Poder Público não se interessa muito pela solução do problema florestal, ou que não lhe convém mexer no assunto” (Roessler, Correio do Povo, 15/08/1958).

Na crônica “Reflorestamento ou miséria”, Roessler usou uma pitada de ironia. Citou o exemplo dos Estados Unidos, quando o presidente Theodore Roosevelt, sabendo da devastação, “ordenou o plantio de 100 milhões de pinheiros por ano”. Aqui, já que “tanto gostam de imitar os yankees, porque não se mexe uma autoridade ou político capaz e de fibra para tomar uma providência dessa natureza no Brasil?” (Roessler, Correio do Povo, 23/08/1958). Roessler sabia do esforço norte-americano para implantar o american way of life, desde os anos 1940, por meio da divulgação de hábitos de vida e consumo, principalmente. No fim da década de 1950, esses costumes já estavam praticamente assimilados, portanto a crítica de Roessler à imitação era pertinente. Se fosse para imitar, que se imitassem as coisas boas, pelo menos, é isso que ele parece querer dizer.

Uma data muito comemorada nas escolas, o “dia da árvore” era um dos piores dias do ano para Roessler. Na crônica “Fogo de palha”, ele afirmou que “em vez de dia de festa, devia ser um DIA DE LUTO pela floresta desaparecida, e deviam chorar de vergonha os que deixaram de cumprir o seu dever [maiúsculas no original]” (Roessler, Correio do Povo, 12/09/1958). O problema era que as pessoas só lembravam das florestas e celebravam as árvores nesse dia. Durante o resto do ano, o problema ficava esquecido. Roessler reclamava, acima de tudo, das classes mais visadas, as rurais, onde não se atingia o objetivo educativo, “porque não havia continuidade na propaganda de proteção às florestas e do reflorestamento”.

Apenas o plantio simbólico de mudinhas ou desenhos e redações nas escolas sobre as árvores não eram mais suficientes, porque a destruição já estava muito avançada. O cronista acreditava que o poder público devia ter mais rigor, com replantio obrigatório para os que derrubassem árvores, assim como destinação de verbas para isso. Ele tinha sugestões bem interessantes sobre como deveria ser a educação para a natureza nas escolas.

Segundo Roessler,

a juventude escolar devia ser ensinada a amar a terra, a floresta e a fauna por meio de um sistema pedagógico moderno, pondo-a em contato direto com a Natureza (…). Levem-nas para dentro das matas, ensinando-as a distinguir as diferentes espécies de árvores pelas folhas, cascas e frutos; mostrem-lhes as minúsculas sementes, das quais se geram os gigantes das selvas, as orquídeas, musgos e cipós que cobrem os galhos, o sub bosque com a infinidade de arbustos, os capins e folhagens que cobrem o chão tapetado de folhas caídas que formarão o húmus fertilizante, os insetos, borboletas e pássaros que povoam o mato. Expliquem-lhes no ambiente natural a utilidade da floresta virgem para a humanidade. (Roessler, Correio do Povo, 12/09/1958).

Ele defendia uma educação na prática, e, no estado da então degradação das florestas, era necessária uma atuação mais dinâmica, a começar pelas escolas. Roessler chegou a sugerir que um colono ensinasse “os jovens como usar a pá e a enxada, como preparar canteiros, como semear, regar (…) como se lavra a terra” (Roessler, Correio do Povo, 12/09/1958). Em sua visão, esses ensinamentos práticos seriam de maior utilidade para as crianças e jovens, e de maior proveito do que as Festas da Árvore. Também na crônica “Fogo de palha”, o conservacionista propõe “a criação de BOSQUES ESCOLARES (…), que tantos benefícios já proporcionaram à Juventude de outros países, onde foram organizados e constituem fontes de saber, prazer e saúde para alunos e mestres”.

Para ajudar na tarefa dos professores, Roessler enviava material da campanha educativa (os panfletos) a cerca de 3.000 escolas do Estado. Porém, havia um grave problema na época, o analfabetismo, nas classes populares, impedindo que pessoas mais simples, inclusive muitos colonos, lessem as mensagens dos cartazes e panfletos distribuídos.

Ele percebia que a escola era ambiente privilegiado para divulgar sua campanha, e acreditava na educação, por isso mobilizava força pessoal e recursos para enviar os folhetos. Na sua concepção, à escola, além do aprendizado de conteúdos teóricos, necessários à formação intelectual, cabia a continuação da obra iniciada na família de formar o caráter dos alunos. Na crônica “Educação do coração”, afirmou que a primeira obrigação moral a ser ensinada pelos educadores deveria ser “proteger, amparar e defender os fracos e indefesos animais que estão à sua mercê” (Roessler, Correio do Povo, 26/04/1963).

Para poder continuar a campanha, Roessler frequentemente pedia contribuições a seus sócios e simpatizantes. Na crônica “’Socorro’, amigos da natureza”, ele convidava a quem o apoiasse, a “defender os animais e as árvores com o coração, a cabeça e, em caso extremo, até com os punhos” (Roessler, Correio do Povo, 22/02/1963). E para ampliar seu raio de ação, a UPN necessitava de “mais sócios em toda a parte e de mais dinheiro (…), especialmente [para] a campanha educativa nas escolas, para despertar no espírito da juventude o sublime sentimento de respeito e amizade aos seres e coisas da natureza”. Além de dinheiro, Roessler aceitava qualquer tipo de doação, pois a impressão de milhares de panfletos para distribuir custava muito caro, e a UPN dependia dos recursos de seu fundador e das contribuições dos sócios, nunca tendo recebido dinheiro dos cofres de governo algum.

A primeira crônica sobre a caça de passarinhos foi “O bicho serrador da acácia”, publicada em 15 de março de1957. O texto começa com a constatação de que “sempre que a atividade humana interfere nas imutáveis leis da natureza, provocando o desequilíbrio biológico, ela se vinga terrivelmente. Na sábia organização da natureza todos os animais têm funções definidas e indispensáveis” (Roessler, Correio do Povo, 15/03/1957). Na visão romantizada de Roessler, cabia aos pássaros, nessa organização, a função de exterminar insetos nocivos, que incomodavam o bom desempenho da agricultura, tais como a lagarta verde, nos trigais, o “cascudo preto”, nos arrozais, a “vaquinha das vinhas” nos parreirais, a “mosca das frutas”, nos pomares, entre outros citados por Roessler. Se os pássaros fossem mortos por caçadores, as pragas de insetos poderiam desenvolver-se livremente, sem seus predadores naturais para realizar o controle das espécies.

Com o aumento das pragas, para combatê-los, os agricultores tinham que utilizar ainda mais inseticidas, o que, segundo Roessler, não tinha o mesmo efeito que os exterminadores naturais, pois “o veneno não atinge todos os esconderijos debaixo das folhas, nas fendas da casca das árvores, na terra, etc., onde os insetos se ocultam. Este serviço só é feito com perfeição e grátis pelas aves” (Roessler, Correio do Povo, 15/03/1957).

No caso do bicho serrador, objeto da crônica, ele cortava as pontas dos galhos de acácias e outras espécies de árvores, porém não representava um estrago tão grande no passado, porque tinha os pássaros como predadores naturais. Contudo, segundo relatou Roessler, nos últimos anos da década de 1950, houve uma mortandade muito alta de várias espécies de aves, o que pode ter causado a proliferação do bicho serrador.

O esforço do cronista, na tentativa de amenizar o estado de devastação das espécies gaúchas, passava pela educação. Já que era difícil convencer os adultos a mudar seus comportamentos, com as crianças, em processo de formação, poderia ser diferente. Ele considerava como “dedicados colaboradores” da UPN, a Classe dos Educadores, “que está modificando a mentalidade da juventude, ensinando-a que AMAR A NATUREZA é analisá-la, compreendê-la, tratá-la com respeito e bondade, excluindo todos os atos de violência, crueldade ou destruição contra insetos ou passarinhos, animais ou plantas [maiúsculas no original]” (Roessler, Correio do Povo, 24/07/1959).

Entretanto, em alguns casos, o problema se dava quando os progenitores “sabotavam” a obra dos educadores, pois era hábito muito comum os pais saírem com os filhos, principalmente nos finais de semana, para matar passarinhos. Mesmo que os pequenos não quisessem caçar, eram obrigados a fazê-lo para não receberem castigo dos pais. Roessler transcreve o desabafo de uma professora:

Encontrei muitas dificuldades. Alguns pais não querem compreender a nossa obra educacional. São francamente contra, por teimosia ou ignorância. Cito o caso de um bom e inteligente menino, que levou para casa, como todos os meus alunos, um boletim sobre a utilidade dos pássaros, desses que o Senhor [Roessler] nos mandou. No dia seguinte o menino me disse: ‘O pai não gostou’. Perguntei-lhe o que seu pai havia dito. O menino relutou, constrangido, mas depois confessou com lágrimas nos olhos: ‘O pai disse que a senhora é uma besta. Quem manda em mim é ele. Fez uma funda e me mandou juntar bastante pedrinhas para eu ir caçar passarinhos com ele no domingo. Eu tenho tanta pena dos pobres passarinhos, mas vou ter que obedecer para não apanhar’ (Roessler, Correio do Povo, 24/07/1959).

O ato de matar passarinhos com fundas ou outros artefatos era praticado em vários municípios de colonização italiana, no RS, portanto os esforços de Roessler e das professoras encontravam sérios obstáculos em muitas famílias, habituadas a comer a “passarinhada”. Muitos não admitiam abrir mão de tão “saboroso petisco”. Mesmo assim, ele aconselhava às educadoras a não desanimar, pois, no futuro, “os bons ensinamentos que hoje semeiam, frutificarão”.

Na crônica “Trezentos e sessenta sabiás para comer”, Roessler relatou um dia e uma noite de fiscalizações, em que foram apreendidos 320 sabiás. Foi em 14/06/1959, na localidade de Vila Seca, entre São Francisco de Paula e Caxias do Sul, municípios de colonização italiana no RS. Durante o dia, a fiscalização (Roessler e ajudantes do Serviço de Caça e Pesca) surpreendeu 16 transgressores com 60 sabiás e 10 pica-paus, o que já foi considerado pelo grupo “uma derrubada excepcional”. À noite, pelas 23 horas, os fiscais estavam exaustos, porém “um pressentimento anunciava mais algum acontecimento de importância para aquela noite; que era cedo para abandonar o serviço” (Roessler, Correio do Povo, 03/07/1959). Às 2 horas, “hora dos ladrões e contrabandistas”, os fiscais pegaram a grande presa da noite: um porta-malas com dois grandes sacos de pássaros e uma caixa de munição. Dentro dos sacos havia 260 sabiás, já depenados, o que perfazia cerca de 20 quilos. Roessler o qualifica de “super tarado, recordista absoluto”, pois não demonstrou sentimento algum de arrependimento. Entretanto, o título da crônica se refere a uma matança em São Francisco de Paula, quando morreram 360 sabiás, além de mais de uma centena de pica-paus, bem-te-vis, tico-ticos, entre outras, pela ação dos “passarinheiros”.

Na crônica “Caça, experiência assassina”, Roessler disserta sobre como deveria ser o “caçador ideal”, em sua visão:

a caça deveria ser permitida somente a homens sérios, idôneos, depois de terem absorvido um curso de caça e aprendido a conhecer os animais silvestres e os seus direitos e deveres de caçadores, e que tenham demonstrado suficiente formação de caráter, quando realizarem as provas de campo (…) e não a quaisquer elementos sádicos que gostam de ver estrebuchar a seus pés o animal assassinado, esvaindo-se em sangue, rindo, em olhar os seus cães estraçalhar uma capivara com seus filhotes; que matam a pau uma ninhada de marrequinhas de poucos dias; que atiram uma garça ou um quero-quero só para vê-los tombar das alturas; que abandonam os animais feridos, para não terem trabalho de procura-los quando se arrastam para o esconderijo, deixando atrás de si um rastro de sangue, (Roessler, Correio do Povo, 28/10/1960).

Roessler não era contrário à caça, inclusive tinha o apoio e a amizade de vários caçadores no estado, contando com sua ajuda em momentos de dificuldade. Em seus textos, Roessler reconhece que os animais também têm direito à vida. Se a caça fosse dentro dos limites estabelecidos pela lei e não causasse sofrimento desnecessário aos animais, ele não se oporia.

Uma de suas crônicas se intitulou “Os animais também têm direitos?”, na qual abordou o tema de forma bastante pioneira, lembrando do Decreto 24.645, de 10/07/1934, que estabelecia como os animais deveriam ser tratados pelos humanos. Roessler enumera uma série de castigos infligidos aos animais praticados pelos homens, e conclui que “o grau de civilização de um povo se avalia pela maneira como trata os seus animais” (Roessler, Correio do Povo, 02/03/1962). Ele também se manifestou sobre o uso de animais como cobaias em estudos científicos. Denunciou que “milhões de animais, cães, gatos, macacos, coelhos e outros são sacrificados anualmente em nome da Ciência, para fins de estudos e experiências”. Em muitos casos, dissecados vivos, a chamada “vivissecção” faria com que o animal sofresse terrivelmente.

A questão da ética e bioética são centrais no debate científico contemporâneo (séculos XX-XXI). A necessidade ou não da utilização de animais nas experiências científicas é tema de inúmeros estudos, porém não há consenso, e a maioria, ao que tudo indica, aponta que a utilização de animais é necessária e até mesmo indispensável, em muitos casos, desde que não cause sofrimento às cobaias.

Segundo Anamaria Feijó (2005, p. 18), a “ética dos animais” constitui, atualmente, um capítulo da Bioética, definida como “estudo sistemático da conduta humana na área das Ciências da vida e dos cuidados da saúde, na medida em que esta conduta é examinada à luz dos valores e princípios morais”. Feijó constata que desde a Antiguidade os animais são utilizados em experiências científicas. Aristóteles já teria observado e descrito mais de 500 espécies de animais em suas obras. O primeiro a realizar testes com animais vivos teria sido Erasistratus (304-258 a.C.). No século XVI, Andréas Vesalius (1514-1564) fundou a anatomia moderna, introduzindo a dissecação dos corpos, para melhor observar as estruturas anatômicas.

Entretanto, no século XIX, com as ideias humanistas impulsionadas por eventos importantes, como a abolição da escravatura em vários países e a revolução industrial, começaram a ocorrer manifestação contra a vivissecção, especialmente nos Estados Unidos e Inglaterra. A partir de 1938, a utilização de animais em testes de laboratório começou a ser regulamentada por leis e órgãos de fiscalização. Percebeu-se que, em muitos casos, não era possível testar substâncias diretamente em seres humanos, daí a necessidade da utilização em animais primeiro. Porém, não há consenso nem nas entidades protetoras de animais, nem entre os próprios cientistas, pois se questiona sempre se realmente o animal tem que sofrer pelos humanos.

Além de denunciar a ciência e maus-tratos de donos de animais, Roessler também criticou o uso extremo dos cavalos, obrigados a carregar pesadas cargas durante toda a vida; as rinhas de galos, em que esses recebem dos humanos navalhas nos esporões para se cortarem; a matança de garças e emas; o corte das pernas das rãs – saboroso petisco para alguns, na época – devolvidas vivas às águas, com um rastro de sangue, mutiladas, para morrer. Ele denunciava a questão da moda, que fez com que se depenassem aves silvestres para usar suas penas como adornos em chapéus femininos no início do século XX. Também foram alvo de sua crítica os famosos casacos de peles, pois ocasionaram “o massacre de várias espécies de animais de pelo fino, como do castor, da raposa prateada, do lobo marinho, (…) da chinchila, espécies de outras terras e das nossas lontras e nutrias, também comuns na Argentina, Uruguai e Paraguai” (Roessler, Correio do Povo, 02/03/1962).

Outro tema significativo na obra de Roessler foi o questionamento da noção de “progresso”, como um ideal de futuro. Em várias oportunidades, ele criticou o progresso, tal como era concebido pela humanidade, pois levava a uma separação ainda maior da humanidade com a natureza, o que aumentava a destruição dos elementos naturais. Em “Animais mortos nos rios”, Roessler cita um trecho do relato do viajante alemão Avé-Lallemant, narrando como era o rio dos Sinos em 1858:

a viagem, de vapor, de Porto Alegre a São Leopoldo durou sete horas. Sete horas de navegação por um rio calmo, de águas verdes, de margens revestidas de grandes árvores, quase que cobertas de aves. A floresta se revestia de orquídeas, trepadeiras e musgos, que desciam em barbas sobre a água. Enquanto o vapor passa junto das margens e muitas vezes navega à sombra do mato, adeja, nas arejadas frondes, uma multidão de coloridas borboletas. Voam de galho em galho numerosos martins pescadores. (Roessler, Correio do Povo, 27/12/1958).

Roessler constatou, desolado, que, em 1958 – cem anos após o relato de Avé-Lallemant, portanto – a beleza narrada pelo viajante já não existia e nunca mais voltaria, porque “o ‘progresso’ estragou o rio, as árvores foram cortadas e queimadas, as aves foram mortas, as águas verdes e límpidas ficaram turvas e podres, envenenadas e fedorentas”. Essa destruição é o preço que a humanidade pagava pela civilização e progresso material, pois, para Roessler, “a natureza é conspurcada e destruída onde o homem entra em ação” (Roessler, Correio do Povo, 27/12/1958).

Em “O progresso destrói a natureza”, Roessler demonstrou que já tinha consciência do problema das cidades, principalmente as metrópoles, noção que atualmente é muito debatida, considerada por estudiosos um dos maiores problemas ambientais do Brasil. Observando seu tempo, o cronista percebeu que

a vida se torna mais neutra, técnica, fria, autômata, anônima e interesseira, num tempo desses aumenta, para o mato, o número de seus inimigos e fica exposto a maiores perigos. Especialmente nas áreas de grande aglomeração fabril, nas portas das grandes cidades, o mato está exposto ao avanço da indústria, do tráfico e do loteamento. (Roessler, Correio do Povo Rural, 13/04/1962).

No texto, Roessler cita o caso da desapropriação de uma fazenda na divisa dos municípios de Canoas e Esteio, para a construção de uma Refinaria da Petrobrás (curiosamente, o dono da fazenda era um dos sócios da UPN)[7]. Roessler até aceitava o fato de que a refinaria traria muitos empregos e riqueza para a região, porém a área desapropriada continha um bosque de 40 hectares de mata virgem, “a última Reserva florestal do município de Canoas”. Com tantos outros terrenos sem árvores para construir, por que justamente escolher um que ainda contém árvores? Roessler não conseguia compreender isso, que, para ele era como uma provocação, para “judiar” seu amigo, dono da fazenda. Questiona-se: “por que será que só é observado pela maioria o lado material, mas nunca [o] ideal que enaltece o espírito e proporciona felicidade na vida?” (Roessler, Correio do Povo, 13/04/1962).

Além do desmatamento, a refinaria ainda causaria maiores prejuízos ambientais, pois seus esgotos afluiriam para o arroio Sapucaia, contaminando-o e matando seus peixes. Sobre os danos provocados pelas grandes cidades, sua crônica “Monstrópolis – a grande capital”, comenta o ritmo acelerado de crescimento da zona urbana entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, no final da década de 1950, e que, no futuro teria milhões de habitantes. Roessler não entendia como as pessoas podiam vender suas casas no campo, onde tinham uma vida mais tranquila, para ir viver nas cidades, “enclausuradas entre paredes” (Roessler, Correio do Povo, 05/06/1959). O caos urbano, problemas no trânsito, a poluição auditiva e visual, o cenário rodeado de pedras, aço, vidro e cimento, a poluição do ar eram problemas que o cronista percebia nas grandes cidades, e na verdade, era algo que estava só começando.

Considerações finais

Roessler não era cientista, ou acadêmico, sua formação escolar foi até o terceiro ano ginasial, cursado no Colégio Nossa Senhora da Conceição, de 1910 a 1912, um dos melhores estabelecimentos de ensino do estado na época, coordenado por padres católicos jesuítas, em São Leopoldo-RS. No entanto, em função de seus cargos públicos e de interesse pessoal, lia muito sobre o tema da proteção à natureza, desde livros especializados até revistas de circulação nacional, que divulgavam conhecimento sobre animais, plantas, agricultura, caça e pesca, de forma acessível ao grande público.

O discurso de Roessler estava afinado com o de seus contemporâneos. A discussão sobre a proteção da natureza estava presente em várias instâncias da sociedade; além de publicações especializadas, de acesso restrito, o tema era tratado no discurso político e na imprensa – local e nacional. Mas, naquele contexto, faltava alguém que conseguisse traduzir informações sobre o assunto para o grande público, de forma acessível, comovente e, muitas vezes, apaixonada, o que Roessler conseguiu suprir muito bem. Ao associar a proteção à natureza com nacionalismo, religiosidade e educação, ele ganhou a simpatia de muitas pessoas, leitoras do Correio do Povo em geral, como professores, agricultores, religiosos, entre outros.

Nos panfletos e nas crônicas, Roessler elegeu a questão da caça – especialmente de passarinhos – e do reflorestamento como principais temas para seu trabalho de conscientização ambiental. Na UPN, seguia aplicando os conhecimentos obtidos na função pública anterior, agindo para conscientizar o público da necessidade de preservação da natureza através da publicação de textos no jornal e da distribuição de panfletos educativos nas escolas gaúchas. Além disso, continuava apostando na ação, por meio de saídas fiscalizadoras, que ocorriam para flagrar principalmente caçadores ilícitos, mas também pescadores ilegais, desmatadores e pessoas que torturavam animais.

Não podemos compreender a produção intelectual de Roessler como uma manifestação de educação ambiental, no sentido moderno, isso seria um anacronismo. No entanto, é possível valorizá-la dentro de seu contexto, no seu papel inovador de manter a população informada e consciente sobre os problemas ambientais de sua época.

Destaca-se, como características importantes, da obra de Roessler: havia em seus panfletos e crônicas um sentido holístico, ao perceber que os seres vivos estão interligados e dependem uns dos outros para sobreviver. Havia também a proposta de uma melhor relação entre a humanidade e a natureza, cuja “separação”, por causa do “progresso” acelerado era causadora dos problemas ambientais. A ação era fundamental no trabalho de Roessler, aliada à produção escrita. E essa ação era direcionada para problemas reais e concretos, que ele conhecia bem, no Rio Grande do Sul.

Roessler acreditava no poder da educação. Vários de seus folhetos eram direcionados para professores, pais e alunos, na esperança de que uma ação conjunta pudesse formar pessoas mais conscientes no futuro. Só assim a natureza e, principalmente os passarinhos, teriam uma chance.

Fontes documentais

Crônicas publicadas por Henrique Luiz Roessler no Suplemento Rural do jornal Correio do Povo (encontradas no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul).

Águas envenenadas nos nossos rios. 15/02/1957.

Animais mortos nos rios. 27/12/1958.

Árvores desvitalizadas. 10/11/1961.

A retificação do Rio dos Sinos. 27/01/1961.

A verdade sobre o problema florestal. 15/08/1958.

Caça, experiência assassina. 28/10/1960.

Código de Pesca Rural descumprido. 08/11/1957.

Educação do coração 26/04/1963.

Escassez de peixes – pescadores miseráveis. 18/12/1959.

Fim com a peste do óleo! 13/01/1961.

Fogo de palha. 12/09/1958.

Monstrópolis – a grande capital. Porto Alegre, 05/06/1959.

O bicho serrador da acácia. 15/03/1957.

O progresso destrói a natureza. 13/04/1962.

O Rio dos Sinos é um esgoto! 21/02/1958.

Os animais também têm direitos? 02/03/1962.

Pais contra professores 24/07/1959.

Pesca destrutiva no Rio Carreiro. 21/07/1961.

Reflorestamento ou miséria. 23/08/1958.

Religião e Natureza. 01/08/1958.

”Socorro”, amigos da natureza. 22/02/1963.

Trezentos e sessenta sabiás para comer. 03/07/1959.

Panfletos e documentos da UPN (confeccionados entre 1955-1963)

UPN. A coruja come rato! S/data (MHVSL).

UPN. Destruir ninhos e matar pássaros é mau passatempo para os jovens. S/data (AHRS).

UPN. Estatutos. São Leopoldo, 1955 (MVSL).

UPN. Fundas não. S/data (AHRS).

UPN. Juramento de Proteção. D/data (APAC).

UPN. Mais pássaros – melhores colheitas. S/data (MHVSL).

UPN. O que a lei diz sobre o que você está fazendo? S/data (MHVSL).

UPN. O reflorestamento é obrigatório. S/data (AHRS).

UPN. O reflorestamento em ação. S/data (AHRS).

UPN. Que espécie de caçador é você? S/data (MHVSL).

UPN. Responsáveis são os pais. S/data (APHR).

Referências bibliográficas

BRASIL. Decreto Nº. 24.645, de 10 de julho de 1934. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D24645.htm>. Acesso em 24 de abril de 2019.

CAPELATO, Maria Helena. Propaganda política e construção da identidade nacional coletiva. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 16, nº 31 e 32, p. 328-52, 1996.

DUARTE, Regina Horta. História & Natureza. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

DUARTE, Regina Horta. A biologia militante: o Museu Nacional, especialização científica, divulgação do conhecimento e práticas políticas no Brasil – 1926-1945. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010.

FEIJÓ, Anamaria. A utilização de animais na investigação e na docência: uma reflexão necessária. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2005.

FRANCO, José Luiz de Andrade, DRUMMOND, José Augusto. Proteção à natureza e Identidade Nacional no Brasil, anos 1920-1940. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2009.

GARCIA, Nélson Jahr. Estado Novo: Ideologia e propaganda política. E-book, Rocket Edition, 1999.

MARTINS, Ana Luiza. Revistas em Revista: Imprensa e práticas culturais em tempos de República. São Paulo (1890-1922). São Paulo: Edusp, 2001.

PEREIRA, Elenita Malta. Roessler: O homem que amava a natureza. São Leopoldo: Oikos, 2013.

PEREIRA, Elenita, WEBER, Regina. Roessler Vs. Bird Hunters: “Passarinhada” and Ethnic Conflicts in the South of Brazil. Miradas em Movimiento. Special Volume – Naturally Immigrants. 2012.

ROESSLER, Henrique Luiz. O Rio Grande do Sul e a Ecologia – Crônicas escolhidas de um naturalista contemporâneo. Porto Alegre: Governo do Estado do Rio Grande do Sul/SEMA/FEPAM, 2005.

WORSTER, Donald. Para fazer história ambiental. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 4, n. 8, p. 198-215, 1991.


  1. Jornal com sede em Porto Alegre, na época com a maior circulação no estado do Rio Grande do sul. Os textos de Roessler saíam, no começo, na seção Assuntos Rurais. A partir de 06/09/1958, com a criação de um suplemento, chamado Correio do Povo Rural, seus textos passaram a ser publicados no encarte, que circulou até 15/09/1984. Uma seleção com 95 desses textos foi publicada em 1986, com segunda edição em 2005 (Roessler, 2005).
  2. Edgard Roquette-Pinto (1884-1954), Cândido de Mello Leitão (1886-1948) e Alberto José Sampaio (1881-1946).
  3. Os documentos citados neste texto encontram-se guardados nos seguintes arquivos: Arquivo Privado de Henrique Roessler (APHR), em São Leopoldo; Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (AHRS), em Porto Alegre); Biblioteca do Ministério da Agricultura (BINAGRI – Brasília); Memorial do Legislativo do Rio Grande do Sul (ML-RS), em Porto Alegre; Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (MCSHJC), em Porto Alegre; Museu Visconde de São Leopoldo (MVSL).
  4. As reportagens em ambas as revistas mencionadas por Roessler podem ser consultadas no MCSHJC. Tratava-se de divulgação importante da entidade: a Lavoura Arrozeira era distribuída em todo o Estado e a Chácara e Quintais, que circulou de 1909 a 1971, foi considerada uma das revistas mais importantes do Brasil “não apenas como produção agrícola, mas como marco do periodismo da época” (Martins, 2001, p. 299).
  5. Para Capelato (1996, p. 328), “a referência básica da propaganda é a sedução, elemento de ordem emocional, eficaz na conquista de adesões políticas”.
  6. A passarinhada era uma espécie de ritual praticado principalmente por imigrantes italianos e seus descendentes, que envolvia a caça, o preparo do prato (passarinho frito com polenta e molho) e algum evento comemorativo em que os passarinhos eram consumidos. Foi uma das grandes brigas de Roessler com os “italianos”, ver mais detalhes em meu artigo específico sobre esse tema: Pereira, Weber (2012).
  7. Tratava-se da área onde atualmente se situa a Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas-RS.


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