Lídia Mallet Gonçalves[1] y Luana Balieiro Cosme[2]
Este trabalho é resultado da participação da autora e da coautora, no projeto de pesquisa “Estudantes feministas: possíveis promotoras de uma virada epistêmica no ensino nas universidades?”. O projeto vem sendo desenvolvido no Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e é coordenado pela professora Dr.ª Soraia Carolina de Mello e conta com financiamento do CNPq através do PIBIC/UFSC e com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC). Temos como objetivo principal nesta proposta analisar de que forma estudantes feministas dos cursos de História nas universidades públicas da cidade de Florianópolis, principalmente aquelas que intercruzam em suas críticas teorias feministas, interseccionais e de(s)coloniais, provocaram uma virada epistêmica no ensino acadêmico, na graduação e na pós-graduação.
Sendo assim, o recorte espacial do trabalho está localizado na cidade de Florianópolis, capital de Santa Catarina – Brasil, focalizado nos cursos de história das universidades públicas da cidade, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. A escolha pela capital catarinense se deu pelo fato de a cidade ser um polo de relevância no Brasil em estudos de gênero e feminismos. As estudantes foram mapeadas através de suas participações em grupos de pesquisa, disciplinas, cursos, eventos acadêmicos e de militância feminista na UFSC e na UDESC.
Buscamos analisar os planos de curso fornecidos por estas estudantes, tendo em perspectiva, quais bibliografias presentes nesses documentos poderiam fornecer debates interseccionais e de(s)coloniais no percurso dos respectivos cursos. Tendo em vista este objetivo, estabelecemos alguns critérios para analisar as bibliografias básicas acionadas pelos professores nos planos de ensino, sendo assim, ressaltamos que, cada bibliografia será analisada a partir dos metadados: autoria[3] e título. A primeira análise foi realizada sobre o total da bibliografia básica, quais usam perspectivas, abordagens e/ou teorias feministas, interseccionais e de(s)coloniais. As autoras latino-americanas/os não são um fator para a seleção, porque as autoras ou autores podem partilhar de perspectivas eurocentradas/ nortecentradas e, não necessariamente contribuir para uma virada epistemológica nos moldes que selecionamos.
Nesse sentido, coletamos e analisamos 35 planos de ensino de três estudantes. Dentre eles, 26 correspondiam ao nível de graduação e 9 ao nível de pós-graduação. Sobre a questão “Possui uma ou mais referências bibliografias que abordam autoras/autores feministas, interseccionais e de(s)coloniais” obtemos 19 “sim”.
Ressaltamos que a ação de descolonizar a teoria da história é componente crucial de uma virada epistemológica no qual as estudantes são as protagonistas. Ao interrogarem e debaterem referências bibliográficas dos planos de ensino, provocam indagações sobre a utilidade da permanência de autoras/es canônicas/os representativo de uma Europa colonialista/imperialista e a necessidade urgente de confrontar estas referências com as produções intelectuais atravessadas pelas questões feministas, interseccionais e de(s)coloniais.
Entendemos as bibliografias citadas pelas estudantes enquanto marco da virada epistêmica e como fonte histórica. Assim, trazemos como resultados parciais as condições de produção e publicação dessas bibliografias, sua historicidade e inserção nas Universidades, e de que forma estas contribuíram para possíveis compreensões do problema proposto. Assim, trazemos como resultados parciais as condições de produção e publicação dessas bibliografias, sua historicidade e inserção nas Universidades, e de que forma estas contribuíram para possíveis compreensões do problema proposto.
- Graduanda em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. lidia.mallet@gmail.com.↵
- Doutora em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), luanabalieiro@gmail.com.↵
- Contrariando a gramática da língua portuguesa para evitar o uso demasiado de o/a, os/as, optamos por escrever sempre que possível no feminino para explicitar a normalização do masculino como universal.↵






