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Representações da sexualidade
e dos gêneros através dos grafitos
em uma ambiência escolar

Adriano Rogério Cardoso[1] e Tânia Regina Zimmermann[2]

Os(as) jovens, com menos espaços sociais para serem ouvidos sobre o tema sexualidade e gênero, procuram outras maneiras de se expressar, uma delas é a confecção dos grafitos de conotação sexual. Os grafitos são desenhos, escritas, ou seja, expressões verbo-visuais.  

O interesse por essa temática surgiu devido às indagações pessoais, observações do elevado número de grafitos no ambiente escolar acompanhadas, muitas vezes, pelo silenciamento dos(as) professores(as) em relação a sexualidade e questões de gênero na escola. Trata-se de uma pesquisa descritiva-exploratória de cunho qualitativo e consideramos que melhor auxilia na compreensão desse fenômeno social[3]

A pesquisa visa observar nos grafitos, discursos imbricados, descrever as relações discursivas e de poder em uma sociedade com marcas patriarcais (Chauí, 2001[4]), cisheteronormativas e cristãs (Foucault, 1979[5]). O que diferente da norma for deve ser eliminado ou silenciado.

O trabalho foi realizado em duas fases: 1- levantamento de pesquisa bibliográfica com o objetivo de encontrar trabalhos que permeiem nossa temática de interesse, sexualidade, gênero expressos pelos grafitos em ambientes escolares; 2- coleta de fotos: paralelamente foram sendo colhidas imagens no ambiente da escola pesquisada, fora do horário das aulas, para os procedimentos de classificação, reflexão e análise dos dados. 

Estar em condição ou assemelhar-se com a feminilidade é algo inconcebível para a masculinidade, pois põe em xeque as rígidas estruturas hegemônicas da masculinidade, daí o contínuo combate e rechaçamento das identidades trans, ou seja, corpos identitários que transgridem, transitam e buscam proximidade com a feminilidade.

Figura 1. Desenho – (Masculinidade: homem/pênis)

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Fonte: acervo fotográfico do pesquisador.

O discurso patriarcal cisheteronormativo hegemônico conduz, normatiza a sexualidade humana, o gênero e nos coloniza. Discursos centralizam o falo desde cedo na vida do menino e da menina, valorizando a masculinidade, por um viés tóxico e colocando a feminilidade como algo fragilizado, submisso, passivo que deve ser evitado pelo masculino. 

Por meio de representações do universo adolescente é possível criar políticas públicas que correspondam às reais necessidades e anseios expostos ou interditos destes(as) jovens. Além disso, podem-se criar intervenções, políticas educacionais, cursos de formação, capacitação para professores(as), para que o processo educativo seja mais eficiente, acolhedor, priorizando a reflexão, o questionamento, a (des)construção de valores, preconceitos, estereótipos presentes sobre a sexualidade e gênero. Queremos que todos esses(as) jovens grafiteiros(as) e os(as) demais dancem, amem, sexuem, beijem e sejam felizes. 


  1. Mestre em Educação pela Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), Unidade Paranaíba, Mato Grosso do Sul e Professor da Rede Pública do Estado de São Paulo, Brasil. e-mail:adrianor345@hotmail.com.
  2. Profa. Dra. do Mestrado em Educação na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul- Unidade Paranaíba, Mato Grosso do Sul, Brasil e Profa. de História na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul- Unidade Amambai, MS, Brasil.  e-mail: taniazimmermann@gmail.com.
  3. A pesquisa para dissertação do Mestrado em educação foi realizada em agosto de 2018 a dezembro de 2019 junto a uma escola da rede pública de ensino que oferece o Ensino Fundamental II, anos finais e Ensino Médio, denominada EE “Prof.ª Zélia de Lourdes Zaccarelli Lopes” no município de Pontalinda localizado na microrregião de Jales, situada na mesorregião de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, Brasil.
  4. Chauí, Marilena (2001) Brasil, Mito Fundador e Sociedade Autoritária. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, p. 9-10.
  5. Foucault, Michel (1979)  Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal.


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