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Profissão docente

Uma revisão sobre a História, precarização e feminização da docência no Brasil

Luis Fernando Martins Lopes[1]
e Cíntia de Paula Borges Menezes[2]

Resumo

A presente proposta de revisão tem como objetivo o entrelaçando de posicionamentos e discussões de autores/as-pesquisadores/as contemporâneos/as que trazem a temática de forma processual e coerente possibilitando considerações pontuais. Para obter respaldo teórico, a metodologia empregada na pesquisa é a abordagem qualitativa do tipo revisão bibliográfica. A partir das argumentativas elaboradas, visualiza-se o quão importante são as retomadas históricas para se compreender e explicar o presente; um processo cauteloso, que permite uma abertura para os estudos de formação da profissão docente e suas variáveis.

Introdução

A discussão deste trabalho tem como proposta realizar a breve revisão de alguns conceitos sobre a história da profissão docente, dessa forma apresentar reflexões sobre a precarização da profissão e a contextualização da feminização do mesmo desde seus primórdios no século XIX, tendo como foco neste último à importância da mulher professora dentro de um universo constituído inicialmente pelo professor homem. Com o presente texto pretende-se possibilitar reflexões sobre o trabalho docente e sobre a importância de discutir e analisar o cenário educacional e político em que se insere, bem como o processo a que estão relacionados.

Desenvolvimento

Historicamente, a docência fora construída sobre definições de gênero, mais precisamente sobre e pelo gênero masculino. Os primeiros educadores foram homens, padres jesuítas, que determinavam as diretrizes de suas instituições. Melo[3] específica que “a educação formal brasileira inicia-se no período do Brasil Colônia, com a chegada dos jesuítas, em 1549”, e alegavam que “[…] o ensino só podia ser conveniente e interessar a camada dirigente (pequena nobreza e seus descendentes)” (Melo, 2012: 12).

O ingresso das mulheres na docência não foi um processo pacífico. Por outro lado, discursos favoráveis enfatizavam que o magistério era como uma extensão da maternidade, mais do que uma profissão, um sacerdócio, uma vocação, uma atividade de amor, tal como a de uma mãe. Alunas e alunos eram considerados filhos espirituais da professora mulher (Louro[4], 2002).

Para uma sociedade totalmente tradicional as mudanças refletiram em vários setores da época como no próprio cenário educacional, os professores homens começam a migrar para outras áreas, já que a mesma vinha passando pelo processo de “urbanização e industrialização que ampliava as oportunidades de trabalho para os homens” (Louro, 2002: 449), possibilitando, como argumenta a autora, “a feminização do magistério”.

O trabalho docente traz consigo diversas conotações; sejam elas através de fatores históricos ou político-sociais. Sobre o professor, Oliveira[5] enfatiza que “[…] esse personagem histórico adquiriu novas características e papeis sociais, e a própria constituição individual docente é, ao que nos parece, um processo complexo e plural […]” (Oliveira, 2016 : 552).

Oliveira[6] concluiu que “[…] se o magistério não chegou a constituir-se solidamente como uma profissão, claro está que não deixa de sofrer processos de desprofissionalização”. Há múltiplas identidades da professora, uma complexidade de representações, mas algo as unifica: são trabalhadoras, ainda que não haja referências da escola enquanto local de trabalho e dos/as professores/as como trabalhadores na histografia social (Oliveira, 2004: 1137)

Considerações finais

Como nos afirma Gadotti[7] , “o ato educativo é essencialmente político” (Gadotti, 1998: 71), logo, a função docente é política. A afirmativa destaca a profissão docente como indissociável do ato de lutar. De fato, para o exercício da docência é essencial reconhecer que a educação tal como é, é ineficiente, precária e excludente. Não há neutralidade, até mesmo a omissão do docente é um posicionamento político.

Assim, todos estes pensamentos, referências e diálogos faz-nos refletir e repensar o contexto de sociedade, e até mesmo do nosso sistema educacional, que se interpõe como um ambiente comunitário, mas historicamente autoritário, aberto, mais fechadas às discussões que se fazem necessárias.


  1. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), campus de Três Lagoas/MS, sob orientação da Profª. Dra. Cintia Lima Crescêncio. Endereço eletrônico: prof.luis_fernando@hotmail.com.
  2. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), campus de Três Lagoas/MS, beneficiária de auxílio financeiro da CAPES – Brasil, sob orientação da Profª. Dra. Cintia Lima Crescêncio. Endereço eletrônico: cintia.pabome7@gmail.com.
  3. Melo,, Josimeire Medeiros Silveira de. (2012) História da Educação no Brasil / Josimeire Medeiros Silveira de Melo; Coordenação Cassandra Ribeiro Joye. Fortaleza: UAB/IFCE..
  4. Louro, Guacira Lopes (2002) “Mulheres na sala de aula”. In: Del Priore, Mary. Pinsky, Carla Bassanezi (org). História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, p. 441-481.
  5. Oliveira, Mariana Esteves (2016) Apontamentos para a pesquisa histórica sobre o trabalho docente. Espaço Plural, v.17, p. 551-583.
  6. Oliveira, Dalila Andrade (2004) “A reestruturação do trabalho docente: precarização e flexibilização”. In: Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 89, p. 1127-1144, Set./Dez.
  7. Gadotti, Moacir (1998) Pedagogia da práxis. São Paulo: Cortez.


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