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Apresentação

Esta coleção de livros reúne volumes temáticos representativos da produção historiográfica em história ambiental de Argentina e Brasil. Sua ideia surgiu da articulação entre as preocupações de acadêmic@s brasileir@s e argentin@s sobre as interações entre as sociedades humanas e o ambiente, de um lado e outro da fronteira.

Desde o início, a diretriz adotada na coordenação dos trabalhos foi a parceria, sempre aos pares, entre pesquisador@s de ambos os países. Um/a representante de Argentina e um/a de Brasil são responsáveis por convidar autores dos seus respectivos países com produção significativa nos temas escolhidos, e coordenar todo o processo de revisão e edição dos textos.

Optamos por apresentar os artigos nas línguas maternas de cada autor/a, por entender que, por um lado, a linguagem se constitui num instrumento cognitivo (Raiter, 2008) de excelência, que permite a comunicação com outros falantes;  por outro, deduz-se que as línguas não são neutras (Hodge e Kress, 1993). Nesse sentido, as formas gramaticais utilizadas, o léxico e os recursos selecionados para emitir cada discurso e argumentação mostram uma concepção particular do mundo para aquele falante. Isso nos permite perceber o vínculo com a natureza e as representações sociais, culturais e até políticas que são tecidas entre as comunidades e seu ambiente natural. Podemos afirmar, com sucesso, essa resolução, pois a linguagem utilizada nos permite comunicar, conceituar, entender, interpretar e estabelecer melhor o conjunto de ideias que queremos transmitir. Temos aqui, portanto, um convite ao conhecimento do “Outro” e sua realidade socioambiental.  

É surpreendente que precisemos reforçar a importância dessa leitura entre países que possuem línguas tão parecidas e, mais ainda, uma herança cultural tão próxima. Percebemos uma dificuldade, no caso Brasil, em assumir uma identidade latino-americana – articulada às heranças indígena e africana, por muito tempo negadas até mesmo no ensino de história no país. Em ambos os países, persiste a herança da colonização, nos costumes e no pensamento, nos fazendo enxergar como espelho não nossas realidades históricas, mas, de forma distorcida, a Europa (e mais recentemente, os EUA), como bem apontou Quijano (2006).

No que se refere ao ambiente, ambos os países compartilham o bioma Pampa, amplamente degradado pela pecuária extensiva e pelos monocultivos transgênicos, especialmente de soja. Argentina e Brasil, inseridos no sistema econômico mundial como agroexportadores, persistem em degradar sua natureza para garantir os ganhos do capital. Estudar a interlocução entre ambiente e sociedade nesses processos é o papel da história ambiental, transcendendo a esfera desses países, uma história que se assuma como latino-americana.

Para Cláudia Leal, que apontou o absurdo da barreira da língua entre pesquisadores de fala espanhola e portuguesa em 2016, o grande desafio da história ambiental latino-americana é “fornecer uma lente que mude permanentemente o cenário da  trajetória histórica da região, tornando-a mais completa e precisa, não apenas para historiadores ambientais, mas, para todos” (LEAL, 2019, p. 247).  É o desafio que estamos começando a enfrentar, e esta coleção representa, na visão dos organizadores, um passo nessa direção.

Acompanhar as histórias ambientais de Argentina e Brasil expande os horizontes do estado-nação, possibilita que evidenciemos cenários com problemáticas ao mesmo tempo semelhantes e diversas. Esta coleção apresenta em suas páginas estratégias de resistência e sobrevivência nesses cenários, que levaram à construção de olhares e de paisagens únicas e compartilhadas. Somos parte do mesmo continente, por isso, confrontar fronteiras políticas, econômicas e socioambientais nos permite encontrar-nos também em contextos socioambientais que estimulem o diálogo.

Nesta coleção, se apresentarão semelhanças e divergências nos capítulos que compõem os volumes. Assim, podemos advertir – ou isso pretendemos – as contradições presentes em nossa América Latina. Ao final, esperamos que os leitores e as leitoras se sintam representados, mas também instigados. Que conhecer esse Outro que está tão perto nos leve a conhecer a nós mesm@s.

Boa leitura!

 

As organizadoras e o organizador

Referências

HODGE, Robert y KRESS, Gunther. Lenguage as ideology. Routledge, Londres, 1993.

LEAL, Claudia. Aguzar la mirada colectiva, el gran desafío de la historia ambiental latinoamericana. Historia y sociedad, Bogotá, 36, pp. 243-268, 2019.

QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Colección Sur Sur, CLACSO, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, 2005.

RAITER, Alejandro y ZULLO, Julia. La caja de pandora: representaciones del mundo en los medios. La Crujia, Buenos Aires, 2008.



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