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Prólogo

Dra. Fernanda Kilduff

Foi com muita satisfação que aceitei o convite para “prefaciar” a Revista “Horizonte em Intervenções Sociais”, já na sua 3ª edição. Parte da satisfação é ter participado desde sua primeira edição, em 2018.

Em tempos de acirramento da desigualdade social no mundo, de retrocessos sociais e perdas de direitos, mas, ao mesmo tempo, de resistências coletivas ao projeto do capital na fase contemporânea como estamos experimentando, sobretudo na Região Latino-americana, os sete artigos aqui elencados cujas autorias correspondem a profissionais, docentes e estudantes de diversas universidades da Argentina, do Chile, do México e da Espanha, nos desafiam a pensar a conjuntura atual e as políticas públicas e trazem contribuições fundamentais para refletir sobre o trabalho profissional das/dos assistentes sociais, em distintos campos sócios ocupacionais.

O primeiro artigo desta coletânea “Contradicciones de la Megaminería Chilena: El Toro como lugar de resistencia. Aportes desde el Trabajo Social”, centra a reflexão sobre o predomínio do modelo econômico chileno baseado na extração de recursos naturais, sobretudo da atividade predatória da megamineria e principalmente a do cobre. A pesquisa vai além do visível: a prevalência de um sistema que extrai e empobrece os territórios, encabeçado por empresas internacionais e legitimadas pelo Estado.  Ao mesmo tempo, apresenta a história local de El Toro (comunidade com tradição minera) com a finalidade de conhecer as práticas de resistência desta localidade ante um modelo econômico que depreda a vida e os territórios no Chile contemporâneo. Nas conclusões, as autoras trazem o debate sobre a relação entre o trabalho profissional do Serviço Social e o meio ambiente destacando a necessidade que nossa profissão coloque seus conhecimentos teórico – políticos, metodológicos e técnicos a disposição das comunidades e dos movimentos sociais que resistem à expropriação de seus recursos e de seus direitos.

O segundo artigo: “Jóvenes, dispositivos socioeducativos y subjetividad política” precisamente retoma a necessidade de fortalecer subjetividades para a resistência e a luta por direitos. Analisa uma experiência territorial localizada na Argentina com jovens em situação de vulnerabilidade, a partir da metodologia da educação popular. Essa pedagogia visa a formação crítica e a necessidade de revisar e desconstruir as categorias dominantes com as quais se lê e se age no mundo, ungidos por um horizonte de emancipação que pretende lhe dar aos processos a dimensão histórico e política que lhes correspondem.

 A autora sustenta como hipótese que a implementação de dispositivos sócio educativos destinados a jovens em situação de desvantagem social e considerar, nesse percurso, seus efeitos na constituição de uma subjetividade política enquanto produção de sentido é condição de possibilidade de um modo de ‘ser’ e ‘estar’ em sociedade, de assumir posição nela e de agir em conseqüência.  Conhecer-se e interpretar-se em relação ao lugar social e político que se ocupa, reconhecendo o entramado de relações construídas, sua debilidade e fortaleza, constitui um caminho de possibilidade para se enxergar e intervir em relação ao futuro.

Conclui-se que o fortalecimento da capacidade política do sujeito, desde sua possibilidade de agenciar, no sentido de promover, possibilitar o aumento do poder dos sujeitos, um poder no plano reflexivo e também da ação, é fundamental para reconfigurar problemas e criar em seu movimento, resistência, oposição e proposição diante deles.

O terceiro artigo: “Palabras Activas: desandando intervenciones pedagógicas en territorios educativos: Programa de Prevención e Intervenciones Pedagógicas en relación a la Problemática del Consumo de Drogas en Contextos Educativos”, adentra em uma gritante expressão da questão social com a qual profissionais se deparam em diversos campos sócio ocupacionais e requer urgente reflexão para responder com qualidade. A autora recupera uma experiência profissional na Argentina, destacando também as contribuições da educação popular.

A autora sustenta como proposição central que, trabalhar na problemática dos consumos de substancias psicoativas, implica assumir uma mirada desde a complexidade que nos permite desenvolver ações em todas as instancias e dimensiones educativas, sócio comunitárias, institucionais, grupais e individuais. Neste sentido o artigo focaliza nas intervenções pedagógicas em relação a essa problemática e se sustenta a importância de articular com o trabalho dos organismos governamentais de responsabilidade pública estatal de nível Nacional, Provincial y Municipal que trabalham neste entramado social. Afirma-se que trabalhar na Problemática do Consumo de Drogas é trabalhar na Problemática da Infância em estado de Vulnerabilidade, mas trabalhar com consciência, responsabilidade coletiva e compromisso social, com ações reais e não como duvidosas promessas.

O quarto artigo: “Tensiones y contradicciones entre el discurso y la práctica de los intelectuales de la pedagogía crítica en el ámbito universitario”, oferece contribuições de relevância política  e acadêmica para problematizar a prática de ensino em contexto universitário, trazendo a preocupação sobre a qualidade, os princípios e os valores que devem nortear o trabalho neste âmbito.  A unidade de análise é o curso de Serviço Social da Faculdade Nacional de La Plata (FTS, Argentina). As autoras colocam de relevo o projeto Institucional da Universidade Nacional de La Plata (UNLP, 2018-2022) que se orienta a promover a cientificidade, o pensamento crítico, o debate em democracia e com a aceitação e o respeito às diversas ideologias. Porém, as pesquisadoras se questionam se realmente as práticas acadêmicas dos docentes estão mesmo orientadas pela pedagogia crítica, ou seja, aquela que se opõe à produção de um pensamento único e edifica um paradigma sustentado na horizontalidade do saber sendo necessário preservar a produção intelectual com qualidade e com autonomia, sendo necessário debruçar-se sobre o conceito de “grieta” que tem caracterizado o cenário político nacional nos últimos anos.

Situado no apartado “Reflexões de intervenções sociais”, o quinto artigo: “Servicio social comunitario: escenario ideal para la experiencia y el aprendizaje”, relata uma experiência de estágio supervisionado no curso de Serviço Social da Universidade de Sonora (México), observando a importância de incidir no âmbito comunitário e suas potencialidades como experiência formativa de estudantes de graduação em nível nacional. As autoras destacam o trabalho multidisciplinar, a formação integral e as atividades orientadas a melhorar a qualidade de vida dos sujeitos nos seus territórios a partir da intervenção profissional conectada com problemáticas locais, porém vinculadas a esfera regional e nacional.

Destaca-se também o potencial formativo dos projetos comunitários em termos de planejamento, execução e avaliação das atividades realizadas, sendo essas experiências uma contribuição teórico-prática indispensável no percurso discente pela formação universitária da/do assistente social, como também  para as/os docentes envolvidas/os nessas experiências de trabalho territorial.

O artigo sexto intitulado “¿Gestionar o intervenir? Actuación profesional de los trabajadores sociales como garante de los derechos de la ciudadanía”, localiza a reflexão em Madrid (Espanha), porém, a pesar de ser essa a unidade de análise, a centralidade da problemática que a autora analisa, é extensiva a outros países e outros Estados que também implementam políticas compensatórias da pobreza e partir de mecanismos burocráticos que tendem a excluir à população mais empobrecida de acessar a esses direitos.  Como destacado, em épocas de crises os recortes de serviços sociais são de sobra conhecidos.  A pergunta que chama a reflexão é como as/os assistentes sociais se posicionam diante deste quadro? Apesar de conhecer a legislação que garante esse direito, muitas vezes, os profissionais adéquam-se e reproduzem esses mecanismos burocratizados sem criar estratégias que possam sobrepor-se a essa tendência presente na política de assistência caracterizada pelo minimalismo e a focalização e nos últimos tempos até pela extinção de programas focalizados ao combate da pobreza extrema em uma conjuntura de aumento do desemprego estrutural e massivo em países tanto do capitalismo central quanto do dependente.

O sétimo e último artigo: “Accesibilidad de la ciudadanía al trabajo social en los equipos de atención primaria de los centros de salud de la comunidad de Madrid”, oferece em perspectiva histórica a configuração da rede de saúde de Atenção Primária na localidade de Madrid (Espanha) e analisa o serviço social nesta política considerando sua historicidade desde a década de 1980 até os dias de hoje. Observando a legislação que garante a presença da/do assistente social em todas as equipes interdisciplinares, o artigo traz à tona a problemática de não contar com a presença do serviço social nas mencionadas equipes fragilizando e precarizando as respostas profissionais dadas aos sujeitos que acessam a rede primaria de assistência à saúde.

Desejo a todas e todos uma excelente leitura!

 

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2019.



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