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O mercado da soja no Paraguai

Expansão, consolidação e momento atual

Valdemar João Wesz Junior

Resumo

O objetivo deste trabalho é analisar os processos de expansão, consolidação e momento atual do mercado da soja no Paraguai, além de identificar os principais atores envolvidos nesta cadeia produtiva e as suas estratégias empresariais. Esta investigação concilia procedimentos e técnicas de pesquisa de natureza qualitativa e quantitativa, como revisão bibliográfica, análise de dados estatísticos e pesquisa de campo. Os resultados apontam para um forte crescimento da soja no Paraguai, que o colocou no cenário mundial como o quinto maior produtor e o quarto maior exportador. Atualmente o grão se tornou a principal atividade agropecuária no país, tanto pela sua importância territorial (mais de 70% da área cultivada em 2014), quanto econômico-comercial (40% das exportações totais de 2014). O Censo Agropecuário de 2008 permite perceber uma forte concentração na produção, com 3% dos produtores controlando quase 50% da produção nacional, e com metade da soja sendo provida por produtores estrangeiros (com destaque aos brasileiros). Em relação às principais empresas que atuam com a soja no Paraguai, cabe destacar que correspondem àquelas que dominam o cenário mundial. Desse modo, trata-se de um mercado controlado majoritariamente por um pequeno número de grandes empresas transnacionais, como Bayer, Syngenta, Basf e Dow/DuPont no setor de defensivos e sementes; CNH, AGCO e John Deere na indústria de máquinas e equipamentos agrícolas; ADM, Bunge, Cargill, Dreyfus e Noble/Nidera na compra, esmagamento e exportação. Em suma, o mercado da soja no Paraguai apresenta um movimento conjunto de transnacionalização e concentração dos produtores e empresas, sendo cada vez mais reduzido o número de beneficiários diretos da principal atividade agropecuária do país.

Palavras chave

Mercado da soja; Agronegócio; Empresas transnacionais; Paraguai.

I. Introdução

No Paraguai, o complexo soja (grão, óleo e farelo) que tem sido identificado como “la columna vertebral del agronegocio” (Rojas Villagra, 2009), sendo o maior cultivo em termos de valor bruto da produção, extensão e infraestrutura de industrialização e escoamento (Ferreira e Vázquez, 2015). Enquanto em 1995 o grão dominava 28,3% da área cultivada no verão e 11,6% das exportações totais (Fogel e Riquelme, 2005; OEA, 2009), em 2014 passou a ocupar 71,2% das terras aráveis do país e a responder por 40,4% das exportações totais (MAG, 2016; BCP, 2016). Em paralelo, o Paraguai se solidificou como o sexto maior produtor mundial e o quarto exportador de soja em grão (USDA, 2017).

Apesar desta centralidade que o complexo soja assumiu no Paraguai, há uma grande carência de estudos acerca dos principais atores por trás do avanço desta cadeia produtiva no país[1]. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é apresentar a expansão da soja no Paraguai, identificar os principais atores envolvidos nesta cadeia produtiva (produtores rurais e empresas a montante e a jusante) e, na medida do possível, mapear seu poder de mercado. Além da utilização de uma literatura acadêmica especializada na discussão dos temas abordados, foi feito um levantamento de dados secundários, consultando diferentes fontes. Paralelamente, foram coletadas informações em materiais midiáticos, especialmente jornais e revistas, além de um levantamento nos relatórios, boletins institucionais e balanços particulares das empresas. Para complementar as informações, foram visitadas as principais feiras agropecuárias do país, como a Expo Santa Rita 2015 e 2016 (no distrito de Santa Rita – Alto Paraná), Innovar 2017 (no distrito de Colónia Yguazú – Alto Paraná) e Expo Regional Canindeyú 2017 (no distrito de La Paloma do Espírito Santo – Canindeyú). Além de observar algumas dinâmicas comerciais nas feiras em que a soja é a protagonista, foram entrevistados representantes de 16 empresas de diferentes segmentos (máquinas, revendas de insumos e compra de grãos).

Este artigo está estruturado em quatro partes, além da Introdução e das Considerações Finais. Inicialmente apresenta o tema da expansão do cultivo da soja no Paraguai. Na sequência traz algumas características dos produtores rurais que cultivam a oleaginosa, sobretudo em termos de estrutura fundiária e nacionalidade. Em seguida aborda os atores envolvidos a montante da cadeia produtiva e, por fim, aprofunda nas empresas a jusante.

II. Expansão do cultivo da soja no Paraguai

A produção de soja no Paraguai foi completamente residual até a metade do século XX. Os dados dos Censos Agropecuários de 1943 e 1956 indicavam que eram cultivados menos de 250 hectares em todo o país, cuja produção não chegava a 200 toneladas (MAG, 1960). Na década de 1960 o grão começa a se difundir com maior intensidade, mas ainda detinha uma produção inferior a 40 mil toneladas e uma área abaixo de 15 mil hectares, o que significa que ocupava menos de 2% das terras em cultivo no país. Nos anos 1970 a soja ganhou mais força, superando 350 mil hectares plantados e obtendo 550 mil toneladas colhidas em 1979 (Figura 1) (Faostat, 2016). Foi decisivo para esta ampliação o significativo aumento da demanda e do preço no mercado internacional, bem como o fortalecimento do modelo agroexportador estimulado durante a ditadura de Stroessner (1954-1989), principalmente com o Primeiro Programa Nacional de Soja, que foi lançado em 1972 e oferecia aos produtores facilidades para acessar o crédito rural. Entretanto, poderiam participar apenas aqueles agricultores que possuíam as escrituras das terras e que detinham a produção “semimecanizada”, pois “esses estariam em condições melhores para aumentar a área cultivada bem como modernizar a produção, conforme almejava o governo ditatorial” (Klauck, 2011, p. 873/4).

Além disso, a expansão do cultivo da soja no Paraguai está fortemente vinculada com o estabelecimento de um grande número de agricultores brasileiros que se instalaram na região oriental do país nas décadas de 1960 e 1970[2]. Esta migração ocorreu em um contexto de expulsão de muitos agricultores de suas propriedades de origem devido à construção da hidrelétrica de Itaipu, responsável pela desapropriação de 42 mil pessoas, em sua maioria pequenos produtores rurais do oeste do Paraná. Além disso, o processo de modernização da agricultura brasileira, caracterizada pela expropriação de milhões de pequenos produtores, parceiros, arrendatários e posseiros, e pela concentração da propriedade da terra também foram elementos determinantes para formar um grande grupo de produtores pré-dispostos a migrarem (Zaar, 2001; Moraes Silva e Melo, 2009).

Do lado paraguaio, Stroessner buscava consolidar um modelo de agricultura para exportação e favoreceu a entrada de agricultores brasileiros para que aumentassem as áreas de lavouras – sobretudo soja – destinadas ao mercado internacional. Para tanto, aboliu a lei que proibia a compra de terras por estrangeiros na faixa de 150 quilômetros de suas fronteiras e ofereceu facilidades na concessão de terras e no financiamento das atividades agropecuárias. Além disso, eram elementos atrativos para os agricultores brasileiros os baixos preços da terra e sua alta fertilidade, a baixa densidade populacional na região, os elevados preços internacionais dos produtos, a inexistência de impostos sobre a produção agrícola e a total permissividade do Estado com o desmatamento (Pappalardo, 1995; Nickson, 2005; Rojas Villagra, 2015).

Na década de 1980 a superfície cultivada com soja continuou crescendo, ainda que em 1986 uma forte estiagem tenha provocado uma redução na área e na produção (Figura 1). De 1990 a 1991 ocorre uma nova queda da soja no Paraguai, motivada principalmente pela baixa nos preços internacionais e por problemas climáticos. Entretanto, de 1991 a 2015 houve uma ampliação ininterrupta da área cultivada, passando de 550 mil para 3,5 milhões de hectares (crescimento superior a seis vezes). A participação da soja sobre o total das terras aráveis no Paraguai passou de 25% para mais de 70% no mesmo período (Faostat, 2016), demonstrando a grande concentração e a dependência da agricultura nacional neste grão (de cada três hectares plantados no Paraguai no verão, dois são com a soja).

Já a produção não teve o mesmo desempenho (Figura 1), com fortes oscilações entre as safras. Isso decorre, principalmente, das variações climáticas (excesso ou falta de chuvas), que fizeram com que houvesse uma elevada redução no rendimento médio em alguns períodos específicos, com destaque para 2009 e 2012, quando a queda na produção foi superior a 50%. Apesar disso, é evidente o crescimento do volume produzido, que saltou de 1,4 milhão em 1991 para praticamente 10 milhões em 2014 (MAG, 2016).

Figura 1. Área cultivada (hectares) e produção (toneladas) de soja
no Paraguai (1970-2015)

fig1 cap 4

Fonte: Faostat (2016) e MAG (2016).

Em termos espaciais, a soja teve início no Departamento de Itapúa, onde já estavam instalados colonos de origem europeia que dispunham de terra e capital para impulsionar a produção do grão. No final dos anos setenta e oitenta o Departamento de Alto Paraná começa expandir o cultivo, “com o forte impulso dos migrantes brasileiros e das empresas agroindustriais” (Rojas Villagra, 2015, p. 80). Nos anos mais recentes mantém-se a importância de Itapúa e Alto Paraná, além de Canindeyú, San Pedro e Caaguazú, todos com mais de 200 mil hectares cultivados com soja (Figura 2) e respondendo por praticamente 90% da área plantada (MAG, 2016). Também ocorreu a ampliação para outros departamentos, como Amambay, Caazapá, Misiones e Concepción. Esse processo de expansão tem gerado inúmeros conflitos, como foi destacado por Fogel e Riquelme (2005), Palau et al. (2009), Palau (2015 e 2016), Riquelme e Vera (2013) e Rojas Villagra (2016), entre outros.

Toda essa dinâmica de expansão da soja no Paraguai tem sido levada a cabo por um conjunto de atores que estão, de alguma forma, articulados nesta cadeia produtiva, como produtores rurais, indústrias de máquinas, fertilizantes e agroquímicos, revendas, bancos, firmas de assistência técnica, silos, agroindústrias, transportadores, cooperativas, organizações de representação dos produtores e das empresas, etc., cujas informações e dados sobre sua atuação são limitados. Neste estudo nos centraremos nos produtores rurais e nas empresas a montante e a jusante da cadeia produtiva.

Figura 2. Área cultivada com soja por departamento no Paraguai

Fonte: MAG (1983, 1993 e 2016). Elaboração do autor.

III. Produtores de soja no Paraguai

A identificação e caracterização dos produtores de soja no Paraguai ainda é uma incógnita diante da escassez, para não dizer inexistência, de estudos sobre o tema. A principal base de informações disponível, ainda que defasada, provém dos Censos Agropecuários do país (1943, 1956, 1981, 1991 e 2008), sobretudo os dois últimos que permitem identificar a estrutura fundiária e a nacionalidade dos produtores. Em termos do número de agricultores com cultivo de soja, os dados de 1943 e 1956 indicavam a presença de 478 e 665, respectivamente (MAG, 1960). Naquele momento a área média plantada por estabelecimento era inferior a meio hectare, visto que a produção se destinava à alimentação de bovinos e suínos nas propriedades rurais. Já em 1981 o cenário é muito diferente, quando foram mapeados 29.663 agricultores (80% em Itapúa, Alto Paraná e Canindeyú), com área média de 16,7 ha por estabelecimento (MAG, 1983). Em 1991 há uma redução no número de produtores (26.720), mas com crescimento na superfície média por estabelecimento (20,7 ha) (MAG, 1993).

Entre 1991 e 2008 o número de produtores de soja teve um crescimento modesto, quando passou de 26.720 para 28.917 (aumento de 8,2%). Por outro lado, a área plantada e a produção tiveram uma ampliação muito superior – 345% e 551%, respectivamente, indicando um movimento de concentração no cultivo da oleaginosa. Entretanto, isso se torna mais claro quando são analisados os produtores por tamanho da área total dos estabelecimentos. Com esse recorte, percebe-se que aqueles com menos de 100 hectares têm se mantido na produção do grão e continuam representando praticamente 80% das unidades com soja em 2008. Mas, em termos de área plantada e produção de soja, as unidades maiores que mil hectares passaram a controlar 47,8% do total (contra 17,0% em 1991). Em suma, os dados do Censo apontam que, apesar de haver uma manutenção do cultivo da soja nos estabelecimentos menores ao longo do período, houve uma forte concentração da área e da produção nas grandes unidades (maiores que mil hectares).

Outra característica dos produtores de soja refere-se à nacionalidade. O estudo conduzido por Galeano (2012), também com base no Censo Agropecuário de 2008, aponta que 64% de toda superfície de soja era cultivada por produtores estrangeiros, sendo 50% brasileiros e 14% de outros países sul-americanos (destaque aos argentinos), europeus (alemães e espanhóis, sobretudo) e asiáticos (japoneses predominantemente). Ao cruzar nacionalidade e tamanho da propriedade (Figura 3), fica claro que “son los productores extranjeros los que predominan en las medianas y grandes explotaciones. Por consiguiente, en la producción de este rubro agrícola, se confirma la correlación entre la concentración y la extranjerización” (Galeano, 2012, p. 415).

Figura 3. Área cultivada com soja por nacionalidade do produtor e tamanho do estabelecimento em 2008 (%)

fig3 cap4

Fonte: Censo Agropecuário de 2008. Elaborado por Galeano (2012).

IV. Segmento a montante na cadeia da soja no Paraguai

O segmento a montante de uma cadeia produtiva é caracterizado pela oferta de máquinas e equipamentos para produção agrícola e de insumos, como sementes, fertilizantes e defensivos (herbicidas, fungicidas, acaricidas e inseticidas). No segmento de tratores e colheitadeiras, segundo dados da Câmara de Distribuidores de Automotores e Máquinas (Cadam, 2017), há uma grande concentração nas três empresas líderes mundiais: CNH (com as marcas Case IH e New Holland), AGCO (com as marcas AGCO, Valtra e Massey Ferguson) e John Deere (Figura 4). No Paraguai não há indústria de tratores e colheitadeiras, existindo somente concessionárias espalhadas nas principais regiões agrícolas, que importam estas máquinas e atuam como representantes das marcas. Entre as principais concessionárias, cabe destacar Ciabay (representante das marcas Case IH e New Holland), Automaq (John Deere), DLS – De La Sobera (Massey Ferguson), Rieder y Cia (Valtra), Kurosou y Cia (John Deere) e Agro Silo Santa Catalina (New Holland).

Figura 4. Importação de tratores e colheitadeiras (%) por empresa
no Paraguai (2012-2016)

Fonte: Cadam (diferentes anos).

No segmento de insumos para produção de soja (fertilizantes, sementes e defensivos), pode-se dizer há uma grande carência de informações estatísticas neste elo da cadeia produtiva. A única fonte disponível refere-se ao volume importado com adubos/fertilizantes (capítulo 31 dentro da NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul) e agroquímicos (posição 3808 da NCM) por empresa, que permite estimar o poder de mercado visto que grande parte dos produtos consumidos no país provém de importações e a soja é o cultivo com maior demanda.

Para tanto, separou-se entre empresas que, majoritariamente, produzem e comercializam marcas próprias ou empresas que comercializam e distribuem marcas de terceiros (revendedores) (Tabelas 1 e 2). Em relação às importações de fertilizantes, chama atenção a presença das companhias líderes na exportação de soja. Isso ocorre devido a uma importante estratégia empresarial assumida por Cargill, ADM, Bunge, Dreyfus y Cofco, que operam de forma verticalizada, ou seja, participam de diferentes elos da cadeia produtiva (esse tema será discutido mais adiante). Na maioria dos anos ADM era quem mobilizava as maiores importações, mas com a compra do ramo de fertilizantes pela Mosaic/Cargill, a empresa saiu deste mercado (Tabela 1). No setor de defensivos, as transnacionais Syngenta, Dow, Bayer, Monsanto mobilizam importantes cifras (mais de 50% em 2014), que seria ainda maior se não ocorresse a importação de seus produtos pelas próprias revendas. Também aparece na lista a paraguaia Tecnomyl (Tabela 2).

Tabela 1. Volume importado (%) com fertilizantes por empresa
no Paraguai (2012-2016)
Empresa (marcas próprias) 2012 2013 2014 2015 2016
Cargill/Mosaic 4,7% 4,4% 5,4% 21,7% 22,4%
Bunge 5,1% 4,3% 5,9% 8,3% 9,1%
Cofco (Noble/Nidera) 11,1% 13,0% 12,3% 11,0% 7,8%
Dreyfus (LDC) 8,9% 7,9% 7,2% 6,3% 2,1%
ADM 23,2% 18,1% 15,9% 0,0% 0,0%
Subtotal 53,0% 47,6% 46,8% 47,1% 41,4%
Empresa (revendas) 2012 2013 2014 2015 2016
Agrofértil 11,6% 12,8% 12,3% 9,8% 14,1%
Dekalpar 6,7% 4,5% 2,8% 8,4% 7,8%
Agrotec/Caelum 5,4% 5,3% 5,9% 6,4% 6,2%
CHS 0,0% 1,2% 2,7% 3,9% 2,6%
C.Vale 1,4% 2,2% 1,6% 1,8% 1,5%
Timac Agro 4,8% 5,5% 4,7% 2,5% 1,5%
Glymax 0,7% 1,3% 0,4% 1,0% 1,2%
Ciabay 1,8% 0,8% 0,6% 0,2% 0,3%
Grupo Favero 2,2% 2,3% 3,1% 1,0% 0,2%
Agricola Colonial 0,1% 0,7% 2,3% 1,7% 0,1%
Subtotal 34,7% 36,5% 36,3% 36,7% 35,3%
Demais empresas 12,3% 15,9% 16,9% 16,2% 23,3%
Total 100% 100% 100% 100% 100%

Fonte: Aduana (2017).

Já as revendas atuam tanto na importação de fertilizantes como de agroquímicos, ainda que sua participação possa variar entre os dois segmentos. Nesse grupo é evidente a centralidade de Agrotec (junto com Caelum, que também faz parte do grupo Agrihold), Agrofértil, Glymax, Ciabay, Dekalpar, Grupo Favero (principalmente Agro Silo Santa Catalina e Akra), Somax Agro, Diagro, Matrisoja, Agrícola Colonial, CHS, C.Vale e Timac Agro (Tabelas 1 e 2). Estas firmas estão nas principais regiões de produção de soja e também oferecem insumo para outros cultivos (como milho, trigo, arroz e algodão). É válido pontuar que existem inúmeras outras revendas, sendo que algumas têm uma atuação em municípios ou regiões mais específicas, inclusive comercializando produtos de revendas maiores.

As revendas atuam como representantes das principais empresas transnacionais e, além de comercializarem produtos individualmente, geralmente organizam para os produtores rurais os chamados “pacotes”, em que são vendidos sementes, fertilizantes e defensivos de forma agrupada, além da assistência técnica oferecida ao longo da safra[3]. O pagamento do “pacote” pode ser à vista ou na safra, em dinheiro ou em soja (geralmente o valor é convertido em sacas de soja e é quitado com o grão). Para aqueles que pagam após a colheita, é recorrente a realização de um contrato em que o produtor oferece alguma garantia à empresa em caso de não efetivar o compromisso. Em função dessa lógica (recebimento do grão para pagamento dos insumos), algumas empresas também atuam no armazenamento e na exportação, como será abordado no próximo item. Vale destacar que grandes empresas transnacionais (Cargill, ADM, Bunge e Dreyfus) também formam pacotes com produtos das marcas próprias, principalmente, mas também com produtos de empresas parceiras[4].

Tabela 2. Volume importado (%) com agroquímicos por empresa
no Paraguai (2012-2016)
Empresa (marcas próprias) 2012 2013 2014 2015 2016
Monsanto 0,2% 2,5% 18,7% 11,0% 13,8%
Dow Agrosciences 7,8% 7,4% 9,8% 6,9% 6,7%
Syngenta 15,6% 21,4% 18,8% 13,3% 4,3%
Bayer 3,4% 2,6% 3,3% 3,4% 4,1%
Tecnomyl 1,7% 1,0% 0,4% 0,5% 3,0%
Subtotal 28,6% 35,0% 51,0% 35,1% 31,9%
Empresa (revendas) 2012 2013 2014 2015 2016
Glymax 11,2% 8,6% 4,9% 10,6% 10,5%
Agrotec/Caelum 9,2% 11,1% 12,3% 16,1% 8,5%
Matrisoja 4,9% 7,6% 5,5% 9,9% 8,3%
Somax Agro 0,1% 0,3% 0,9% 1,9% 4,9%
Diagro 0,7% 1,0% 0,7% 1,9% 3,9%
Agrofértil 7,4% 7,5% 0,4% 0,4% 0,6%
Dekalpar 6,1% 5,3% 0,1% 0,1% 0,0%
Subtotal 39,5% 41,3% 24,9% 40,9% 36,8%
Demais empresas 31,9% 23,7% 24,1% 24,0% 31,3%
Total 100% 100% 100% 100% 100%

Fonte: Aduana (2017).

Rojas Villagra (2009) e Garay (2015) fazem uma discussão sobre a origem das empresas que atuam a montante da cadeia produtiva da soja no Paraguai. No caso das firmas transnacionais líderes mundiais predominam firmas americanas (Cargill, ADM, Bunge, Monsanto, Dow, Dupont, John Deere, CNH, AGCO), europeias (Dreyfus, Bayer, Syngenta, Basf, Yara) e, mais recentemente, estão ganhando espaço as chinesas (Cofco, ChemChina). Mas no caso das revendas, há uma forte influência do Brasil. Algumas são efetivamente brasileiras (Ovetril, Lar, C.Vale, Amaggi), já outras foram constituídas no Paraguai, mas são de propriedade (total ou parcial) de empresários estrangeiros, sobretudo brasileiros e seus descendentes. Esse é o caso de firmas como: Agrotec, cujo presidente é o brasileiro Túlio Luiz Neves Zanchet; Agrofértil e Tecnomyl, que tem como presidente o brasileiro José Marcos Saraiva; Grupo Favero, cujo principal proprietário é o brasileiro Tranquilo Favero, que desde os anos 70 reside em território paraguaio; Ciabay, em que o presidente da empresa é o brasileiro Oscar L. Lourenço (e há outras firmas que também aparecem sob seu nome: Agro Santa Rosa, Agroser e Agrícola Santa Mariana); Diagro, fundada em 1991 pelos brasileiros Jaime Zorzetto, Joacir Alves e Gilberto Rubert; Agrícola Colonial, criada em 2004 por imigrantes brasileiros.

V. Segmento a jusante na cadeia da soja no Paraguai

O segmento a jusante de uma cadeia produtiva refere-se à etapa “depois da porteira”, que inclui os canais de armazenamento, industrialização e distribuição. No caso da soja paraguaia, vale destacar que grande parte da sua produção segue para exportação. Ao realizar a soma das últimas 20 safras (1996/97 – 2015/16), apenas 7,5% da soja produzida ficou no país, sendo 4,5% via óleo e farelo (sobretudo esse último, que é destinado à alimentação animal) e 3% como semente (usada para o plantio da safra subsequente). O restante da produção seguiu para o mercado internacional, sendo 67% em grão e 25,5% beneficiada (Capeco, 2016). Nesse sentido, para entender as principais empresas que atuam a jusante, é fundamental compreender as firmas exportadoras.

As principais companhias que atuam no Paraguai são aquelas que dominam o mercado global: as americanas ADM, Cargill e Bunge e a francesa Dreyfus. Como já comentado acima, elas atuam de forma verticalizada: oferta de insumos (sementes, fertilizantes e agroquímicos), seguro agrícola e financiamento rural, além da compra da soja, armazenagem, processamento (produção de óleo e farelo), transporte e exportação (Rojas Villagra, 2009). Esta é uma das principais estratégias destas empresas, cuja característica central é justamente a apropriação das diferentes etapas da cadeia por uma mesma firma, atuando nas várias fases do processo produtivo de forma coordenada (Wesz Jr., 2016).

Dentre estas quatro empresas (que ficaram conhecidas como ABCD pela coincidência das suas iniciais), não restam dúvidas quanto à supremacia da Cargill, que foi a primeira grande transnacional a se instalar no país, em 1978, e nos últimos anos tem sido a principal firma exportadora do Paraguai – em 2011, no contexto de valorização das commodities no mercado internacional, chegou a responder sozinha por 32,5% das exportações totais do país (CIP, 2017). Já a ADM se instalou no Paraguai em 1997, enquanto a Louis Dreyfus Company entrou no país em 2004. A última delas a se instalar no Paraguai foi a Bunge, que começou suas operações em 2006.

Na Tabela 3 é possível perceber a grande magnitude que as firmas ABCD detêm sobre as exportações do complexo soja, principalmente nos produtos industrializados (óleo e farelo), em que controlam mais de 80% deste segmento na maioria dos anos. Vale apontar que, além do grande peso na soja, ABCD também exercem uma importância no conjunto das vendas ao mercado internacional, geralmente estando entre as cinco maiores empresas exportadoras do Paraguai. Se olharmos os últimos 10 anos (2007-2016), ABCD têm controlado entre 22,8% e 47,6%[5] das exportações totais (CIP, 2017), o que demonstra o elevado poder comercial e econômico que as quatro empresas transnacionais detêm no país, cujo resultado ocorreu de forma rápida, pois até meados dos anos 2000 apenas a Cargill apresentava protagonismo no Paraguai. Ao figurarem entre as primeiras exportadoras em nível geral, fica evidente que estas empresas não detêm apenas um poder setorial (complexo soja), pois são de grande importância no comércio exterior como um todo, incluindo a geração de superávit, o que lhes oferece um importante trunfo no momento de negociar temas estratégicos com o Estado.

Em paralelo ao elevado poder destas quatro firmas no complexo soja, a Tabela 3 também permite observar dois outros processos correlatos. O primeiro refere-se à redução da hegemonia da Cargill de 2012 em diante. Embora ela continue como líder nas exportações totais e na exportação de soja em grão, sua fatia de mercado veio se reduzindo nos três segmentos analisados na Tabela 3, inclusive com ADM passando a dianteira nas exportações de óleo e farelo. Apesar da perda de parte de seu mercado, um representante da empresa comentou que “agora a Cargill está preocupada com a margem e não tanto com o volume”.

Tabela 3. Participação das firmas ABCD na quantidade exportada
do complexo soja (óleo, farelo e grão) no Paraguai (2012-2016)
Ano

2012

2013

2014

2015

2016

Óleo de soja

Cargill 68,0% 36,3% 21,8% 25,0% 27,6%
ADM 0,0% 30,4% 32,4% 25,8% 31,0%
Dreyfus 25,9% 11,2% 13,3% 17,0% 17,2%
Bunge 0,0% 5,6% 9,9% 12,2% 13,5%
ABCD 93,8% 83,4% 77,3% 80,0% 89,4%

 

Farelo de soja

Cargill 54,5% 31,4% 24,4% 21,4% 24,5%
ADM 0,0% 37,5% 33,4% 30,4% 25,2%
Dreyfus 25,9% 10,6% 14,1% 15,9% 15,7%
Bunge 0,0% 4,6% 10,9% 12,2% 13,0%
ABCD 80,4% 84,1% 82,8% 79,9% 78,4%

 

Soja em grão

Cargill 19,9% 24,6% 16,9% 16,9% 14,1%
ADM 26,8% 15,4% 13,7% 13,1% 12,1%
Dreyfus 5,6% 7,4% 7,3% 2,9% 5,5%
Bunge 11,0% 7,2% 4,3% 3,8% 4,1%
ABCD 63,3% 54,7% 42,3% 36,6% 35,8%

Fonte: Aduana (2017).

A Tabela 3 também permite visualizar que outras empresas têm assumido crescente importância na exportação in natura. Se por um lado isso se deve ao investimento crescente de ABCD na industrialização da soja (destinando parte do grão que antes seguia direto para exportação agora para suas indústrias), também ocorreu a entrada de outras firmas neste mercado. Entre aquelas que vêm aumentando seu espaço, merece destaque Cofco e Sodrugestvo. A primeira é de capital chinês e entrou no país em 2014 quando adquiriu duas importantes companhias (Noble e Nidera). Já a segunda está ligada a uma firma de origem russa que, também em 2014, estabeleceu uma joint venture com os acionistas da Gimenez Family, proprietários da maior cadeia de terminais portuários do Paraguai. Em 2016, Cofco e Sodrugestvo exportaram 14,7% e 11,7% da soja em grão do Paraguai, respectivamente. Outras empresas que também têm ampliado a sua participação nesse mercado foram a argentina Vicentin (alcançando 4,9% em 2016) e a americana CHS (com 4,5% no mesmo ano) (Aduana, 2017). Já as cooperativas, sobretudo a Cooperativa Colonias Unidas (que desde 2016 exporta via Transagro), respondem por cerca de 5% (Aduana, 2017).

Além destas, outro perfil de empresas que tem começado a aparecer nas estatísticas de exportação de soja in natura são as revendas, que recentemente começaram a exportar a soja que recebem como pagamento pelos produtos e serviços repassados aos produtores rurais[6]. Na lista aparece Agrofértil, Transagro, Lar, Agrocer, Ovetril, Dekalpar, Agrotec, Diagro e Agrícola Colonial, cuja participação conjunta passou de 3,9% para 9,1% entre 2012 e 2016. Além de buscarem maior autonomia na relação com as empresas transnacionais, eliminando intermediários, uma importante motivação para as revendas foi a mudança tributária (Lei 5061/13) que ocorreu no país. A partir de então, aquelas firmas que exportam têm a devolução de metade do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) – que de 5% cai para 2,5% após a restituição. Portanto, se Agrofértil vende sua soja para Cargill, que por sua vez exporta, o reembolso tributário ficaria com esta última.

Entretanto, a maioria das revendas não chega ao destino final porque carecem de estrutura logística, mas seguem até a Argentina ou o Brasil (o que lhe garante a restituição do IVA), e daí em diante quem assume é majoritariamente ABCD. Portanto, ao ampliar o foco de análise, segue sólido o grande poder desempenhado pelas empresas transnacionais ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus no segmento a jusante da soja no Paraguai, além da sua atuação nos outros setores. No caso específico das exportações in natura, pode-se somar a recente chegada das firmas Cofco e Sodrugestvo, que em pouco tempo assumiram importante participação neste mercado.

VI. Considerações finais

Ao longo dos últimos 25 anos a soja se expandiu de forma impressionante no Paraguai, alcançando 3,5 milhões de hectares. Atualmente, de cada dez hectares cultivados no país no verão, sete estão com este grão (MAG, 2016). Em termos de exportação, se consolidou como principal produto, visto que o grão, o farelo e o óleo de soja são responsáveis por 40% do valor total das exportações (BCP, 2016). Sendo reconhecida a magnitude do grão no Paraguai, este estudo procurou identificar os principais atores e seu poder de mercado. Os resultados deste trabalho indicam um processo correlato de concentração e de estrangeirização/transnacionalização na cadeia produtiva da soja no Paraguai.

Em termos de concentração, trata-se de uma situação presente nos diferentes segmentos analisados. Na produção de soja, menos de 3% dos produtores respondiam por praticamente a metade da área cultivada e da produção obtida em 2008 – e os dados do Censo Agropecuário de 2018 deverão evidenciar valores ainda mais concentrados. No mercado de máquinas, as duas principais empresas controlam três quartos das importações de tratores e mais de 90% das colheitadeiras em 2016. No setor de agroquímicos e de fertilizantes, geralmente quatro empresas respondem por mais da metade das importações – esse valor seria maior se pudessem ser obtidos valores de faturamento das vendas, pois parte da concentração fica camuflada pela presença das revendas. Em termos da capacidade de esmagamento de soja no país e do volume exportado com produtos industrializados (óleo e farelo), quatro firmas têm controlado cerca de 80% do mercado. Já na exportação de soja em grão o cenário não é diferente, ainda que o grau de concentração seja menos intenso (com oito empresas controlando dois terços).

Em termos da nacionalidade dos atores, a grande maioria não é de origem paraguaia e isso também se espalha entre os diferentes setores. Em 2008, o Censo Agropecuário indicava que, pelo menos, 64% de toda superfície de soja era cultivada por produtores estrangeiros (50% brasileiros e 14% de outros países sul-americanos). Já o segmento de máquinas, insumos (sementes, fertilizantes e defensivos), armazenamento, industrialização e distribuição é controlado principalmente por firmas americanas e europeias, além de algumas chinesas, argentinas e brasileiras. O único setor que aparenta ter maior presença de atores nacionais é entre as revendas, mas quando analisada a origem dos proprietários, novamente constam muitos brasileiros e seus descendentes.

Nos países vizinhos (Brasil, Argentina, Uruguai e Bolívia) a cadeia produtiva da soja também é marcada pela concentração e pela presença de atores externos (Oliveira e Hecht, 2016; Wesz Jr., 2016; Turzi, 2017). Entretanto, no Paraguai essa situação é mais intensa, sendo cada vez menor o número de beneficiários diretos. Esse cenário ilustra um caso de elevada dependência econômica em um pequeno grupo de atores, majoritariamente estrangeiros/transnacionais.

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  1. Uma exceção é o livro “Actores del Agronegocio en Paraguay” de Rojas Villagra (2009), que trouxe uma grande contribuição para essa discussão.
  2. Para aprofundar o debate sobre a migração brasileira no Paraguai, ver Souchaud (2007).
  3. No caso de Ciabay e Grupo Favero (via Agro Silo), além dos insumos e da assistência técnica, também revendem tratores e colheitadeiras.
  4. Como destacou um representante da Cargill em entrevista, nos últimos anos a empresa optou por atuar na oferta de diferentes produtos e serviços aos agricultores: fertilizantes (Mosaic e Heringer), agroquímicos e sementes (Syngenta e Monsanto, principalmente), assistência técnica, seguro, combustível e linhas de crédito. No próximo item se retomará este debate.
  5. Grande parte dessa oscilação se deve a variação do preço das commodities no mercado internacional.
  6. A exportação de soja pelos próprios grupos de produção agrícola ou por grandes produtores rurais, como Agropecuária Campos Nuevos, Payco, Agropecuária Produza e Agrotoro (do Grupo Favero), ainda é um movimento embrionário.


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