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Maçonaria na Era Vargas: embates entre maçons e integralistas (1930-1937)

Augusto César Acioly Paz Silva

Introdução

Pensar a Maçonaria na Era Vargas num período específico de 1930 a 1937 constitui-se num desafio, uma vez que por ser um período de grandes transformações políticas, econômicas e sociais observar o comportamento desta instituição em tal momento, suscita um conjunto de questões. Encontramos ainda, o estimulo ao abordar tal objeto de estudo dentro de uma realidade na qual, esta temática aparece como uma espécie de “tabu” para a historiografia brasileira. Devido a tais elementos, procuramos ao longo do texto situar os desafios institucionais e a estratégias que a Maçonaria nos anos iniciais da Era Vargas, especificamente com relação a formas de se organizar e as suas posições dentro de um contexto, no qual os maçons tiveram que travar confrontos intelectuais e em alguns momentos concretos, com segmentos de tendências políticas que flertavam com o fascismo como é o caso dos integralistas.

Procuramos ainda, através do conjunto documental seja ele vinculado à maçonaria ou aos segmentos integralistas, e os produzidos pelo Estado, através dos órgãos policiais. Neste sentido ao longo do nosso texto procuraremos enfatizar o papel da maçonaria no seu processo de organização e propagação das suas ideias e quais as frentes que unificavam o seu discurso. Apresentando desta forma, porque os embates entre maçons e integralistas se estruturaram no Brasil e quais as consequências de tal realidade. Observando assim, como se davam, os embates políticos ideológicos entre estes dois grupos, e como o Estado e seu braço vigilante procurou construir narrativas sobre a maçonaria. Aspecto que observaremos logo em seguida.

A maçonaria sob vigilância

Passava das 20 horas e 40 minutos do dia 14 de agosto do ano de 1933, e os investigadores J.B.S e P.P.P da seção de Ordem Política e Social encontravam-se dispostos na calçada contrária da rua do Imperador, no centro da cidade do Recife, Estado de Pernambuco, Brasil com a atenção bem fixa ao movimento efetuado pelas pessoas que entravam no número 460 e circulavam pela rua.

Portavam-se de maneira discreta, para não chamar a atenção dos transeuntes e daqueles que se dirigiam aquele prédio na calçada oposta. Desde pelo menos às 20 horas, anotavam com precisão todo o movimento dos que se direcionavam ao número 460. Mesmo com os olhares atentos, ao movimento do fluxo de pessoas que chegavam ao prédio, os investigadores não deixavam de observar os indivíduos que transitavam nas proximidades.

O olhar atento deles, por exemplo, não deixou passar despercebida a entrada do Coronel Antonio Muniz exatamente às 20 horas e 5 minutos, no Café Pereira Ferreira. Demonstrando assim, o grau de percepção e vigilância dos investigadores J.B.S e P.P.P. É possível observar, nas anotações dos agentes da Ordem Política e Social a descrição dos trajes do Coronel Antonio Muniz, que segundo eles, trajava um “terno de casimira marrom, sapatos brancos e marrom, chapeo de massa”[1].

Os investigadores parágrafos mais a frente da sua anotação, sem perder o foco sobre a movimentação do prédio nº 460, constatavam que no intervalo de 30 minutos entraram 17 cidadãos no segundo andar do prédio. Segundo as suas apreciações “entre elles, notamos que alguns eram de pouca representação […] sendo 16 de roupa branca e 1 de preta. Devido a distância que nos separava, foi-me impossível conhecer as caras…”[2].

O trabalho de investigação, descrito nos parágrafos precedentes foi realizado ao longo dos dias 18 a 26 de agosto de 1933, tendo como alvo, o prédio que abrigava três lojas maçônicas que eram: a Cavaleiro do Oriente, Luzeiro da Verdade e Cavaleiro da Luz, a ação que perdurou por volta de 12 dias, e tinham como foco central de observação as terças e quintas de cada semana, que eram os dias de reunião da Luzeiro da Verdade e Cavaleiro da Luz. A persistência em observar a movimentação nestes dias, por parte da Delegacia de Ordem Política e Social, nos diz muito das relações que vão se estabelecer entre o Estado e a Maçonaria durante a Era Vargas. Relação que teve como um dos desfechos, o fechamento das lojas maçônicas por parte do governo autoritário imposto por Vargas, a partir de 1937 e a perseguição velada à maçonaria por parte da intelectualidade conservadora e católica do Brasil e Pernambuco, tendo como uma das expressões de combate os integralistas.

Acredito, nesse momento, que o leitor possa se questionar, quais os motivos que fizeram com que o estado varguista, fiscalizasse a ação da maçonaria em Pernambuco e em outras partes do país. Tal pergunta surge com certa insistência, pelo fato de parte da historiografia, não se preocupar em estudar esta sociedade durante o período republicano, divulgando na maior parte das vezes, a visão equivocada de que ela não possuiu atuação política, social e cultural mais efetiva se comparado com outros momentos de nossa história nacional. Tal visão começa a cair cada vez mais por terra, a partir do desenvolvimento dos estudos acadêmicos que tinham como foco privilegiado a maçonaria, e que tiveram na década de 1990 o seu momento de ascensão no seio da comunidade dos historiadores.

Esta visão passiva construída sobre a Maçonaria e que teve no historiador paulista Sérgio Buarque de Holanda[3] um dos seus formuladores, difundiu a concepção de que com a introdução do ideário positivista, de maneira mais intensa a partir da década de 70 do século XX, tendo com a proclamação da República o seu período áureo, aquilo que o historiador denomina de maçonismo ou filosofia maçônica, tinha perdido a sua importância junto a sociedade, fazendo com que suas posições e ações perdessem influência e visibilidade, tornando-se uma instituição sem importância política, social e cultural.

Este argumento de Sérgio Buarque pode ser cada vez mais desconsiderado através dos estudos que se colocam na contramão do argumento e das análises propostas pelo historiador paulista. Balizados por trabalhos desenvolvidos por Alexandre Mansur Barata, Luis Eugenio Véscio, Marco Morel e Françoise Souza e Augusto César Acioly Paz Silva[4], podemos observar que ao contrário da superação da maçonaria pelo ideal positivista proposta por Holanda, o que constatamos foi que ocorreu na verdade uma mudança de atitude política da maçonaria no alvorecer da República[5].

Comportamento que repercutiu na adoção de uma nova forma de compreender qual seria o seu papel enquanto, agente político. Passando a ser entendido a partir de então, não mais como tendo, exclusivamente, como campo de batalha o seu alinhamento com uma facção partidária, no sentido mais estreito, como havia acontecido ao longo do século XIX, Liberal ou Conservador. A história desta instituição no Brasil, a despeito de várias narrativas que procura relacioná-la ao período colonial, conhece nas décadas iniciais do século XIX, o seu momento de organização institucional. A historiografia clássica, aponta o papel e potencial político desempenhado pela maçonaria em vários momentos da História política do Estado Nacional que se encontrava em vias de organização. Para além desta dimensão e o vínculo político dos maçons ao espectro político do período. Podemos perceber então fazendo uma análise da ação maçônica, superando esta visão da historiografia clássica a respeito desta instituição que a maçonaria passou a se preocupar, ao longo do século XX, não mais com uma vinculação partidária especifica, mas em fomentar discussões sobre questões que não se enquadravam num horizonte partidário A, B ou C operando assim, no interior de uma cultura política que centrava a sua defesa sobre temas como: a questão da educação nacional, a proteção e difusão do princípio de tolerância na sua mais ampla acepção, a preocupação com a Questão Social, a Educação e a laicidade do estado.

Alguns dos temas que circulavam no interior das lojas e nos artigos encontrados nos órgãos de imprensa que eram financiados pelos maçons, ao longo das décadas de 1930 e 1940, por mais que estes periódicos, sofressem uma forte descontinuidade na publicação. Outro tema que ganhou as páginas da imprensa maçônica no Brasil, foi o confronto contra o ideário de extrema direita, materializado no Brasil pelo Integralismo.[6]

Ao desfazermos esta visão, a de uma instituição sem presença no cenário político, social e cultural do Brasil, é possível compreendermos a atitude fiscalizadora do estado varguista sobre os filhos da viúva[7]. A partir, do relato que apresentamos no início capítulo, desenvolveu-se em torno da Maçonaria uma lógica de suspeição, concepção que pode ser bem destaca, pelo fato de que o aparato de vigilância e repressão passou a ser utilizado por parte do Estado brasileiro com relação aos maçons e, foi se ampliando, no sentido de procurar destacar qualquer tipo de ação que pudesse representar algum tipo de posicionamento de confrontação a ordem, porém nos anos iniciais da década de 1930, até praticamente o golpe de 1937, que inaugurou o Estado e Novo e interditou as ações maçônicas, os órgãos de vigilância chancelados pelo Estado brasileiro preocupavam-se de maneira mais forte em realizar uma espécie de monitoramento das ações dos grupos que pudessem “desestabilizar a ordem estabelecida”.

Neste sentido, para pensarmos tal questão é necessário reavaliarmos, como já apontamos a maçonaria no contexto, dos ditos “Tempos de Intolerância” que tomaram conta do Brasil, com o advento da Era Vargas. Período que iniciou a instauração de um estado de vigilância permanente, agravado com a emergência do golpe de 1937 que implantou o Estado Novo trazendo tempos sombrios para a sociedade brasileira e local[8].

Como possibilidade para compreendermos um pouco melhor a presente questão, podemos destacar o processo iniciado a partir da Era Vargas, de um estado com forte poder de vigilância e repressão, que passou a ter como um dos órgãos principais de vigilância a seção de Ordem Política e Social, posteriormente, redenominada de Delegacia de Ordem Política e Social[9].

Esta lógica que se instalou com a organização desta instância nos revela muito do processo de reorganização e modernização da máquina administrativa do Estado, que passou a criar “novas” instancias, para orientar a sociedade a partir de um forte discurso modernizador, mas que deixava fortemente impresso nas entrelinhas um claro viés autoritário. Com a instalação desta perspectiva, justificou-se cada vez mais o desenvolvimento de um arsenal burocrático de instituições que tivessem como pratica o processo de vigilância da sociedade[10].

A fiscalização empreendida pelo Estado, assentava o seu discurso, nos embates próprios do período, principalmente nos empreendidos no contexto das décadas de 1930-40, entre aqueles que defendiam ou inseriam-se no interior de um campo intelectual mais conservador, representados por intelectuais católicos, integralistas e anticomunistas, e do outro lado, a grosso modo o que nós poderíamos denominar de setores progressistas, que congregava uma diversidade de posições, dentre elas os de tendência liberal, orientação que encontrava-se no cerne da organização da Maçonaria Moderna, e que possuía alguns círculos maçônicos como defensores.

Ao analisarmos, os embates que se travaram entre Maçons e Integralistas, personagens centrais neste texto, é possível observar algumas posições que apresentavam qual o lugar de cada um deles no campo político da Era Vargas. Temas relacionados a defesa de uma sociedade, sem a intervenção ou privilegiamento de uma expressão religiosa, a preocupação com uma educação laica e a defesa de princípios de tolerância constituíam-se em demandas defendidas pelos maçons brasileiros, já no outro oposto, os segmentos relacionados ao ideário integralista, a descrença no sistema liberal, uma educação vinculada ao ideário religioso católico, como expressão da alma brasileira, um antimodernismo e anticomunismo, fazia parte das suas bandeiras. Diante destes enfrentamentos, observaremos como ela se estabelecia de maneira concreta analisando os embates ocorridos, em Pernambuco e que não se encontra desconectada da realidade brasileira, sendo tal realidade um desdobramento do cenário mais geral.

Ampliando as teias maçônicas nos sertões pernambucanos nas décadas de 1930 e 1940

No mês de março de 1933, quase cinco anos após a elevação da cidade Rio Branco (atual Arcoverde) à condição de município, evento que aconteceu nos anos finais da década de 1920, mais precisamente no ano de 1928, este processo foi estabelecido e articulado através da participação das lideranças locais, nos variados estratos sociais que se compunham das forças produtivas à comerciais da povoação que procurava sair da condição de localidade submetida ao poder municipal de Pesqueira. As pressões para que esta autonomia acontecesse constituía-se numa demanda colocada pelas lideranças da vila no interior do conselho municipal desde pelo menos os anos finais da década anterior.

Muito desta postura embasada pelo fato de que a vila de Rio Branco (Arcoverde), após a chegada dos trilhos do trem e quase seis anos depois por volta de 1917-18, quando a ação das lideranças se fazem mais intensa junto ao conselho municipal, já possuía um conjunto de elementos que comparada a várias localidades do sertão a colocavam na condição de entreposto importante e, geograficamente estratégica entre as portas do sertão e o “sertão mais profundo”. Como exemplo desta realidade, o fato de nas primeiras décadas do século XX, Rio Branco constituir-se, como já destacamos em ponto de final da linha de trem que partia do Recife, garantia estatuto e condição de lugar de pouso, o que colaborou no estabelecimento, de uma condição por parte da vila de se transformar num espaço de comunicação comercial, de distribuição e oficial do estado entre estas regiões mais profundas, e a capital e outras regiões que se encontravam interconectadas pelas linhas do trem pelo Estado.

A estrada de ferro possuía em tempos de “modernidades”, devido a expansão das relações capitalistas e dos seus desdobramentos, o encurtamento das distâncias representando assim uma imagem de mudança e movimento, capitaneados simbolicamente pela visão de que o progresso chegava à Rio Branco, inclusive esta foi uma das justificativas no interior da cultura política, defendida pelos grupos que procuravam forjar o processo de autonomização da vila em relação à Pesqueira.

Esta condição de empório que a cidade de Rio Branco (atual Arcoverde) se revestiu a partir da chegada do trem, colaborou inclusive no sentido de forjar um dos aspectos da sua identidade a de representar ao longo do seu desenvolvimento histórico a imagem de ser uma cidade voltada ao comércio no qual, esta atividade possuía lugar privilegiado nas relações que a cidade estabelecia com outras cidades da região e dos sertões próximos.

Ao longo das décadas de 1930 a 1940, período no qual delimitamos como recorte temporal de análise deste artigo, a cidade de Rio Branco experimentava um período de expansão com um intenso fluxo de pessoas, que desde pelo menos o final da década anterior se inicia mas que a partir das décadas em questão se intensifica e consolida-se. Para que seja possível, termos ciência de tal movimento, utilizamos as informações do pesquisador da história local, Lucielio de França Palmeira que destaca que o início da transformação na antiga povoação de “olho d’agua” depois “olho d’agua dos Bredos”, começou a ser sentido através do processo de dinamização provocado pela inauguração no dia 13 de maio do ano de 1912 da estação ferroviária da Greath Western, empresa responsável pela administração das linhas férreas de Pernambuco.

Segundo os dados fornecidos pelo pesquisador Lucielio, possivelmente, até o momento da chegada do trem a população da então “olho d’agua dos Bredos, girava em torno de 5.000 habitantes, número que por volta de dois anos depois, em 1914 já chegava ao número de 8000 habitantes chegando às décadas finais de 1920, chegava em torno de 15000 a 18.000 habitantes. Os dados para as décadas seguintes de 30 e 40, apontam que este acréscimo populacional continuou em largo crescimento, intensificando-se de maneira exponencial quando depois de um longo processo de articulações capitaneados pelo Coronel Antônio Japiassu e outras lideranças vinculadas ao mundo rural e comercial da cidade, conseguiram junto ao conselho municipal, órgão vinculado ao município de Pesqueira ao qual Rio Branco (atual Arcoverde) fazia parte conseguiu junto ao governador Estácio Coimbra a elevação da condição de vila de Rio Branco à município.

Este processo de autonomização aliado ao lugar estratégico de comunicação que a localidade desfrutava, como já destacamos em parágrafos anteriores, neste texto, são condições importantes para que o município se estabelecesse enquanto, parada obrigatória e espaço privilegiado para as idas, vindas e assentamentos das populações que trafegavam entre os sertões mais profundos, o agreste, zona da mata e litoral, principalmente, nos períodos nos quais as secas assolavam as regiões semiáridas contiguas e que não desfrutavam dos canais de comunicação e abastecimento, condição que começou a se reverter, como já afirmamos, com a chegada do trem à Rio Branco.

A configuração da cidade mesmo tendo pelas características próprias da região, uma fisionomia ligada a exploração e atividades rurais, conheceu ao longo dos anos, principalmente, após à chegada do trem e das décadas 1920 a 1940, uma diversificação no campo do comércio que através das “modernidades” e do “progresso”, estabelecido pela chegada da estrada de ferro assolavam as cidades que iniciavam um pequeno desenvolvimento comercial. Desta forma Rio Branco mesmo antes de torna-se sede de município passou a contar com um leque de estabelecimentos comerciais diversificado para aquela época: cinemas, padarias, hotéis, jornais, clubes sociais, agencias de vendas de carro, de estivas, representações de empresas de exportação de algodão e outros produtos e casas comerciais de variedades, que utilizavam como ponto de articulação importante a estação ferroviária da cidade.

Diante deste cenário acompanhamos o surgimento de segmentos sociais ligados aos serviços e órgãos do estado que se fixavam na cidade, que passaram à dispor de uma lógica e sociabilidades diferentes das experimentadas por aqueles que se encontravam vinculados ao mundo rural, por mais que muitas destas novas classes tivessem referencias neste mundo, procurando então, em alguma medida acessar e reelaborar vivencias, que se ligavam diretamente à condição de conviver no espaço urbano entrando assim em contato, com tecnologias e modos que não eram os mesmos do mundo rural, por mais que não possamos compreender tal sociabilidade dentro de uma ótica de cisão extrema pois, é necessário compreende-la dentro de uma ótica na qual muitas vezes elas mantinham níveis de circularidade.

É neste contexto de expansão e diversificação, aumento populacional e chegada de pessoas de outras localidades, atrás de um suposto progresso da cidade de Rio Branco, que nos anos iniciais da década de 1930, mais precisamente em 18 de março de 1933, foi fundada na cidade Rio Branco, independente de Pesqueira a menos de cinco anos uma loja maçônica, espaço de sociabilidade que em alguma medida já denotava uma diversificação social, haja vista que os fundadores da referida loja maçônica em sua maioria eram profissionais liberais como médicos e engenheiros, comerciantes locais, funcionários públicos ligados a órgãos do estado que existiam na localidade, além de membros de outra denominações religiosas que não encontravam-se vinculados a matriz tradicional de religiosidade da região que era o catolicismo, tendo neste espaço a participação de pessoas ligadas a Igreja Batista local.

A oficialização da fundação representada pelo dia 18 de março de 1933, constitui-se apenas no ato público que representa os inicios das atividades do agrupamento maçônico na cidade de Arcoverde para os órgãos de institucionalização das atividades maçônicas e a sociedade em geral da cidade de Rio Banco. Em nota do dia 25 de março de 1933, o jornal O Amigo Matuto, que circulava na cidade a três anos, noticiava a organização da Loja Barão do Rio Branco, fornecendo as seguintes informações

Acaba de ser fundada nesta cidade, uma loja maçônica que tomou o nome do grande diplomata brasileiro Barão do Rio Branco. São seus fundadores os elementos mais destacados da sociedade local, motivo que certamente concorrera para o futuro da mesma se auspicie ao brilhantismo. Conseguimos notar a presença dos seguintes cavalheiros: Drs. Luiz Coelho e Getúlio Cezar, srs. Epaminondas Santos, Isaias Lima, Virgilio de Barros Correia, João Lima e Sebastião Bastos, além de diversos maçons da cidade de Pesqueira e de outras partes. Fazemos votos de prosperidade à nova Loja. (Amigo Matuto, 1933, p. 3).

Através da nota, que destacava os personagens que participaram da cerimônia de instalação da oficina maçônica, os redatores do periódico local, tornavam públicos as figuras centrais no processo de articulação para o estabelecimento desta loja maçônica, figuras como Luiz Coelho e Getúlio Cezar, que eram….., e de comerciantes da cidade como Epaminondas Santos, que possuía uma agencia da Ford em Rio Branco, responsável pela comercialização de automóveis que naquela época começavam a rasgas veredas dos sertões.

Alguns destes indivíduos já eram maçons, que haviam sido iniciados em outras cidades, e que devido o processo de expansão da cidade haviam se estabelecido aqui, e devido à falta de um espaço para trabalhar maçonicamente haviam reuniam-se nas casas de alguns destes indivíduos que eram maçons, ou se deslocavam para lojas maçônicas como a Dever e Humanidade da cidade de Caruaru, oficina que colaborou de maneira decisiva para que fosse possível a constituição da Loja Barão de Rio Branco.

A nota emitida pelo Amigo Matuto, nos apresenta outros aspectos que colaboram, no sentido de inclusive compreender as representações sociais das quais os maçons seriam alvo e que colaborariam para forjar uma visão do que era ser maçom, imagem que inclusive transporia a visão imediata das décadas de 1930 e 1940, e que permaneceria ligada a forma como a sociedade brasileira e rio-branquense compreenderia o divulgaria as suas concepções que seria a maçonaria. A primeira delas, residia no fato de compreender os integrantes da maçonaria como personagens de prestigio social, lançando sobre tal característica, um aspecto que definiria a identidade daqueles que participariam da instituição. Tal concepção inclusive, ainda faz parte de uma certa Cultura Histórica que muitos indivíduos difundem sobre a Maçonaria.

Um segundo ponto que merece ser dimensionado e relaciona-se diretamente com o argumento expresso no parágrafo anterior, lança luz sobre as características sociais da loja maçônica da cidade de Rio Branco, em sua grande maioria era formada por pessoas ligadas as atividades liberais, com a participação de muitos comerciantes e profissionais de diversas áreas que iam da Engenharia à Medicina. Exemplos dos fundadores da oficina maçônica já demonstra este quadro social da referida loja. Personagens como Dr. Coelho Luiz Alves, Dr. Getúlio Cezar, Virgílio Barros Correia e Epaminondas Santos, eram maçons que haviam sido iniciados a algum tempo, todos eles encontravam-se do ponto de vista ritualístico no grau 18, o que demonstra já um percurso sacramentado no interior do mundo maçônico.

Os quatro maçons que iniciaram a campanha pela fundação de uma loja maçônica em Rio Branco, haviam sido iniciados em outras lojas do Estado de Pernambuco e faziam parte daquela população que a partir dos benefícios econômicos que a então vila conquistará desde as primeiras décadas do século XX, engrossavam as fileiras daqueles que chegaram a cidade no processo de expansão que com a chegada dos trilhos da Great Western, haviam modificado e dinamizado a realidade local.

A memória maçônica produzida pela loja Barão do Rio Branco aponta ao falar sobre a difusão do ideário maçônico, em terras rio-branquenses, destaca dentro de uma ótica de doação para a efetivação da propaganda maçônica na cidade, destaca a aventura de fundação da loja maçônica, apresentando a seguinte realidade

O ideal maçônico surgiu em Rio Branco, hoje Arcoverde, logo após a sua emancipação política ocorrida nos idos de setembro de 1928. Àquela época existiam maçons residindo na cidadezinha que ora surgia, mas pertencentes a outros orientes… reunindo-se informalmente em suas residências começaram a fomentar o ideal maçônico entre futuros candidatos… neste aspecto temos um rosário de sacrifício, com viagens noturnas, estradas de terra, invernos pesados, riachos em cheia. (Brito, 1999).

Através do depoimento acima, podemos acompanhar a maneira como os maçons locais, esforçaram-se na reconstrução de uma memória a respeito da sua instituição na cidade. Analisando o trecho acima exposto, é possível observar que o discurso por eles construído centraliza-se na preocupação em destacar o caráter de dedicação, no qual cada um dos maçons procurava juntar esforços para que o ideário maçônico conseguisse se estabelecer na cidade. Mesmo ainda, no período anterior a fundação oficial do espaço maçônico na cidade de Rio Branco (Atual Arcoverde). Aliado ao argumento de devotamento a causa maçônica nos sertões pernambucanos, os maçons da Loja Rio Branco, não deixam de destacar como eles próprios destacam “os sacrifícios”, por eles enfrentados numa forte alusão a posição de que mesmo diante das dificuldades enfrentadas, o “espirito maçom” verdadeiro não desaparece e se consolida para que fosse possível que a propaganda maçônica se consolidasse no recém fundado município.

Decorridos todos os obstáculos desde a reunião dos maçons residentes na cidade e a organização da Loja Maçônica, efetivada no mês de março de 1933, com a participação de maçons de outras localidades, como a Loja Dever e Humanidade de Caruaru e de maçons que residiam em Pesqueira, constitui-se a Barão do Rio Branco, integrando os maçons residentes na cidade e os neófitos que passaram a integrar os quadros desta oficina, muitos deles ligados ao comercio local e órgãos que funcionavam na cidade. A partir deste perfil socioeconômico, em grande medida escolhidos nos segmentos do que poderíamos chamar de uma classe média local, e até mesmo no interior de proprietários rurais da cidade e região, é possível observar a composição de uma representação a respeito da Maçonaria na cidade de Rio Branco, atual Arcoverde, embasada na perspectiva de que neste espaço encontrávamos a imagem de um “clube” no qual era indicado personagens que detinham poder e posse, visão que em alguma medida continua relacionada a concepção de ser maçom nesta cidade, mas que não deixa de fazer parte de um ideário que transpõem os limites municipais e se impõe para outros espaços geográficos no Brasil.

Esta vinculação de interligar os maçons a um agrupamento no interior da fisionomia social, que estaria vinculado aos segmentos intermediários da sociedade, destaca também outras perspectivas imagéticas que não podem deixar de ser exploradas, como por exemplo a visão, devido ao seu relacionamento filosófico, desde as suas origens modernas com o ideário liberal, de serem os maçons ardorosos defensores da visão liberal de mundo. Aspecto que em alguns casos correspondia a realidade, mas que não se constituíam numa regra para pensarmos a identidade do que significaria ser maçom nas décadas de 20, 30 e 40 do século XX.

Quando destacamos tal perspectiva, o fazemos porque refletir sobre as composições destas imagens, observando que elas não correspondem a posições fixas, colabora para que possamos atribuir sobre a Maçonaria uma complexidade maior do que muitas vezes se vincula a ela. Tal analise, não serve só para pensarmos a Maçonaria, mas pode servir de entendimento para construirmos uma análise histórica que supere as estereotipizações e estigmas que se constituem em processos sob os quais se processam versões sobre determinados temas da História.

Sendo assim, o lugar do maçom das décadas de 1930-40 associados ao ideário e defesa dos princípios liberais, nos ajudam a compreender as posições que alguns agrupamentos maçônicos tomarão com relação ao cenário político que se instaura nas décadas de 1930-40, em grande parte polarizada, entre uma concepção identificada com um ideário Liberal-democrático e no outro polo, com concepções políticas vinculadas a tendências contrárias ao liberalismo clássico e que advogavam uma relação entre nacionalismo, e uma visão na qual as ideias liberais haviam colaborado na verdade para uma desagregação dos valores da sociedade tradicional, além de provocar desestruturação econômica.

Esta concepção, em grande medida, simbolizada pelo integralismo, encontraria nos maçons adversários que replicariam o combate em todas as regiões do Brasil, do debate entre segmentos defensores de princípios liberal-democrático, somando-se a estes muitas vezes, simpatizantes e defensores de soluções políticas identificadas com socialismo e comunismo, e aqueles que se posicionavam dentro de uma ordem política que flertava com uma visão de mundo tradicional de viés mais autoritário. Será um pouco sobre este embate que iremos tratar no tópico a frente.

Integralismo e Maçonaria confrontos na cidade de Rio Branco (Arcoverde) (1933-1938)

Em importante estudo sobre os integralistas e a maneira como foram reprimidos a partir do Estado Novo, Giselda Brito Silva (2002) analisou que dentro da ordem do discurso integralista, o combate que travavam era pela defesa da nação. Como afirmou a autora, ocorreu na irradiação dos seus discursos, uma ênfase na construção de uma ordem discursiva que combatia todo tipo de hábito, ideologia e conduta que por eles, fosse considerada, como “exterior” ou “alienígena” a nossa formação cultural e religiosa.

Dentro dessa plêiade de inimigos, encontrava-se a Maçonaria e as suas derivações, que na acepção dos “camisas verdes” seriam enviados do judaísmo internacional e do comunismo. Estas forças eram vistas como expressões de exotismo, possuindo doutrinas que não comungavam com a verdadeira “alma do povo brasileiro”. Para conseguir, segundo a citada historiadora, o efeito de sentido discursivo necessário para se colocar como a expressão da alma brasileira e de um projeto novo para os destinos do Brasil, os integralistas negavam “qualquer vínculo com outros projetos políticos, especialmente porque a proposta nacionalista do integralismo prometia combate a tudo que fosse estrangeiro”[11].

Por meio, deste recurso discursivo, os integralistas pretendiam se colocar como os “diferentes”, contrários ao que achavam que era forasteiro, alheio aos anseios e ao modo de vida nacional. Preocupando-se em fortalecer tal visão, estruturou-se dentro do discurso integralista, recurso compartilhado pelos intelectuais católicos, uma visão de que a Maçonaria seria na verdade um corpo estranho ao nosso tecido social, e que, segundo os adeptos do Sigma, compartilhava dos mesmos desejos de dominação internacional nutridos pelos judeus e comunistas.

Superando os efeitos discursivos, temos um exemplo concreto desse embate político que colocava em campos diferentes os maçons e os integralistas. Os primeiros, como paladinos da liberdade e da ordem democrática, contra as aspirações fascistas e autoritárias, representadas pelos integralistas. Podemos observar esta relação, através dos desdobramentos provocados pelos conflitos estabelecidos, na cidade de Rio Branco, atual Arcoverde no interior do estado de Pernambuco no Brasil, entre os chamados “filhos da viúva”[12] e os partidários do Sigma.

Segundo, as referências localizadas na correspondência do Núcleo Integralista de Arcoverde, nas informações trocadas entre as sedes do partido, nas várias cidades do interior do estado, encontramos informações sobre a propaganda integralista na cidade de Rio Branco, atual Arcoverde. O chefe da seção local, Napoleão Arcoverde, importante comerciante e liderança política do município, mostrava como ocorriam as relações entre o núcleo integralista local e as demais forças políticas e sociais da cidade. No caso específico, do nosso estudo, Arcoverde traçava um quadro da receptividade da Loja Maçônica Barão do Rio Branco à propaganda integralista na cidade.

A correspondência em questão, endereçada a Nelson C. Silva, o Presidente da Junta de Nucleação Provincial de Pernambuco, o camisa verde, Napoleão Arcoverde fornecida informações preciosas com relação ao processo de divulgação da propaganda do Sigma. Além, de destacar as dificuldades encontradas, compondo com riqueza de detalhes os segmentos contrários aos integralistas na cidade. Na sua avaliação, a ideologia integralista estava gradativamente ganhando espaço e adeptos dentro do cenário político local. Relatando as atividades e a situação do Núcleo Integralista, Napoleão Arcoverde, destacava como se encontravam organizado na cidade sertaneja. Assim ele relatava:

O nosso núcleo, fundado no dia 2 do corrente, vai em bom andamento. Estamos lutando contra os seguintes inimigos: A repartição do correios e telégrafos; onde os respectivos funcionários são nossos inimigos declarados exceto o agente e o telegrafista, o primeiro indiferente, o ultimo simpatizante, porém que não podem de forma alguma por um freio aos outros funcionários… A maçonaria: Sendo grande o número de maçons aqui, na sua maioria comerciantes, estão ameaçando os empregados que simpatizam com o nosso movimento, de demissão, chegando a fazer pressão junto a um irmão afim do mesmo demitir um nosso companheiro que é empregado dele. Não foram e parece que não serão atendidos. O empregado é do Sr. José Estrela de Souza, que apesar de maçom é o único que não nos hostiliza… O protestantismo; Este nos acusa de clericalistas, um dos pastores é também maçom… Os políticos; todos os políticos estão contra nós. Uma professora municipal foi censurada porque assistiu à sessão de instalação do nosso núcleo. No entanto talvez, no caso de eleições contemos com todo o professorado, que é simpatizante sem poder externar opinião com receio de demissões… Os desocupados; porque não tendo o que fazer combatem seja a que e o que for… Contamos com as simpatias do vigário da freguesia e dos católicos da cidade. Antes sermos combatidos do que olhados com indiferença. Do combate surgirão adeptos. Estou ativando a toda pressa a organização de uma escola noturna para adultos, que farão exercícios disciplinares[13].

A partir deste Oficio é possível reconstruir como se encontrava o clima que se instaurou na sociedade rio-branquense em decorrência da fundação do núcleo integralista, como ficou evidenciado no relato, naquela cidade do chefe do Núcleo. A situação, como Napoleão Arcoverde narrava, era de oposição ao movimento integralista em vários setores. Com relação à posição dos maçons locais, a sua intenção era de utilizar a influência que desfrutavam nas palavras do integralista, junto aos membros da Loja Barão do Rio Branco e pessoas próximas, no sentido de não deixar que os partidários do Sigma ganhassem espaço e influenciassem na política da cidade, mesmo que o comerciante rio-branquense observasse a disseminação da mensagem deste ideário político junto a segmentos sociais e políticos da cidade como os meios religiosos, de ligação católica, alguns funcionários do comércio local e de parte do professorado de Rio Branco, que parecia mesmo que tivesse as suas divisões em torno de segmentos vinculados a políticos que combatiam o integralismo, possuía ressonância junto a um grupo destes profissionais.

Como é possível compreender, as relações entre maçons e integralistas como evidencia o chefe local do integralismo, refletia-se dentro de uma conduta/realidade política de combate, posição que na visão de Napoleão era adotada pelos maçons frente às forças integralistas, mas é bem possível que esta confrontação se desse também da parte dos partidários do Sigma. Tal cenário narrado pelo chefe mor do integralismo rio-branquense apresenta algumas evidencias que merecem ser problematizadas: primeiro, a de que os maçons estavam interagindo, apesar do conflito ser local, dentro do cenário político nacional, ao adotar uma posição de combate às forças consideradas reacionárias; o segundo aspecto a ser destacado, se referia ao grupo social que formava a base da Maçonaria, na cidade de Rio Branco. Como podemos antever, a maior parte dos seus filiados era proveniente do comércio e de profissões liberais, desfrutando no interior da sociedade rio-branquense de certo poder e redes de influência, que em alguma medida, parecia travar as possibilidades de expansão, na compreensão exposta pelos partidários do Sigma.

O nível de hostilidade dos maçons ao Integralismo na referida cidade, parecia ter sido intensa, salvo exceções, como a do Senhor José Estrela, comerciante local que, mesmo sofrendo pressões dos seus confrades, não parecia ser um forte oponente às ideias do movimento integralista local. Isto se tornava mais evidente, uma vez que não havia por parte do comerciante uma atitude de perseguição aos funcionários que simpatizavam com aquele credo político. Mesmo assim, é possível considerar que, de maneira geral, o clima de embate na cidade entre os partidários do Sigma e “os filhos da viúva”, demonstrava a existência de um grau de confronto, com estes pretendendo esvaziar as possibilidades de expansão deste ideário de tendências nacional-autoritárias, junto à comunidade local. Realidade que colabora para que seja possível compreender qual o lugar e as posições assumidas pelos maçons locais, no interior deste cenário de enfrentamento de Culturas Políticas dissonantes, na qual se confrontavam frente às forças e ao cenário político-ideológico desenhado no país. Assim, este documento torna-se muito elucidativo, no sentido de repensarmos aquela imagem construída sobre a Maçonaria durante a República, que ficou sendo percebida e discutida pela historiografia, como uma instituição sem atuação e alheia ao debate político estabelecido durante o período do recorte do nosso estudo. (Holanda, 1985, pp. 289-305).

Constatamos, ao contrário do que ficou posto, que os maçons e a sua instituição desenvolveram estratégias de ação política, cultivando muitas vezes hábitos diferentes dos que estavam sacralizados pela historiografia, principalmente ao reduzirem a atividade desta instituição ao posicionamento político partidário. Observamos que suas táticas e compreensão do que era percebido como ação política, foi mudando e moldando-se aos novos tempos, passando a ser compreendida dentro de outro enfoque por meio do estabelecimento de novas estratégias de combatividade, expressos neste capítulo e que se refletem, por exemplo, na defesa dos princípios republicanos, que eram vistos com descrédito no interior do cenário político e cultural da Era Vargas. Isso de alguma maneira acabava refletindo uma áurea de desconfiança sobre a Maçonaria, principalmente, por se colocar como defensora desses princípios[14].

A combatividade e ação política da maçonaria pernambucana se revelavam, de alguma maneira, através da instauração de novos núcleos de propaganda, durante a Década de 1930, e da formação de uma imprensa, onde podemos encontrar os pontos de vista dessa instituição no Estado. Mesmo contando com um número incipiente de publicações e com uma periodicidade comprometida, estes espaços de atuação constituíam-se a partir de nossa interpretação, a materialização do significado de ser maçom e ao mesmo tempo, atuar politicamente, mesmo que esta iniciativa, não se vinculasse a qualquer legenda partidária. O corpus político defendido pelos maçons da Loja Maçônica Barão de Rio Branco, orientava-se na defesa de princípios que haviam colaborado para fornecer a Maçonaria a sua identidade ao longo do processo de constituição na modernidade ocidental, que era a defesa dos pressupostos a grosso modo do ideário liberal, mesmo que num momento como este tivéssemos maçons que porventura simpatizassem com o apelo nacionalista do Sigma.

Este embate, e a identificação com uma posição de combater a sistemas políticos de tendência ou viés autoritário, colocaria os maçons principalmente, após a escolha de Vargas em instaurar um regime de força, através da justificativa de defender o Brasil do perigo comunista, acabou provocando a proscrição institucional da Maçonaria, e nos anos posteriores a 1937, a finalização das suas atividades. Tal cenário repercutiu e materializou-se aqui na cidade de Rio Branco (Arcoverde).

A repressão à loja maçônica barão do rio branco em Arcoverde

A manhã de sábado do dia 23 de outubro de 1937, trazia estampada nas primeiras folhas dos principais jornais de circulação de Pernambuco, a noticia da recomendação do fechamento das lojas maçônicas do país e do Estado. Esta resolução tomada pela Comissão Executora do Estado de Guerra, demarcava de alguma forma, o sentimento de autoritarismo e perseguição que o país atravessava, além de constituir-se num presságio aos acontecimentos que se desenrolariam cerca de quinze dias após com a instauração do Estado Novo, no dia 10 de novembro 1937. Esse ato de cerceamento à liberdade de associação e intensa fiscalização que marcaria a década de 1930, de forma geral, agravou-se após o movimento encampado pelos comunistas brasileiros no ano de 1935. Evento que acabou por intensificar decisivamente o sentimento anticomunista reinante nos meios políticos e intelectuais mais conservadores e na sociedade brasileira como um todo[15].

Favorecido por este forte sentimento anticomunista que se encontrava introjetado na cultura política da sociedade brasileira, podemos compreender a força que o discurso antimaçom, apresentado neste período, de vertente e inspiração anticomunista, desfrutou, não somente, na composição dos discursos, mas também no sentido de garantir a legitimidade para operar a interdição dos espaços maçônicos, sem uma contestação, mais efetiva, nem tanto da imprensa, nem dos setores maçons.

Esta carga de negatividade e o esforço em estabelecer relações de semelhança entre as ações maçônicas e comunistas constituíram-se numa tônica 154 explorada nos jornais que circularam entre os dias 23 e 26 de outubro de 1937, tanto no âmbito do Estado de Pernambuco quanto na imprensa nacional. A referência dessa suposta relação estreita entre os maçons e comunistas, ganhava nos argumentos dos representantes da Comissão Executora de Guerra e dos setores militares, como no caso de Pernambuco, o Cel. Azambuja Villanova, fortes traços de antissemitismo, ao divulgar a ideia de que a Maçonaria, era representante dileta tanto do comunismo, quanto da propaganda sionista, como já analisamos no capítulo anterior.

O Jornal do Comércio, no dia 23 de outubro, trazia dois títulos referentes à disposição assumida pelo governo varguista na interdição das atividades maçônicas no país. O primeiro dos títulos, de maneira objetiva, destacava a notícia com as seguintes palavras: “Determinado pela Comissão Executora do estado de Guerra, o fechamento de todas as Lojas Maçônicas do País”[16]. Neste primeiro título, podemos observar o caráter direto e seco, a respeito da mensagem veiculada pela matéria. O jornal não mostrava quais teriam sido as motivações reais, dimensão que seria mais bem explorada no segundo título da manchete, onde, com um sentido de desvelamento, os editores da notícia pretendiam apresentar quais teriam sido os motivos que haviam orientado tais medidas. O subtítulo assim se expressava: “O coronel Azambuja Villanova põe em relevo os motivos em que se baseou aquella medida – os verdadeiros fins da instituição – Boa Fé dos mações brasileiros – importantes revelações”.

O conteúdo que ganhou forma ao longo do artigo expressava uma forte visão anticomunista e antissemita, restaurando o tema do complô judaico maçônico comunista, tão largamente utilizado pela imprensa e por intelectuais da época, argumentando que, tanto a ideologia maçônica, quanto a comunista, estava a serviço dos judeus. As declarações do Coronel, no sentido de apontar os malefícios causados pela Maçonaria à sociedade, se preocupam em resgatar várias narrativas que dessem força e sentido aos seus argumentos em defesa da proscrição das atividades maçônicas no país. O autor chegou, inclusive, a expor memórias familiares, ao relatar o pedido feito pelo seu avô no leito de morte para que nenhum dos seus filhos e parentes aderisse à Maçonaria, da qual o seu avô havia feito parte, pois existiam atividades nefastas que nem todos os integrantes sabiam, por conta da sua estrutura hierarquizada e ritualística.

No sentido de validar as suas declarações e lançar o artifício da dúvida sob a Maçonaria, o Coronel Azambuja Villanova, mostrava o que representava um perigo para a nação as supostas relações entre os “seguidores de moscou” e “os filhos da Viúva”, concluindo, disse o Coronel Villanova:

Além disto certa loja dessa Capital expediu um prospecto político a todas lojas maçônicas do país, bastante divulgado, no qual se mostra aterrorizada com as ameaças contra a Liberdade, aparecidas constantemente, pelo surto dos extremismos, porém atacando só o Nazismo, o fascismo e o integralismo. Nesse manifesto é convocada toda a gente para combater a theorias de direita. Entretanto, por um “esquecimento”, talvez, nem se fala em comunismo[17].

Numa sociedade sistematicamente “assustada” pelo “fantasma do comunismo”, as declarações do militar ganhavam grandes proporções e repercutiam de maneira intensa não só na cidade, mas, em todo o estado. Verificamos a partir das citadas declarações, que, mesmo contando com um conjunto de imprecisões, ao falar sobre as supostas relações entre Maçonaria e Comunismo, como por exemplo, o caráter vago utilizado pelo Coronel, ao citar uma loja maçônica que havia divulgado um texto político, sem citar o nome da mesma. Em uma sociedade que não estivesse tomada pela histeria da perseguição e caça à dita subversão, constituir-se-ia num elemento de questionamento, tanto por parte da imprensa, quanto por parte dos segmentos defensores da liberdade e da democracia.

Outro aspecto que destacamos em nossa análise é a forma como a reportagem encontrava-se elaborada e veiculada no jornal, apontando o sentido de quais as posições da imprensa frente a tal questão. A partir do estilo empregado no artigo, podemos assinalar que a posição tanto do Jornal do Comércio, quanto do Diário da Manhã, jornais de grande circulação na capital pernambucana, expressavam um sentimento de compartilhamento com as declarações do Coronel Azambuja Villanova. Essa perspectiva pode ser salientada porque nos dois periódicos, que informaram um conjunto farto de detalhes sobre o caso não se encontra em nenhum dos dois, algo que se contrapusesse à versão oficial produzida. Até mesmo por parte da Maçonaria, fato que mostra que, ao dar publicidade a tal resolução, a imprensa estava cumprindo o seu dever cívico de defesa da pátria, contra elementos considerados desagregadores da moral e dos considerados bons costumes.

Ainda no dia 21 de novembro, dois dias antes da notícia do fechamento das lojas serem veiculados na imprensa, o então Governador de Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti, recebia de José Carlos Macedo, Presidente da Comissão do Estado de Guerra instituído no início do mesmo mês, um telegrama que ordenava o fechamento imediato das lojas maçônicas existentes em Pernambuco. A ordem foi executada prontamente, pois, no outro dia, o Governador telegrafou ao “triunvirato”, composto pelo Ministro Macedo de Soares, General Newton Cavalcanti e o Almirante Dario Paes Lemos, as autoridades responsáveis pela comissão executora do Estado de Guerra.

No telegrama enviado, o Governador informava o fechamento de diversas lojas maçônicas da capital, entre elas a Redenção do Oriente, Cavalheiro do Oriente, Cavalheiros Templários, Firmeza e Humanidade e a Grande Loja Simbólica de Pernambuco, como também a apreensão dos arquivos das referidas lojas[18].

Depois da execução do processo de busca e apreensão em algumas lojas da capital, Carlos de Lima Cavalcanti repassou o processo de interdição das oficinas maçônicas existentes no Estado, ao 2º Delegado Auxiliar do Recife, Adalberto Maciel, autoridade que ficou responsável em telegrafar aos delegados e representantes da força policial, nos vários municípios do estado, comunicando a ordem expedida pela comissão de Guerra.

Mesmo com a expedição da ordem de fechamento, ela ocorreu em ritmo diferenciado do que aconteceu junto as lojas da Capital, um exemplo disto pode ser compreendido pelo fato de que mesmo, com o envio do telegrama aos municípios pernambucanos comunicando o fechamento das lojas, tal ato não aconteceu com a apropriação imediata dos bens das referidas lojas nas cidades do interior de Pernambuco.

Outro dado importante reside no fato de que ao longo do período de novembro de 1937 ao final do Estado Novo, as oficinas maçônicas não puderam nem mesmo funcionar aqui em Pernambuco para reuniões sociais, movimento que aconteceu em outros locais. Uma das possibilidades de explicação para tal rigidez, segundo pesquisas que realizamos[19] deram-se pelo fato de que a força dos intelectuais relacionados ao conservadorismo católico que tinham vários membros em postos chaves do governo, e que tinham força junto ao Estado principalmente, com a chegada de Agamenon Magalhães ao governo, com o Estado Novo, desarticulou a organização maçônica, tomando conta dos seus espaços ritualísticos como lojas maçônicas ao longo do Estado e apropriando-se dos seus arquivos e objetos.

Foi grande a quantidade de lojas que ao final do Estado Novo requeriam os seus acervos a Delegacia de Ordem Política e Social, e recebiam como resposta a negativa de que os seus arquivos pessoais não se encontravam sobre a posse deste órgão. A respeito de tal realidade, lançamos algumas hipóteses, a primeira delas foi à do extravio dos pertences das oficinais maçônicas dos vários municípios pernambucanos, mas a segunda hipótese orienta-se dentro da perspectiva de que em alguns lugares os maçons retiraram os objetos mais importantes como as atas e rituais e alguns objetos da loja, e os guardaram tendo inclusive notícias através da memória de algumas destas oficinas da continuidade de reuniões que se realizavam nas casas dos maçons.

Um exemplo, desta estratégia de intervenção dos maçons no sentido da Delegacia de Ordem Social não tomar posse do arquivo e instrumentos de trabalho maçônico, apresenta-se, a partir da memória de um maçom que pertenceu à loja Rio Branco, localizada na cidade de Rio Branco (atual Arcoverde). Valdir Moreno reproduziu uma versão, de como os “irmãos maçons” daquela oficina, encontraram uma maneira de preservar o seu acervo, sem entregá-lo completamente:

Lembro o irmão Valdir Moreno, sempre cauteloso em suas informações para não incorrer em erro, que, em 1938, o venerável Aprigio Estevam Tavares fora procurado pelo Sargento/Delegado da cidade e que lhe apresentará oficio da chefia de polícia da Capital, determinando a dissolução da maçonaria arcoverdense para sempre. E para que da mesma nada restasse, fossem todos os seus bens alienados (vendidos, doados etc.), de modo que não deixassem marca para reativação. Naquele tempo era precária a iluminação pública, ficando a cidade às claras somente no começo da noite. Valendo-se disto, o Venerável Aprigio, durante a madrugada, com outros irmãos foram ao Templo e o esvaziaram, levando para seus cuidados os instrumentos de trabalho maçônico e demais pertences. (Ferreira, 2003, p. 4).

O testemunho deste maçom contribui, de forma decisiva, no sentido de construir uma possibilidade de interpretação, dentro da hipótese que havíamos anteriormente aventada a respeito dos destinos trilhados pelos acervos maçônicos das lojas do interior que não foram encontrados pelos funcionários da 2ª Delegacia Auxiliar do Recife. A narrativa do maçom rio-branquense, baseado em informações que havia sido a ele contadas pelo venerável do período, mostra como se deu as estratégias de resistência que os maçons rio-branquense tomaram com relação a preservação dos seus arquivos e pertences. Este evento demonstra o objetivo da Secretária de Segurança Pública endurecer suas ações contra os maçons pernambucanos, com o objetivo de banir qualquer tipo de tentativa de reorganização maçônica em Pernambuco, o que denuncia em grande medida o grau de antimaçonismo no interior do Estado.

A instauração do Estado Novo em Pernambuco, não voltou o seu poder de interdição apenas aos maçons, mas também aos integralistas pernambucanos, principalmente, após as tentativas de intentona que os integralistas procuraram organizar no mês de maio de 1938, movimento que colaborou de alguma maneira para que o discurso, de desordem e da necessidade de um Estado de Ordem, referenciado pelo Estado Novo, pudesse justificar-se. Desta forma, é possível observar que mesmo sendo grupos com horizontes e posições diferentes, e que rivalizaram em vários momentos, sofreram por parte do modelo político orientado por Vargas, processos de combate, não pelo fato de que o presidente fosse um democrata, mas pelo fato de que ele pretendia esvaziar todos os segmentos que de alguma maneira, pudessem dividir o palco seja no campo das ideias, ou de maneira mais concreta no domínio do poder.

Considerações finais

Como ao longo do texto foi possível observar, a fundação de uma oficina maçônica nos sertões pernambucanos, inseria-se na continuação do esforço de expansão que a Maçonaria procurava construir e que Alexandre Barata (1999), já havia identificado, como possibilidade inclusive de demonstrar que ao invés da suposta decadência maçônica com o raiar da República, esta ação sinalizava o contrário.

Dentro desta perspectiva, foi possível então, ao acompanhar o processo de estruturação desta oficina maçônica observar e compreender, os embates e ao mesmo tempo o ideário que mobilizavam estes indivíduos da cidade de Arcoverde, e qual o campo que ao longo da década de 1930 e 40, a partir dos integralistas e de como eles representavam os maçons da cidade, observar em qual campo eles se colocavam, o que de forma geral, lançando um olhar sobre esta dimensão micro, a de uma cidade do sertão pernambucano, não deixa de possibilitar conexões com as posturas maçônicas no país.

Dito isto, é possível perceber que a Loja Barão de Rio Branco seguia um certo perfil entre os seus membros, de sujeitos relacionados a uma classe média e representantes dos ramos comercial e empresarial, o que de alguma medida apresentava uma preocupação em reunir sobre o templo maçônico personagens que estivessem relacionados, pelo menos de forma geral a segmentos que demonstrasse um certo impulso “modernizador” e identificado com uma posição liberal, mesmo que fossem conservadores do ponto de vista partidário. Compreender o processo de estruturação da maçonaria em Arcoverde em meados da década de 1930 colabora para que lancemos possibilidades de reflexão a respeito desta instituição num espaço geográfico e histórico, no qual a propaganda maçônica disseminou-se no Brasil de maneira mais intensa a partir do século XX, o que denota que a chegada dos maçons aos sertões demonstravam em alguma medida o desenvolvimento e potencialização deste núcleo urbano, como cidade polo nos sertões pernambucanos.

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  1. Folhas Avulsas. DOPS-PE, 1933, Arquivo Público de Pernambuco.
  2. Esta narrativa que abre o presente capítulo foi retirada das folhas avulsas datadas dos dias 18 e 26 de agosto de 1933 dos investigadores J.B.S e P.P.P, ligados a seção de Ordem Política e Social, encontrado no prontuário da Loja Cavaleiro da Luz 7522.
  3. Véase Holanda (1985, vol.5, pp. 289-305).
  4. Véase Silva (2007; 2009; 2011; 2013).
  5. As obras que se encontram referenciadas neste parágrafo, tem no interior da historiografia acadêmica um importância vital, pois são estudos de fôlego sobre a Maçonaria, discutindo-a durante o período republicano, e contribuindo no sentido de reconstruir argumentos e aspectos sobre as suas ações no respectivo período. A referência destas obras são: Barata (2000); Véscio (2001); Morel (2008).
  6. Véase O Archote (1932) y Mensageiro (1937).
  7. Termo usado para se referir aos maçons, numa referência direta a um dos maçons míticos, Hiram construtor do templo de Salomão, que era filho de uma viúva, Hiram segundo contra a narrativa, foi assassinado defendendo a palavra secreta do seu oficio de mestre, por aprendizes trabalhadores da construção do templo que queriam a partir do conhecimento da “palavra secreta”, conhecer os mistérios da arte da construção.
  8. Véase Carneiro (2001).
  9. Véase Silva (2002).
  10. Véase Almeida (2001).
  11. Véase Silva (2002).
  12. Esta expressão que é utilizada pelos maçons para se autodenominarem, possui algumas explicações e significados, dentre elas, podemos destacar que o Filho da viúva é um apelido comumente aplicado aos maçons. Viúva, no caso é a própria Maçonaria, enquanto instituição, já que seu fundador, Hiram Abiff foi assassinado. Dessa forma, seus filhos, maçons seriam órfãos de pai. Essa, naturalmente, é uma alegoria, e não é a única inspiração dessa curiosa expressão. Na verdade, essa expressão é bastante antiga. Ela já era utilizada nas antigas Iniciações, especialmente nos Mistérios Egípcios. Filhos da Viúva eram todos aqueles que se iniciavam nos Mistérios de Isis e Osíris, pois Isis era a esposa viúva do deus Osíris, morto pelo seu invejoso irmão Seth.
  13. Arcoverde, N. (1937). Oficio ao companheiro Nelson C. Silva presidente da junta de nucleação província de Pernambuco. Pasta 4938– DOPS – APEJE. Rio Branco, Pernambuco.
  14. Véase Barata (1999) y Silva Acioly Paz (2013).
  15. Véase Neto (2006).
  16. Jornal do Comercio. 23 de octubre de 1937, p. 3. Recife.
  17. “O coronel Azambuja Villanova põe em relevo os motivos em que se baseou aquella medida – os verdadeiros fins da Instituição – Boa Fé dos mações – brasileiros importantes revelações”. Jornal do Comercio. Recife, 23 de octubre de 1937, p. 3.
  18. Diário da Manhã, Recife, 23 de octubre de 1937, pp. 1-3.
  19. Véase Silva Acioly Paz (2013).


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