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O Coletivo Fora do Eixo

Juventude organizada, produção, circulação e consumo cultural

Wener da Silva

Resumo

Na presente pesquisa buscou-se realizar um estudo sobre a atuação do Coletivo Fora do Eixo como organização social desenvolvida por jovens, que têm como causa principal a cultura. O objetivo é descrever a atuação em rede do Coletivo Fora do Eixo a partir do estudo dos atores sociais que compõe o grupo e como eles constroem e executam as ações pautadas na produção, circulação e consumo cultural no âmbito da política e da economia. Dentro deste contexto, procurou-se analisar, a partir da observação direta, das entrevistas realizadas e da análise dos aplicativos, sites e redes sociais, quais são as estratégias discursivas presentes no debate contemporâneo brasileiro sobre a cultura, como dão sentido às articulações políticas de forma colaborativa e como o Coletivo desenvolve estratégias criativas para geração da própria economia, fazendo como um dos principais caminhos de distribuição a Internet e suas diversas redes sociais. Pretendo ainda verificar a importância da tecnologia, baseada na inteligência coletiva, como ferramenta de acesso à informação em rede. E, desta forma, conhecer os processos coletivos e o que motivam jovens, de diferentes propostas sociais e culturais, a se articularem e se organizarem em rede de maneira colaborativa para fazer uso de diversas formas de circulação dos seus produtos e serviços culturais.

Palavras chave

Organização social; Produção cultural; Coletivos.

Introdução

No esforço de compreender o novo cenário cultural vivenciado por jovens que constroem rede de coletivos culturais e empreendedores busco, a partir de espaços virtuais e presenciais, entender as características de organização e de atuação e os meios de constituição que tornam o Coletivo Fora do Eixo (FdE) um fenômeno que ganhou notoriedade no Brasil.

O Fora do Eixo se apresenta como uma rede de grupos de trabalhos idealizada por produtores da cultura que iniciaram um processo alternativo de financiamento colaborativo a partir de 2005. Segundo um dos idealizadores desse coletivo, Pablo Capilé, o FdE constrói novas narrativas colaborativas no que produzem. O grupo trouxe ao eixo midiático, São Paulo/Rio, uma forma empreendedora e organizada de realizar projetos culturais na área da música, que incentiva a cena artística independente no Brasil. Além disso, nos últimos anos, a atuação dos jovens tem sido mais presente no processo político do país, pois tem ganhado maior destaque e criado novas possibilidades estratégicas por meio do uso diário de ferramentas tecnológicas e digitais, tais como redes sociais, aplicativos digitais, sites, blogs, entre outros.

Dessa maneira, o Fora do Eixo otimiza as ações inserindo em rede e para a rede, on-line (na internet) e off-line (fora da internet). Daí nasce a ideia de socializar todos os atos da rede. O trabalho de empreendedorismo que os jovens realizam, permitem que coletivos, artistas e produtores da cultura se conectem em redes virtuais e presenciais, com intervenções nas ruas e, ainda, em reconstruções culturais, políticas e sociais mais práticas, que vão de conversas infinitas (off-line), a articulações realizadas virtualmente.

Assim, meu objetivo é analisar a forma de organização contemporânea desse coletivo, no que diz respeito à produção, circulação e consumo cultural. Deslocar o olhar para as vivências do grupo me auxiliou na aproximação sobre a compreensão de todo o contexto criado e idealizado pelo Coletivo.

É diante disso que o presente estudo visa descrever como o Coletivo Fora do Eixo está organizado no cenário da produção cultural contemporânea, como eles entendem esta produção, quem são seus atores, como atuam politicamente e como financiam suas atividades. Afinal, que ativismo cultural é este? Como esses jovens se organizam nas suas frentes de trabalho? Qual o papel social, político e cultural que esses jovens realizam? Quem são e como atuam as pessoas envolvidas no FdE? Como eles produzem sentido sobre o Coletivo e o que eles consideram como proposta cultural e política? Como é trabalhado o financiamento de suas atividades? Como o FdE mantém todas as estruturas da organização?

Como desenhado no decorrer da pesquisa, concordo com o pensamento de Velho (2003) quando ele fala da importância de fazer a relação entre as trajetórias de vida e dos contextos de socialização vivenciadas pela juventude, para analisarmos os interesses que estão aí em jogo, como no caso do FdE.

O objetivo geral aqui é compreender a relação entre as formas de organização e atuação do Fora do Eixo, num cenário contemporâneo de produção, circulação e consumo cultural, marcados pela atuação política e o empreendedorismo de jovens no Brasil.

Em relação aos objetivos específicos procuro: 1) descrever como os participantes do FdE se transformaram em uma organização social coletiva e política presente em todas as regiões do país; 2) destacar as formas de atuação desses jovens nas áreas da cultura, da política e da economia; 3) apontar a importância da tecnologia digital na organização; 4) descrever as relações político-partidárias das lideranças das frentes de trabalho com os consultores; 5) analisar as narrativas de coletividade construídas pelo FdE; 6) descrever as formas organização e estratégias de financiamentos criadas pelo Coletivo.

Marco teórico/marco conceptual

Após revisão bibliográfica e inserção na pesquisa de campo, o conceito de “coletivo” apareceu nesta pesquisa como definidor de um grupo de pessoas que exploram interesses em comum e articulam ações de forma estratégica, fazendo circular informação, cultura, economia, política, saberes e práticas. Se por um lado o coletivo é utilizado aqui como categoria que remete à ideia de ação coletiva, por outro lado, também é entendido como categoria nativa.

Aos poucos foi parecendo mais claro que as inovações propostas pelo Fora do Eixo também poderiam estar associadas a fenômenos de caráter geracional, que envolvem a juventude escolarizada e com acesso à informação, produção e consumo cultural nas últimas décadas. Uma geração nascida na era dos computadores e com acesso desde muito cedo à Internet (Levy, 1999). Além disso, nos últimos anos, uma juventude que tem se mostrado preparada para discursos e atuações envolvendo nomes fortes da política e cultura.

Juventude é um termo bastante relacionado com manifestações e ações coletivas e isso despertou para a necessidade de refletir sobre o que é juventude.

Com efeito, a juventude começa por ser uma categoria socialmente manipulada e manipulável e, como refere Bourdieu, o facto de se falar dos jovens como uma “unidade social”, um grupo dotado de “interesses comuns” e de se referirem esses interesses a uma faixa de idade constitui, já de si, uma evidente manipulação. (Pais. 2003, p. 28).

Nesse processo de descobertas e conhecimentos sociais, alguns aspectos foram relevantes para novas questões sobre coletivo e juventude, que foram surgindo ao decorrer da pesquisa: a formação de mais coletivos na área da cultura composta, em sua maioria, por jovens e o formato de atuação coletiva mais flexível nas tomadas de decisões dentro desses grupos. As realizações de estratégias articuladas e desenvolvidas em rede são características de organizações sociais que conquistam espaços até então pertencentes a ONGs e sindicatos. Ainda é muito pouco claro sociologicamente o atual formato e entendimento sobre o que são os coletivos organizados no presente, pois seus métodos de atuação são complexos e distantes de um entendimento de classe, de ideologia ou de estruturas associativas formais. Muitos destes novos coletivos organizados são liderados por jovens.

As atuações políticas, culturais e econômicas que esses jovens vêm construindo são frutos de planejamentos e estratégias colocadas em práticas e que entraram na cena pública ganhando visibilidade. As manifestações de julho de 2013 no Brasil exemplificam os métodos utilizados pelo grupo para se fazer visível. Durante as manifestações, o FdE se tornou conhecido nacionalmente, principalmente pelo seu papel de articulação e informação com as tecnologias que os jovens utilizam para se comunicar, informar e consumir cultura através da Internet.

As juventudes ocupam esses diversos espaços (virtuais e presenciais) de forma organizada e planejada utilizando-se de criatividade para interferir nas demandas do Estado. O Fora do Eixo pensa em atuações coletivas que proporcionem escoamento da sua produção em rede, trabalhando novas metodologias que ajudam na realização dos projetos, como as formas de financiamento.

A Internet com suas ferramentas cada vez mais atualizadas proporcionam à sociedade uma aproximação e liberdade de informações atuais e constantes. Para Pierre Lévy (1999, p. 11), “o crescimento do ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem”. Sendo assim, a relação do ator social com o espaço virtual na atualidade, reflete em respostas que vão além do computador e aplicativos tecnológicos.

Outro aspecto não menos relevante para Gohn (2010): “a participação cidadã é entendida como o procedimento de tomar parte de um processo político, social e cultural por meio de ações coletivas organizadas e expressas em espaços públicos”. Neste sentido, a sociedade civil organizada é impulsionada pelo sistema capitalista a combater injustiças sociais e para isso as tecnologias, as novas mídias interativas e as ações presenciais são braços dentro de uma rede colaborativa que constroem a história política no país.

A partir das reflexões de Gilberto Velho (2003), passei a compreender melhor as relações sociais durante a vida do jovem, assim como a reconhecer que há diferenças e transformações. Conforme o autor revela, recorrer ao curso da vida desperta o entendimento à luz das formas de atuação, estilos de vida de jovens que atuam coletivamente como o Fora do Eixo, lançando estratégias trabalhadas em conjunto com atores sociais mais experientes. Ou seja, são muitas influências e experiências de vida, influenciadas por todo contexto familiar, social e histórico que cada um do grupo possui.

O Coletivo Fora do Eixo bebe de várias fontes, adota uma retórica que os isentam de estabelecer vínculo com partidos políticos, interesses econômicos, preferências políticas etc. Ao mesmo tempo não vejo nenhuma novidade no que diz respeito às lutas e manifestações já vividas em outras décadas no Brasil. Durante a pesquisa, percebi um coletivo que trabalha com os conceitos de colaboração, mas de forma individualizada. As questões desenvolvidas são muito pontuais, para o interesse do próprio grupo.

O Fora do Eixo é um coletivo organizado com regras e hierarquias com estrutura de funcionamento burocrático e isso tem alertado pesquisadores a enxergar o que há por trás de tal dinâmica de trabalho. Eles crescem com sua rede de coletivos apoiados por pessoas com experiências de trabalho, de luta política e de ações já estabelecidas em muitos lugares no Brasil e na América do Sul.

Porém, é fundamental destacar o modelo de organização diferenciado dos movimentos sociais que perpassa pela história brasileira, pois se convenciona como o atual modelo de parceria com o Estado e a sociedade: as Organizações Sociais (OS). O envolvimento das OS são estabelecidas por meio de contratos das gestões públicas para dirigirem equipamentos públicos até então geridos exclusivamente pelo Estado. Para o Estado, esses processos são vistos como objetos reguladores das ações realizadas pelas Organizações Sociais. As OS não são propriedade de nenhum indivíduo ou aliança, elas são orientadas para atender o interesse público. Desenvolvem, em sua maioria, dinâmicas de trabalho inovadoras, dispondo de aplicativos digitais e redes sociais.

Essas transformações no universo digital e tecnológico possibilitam aos jovens empreender com novos recursos no espaço virtual. O ciberespaço e a cibercultura[1], conceitos apresentados por Pierre Lévy (1999), nos remetem a pensar um cenário que se universalizou na última década, porém com perspectivas diferentes e pontos positivos e negativos.

Metodologia

Para concretizar tais objetivos destaco os procedimentos de pesquisa realizados na Internet junto aos sites, blogs e redes sociais do FdE e a observação direta durante a pesquisa de campo. Sobre esta, aconteceu em uma única oportunidade, entre os dias 30 de novembro de 2013 a 06 de dezembro de 2013 quando aconteceu o 5º Congresso Nacional Fora do Eixo no Distrito Federal em Brasília. Neste momento, como metodologia, utilizei a observação participante com os jovens do FdE durante atividades realizadas no Congresso Nacional Fora do Eixo. Na oportunidade, entrevistei os membros do Núcleo Duro (que são os líderes do coletivo), também estive com os chamados consultores das lideranças, com os membros de outros coletivos que fazem parte da rede, além de deputados e senadores.

Como estratégia de levantamento de dados, assisti e gravei (áudio e vídeo) as reuniões denominadas de “Geral”, “Por Segmento Cultural” e “Núcleo Duro”; observei também as ações culturais realizadas durante o congresso e ainda participei das plenárias no Congresso Nacional pautadas pelo FdE e políticos que apoiam algumas das causas que o coletivo defende. Utilizei também técnicas de pesquisas diferenciadas como vídeos nos quais gravei nas entrevistas e reuniões coletivas. Fotografias e conversas informais com os membros das Casas Regionais também foram meios para a construção da pesquisa.

Em tais percursos fiz constantes interlocuções entre a bibliografia e o campo. A partir das reflexões de Howard S. Becker (2007, p. 115), descrever as categorias é importante para que não caiamos no convencional. Senti a necessidade, por vezes, de suspender meu julgamento e observar essas categorias juvenis, colocando-me em posicionamentos de não aceitação de respostas convencionais.

Na visão de Clifford Geertz, o pesquisador deve ampliar seus conhecimentos sobre o nativo, sobre o objeto e saber interpretar as diferenças e as camadas de significados que lhe são presentes. Nessa perspectiva, interpretar as juventudes como categorias nativas, as culturas, os estilos de vida, as sociedades colaborativas e o empreendedorismo inclusos neste movimento foram estratégias fundamentais.

Análise e discussão de dados

No que se refere à estrutura da pesquisa exposta, trabalho em três eixos: primeiro dedico-me a construir uma discussão a respeito da relação entre o conceito de juventude, o conceito de coletivo e a relação entre jovens e o Coletivo Fora do Eixo; segundo ponto, trato da atuação política do Coletivo. Busquei analisar em termos sociológicos a estrutura de articulação colaborativa que é extremamente burocrática e que, embora não pareça, é também extremamente hierarquizada; e o terceiro eixo aborda a relação entre a ação coletiva e a visão política, no que concerne à economia criativa voltada para a produção e o consumo cultural. Descrevo as formas de financiamento que o grupo desenvolve.

Assim, pude no primeiro capítulo me dedicar a construir uma reflexão em torno da discussão a respeito da relação entre o conceito de juventude, o conceito de coletivo e a relação entre jovens e o Coletivo Fora do Eixo. Abordei o tema coletivo e juventude enquanto organização social no âmbito dos estudos sobre “juventude”. A análise contempla apresentar a forma de organização contemporânea vivenciada por eles e a necessidade de vivenciar de forma experimental a vida colaborativa em Casas de conceitos e sistemas próprios. Ficou claro para mim que organizações assim não se permitem rótulos de faixa etária ou de comportamento. Segundo o FdE, eles são indivíduos representantes de uma classe que ajuda na resolução cultural do país, tentando desburocratizar um sistema engessado.

Desta maneira, no segundo capítulo desta dissertação, pude compreender a política do FdE e sua atuação coletiva e colaborativa, desenvolvida não só pelos coletivos que vivenciam as Casas coletivas do grupo, mas também por terceiros que pertencem diretamente a posições políticas do Estado. Foi a partir da pesquisa de campo que conheci outras formas de participação que o grupo desenvolveu nos últimos 10 anos, objetivando fortalecer a própria independência e respaldo político diante de gestores parceiros do processo político do grupo. Com isso, consegui apresentar de forma sistemática a atuação política de articulação e parceria que tanto o grupo preza. A atividade de campo me proporcionou enxergar nas entrelinhas do discurso formado por eles a precisão e o poder de fala regido e determinado pelo membros, colaboradores e politicos. E ainda, a pesquisa apresentou também que apesar de o FdE trabalhar sua estrutura, visualmente falando, horizontalizada, o grupo age de forma hierarquizada e descrever esse processo me ajudou a pensar nos principais atores sociais envolvidos.

No terceiro capítulo o discurso percorreu a relação entre a ação coletiva e a visão política no que concerne à economia criativa voltada para a produção e o consumo cultural. Compreendi, primeiramente, como o grupo enxerga a economia criativa usando de inteligência colaborativa nas suas diversas formas de financiamento desenvolvidas através de aplicativos e tecnologias digitais. Ficou claro que a participação dos consultores no grupo permite o desenvolvimento econômico por meio de colaborativismo digital, que só tem fortalecido o processo em rede.

O campo me proporcionou acionar os sentidos das reflexões em torno das juventudes e do consumo cultural, cultura e ciberespaço. Pois trabalhar por meses em um campo mutante e intenso exigiu pensamentos densos para seguir compreendendo as transformações que o Coletivo Fora do Eixo apresentava.

Quanto aos entraves da pesquisa, tive dificuldades em encontrar dados mais concretos sobre o grupo, pois nas diversas entrevistas analisadas, percebi uma diferença entre os dados relatados por eles em períodos diferentes. Isso me fez enxergar o quanto volátil o FdE é em sua essência e aberto a transformações constantes. Porém, tanta fluidez, em uma rede tão densa, permite fragilidades nos discursos estabelecidos em tempos e pessoas distintas. Neste sentido, constatei que é muito recente o tema de organizações sociais que envolvam tamanha dimensão em tecnologia, articulações políticas e criações econômicas desenvolvidas através do ciberespaço.

Conclusões

Quando iniciei a presente pesquisa sobre a temática das juventudes no processo de organização social, privilegiei abordar a produção cultural e as formas de circulação e consumo cultural desenvolvidas por eles. Neste estudo, pude constatar a peculiaridade do sistema de gestão que o Coletivo Fora do Eixo desenvolveu nos últimos anos. O seu sistema de arquitetura em rede ganha visibilidade nas redes sociais, mídias e no cenário político e cultural não só do Brasil, como também em alguns países da América Latina e Europa. Percebi que o Coletivo organiza e articula suas ações de forma complexa, porém flexível porque ao mesmo tempo em que desenvolve sistemas internos burocráticos, o grupo trabalha com dinamismo e mudanças evitando engessar o próprio sistema. Além disso, eles mantêm diálogos com diversos partidos políticos e movimentos sociais como Movimento Sem Terra, Black Block entre outros.

Assim, propus aqui uma análise desse grupo enquanto organização social composta por jovens escolarizados, de discurso forte dentro da cena da produção cultural do país. Ficou claro para mim, que organizações assim não se permitem rótulos de faixa etária ou de comportamento. Segundo o FdE, eles são indivíduos representantes da área cultural que ajudam nas resoluções burocratizadas do país, tentando flexibilizar um sistema engessado.

Foi a partir do campo que conheci outras formas de participação desenvolvidas nos últimos 10 anos, objetivando fortalecer a própria independência e respaldo político diante de gestores parceiros do processo político do grupo. Com isso, consegue apresentar de forma sistemática a atuação política de articulação e parceria que o grupo tanto preza. A atividade de campo me proporcionou enxergar nas entrelinhas o discurso legítimo, audacioso e estruturado politicamente falando. E a pesquisa ainda apresentou que apesar de o FdE desenvolver sua estrutura horizontalizada, o grupo age de forma hierarquizada, portanto, descrever esse processo me ajudou a pensar nos principais atores sociais envolvidos.

Em se tratando da estrutura econômica e financeira do grupo, o discurso passou pela relação entre a ação coletiva e a visão política no que concerne à economia criativa voltada para a produção e consumo cultural. Compreendi, primeiramente, como o grupo enxerga a economia criativa usando de inteligência colaborativa nas suas diversas formas de financiamento desenvolvidas através de aplicativos e tecnologias digitais.

O estudo teve como proposta contribuir com a academia não limitando novas discussões frente ao tema, proporcionando a continuidade do olhar sociológico sobre o objeto. Os processos de juventudes e coletivos poderiam ser vistos em outros coletivos tão densos, dinâmicos e organizados. A discussão desenvolvida sobre juventudes, organizações sociais e os meios de produção, circulação e consumo cultural é um tema que tem muito mais a oferecer no que se refere às inovações tecnológicas, nas formas de construção política e na estrutura econômica desenvolvida.

Bibliografia

Becker, Howard Saul. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

Geertz, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989.

Gohn, Maria da Gloria. Novas teorias dos movimentos sociais. São Paulo: Edições Loyola, 2008.

Gohn, Maria da Gloria; Bringel, Breno M. (Orgs.). Movimentos sociais na era global. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2012.

Gohn, Maria da Gloria. Teoria dos movimentos sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. São Paulo: Edições Loyola, 1997.

Gohn, Maria da Glória. A revolução será tuitada. Revista Cult, 169, 2012.

Lemos, André; Lévy, Pierre. O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus, 2010.

Lévy, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

Pais, José Machado. Culturas Juvenis. Lisboa: Casa da Moeda, 2003.

Velho, Gilberto. Desvio e divergência: uma crítica da patologia social. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.


  1. Pierre Lévy, em seu livro Cibercultura, diz que ciberespaço é um novo meio de comunicação e que especifica não só uma infraestrutura material da comunicação digital, mas também muitas e infinitas informações, que também ele chama de “rede”. E que cibercultura é um neologismo que especifica um conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que desenvolvem em conjunto com o crescimento do ciberespaço (Lévy, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999, p. 17).


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