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O colégio jesuítico da Bahia

Entre a invasão holandesa e a extinção
da Companhia de Jesus

Paulo de Assunção[1]

Em 1623, uma poderosa esquadra comanda por Jacob Willekens e pelo vice-almirante Pieter Heyn deixaram a Holanda, com aproximadamente três mil e trezentos homens (Leite, 1938-1949, p. 27). Seu destino era a tomada das terras coloniais portuguesas na América, em especial a capital da colônia. No ano seguinte, a Bahia foi invadida por holandeses, sendo o governador geral do Brasil, Diogo de Mendonça Furtado, e seu filho presos e deportados para a Holanda, os quais só foram libertados em 1626 (Assunção, 2013, p. 162-170). Em meio à conturbação gerada pelos invasores, assumiu a junta governativa composta por D. Marcos Teixeira de Mendonça (bispo de Salvador) e o auditor António Mesquita de Oliveira. D. Marcos Teixeira foi responsável por reunir a população e os recursos existentes para defender a cidade. Contudo, este veio a falecer em 8 de outubro de 1624, sem ver a vitória dos colonos.[2]

O jovem Antônio Vieira, então como 16 anos e recém ingresso na Companhia de Jesus, relata que, no dia da aparição de São Miguel, 8 de maio de 1624, despontaram na costa baiana 24 velas holandesas. As embarcações, pelo que era de conhecimento em Salvador, já tinham roubado um navio vindo de Angola. A população foi conclamada pelo governador Diogo de Mendonça Furtado e pelo Bispo D. Marcos Teixeira a preparar a defesa. No dia seguinte, os inimigos holandeses deram sinal e começaram o ataque que foi marcado por uma contínua artilharia (Leite, 1938-1949, t.4, p. 29). Enquanto isso, os padres do colégio jesuítico da Bahia confessavam e comungavam muitos habitantes que estavam em pânico. Os holandeses tomaram a cidade e a alternativa escolhida pelo padre reitor do colégio foi a de buscar refúgio na Quinta do Tanque (propriedade dos jesuítas),[3] levando consigo tudo o que poderia ser protegido que pertencesse ao culto religioso. Outras dignidades eclesiásticas também foram acolhidas naquele local, além de vários membros da Companhia de Jesus (Leite, 1938-1949, t.4, p. 31).

O abalo causado pela invasão holandesa fez com que a coroa intensificasse a defesa do território, sendo nomeado novo governador geral. Em 1625, Francisco de Moura Rolim assumiu o cargo tendo a difícil tarefa de apaziguar os ânimos e retomar a produção açucareira que fora interrompida (Mello, 1960, p. 235-253). Os holandeses foram expulsos naquele mesmo ano, após promoverem grande destruição na capital e nos engenhos da região. No decorrer dos embates, jesuítas foram presos e levados para a Europa. Estes seriam liberados em 1626, depois da intervenção da infanta Isabel Clara Eugénia da Áustria. Todos regressaram ao Brasil em 1628, com exceção do Ir. Pedro da Cunha que permaneceu como procurador em Lisboa e o Pe. Gaspar Ferreira que, depois do cárcere de Dordrecht, não se teve mais notícias (Leite, 1938-1949, t. 5, p. 49-50).

Em 28 de dezembro de 1626 assumiu o governo-geral do Brasil Diogo Luís de Oliveira, que se dedicou a fortificar Salvador e a encontrar alguma maneira de melhorar a exploração e sustento da colônia. Apesar das perdas ocorridas durante o ataque dos holandeses e as oscilações do mercado, a atividade produtiva dos engenhos que pertenciam à Companhia de Jesus foi retomada (Assunção, 2013, p. 161-171). Em contrapartida, esperava-se que fossem enviados cobre, lona, azeite, sardinhas, sal, etc., a fim de garantir a subsistência dos religiosos no colégio e nos engenhos. As remessas vindas de Portugal eram importantes, pois a aquisição dos mesmos produtos, em Salvador, normalmente eram mais elevados.

As investidas dos holandeses pelo litoral do nordeste brasileiro continuaram. Em 1630 invadiram a região de Pernambuco e tomaram a cidade de Olinda. A ocupação da área litorânea foi feita por milhares de homens enviados da Europa e controlariam a região até 1654.

Os engenhos jesuíticos baianos continuaram a produzir e abastecer o mercado europeu, mas os religiosos, que administravam as propriedades, alertavam aos padres superiores para que não fossem passadas letras. Esta prática causava perda de recursos, pois os padres procuradores faziam uma estimativa da quantidade enviada, que na maioria das vezes ficava abaixo do valor estimado. Logo, dívidas eram geradas e cobradas pelos credores, o que causava uma série de estorvos. Isto devia ser levado em conta, uma vez que a guerra contra os holandeses, em Pernambuco, estava em curso. Havia ainda a preocupação com o descontrole dos anos anteriores que causou aos engenhos do Colégio da Bahia um acúmulo de dívidas (ANTT, Cartório Jesuítico maço 68, doc. 69 e maço 71, doc. 17).

Em 1635, assumiu a função de governador-geral do Brasil Pedro da Silva, que receberia o título de 1o conde de São Lourenço. Este já havia prestado serviço como governador da Costa da Mina, tentando defender aquele território das investidas de inimigos. A sua nova missão era neutralizar os ataques dos holandeses que visitavam diferentes pontos do litoral brasileiro, como Pernambuco e Ceará, que teve o Forte de São Sebastião invadido. Em 16 de abril de 1638, os holandeses avançaram sobre Salvador cometendo assaltos durante quarenta dias. A defesa da cidade foi feita pelo Conde de Banholo, Giovanni Vincenzo di Sena Felice, contando com o apoio dos padres jesuítas Manuel Fernandes, Domingos Coelho, João de Oliva, Francisco Gonçalves, Francisco Pires, Simão de Souto Maior, Baltasar Sequeira, Mateus Dias, Francisco Avelar, Fulgêncio de Lemos, António Vieira e Manuel Nunes (Leite, 1938-1949, t.5, p. 61; Vilhasanti, 1941). Os relatos dão conta que o Colégio da Bahia se transformou num baluarte de defesa, servindo principalmente como hospital. O governador Pedro da Silva, em missiva, destacou os préstimos dos religiosos durante o cerco, que teria sido similar aos dos soldados. Em final de maio os holandeses são derrotados, sendo obrigados a abandonar a cidade (Leite, 1938-1949, t.5, p. 61-62).

Os jesuítas relataram o ataque informando que o inimigo agira com naus pequenas e grandes, fazendo dois assaltos por terra. O Pe. Simão de Souto Maior informava que a população da Bahia reagira, degolando mais de mil homens, sendo feridos outros tantos. A apressada fuga dos holandeses, os obrigou a deixar para traz peças de artilharia, mosquetes, balas, pás enxadas, machados, dentre outros objetos. As baixas do lado português foram poucas, segundo ele. O número de mortos fora de 28 e de feridos chegara a 100. Além disso, informava sobre a avaliação dos engenhos e ponderava sobre a disputa entre o Colégio da Bahia e o de Santo Antão em relação ao Engenho de Sergipe do Conde, que pertencera a Mem de Sá (ANTT – Cartório Jesuítico maço 68, doc. 181).

As sentenças entre o Colégio da Bahia e o de Santo Antão exigiam que novos documentos fossem trasladados. Cada uma das partes instruía os processos, anexando provas que defendiam os seus interesses, revelando que cada colégio jesuítico possuía interesses próprios, pois dependiam do patrimônio e dos recursos gerados para garantir o funcionamento das atividades de ensino e catequização. As estratégias para obstar o andamento das causas eram muitas e obrigavam os padres a recorrerem constantemente à Casa de Suplicação e ao Ouvidor Geral (ANTT, Cartório Jesuítico maço 71, doc. 31). Nem sempre os registros disponíveis sobre as contas dos engenhos eram suficientes, conforme destaca Sebastião Vaz. Ao consultá-los notou que muitos deles estavam “rotos” e alguns não estavam em ordem, possuindo informações apenas até a época do ataque dos holandeses (1624-1625). Os rendimentos dos engenhos eram poucos devido às dívidas atrasadas, o que acabava por comprometer o sustento do Colégio da Bahia (ANTT, Cartório Jesuítico maço 69, doc. 60).

A invasão holandesa impôs grandes perdas ao edifício da igreja do Colégio da Bahia, que foi reparado logo após a invasão, consumindo os escassos recursos disponíveis. O antigo edifício tinha sido erguido na época do governo de Mem de Sá, que ocorreu entre 1558 e 1572, e foi paulatinamente ampliado nos anos seguintes, para atender às necessidades dos religiosos, por meio de novas aquisições de terrenos (Leite, 1938-1949, t.1, p. 43; Castelnau-L’Estoile, 2006, p. 187-213). Gabriel Soares de Sousa fez um registro preciso do Colégio da Bahia, nas últimas décadas do século XVI, registrando que:

passando além da Sé pelo mesmo rumo do norte, corre outra rua mui larga, também ocupada com lojas de mercadores, a qual vai dar consigo num terreiro mui bem assentado e grande, aonde se representam as festas a cavalo, por ser maior que a praça, o qual está cercado em quadro de nobres casas. E ocupa esse terreiro a parte da rua da banda do mar um suntuoso colégio dos padres da Companhia de Jesus, com uma formosa e alegre igreja, onde serve o culto divino com mui ricos ornamentos, a qual os padres têm sempre mui limpa e cheirosa.

Tem este colégio grandes dormitórios e muito bem acabados, partes dos quais ficam sobre o mar, com grande vista; cuja obra é de pedra e cal, com todas as escadas, portas e janelas de pedrarias, com varandas, e cubículos mui bem forrados, e por baixo lajeados com muita perfeição, o qual colégio tem grandes cercas até o mar, com água muito boa dentro, e ao longo do mar tem umas terracenas, onde recolhem o que lhe vem embarcado de fora. Tem este colégio, ordinariamente, oitenta religiosos, que se ocupam em pregar e confessar alguma parte deles, outros ensinam latim, artes, teologia, e casos de consciência, com o que têm feito muito fruto na terra; o qual está muito rico, porque tem de Sua Majestade, cada ano, quatro mil cruzados e, davantagem, importar-lhe-á a outra renda que tem na terra outro tanto; porque tem muitos currais de vacas, onde se afirma que trazem mais de duas mil vacas de ventre, que nesta terra parem todos os anos, e tem outra muita granjearia de suas roças e fazendas, onde tem todas as novidades dos mantimentos, que se na terra dão em muita abastança.

Destaca ainda:

Passando avante do colégio vai outra rua muito comprida pelo mesmo rumo do norte, muito larga e povoada de casas e moradores, além da qual, no arrabalde da cidade, num alto, está um mosteiro de capuchinhos de Santo Antônio, que há pouco tempo se começou de esmolas do povo, que lhes comprou este assento, e outros devotos que lhe deram outros chãos junto dele, em que lhe os moradores fizeram uma igreja, com a qual, e o mais recolhimento que está feito, se podem acomodar até vinte religiosos, e pelo tempo adiante lhe farão outro recolhimento como os padres quiserem, os quais têm nesse recolhimento sua cerca com água dentro, a qual cerca vem correndo de cima, onde está o mosteiro, até o mar. E tornando desse mosteiro para a praça pela banda da terra vai a cidade muito bem arruada, com casas de moradores com seus quintais, os quais estão povoados de palmeiras carregadas de cocos e outras de tâmaras, e de laranjeiras e outras árvores de espinho, figueiras, romeiras e parreiras, com o que fica muito fresca; a qual cidade por esta banda da terra está toda cercada com uma ribeira de água, que serve de lavagem e de se regarem algumas hortas, que ao longo dela estão (Souza, 1938, p.136-137).

Quando da restauração do trono português, com a aclamação de D. João IV em primeiro de dezembro de 1640, a nova igreja do colégio estava sendo erguida com o apoio da população, conforme registrou o Pe. Belchior Pires. Os trabalhos seguiam lentamente, pois os holandeses ainda dominavam a região de Pernambuco. Os jesuítas, que trabalhavam nos engenhos, se dedicavam ao máximo ao cultivo da cana de açúcar para tirar o maior proveito e obter recursos para a execução da obra (Brescianni, 1997, p. 209-226).

A notícia da restauração portuguesa chegou à Bahia, por meio de carta régia, em 15 de fevereiro de 1641. Prontamente, o governador, D. Jorge Mascarenhas reconheceu a autoridade do monarca lusitano e deu a conhecer aos governadores das capitanias a independência de Portugal. A fim de manifestar o seu apoio a D. João IV, o governador enviou ao reino o seu filho Fernando de Mascarenhas e os jesuítas António Vieira e Simão de Vasconcelos. Em Salvador, Jorge de Mascarenhas foi acusado de adotar uma postura dúbia, situação explorada por uma rede de intrigas em parte atribuída ao jesuíta Francisco de Vilhena. Em 16 de abril de 1641, o governador-geral foi deposto e assumiu o poder uma junta governativa composta por Pedro da Silva Sampaio (bispo de Salvador), Luís Barbalho Bezerra e Lourenço de Brito Correia, que governou até julho de 1642. A deposição do antigo governante foi vista com indignação pela população, que aguardou pela nova nomeação.

António Teles da Silva, designado para o cargo de governador geral, foi tido como um administrador íntegro e de boa reputação.[4] Agiu contra o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, acusado de arbitrariedades no exercício, além de realizar desvios do dinheiro público. Sendo constatada a gravidade da questão, encaminhou um processo ao Conselho Ultramarino, contra Salvador de Sá. António Teles da Silva apoiou a resistência liderada por Matias de Albuquerque contra os holandeses. As campanhas de guerrilhas foram constantes, procurando limitar a ação dos invasores nas áreas circunvizinhas a Olinda e a Recife. A substituição de Maurício de Nassau, na administração holandesa daquela região, e a exigência para a liquidação das dívidas contraídas pelos senhores de engenho causaram a deflagração da Insurreição Pernambucana, em 1645 (Mello, 2000, p. 173).

Em fevereiro de 1647 a esquadra holandesa comandada por Sigismundo Van Schkoppe tomou a ilha de Itaparica, impondo novo cerco à cidade da Bahia. Os ataques aos engenhos geraram perdas expressivas. Os embates duraram até 15 de dezembro de 1647, quando as embarcações holandesas deixaram o litoral baiano (Leite, 1938-1949, t.5, p. 66).

As turbulências na América portuguesa aumentaram quando da publicação da Ordem Régia de 1653, que concedia liberdade aos índios cativos, o que acabou por provocar uma série de motins entre os colonos. O Pe. Antônio Vieira, ao defender a causa indígena, deu ensejo ao acirramento dos ânimos. A situação só foi contornada com a lei de 17 de outubro de 1653, que revogava a anterior, e os capítulos de liberdade deixaram em suspenso o cativeiro injusto. Em janeiro de 1654, os colonos liderados por André Vidal de Negreiros, João Fernandes, Henrique Dias e Filipe Camarão conseguiram derrotar os holandeses na segunda Batalha dos Guararapes, na região de Pernambuco.

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Figura 1: Vista da Casa professa da Companhia de Jesus (no. 28), Igreja do Salvador (n. 29) Outras dependências (no. 30). A gravura permite notar a extensão da propriedade que possuía uma vista privilegiada do mar. Fonte: Leite, Serafim. História das Companhia de Jesus no Brasil, vol. V, p. 98.

Finalizada a expulsão dos holandeses do Brasil, novamente o edifício da igreja do Colégio da Bahia passou a ser alvo de atenção dos religiosos. O Pe. Simão de Vasconcelos foi o grande animador de um novo projeto. No seu relato Razões do acordo que se tomou no ano de 1654 sobre o sitio da Igreja nova informava que a construção, iniciada há mais de 56 anos ainda inacabada, apresentava muitas partes em ruína. Nos idos de 1616, o padre visitador, Henrique Gomes, havia construído um corredor interno que seguia para a portaria, entendendo que a igreja formaria uma quadra com o colégio na parte sul. A invasão holandesa impedira o avanço dos trabalhos (Costa, 2005, p. 101).

Passados mais de 35 anos, persistiam os apelos que pediam melhorias nas condições da igreja. A população oferecia esmolas para a realização dos trabalhos. Discutia-se qual seria a posição mais adequada dos cômodos. Alguns defendiam que a porta principal deveria ficar fronteiriça ao meio do Terreiro, que era a principal praça da cidade. Tal posição permitiria ao colégio e ao recolhimento dos religiosos ampliação e adequação às novas necessidades (Leite, 1938-1949, t.5, p. 107). O Pe. Henrique Gomes justificou o seu parecer:

fazendo-se a Igreja no meio do pátio da claustra principal; e o corredor da portaria, que assim para a outra traça, como para esta se havia de desmanchar, se fizesse outra vez pela parte do Sul, com que ficaria o Colégio com dois pátios e com capacidade para se acrescentarem muitos cubículos em lugar das duas salas, que ocupam agora o corredor, uma das quais serve de Livraria, ainda que pequena para isso, e outra de Casa de Hóspedes; os baixos servem de Procuratura e de cubículo do companheiro do procurador, com bem de incomodidades por serem muito úmidas, escuras, e sobterradas, e por isso nocivas à saúde (Leite, 1938-1949, t.5, p. 108).

A falta de espaço para os religiosos era flagrante. Por vezes, num só cubículo era preciso acomodar três jesuítas. Caso não fosse aceito o novo projeto, os inconvenientes da superlotação das celas continuariam. Por conseguinte, a construção da nova igreja, no meio do pátio, acomodaria aproximadamente 20 cubículos. A nova posição possibilitaria ainda que fosse construída uma livraria, com os cômodos necessários para o livreiro, uma capela para as práticas e “tirar santos aos Congregados”, assim como de uma casa de hóspedes, e uma capela para os Irmãos. O Pe. Simão de Vasconcelos, na sua argumentação, destacava ainda que a posição nova permitiria o escoamento mais adequado das águas e do cano de despejo, evitando-se o mau cheiro que poderia exalar, caso os ventos soprassem no sentido da igreja (Leite, 1938-1949, t.5, p. 109).

A posição do Pe. Simão de Vasconcelos, que foi aceita pela maioria, recebeu críticas do Pe. Belchior Pires, pelo desrespeito aos limites estabelecidos pelos antigos administradores do Colégio da Bahia. Pelo novo projeto, os que residissem na parte direita da Igreja estariam mais longe das oficinas. Além disso, os gastos com a nova proposta seriam mais elevados. O Pe. Belchior Pires entendia que, caso se mantivesse o projeto antigo, o custo da obra não seria tão elevado, pela possibilidade de fazer os trabalhos como o aproveitamento de alguns materiais existentes e da mão de obra escrava dos engenhos jesuíticos, sendo apenas necessário alguns oficiais de fora (Leite, 1938-1949, t.5, p. 110-111).

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Figura 2: Planta da cidade do Salvador na obra Livro que dá rezaõ do Estado do Brasil (século XVII) por João Teixeira Albernaz. Letra E colégio dos jesuítas. Fonte: disponível em: <https://bit.ly/2zAxXQx>.

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Figura 3: Detalhe da planta da cidade do Salvador na obra Livro que dá rezaõ do Estado do Brasil (século XVII) por João Teixeira Albernaz. Letra E colégio dos jesuítas. Nela esta representado os limites dos padres da Companhia de Jesus, evidenciando o seu traçado que foi sendo consolidado no decorrer dos anos. Fonte: Disponível em: <https://bit.ly/2zAxXQx>.

A questão era polêmica. O Pe. Sebastião Vaz, que assumiu o cargo de reitor depois do Pe. Belchior Pires, entendia que a alternativa sugerida pelo Pe. Simão de Vasconcelos, era “por ostentação, e que não convinha derrubar o corredor” (Leite, 1938-1949, t.5, p. 112). A proposta foi submetida aos padres provincial, reitor, consultores, dentre outros, salientando-se que a população auxiliaria com recursos financeiros. Entenderam os religiosos que a petição dos fiéis era justa, principalmente porque ofereciam “grossas esmolas para fazer a dita Igreja e corredor”. O local proposto possibilitaria melhor acomodação dos religiosos, pois ficaria no meio do colégio, facilitando a realização das celebrações religiosas e as orações diárias. A localização iria dotar edifício de maior segurança, havendo também economia de gastos com outras construções. Acreditava-se que a Igreja ficaria mais atraente, capaz de acolher um número maior de pessoas. Isto era importante para aquele momento, como também para o “tempo adiante” do Colégio da Bahia. Era preciso também levar em consideração que aquele colégio era a cabeça da Província do Brasil e o principal seminário que atendia à todas as partes da colônia brasileira (Leite, 1938-1949, t.5, p. 108).

Além do acordo redigido, o Pe. Simão de Vasconcelos relatou em carta esse assunto sobre a igreja, em 9 de outubro de 1655. Dizia que tinha conhecimento de que as obras de construção da igreja estavam paradas e se elas fossem retomadas, conforme projeto original, teriam um custo elevado. Para dirimir dúvidas, julgara por bem consultar algumas pessoas sobre o assunto, a fim de verificar o que seria mais conveniente fazer. Os homens mais importantes da terra manifestaram o desejo de assumir o custo da obra, como António da Silva Pimentel. Outro apoiador era o capitão Francisco Gil de Araújo, que tomou a seu cargo a capela mor da igreja, da seguinte forma:

dando para isto trinta mil cruzados, pagos em dez anos, a tres mil cruzados por ano, como promessa que se as safras de suas copiosas fazendas forem florentes, nesses anos em que o forem, dobrará os três mil cruzados pagando seis, do que não duvidamos desta e de outras maiores liberalidades com que há-de ajudar, e começa já ajudar a dita Igreja (Leite, 1938-1949, t.5, p. 112).

António da Silva Pimentel, para a construção da igreja, doou oito caixas de açúcar branco de esmola, tendo prometido doar a cada ano cem arrobas de açúcar branco. Sua dedicação era tanta, que pedia a outros fieis adesão à causa.

O benemérito Pedro Garcia, irmão de Francisco Gil de Araújo, comprometeu-se a dar esmola de dois mil cruzados, além de manifestar o desejo de construir uma capela às suas expensas. Baltasar de Aragão Araújo, irmão de Francisco Gil de Araújo e Pedro Garcia, também fez a doação de uma esmola de mil cruzados, dando de pronto cem mil reis. Assumia a responsabilidade pela execução de uma capela dentro do cruzeiro. Outro benfeitor era o capitão Diogo de Aragão Pereira, que também prometeu uma esmola no valor de mil cruzados, dando cem mil reis de imediato. Felipe de Moura de Albuquerque, genro de António da Silva Pimentel e sobrinho do antigo governador, D. Francisco de Moura, também prometeu mil cruzados de esmola. Por intermédio destes homens, foram obtidas mais esmolas como a do capitão Francisco Fernandes da Silva, de dois mil cruzados; a de Duarte Álvares Ribeiro, de mil cruzados, e a de Diogo Lopes Franco, de mil cruzados. Outros se comprometeram também com doações de quantias menores ou com ofertas de caixas de açúcar (Leite, 1938-1949, t.5, p. 113).

Pe. Simão de Vasconcelos lembrava na sua missiva que, caso o montante arrecadado não fosse suficiente, os beneméritos se comprometiam a fazer mais doações. Estes aceleraram o ritmo das obras, desejando ver os seus jazigos e capelas terminados, para serem sepultados ali. Para abreviar o processo, eles assentaram que a principal parte da “cantaria, como arcos, portadas, tribunas, etc.”, viesse lavrada do reino, onde havia muitos oficiais que a poderiam fazer rapidamente, vindo por lastro dos galeões que a cada ano chegavam à Bahia (Leite, 1938-1949, t.5, p. 114).

Os benfeitores entendiam que a igreja do colégio deveria ser erguida no meio do Terreiro de Jesus, conforme o que fora acordado por outros religiosos anteriormente, como o Pe. Francisco Gonçalves. Segundo Simão de Vasconcelos, o Pe. Belchior Pires foi o único religioso que discordou desta proposta. Para dirimir dúvidas, Simão de Vasconcelos consultou alguns arquitetos que confirmaram que a construção no meio do Terreiro seria menos dispendiosa do que se fosse feita dentro da quadra e no meio dela.

Contudo, havia uma condição imposta pelos benfeitores que era a de eles serem considerados os fundadores das capelas, e terem direito à carneiros que ostentassem suas armas, especialmente o capitão Francisco Gil de Araújo que, no decorrer dos anos, demonstrara apreço pelos jesuítas. Ele, além dos recursos doados para as obras da igreja, cedera terras para canas e lenhas para uso do engenho pertencente ao Colégio da Bahia. O Pe. Simão de Vasconcelos ressaltava que as ditas terras foram “avaliadas em boa quantidade de dinheiro” (Leite, 1938-1949, t.5, p. 115; Priore, 2016, p.64-70). Em vista disso, o pedido deveria ser acatado, concedendo a autorização para que ornassem os carneiros com suas armas. Ordenou ainda o envio de cartas da irmandade para outros benfeitores que houvessem contribuído com esmolas polpudas para a construção da igreja (Leite, 1938-1949, t.5, p. 116).

Dentre as pessoas tidas como benfeitoras estavam Rui Carvalho e Bernardo Vieira Ravasco, respectivamente cunhado e irmão do Pe. António Vieira. Ambos haviam feito doações e contribuíam regularmente para as festas do colégio. Simão de Vasconcelos enfatizava que Bernardo Vieira Ravasco era Secretário de Estado, tendo realizado muitos favorecimentos aos jesuítas (Leite, 1938-1949, t.5, p. 116).

Em 1655, o Pe. António Vaz começou a enviar as peças de cantaria para a nova igreja do Colégio da Bahia. Em Roma, o Pe. Geral fez ressalvas sobre as solicitações dos benfeitores. Em carta agradecia a fundação e não via problemas nas celebrações por morte, mas estranhava o pedido de celebração de missa feita em vida por Francisco Gil de Araújo. Tal prática não era usual. Ponderava que se os privilégios fossem concedidos valeriam para filhos e netos. Caso os bisnetos desejassem, estes deveriam renovar o pedido. A questão se prolongou, aparentemente sem uma definição, tanto que em agosto de 1657, o Pe. Simão de Vasconcelos solicitou a retirada da restrição que dizia respeito à descendência e que fossem estendidas as concessões também a António da Silva Pimentel, cunhado de Francisco Gil de Araújo (Leite, 1938-1949, t.5, p. 117).

No decorrer da segunda metade do século XVII, o Colégio da Bahia foi renovado com a construção de corredores e ampliação de algumas áreas. Em 1662 estavam em curso as obras da igreja. Conforme registros, o Pe. Visitador Jacinto de Magistris, veio da Europa para a cidade de Salvador, trazendo consigo ordens expressas para que os subsídios doados para a nova igreja não fossem aplicados para outros fins. No ano seguinte, passou a ser responsável pela fiscalização da construção o Ir. Gaspar da Costa (Leite, 1938-1949, t.5, p. 121-122).

Entre 1665 e 1670 foram realizados os trabalhos de entalhamento para decoração da igreja. Os responsáveis pelas peças foram os Irmãos: João Correia, Luiz Manuel, Domingos Rodrigues e o Pe. Eusébio de Matos (Carvalho, 2013, p. 618-619). Nos idos de 1670 era responsável pelas obras da igreja o Pe. Inácio de Azevedo. Após quinze anos de construção, a nova igreja do colégio ficou pronta, restando inacabados alguns pormenores na parte interna. No dia 8 de setembro de 1672 foi colocada na capela a imagem de Nossa Senhora da Paz, proveniente de Portugal. A mesma tinha sete palmos de altura e fora confeccionada em madeira ricamente estofada (Leite, 1938-1949, t.5, p. 123).

Nos idos de 1679, realizavam-se algumas adaptações na igreja do Colégio da Bahia. Na parte superior do altar mor foi feita uma abertura na parede, dando acesso à parte interior da casa, e nela se instalou um camarim “lavrado com grande arte, para majestade do lugar, no qual o Augustíssimo Sacramento se expõe à adoração nos dias do Jubileu”. Nas portas externas do camarim foram pintadas as imagens de Santo Inácio e de São Francisco Xavier (Leite, 1938-1949, t.5, p. 123-124).

Nas últimas décadas do século XVII ganhou proporção o debate sobre aceitar ou não mulatos e moços pardos nas escolas superiores do Colégio da Bahia. O problema residia, na ótica dos envolvidos na questão, no comportamento desregrado e na falta de perseverança de alguns estudantes. As principais famílias, de homens brancos, também desejavam impedir que seus filhos estudassem com os mestiços. No decorrer do governo do Pe. Provincial António de Oliveira, natural da Bahia (1681-1684), os jovens mulatos foram rejeitados nas escolas jesuítas. Consta na exposição de motivos, as constantes rixas entre jovens pardos e brancos, estes últimos não omitiam a repulsa que sentiam pelos mulatos em geral. Além disso, alegava-se que estes, depois de frequentarem a escola, não se dedicavam a algum ofício útil, vivendo, na maioria das vezes, na vadiagem.

Os religiosos do Colégio da Bahia apelaram para o padre geral da Companhia de Jesus e para o monarca português, D. Pedro II. O rei se surpreendeu com o pedido, tendo em conta que em algumas escolas dessa ordem religiosa, em Portugal, os estudos até os graus de Arte ou Teologia eram permitidos aos mulatos. D. Pedro II emitiu uma carta régia que determinava que os moços pardos passassem a ser admitidos nas escolas públicas dos colégios jesuíticos (Leite, 1938-1949, t.5, p. 75-76). Em Roma, o novo Padre Geral da Companhia de Jesus, Tirso González Santalla, assumiu o cargo, tendo a austeridade como lema. No âmbito dos estudos canônicos definiu modelos mais rígidos de ensino e exames da Escritura Sagrada, ao mesmo tempo em que procurou defender a instituição dos ataques de que era alvo, resolveu inúmeras questões pontuais, como a presença de jovens mestiços nos colégios da América portuguesa (Assunção, 2004, p. 60-61).

Em 1683 estavam em curso as obras na sacristia da igreja do Colégio da Bahia, acompanhadas pelo padre reitor Alexandre de Gusmão.[5] Os trabalhos foram executados pelos Irmãos Luiz Manuel (Leite, 1938-1949, t.5, p. 127),[6] Mateus da Costa, Domingos Xavier, Cristóvão de Aguiar e Manuel de Sousa (Leite, 1938-1949, t.5, p. 124).

No ano de 1685 faleceu o capitão Francisco Gil de Araújo que foi sepultado na capela mor da Igreja, que fora consagrada ao Santíssimo Nome de Jesus. O jazigo recebeu a inscrição que registrava ser a sepultura perpétua para ele e seus descendentes (Brescianni, 1997, p. 209-226). Os trabalhos de finalização das obras da igreja e do colégio continuavam. Nos registros é mencionada a existência de dois corredores no colégio, sendo um deles de uso exclusivo para os noviços. Esta ala poderia acomodar até 30 jovens, possuindo capela privativa, livraria, cômodo para recreação, além de um belo jardim e uma vista para o mar (Leite, 1938-1949, t.5, p. 87).

Em 1692, o Pe. António Vieira registrou que em sendo o Colégio da Bahia

de fábrica muito desafortunada, havendo-se em ele malbaratado, por se não terem em conta as regras da arte, suores e despesas sem conta, cuidei de emendar este erro fatal com a construção de uma capela interior, tendo-lhe feito aprovar o risco não só por artífices consumados, nem só também pelos consultores da Província e do Colégio, mas pela inteira comunidade dos reverendos padres. Começa pois a obra em conformidade com o plano e as medidas dessa mesma primeira ideia.Eis senão quando, já a cobertura, ao cabo de ano e meio, se achava engenhosamente edificada, um novo Provincial, mais entendido por certo em outras ciências que não na mecânica, depois de mandar demolir uma certa parede-mestra, necessária embora à estabilidade da obra, determinou tudo mudar e continuar diversamente. Apresentou como é de ver o caso na Consulta: 69, mas não sem expor e explicar primeiramente o seu próprio entendimento, ao qual anuíram dois dos consultores, calando-se outros dois, e quedando-nos a reclamar baldadamente só eu e o próprio mestre-de-obras, que vem a ser um nosso Irmão Coadjutor muito perito na sua arte. Mais de uma vez o representou esse Irmão, ao Provincial e ao Próprio Reitor, que em isso emudecia, posto que não ousasse calar, da segunda obra, os novos trabalhos, as novas medidas, as novas dificuldades, bem como a manifesta deformidade, quando comparada com majestade, a comodidade e a graciosidade da primeira. Confirmando embora esta opinião com alheios pareceres, pois tive o cuidado de consultar separadamente dentro da própria capela a outros padres que assim presentes o mesmo sentiram, nada adiantámos (Franco, Calafate, 2013, vol. 4, p. 490-491).

Com esta exposição, o Pe. António Vieira pedia ao Pe. Geral que não permitisse que “uma edificação consagrada ao culto divino, e que se quer longamente duradoira” servisse de fonte de sofrimento. Por conseguinte, solicitava que o parecer do Superior da Companhia de Jesus chegasse com “conveniente brevidade”. Vieira concluía dizendo que não havia mais necessidade de nenhum exame ou informação, devendo-se ser seguido o que o Pe. Visitador da Província definira (Franco & Calafate, 2013, p. 491).

Nesse momento, as obras estavam em ritmo crescente e no ano seguinte a capela interior era executada pelo Irmão Luiz da Costa. Pouco a pouco, chegavam doações como a oferta de um cálice de ouro e um diadema, também em ouro para a imagem de São Francisco Xavier (Leite, 1938-1949, t.5, p. 126).

Dois anos depois, é realizada uma descrição da Igreja, ressaltando que ela fora construída com as esmolas recolhidas junto aos fieis. O teto ainda não estava terminado e precisava de pinturas e acabamento (Brescianni, 2006, p. 43-88). Destacavam-se as partes revestidas de mármore italiano, como também as duas torres e o frontispício. As sete capelas já estavam concluídas, devidamente ornadas e douradas, aguardavam-se o altar e as ornamentações finais. A sacristia era descrita como ampla e iluminada, bem ornada de pinturas e com todos os objetos de culto necessários (Calderón, 1973). Era digno de menção um arcaz, que se destacava pelo trabalho em casco de tartaruga e marfim. O recosto da parede era revestido de lâminas pintadas em Roma, que registravam a vida de Nossa Senhora (Leite, 1938-1949, t.5, p. 126-127).

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Figura 4: Detalhe da sacristia da Catedral Basílica Primacial São Salvador antiga Igreja do Colégio Jesuítico da Bahia. Nele é possível ver o arcaz com trabalho de casco de tartaruga e marfim e na parede do fundo os azulejos portugueses. A finalização do pavimento enxadrezado do piso só ocorreu em 1707. Fonte: Disponível em: <https://bit.ly/2TVnWpo>.

Nos idos de 1696, o Pe. Francisco de Sousa registrava que comprara materiais e fazia os preparos necessários para acabar o teto apainelado da igreja (Carvalho, 2013, p. 631). Novas doações eram recebidas como a Fazenda de Iguape, realizada por Manuel Pereira Pinto e Antónia de Góis. A ideia defendida por um grupo de jesuítas era que esta propriedade fosse vendida e o montante obtido fosse destinado para a conclusão da capela de São Francisco de Borja, uma vez que o valor estimado com a venda seria de 50.000 cruzados.

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Figura 5: Teto apainelado da nave da Catedral Basílica Primacial São Salvador antiga Igreja do Colégio Jesuítico da Bahia. Fonte: Disponível em: <https://bit.ly/2TVnWpo>.

António Luís Gonçalves da Câmara Coutinho, que assumiu o cargo de governador geral em 8 de outubro de 1690, introduziu o cultivo da canela e da pimenta da Índia em terras brasileiras, ideia defendida, anteriormente, pelo Pe. António Vieira.[7] A colônia passava por um período de grave crise econômica devido à baixa do preço do açúcar no mercado europeu. Além disso, havia um elevado grau de insatisfação com a cobrança de impostos e com a falta de numerário. Defendia-se que era necessária uma moeda para as terras coloniais, o que levou ao início da construção de uma Casa da Moeda em Salvador.

João de Lencastre, que sucedeu a António Luís Gonçalves da Câmara Coutinho em maio de 1694, teve um governo marcado pelas primeiras descobertas de ouro, na região da capitania de São Paulo, dando alento ao reino lusitano que se encontrava financeiramente combalido. As notícias de novas descobertas auríferas alvoroçaram o reino e a cobiça de diversos colonos, que se dirigiram para a região em busca do enriquecimento rápido.[8] Durante a sua administração é que se deu a Guerra dos Palmares, a fim de debelar o quilombo, do mesmo nome, formado por escravos fugitivos de engenhos das Capitanias de Pernambuco e da Bahia, que vinha sendo formado desde a invasão dos holandeses na região.[9]

Nesse momento, como a botica do colégio era muito frequentada pelos habitantes da cidade, ficou decidida a construção de uma nova botica, fora das dependências do colégio, mas que deveria ficar próxima à portaria do Terreiro de Jesus. As obras foram iniciadas em 1728 e terminariam três anos depois.

Também fazia parte da estrutura do colégio a enfermaria que atendia aos moradores da cidade de Salvador. Na década de 1680, Pernambuco e a Bahia foram atingidos por uma epidemia do “mal da bicha” que ceifou várias vidas.[10] Neste momento trágico, o colégio foi utilizado pela população, pela falta de espaço para atender à demanda. Apesar da necessidade da ampliação da enfermaria, na última década do século XVII, os trabalhos de reformulação do edifício só seriam feitos nos idos de 1756 (Leite, 1938-1949, t.5, p. 89-90).

O Pe. Cristóvão Colaço julgou por bem avaliar a possibilidade da venda do Engenho da Pitanga, a fim de obter recursos para o Colégio da Bahia. Em 1689 é elaborado um documento que ponderava sobre a venda de algumas terras desse engenho, porque a propriedade possuía sítios distantes e improdutivos. Identificara-se que a grande extensão do terreno propiciava furtos. Muita madeira era roubada, e a Companhia de Jesus não contava com recursos necessários para defesa da propriedade. Após visitar o local, constatou-se que não era o momento mais adequado para realizar tal transação. Julgou-se conveniente determinar que as terras fossem mais bem aproveitadas. Em 1692, o Pe. Barnabé Soares elaborou um regimento onde definia com clareza todas as regras a serem seguidas na moralidade e administração do referido engenho (Leite, 1938-1949, t.5, p. 257).

Para desenvolver as atividades de ensino, o Colégio da Bahia constituiu no decorrer dos anos uma ampla livraria (biblioteca) (Silva, 2008, p. 219-237). As instalações primitivas foram destruídas por ocasião do ataque dos holandeses. Após a expulsão dos invasores, foi construída outra livraria num amplo salão. Dentre os religiosos que atuaram como bibliotecários destacou-se o Pe. António Vieira, que também exerceu a mesma função nas bibliotecas dos colégios do Maranhão, Pará, Lisboa, Porto e Coimbra (Leite, 1938-1949, t.5, p. 93). Num levantamento feito em 1694, pelo bibliotecário Irmão António da Costa, o valor estimado da biblioteca do Colégio da Bahia era de 5.499$050 réis. O acervo era estimado em cerca de 15.000 livros. Nessa ocasião, as salas de aula eram seis, desprovidas de arcadas, localizadas próximas ao renovado Pátio do Colégio (Leite, 1938-1949, t.5, p. 94-95). Nas adjacências havia também uma sala para Disputas Públicas e Atos Literários, utilizada conforme a necessidade dos docentes e discentes.

Em 1700 estavam em fase de finalização os trabalhos de douramento do teto da igreja. Nele havia a representação dos quatro Evangelistas. Os registros, a partir daí, exaltam a beleza do trabalho artístico executado no teto, além do recebimento de novos cálices de prata, ornamentos de damasco e ouro, e também sete imagens da Paixão do Senhor (Leite, 1938-1949, t.5, p. 128-129). No ano seguinte, era finalizada uma arcada no entorno do Pátio, oferecendo maior comodidade aos estudantes. No recinto do salão de Atos Literários foi colocada uma cadeira dourada, com toda a distinção para uma cátedra (Leite, 1938-1949, t.5, p. 96).

Os registros dão conta que, em 1707, o pavimento enxadrezado da sacristia estava finalizado (Leite, 1938-1949, t.5, p. 131). Uma vez concluída a parte estrutural do edifício, tinha início a ornamentação interna. Nesse momento, estava em curso a construção do Noviciado da Anunciada na Praia da Giquitaia (Leite, 1938-1949, t.5, p. 574-576), no caminho que seguia de Salvador para Itapagipe, projeto do Irmão Carlos Belville (Leite, 1938-1949, t.5, p. 142). A pedra fundamental foi lançada em 9 de março de 1709, com a presença de padres da Companhia, o arcebispo D. Sebastião Monteiro da Vide, o governador do Brasil D. Luiz Cézar de Meneses e prelados de outras ordens religiosas. As obras só ficariam concluídas em 1728, quando foi inaugurado oficialmente (Leite, 1938-1949, t.5, p. 145-147).

Nos idos de 1717 era finalizada o altar da capela de São Francisco de Régis e na capela doméstica era colocada a imagem de Cristo deitado no sepulcro. Os trabalhos de douramento continuaram e, em 1722, a igreja recebeu a imagem de Santo Inácio, com um diadema de ouro, repleto de pedras preciosas. Esta peça custara 515 escudos romanos, sendo adquirida graças aos donativos recebidos. No período seguinte, ocorreu o douramento da capela de Nossa Senhora da Conceição, onde foi colocada a imagem de São Francisco de Régis no seu altar (Leite, 1938-1949, t.5, p. 132; Carvalho, 2013, p. 627).

Ocorreram algumas mudanças, como a alteração da Capela de Nossa Senhora de São Lucas para Capela de Nossa Senhora dos 40 Mártires, em homenagem ao Pe. Inácio de Azevedo[11] e seus companheiros que morreram no século XVI, quando tentavam chegar ao Brasil.

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Figura 6: Retábulo de Santa Úrsula do Antigo Colégio da Bahia. Fonte: Catálogo da Exposição Tempos do Sagrado – Quatro Séculos de Arte Bahia – São Paulo. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2000, contra capa.

Na década de 1730 foi adquirido um órgão, por 350 escudos romanos, que se destacava pela sua decoração dourada, pinturas e um belo relógio. Além deste instrumento musical, foi comprado um diadema de ouro, com brilhantes na parte central, para adornar o Cristo Crucificado. Nesse momento também eram finalizados os trabalhos do altar da capela de Santa Ana e do retábulo, representando os Mártires do Brasil, que foi posicionado na capela interior (Leite, 1938-1949, t.5, p. 133; Carvalho, 2013, p. 612). Na década seguinte, foram adquiridos um diadema para Nossa Senhora da Conceição e um sol de ouro para colocar nas mãos de São Francisco Xavier. Aplicaram-se azulejos vindos de Lisboa nas paredes, e as peças e pinturas mais antigas, prejudicadas pela ação do tempo, foram restauradas. Datam desse período a nova imagem do Salvador, que dera nome à igreja, e as estátuas de mármore representando Santo Inácio, São Francisco Xavier e São Francisco de Borja que foram depositadas nos três nichos da frontaria (Leite, 1938-1949, t.5, p. 134).

Nesse momento a estrutura do telhado do Colégio da Bahia estava comprometida. O Pe. Reitor João Pereira decidiu restaurar o madeiramento, cujos trabalhos se estenderam para a capela interior, carente de ornamentos, a sala do refeitório recebeu novo ladrilho e o teto foi decorado com pinturas. Neste espaço foram colocados dezesseis quadros em que figurava a Ceia do Senhor, uma obra do Irmão coadjutor, Francisco Coelho (Leite, 1938-1949, t.5, p. 95).

O Colégio da Bahia possuía também uma Casa de Hóspedes que atendia aos visitantes, dentre eles pessoas ilustres, como governadores (Leite, 1938-1949, t.5, p. 96). A hospedagem de autoridades do aparelho administrativo no colégio era uma ocorrência corriqueira, uma vez que ali era o ponto de passagem para quem ia ou regressava do Oriente (ANTT, Cartório Jesuítico maço 69, doc. 375). Em abril de 1644, D. Luiz de Sousa, que seguia para Portugal para saudar o rei, se alojou nas dependências do colégio. D. Francisco de Távora, Conde de Alvor e vice-rei da Índia, foi acolhido ali em maio de 1687. Nesse mesmo ano é registrada a passagem do Pe. João de Brito, que havia atuado no Malabar e regressava a Portugal. Durante a sua estada, o religioso fez uma comunicação edificante aos jovens sobre os padecimentos que sofrera na Índia. Por vezes, o número de hóspedes era elevado, alguns deles permaneciam por meses, devido à falta de ventos de monção que lhes permitissem prosseguir viagem. Em 1708 o bispo Francisco Laines, que seguia para o Oriente, foi recebido com todas as vênias. Outro registro aponta que em 1722, o Colégio da Bahia acolheu vários padres que vinham de Angola e da China, tendo Lisboa como destino (Leite, 1938-1949, t.5, p. 100-102).

Na segunda metade do século XVIII, o Pe. Inácio Visconti assumiu o generalato da Companhia de Jesus num momento de intenso questionamento aos jesuítas, principalmente no contexto americano, onde despontavam os impasses devido ao Tratado de Madrid. As relações dos religiosos com o primeiro ministro de Portugal, Sebastião José de Carvalho, foram tensas. Pode-se destacar que:

Neste universo, o poderio jesuítico tornara-se, com o decorrer do tempo, um elemento nocivo à saúde do Estado em todas as suas esferas, diminuindo a ação do rei e abalando principalmente os recursos do Erário Real. Marquês de Pombal percebeu que a somatória destes dois fatores enfraquecia o poder real, entendendo ser preciso restabelecer a ordem econômica do Estado português. Paulatinamente, reorganizava-se o Estado adequando a justiça e o comércio à nova conjuntura. As alterações atingiram a Companhia, na medida em que tentavam suprimir os direitos e privilégios conquistados durante longos anos de convívio na corte, com os monarcas e membros da família real (Assunção, 2004, p. 63-64).

Pela lei de três de setembro de 1759, D. José I, rei de Portugal, ordenou que os religiosos da “Companhia” denominada de “Jesus” fossem tidos, havidos e reputados como “desnaturalizados, proscritos, e exterminados do território português e de todas as terras de além-mar (ANTT, Livro da Consciência e Ordens no. 311, doc. 19). Terminava de maneira truculenta a união de mais de dois séculos entre a Companhia de Jesus e a coroa portuguesa.

O não cumprimento do acordo do Tratado de Madrid, o desrespeito à Bula Pontifícia, expedida pelo Papa Benedito XIV, em 20 de dezembro de 1741 (ANTT – Livro da Consciência e Ordens no. 311, doc. no. 1), contra a escravidão dos índios, a ingerência em negócios temporais e a participação de alguns jesuítas no atentado contra o rei português,[12] em setembro de 1758, foram alguns dos motivos arrolados para que fosse definida a expulsão da Companhia de Jesus de todo o império lusitano.[13]

Com a expulsão dos jesuítas, a coroa decretou o confisco dos bens dos religiosos, nomeando administradores para darem encaminhamento às atividades produtivas; concomitantemente, iniciou-se o inventário das propriedades com avaliações de cada um dos equipamentos que possuíam nas diversas partes do império luso. No âmbito espiritual, outras ordens religiosas ou o clero secular ficaram responsáveis pelas igrejas e seus pertencentes.

O Colégio da Bahia foi fechado em 26 de dezembro de 1759, quando tropas militares cercaram o edifício. Os religiosos foram presos e conduzidos ao Noviciado da Giquitaia (Leite, 1938-1949, t.5, p. 103). O embarque dos religiosos para Portugal ocorreu em 19 de abril de 1760.

Logo em 16 de janeiro daquele ano foi realizado o auto de sequestro dos bens do Colégio da Bahia, conforme instruções dadas por D. Marcos de Noronha, datada de 28 de dezembro de 1759. Segundo o levantamento feito, o colégio possuía: os engenhos da Pitanga e Cotegipe; dois sítios de campos um designado Bandeira e o outro Santo António, em Capoame; o sítio do Raposo; a Fazendas das Areias; terras do Limoeiro Novo e Velho. Além disso, havia a posse de dezessete moradas na rua Direita; seis moradas no canto do Terreiro até à Travessa de João de Freitas; duas moradas mistas à fonte do Pereira; seis moradas na Rua Direita na parte do mar; nove moradas de casas formadas em quadra que incluíam o Coberto Pequeno; o Cais dos Padres e todas as moradas; três moradas térreas na Ladeira do Carmo; cinco moradas na Ladeira do Tabuão da parte do mar; duas moradas na rua da Poeira; cinco moradas na Rua Direita da Fonte, chamada dos Padres e duas lojas debaixo do Coberto Grande. Era de propriedade do Colégio da Bahia também: a Quinta de São Cristóvão, a Quinta do Tanque, a Fazenda Nova Matança, sítios e roças de Luiz Ventura, grandes extensões de terras em diferentes partes de Salvador, além de terras em Pindobas e Boipeba (Leite, 1938-1949, t.5, p. 577-578).

Em São Cristóvão de Sergipe de El-Rei, o Colégio da Bahia possuía seis moradas e chãos e foros, a Fazenda do Jaboatão e de Tejupeba. Em Santo Amaro, a Companhia de Jesus era proprietária da a Fazenda Partido, além de terras na várzea da Giquitaia, duas moradias no cano de trás da Cadeia e outra na Rua do Maciel, o engenho da Pitinga em Santo Amaro, a Fazenda do Rosário localizada na vila de Cachoeira, outra fazenda às margens do rio Paraguaçu e terras na barra do Cruimataí, distrito da Cachoeira.

Na vila de São Jorge, na capitania dos Ilhéus, o Colégio da Bahia era proprietário de sete moradas anexas ao colégio daquela vila e terras adjacentes; uma morada que ia da praça para o porto; terras que iam do rio Mensó até o Maraguí; terras no rio Hambebe; uma ilhota junto à vila; terras no rio Itaípe; terras no outeiro da Vila Velha, na vila de Nossa Senhora da Pena, capitania de Porto Seguro; terras entre a Tapera até Ponta Grossa; terras na região do Patativa; terras nas margens do rio Mongouro e terras nas margens do rio Itanhaém distrito da Vila de Santo António das Caravelas (Leite, 1938-1949, t.5, p. 579-580). Um patrimônio avultado que garantia o funcionamento das atividades jesuíticas no âmbito da educação e da catequização naquela região.

O Colégio da Bahia foi o mais importante núcleo de educação do período colonial, funcionando com Cursos de Primeiras Letras, Humanidades, Filosofia e Teologia. Como destacou Serafim Leite, muitos jovens passaram por aquele colégio seguindo posteriormente carreiras civil, militar e religiosa. O reconhecimento pelas autoridades locais e pelo poder monárquico foi comum no decorrer dos séculos XVII a XVIII, sendo considerado o Colégio Máximo da Província. O crescimento das atividades educativas fez com que a remodelação do edifício do colégio e da igreja ocorressem no decorrer do tempo, sofrendo vários processos de embelezamento. Por meio de doações e dos recursos obtidos pelas propriedades pertencentes à Companhia de Jesus, o templo religioso foi decorado, passando a constituir um marco da arquitetura colonial brasileira, mesmo tendo recebida algumas alterações. Hoje a igreja é conhecida como Catedral Basílica Primacial São Salvador, edifício tombado pelo IPHAN em 1938.

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Figura 7: Vista da igreja e colégio jesuítico da Bahia – Gravura de Philippe Benoist (1813-1905) –Fonte: BNRJ

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Figura 8: Terreiro de Jesus, antiga igreja dos Jesuítas. Foto de Victor Front (1857). Fonte: Disponível em: <https://bit.ly/2rfqS3a>.

Arquivos e fontes consultadas

Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Cartório Jesuítico maço 68, doc. 69.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Cartório Jesuítico maço 69, doc. 60.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Cartório Jesuítico maço 69, doc. 375.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Cartório Jesuítico maço 71, doc. 17.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Cartório Jesuítico maço 71, doc. 31.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Livro da Consciência e Ordens no. 311, doc. no. 1.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) – Livro da Consciência e Ordens no. 311, doc. 19.

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  1. Professor colaborador da Universidade Salgado de Oliveira (Universo). Contacto: assuncao@prestonet.com.br.
  2. A tomada de Salvador esteve sob o comando do coronel Johan Van Dorth que também governaria a cidade durante o período de ocupação.
  3. Atual sede do Arquivo Público do Estado da Bahia.
  4. Nesta ocasião, assumiu o cargo António Teles de Meneses, 1o Conde de Vila Pouca de Aguiar (1600-1657), nobre lusitano que já servira o reino como governador da Índia, entre 1639 e 1640. No decorrer da sua administração apoiou os insurretos de Pernambuco, que mesmo assim foram malsucedidos. Passou o cargo para João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa, conde de Castelo Melhor, em 10 de março de 1650.
  5. Não confundir com Alexandre de Gusmão (1695-1753) diplomata e secretário particular de D. João V que era afilhado do padre jesuíta.
  6. Autor das obras de casco de tartaruga da sacristia.
  7. Permaneceu no cargo até 22 de maio de 1694.
  8. Sobre o contexto ver: Souza (2004).
  9. O bandeirante Domingos Jorge Velho, contratado para combater os quilombolas, empreendeu vários ataques na região entre 1694 e 1695, vindo a prender o líder dos negros, Zumbi, que foi executado. Também coube a ele a inauguração da Casa da Moeda, em 8 de março de 1674.
  10. O “mal da bicha” ou “peste da bicha” era o nome dado à febre amarela.
  11. Inácio de Azevedo nasceu em 1527 nos arredores do Porto. Era filho de Manuel de Azevedo e de Francisca de Abreu. Foi pajem de Corte e ingressou na Companhia de Jesus em 28 de dezembro de 1548. Foi reitor dos colégios de Lisboa e Braga e Vice-Provincial de Portugal, além de outros cargos. Foi nomeado visitador do Brasil e chegou a 23 de agosto de 1566. Participou da conquista do Rio de Janeiro e determinou que o colégio de São Vicente fosse transferido para Rio de Janeiro. Em 1568 foi eleito Procurador a Roma. Em 1570, preparava-se para regressar ao Brasil com um grande número de religiosos. Em 15 de julho, o navio em que seguiam foi abordado por corsários calvinistas franceses entre Terça Corte e Las Palmas. LEITE, Serafim. História das Companhia de Jesus no Brasil, vol. VIII, p. 69-82. BRASÃO, Eduardo. “Os quarenta mártires do Brasil: relação da Biblioteca da Ajuda sobre o martírio do padre Inácio de Azevedo e seus companheiros”, In: Brasília. Coimbra: Coimbra Editora, 1943, vol. 2, p. 533-576.
  12. As averiguações apontaram também o envolvimento de alguns jesuítas que teriam atuado como cúmplices no atentado, o famoso Padre Gabriel Malagrida e os padres João de Matos e João Alexandre. Ver: Bangert (1985, p. 444-6).
  13. Para Assunção: “O ato de expulsão era realizado com o fim de preservar a autoridade real e a soberania do estado lusitano, colaborando também para a harmonia da sociedade ameaçada pelos religiosos. Esta atitude, antes de ser um ato monárquico, era uma ação em prol da segurança da coletividade, pois a punição dada aos nefastos religiosos visava a conservar a tranquilidade, e interesses dos fiéis vassalos. A expulsão assumia, portanto, ares de proteção e defesa dos súditos à mercê de religiosos corruptos e aliciadores, que não mediam esforços para conseguir os seus intentos”. Assunҫӑo (2004, p. 42).


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