7 A diversidade da indústria audiovisual na era digital: desafios para
sua medição[1]

(Original em francês)

Patricia Marenghi, Marina Hernández Prieto & Ángel Badillo[2]

Introdução

O que é a diversidade no setor audiovisual e como medi-la são duas interrogações que ocasionaram, durante anos, debates importantes nas ciências sociais (Farchy & Ranaivoson 2011; McDonald & Dimmick 2003; McQuail 1998; Moreau & Peltier 2004; Napoli 1997, 1999; Ranaivoson 2007; UNESCO 2011; Van Cuilenburg 2000, 2007). Desde a aparição dos primeiros formatos digitais de consumo cultural nos anos noventa, até a popularização da internet no novo século, as novas redes transformaram a produção, a distribuição e o consumo culturais, modificando a cadeia de valores das indústrias culturais. De um ponto de vista idealista, as tecnologias digitais oferecem possibilidades extraordinárias para enriquecer a diversidade das expressões culturais. Além de apresentar avanços importantes em termos de qualidade de transmissão e reprodução da informação, de armazenamento pelas possibilidades de compressão e convergência, as tecnologias digitais “desmaterializam” as expressões culturais, permitindo que circulem de maneira rápida, em maior quantidade e atingindo audiências mais amplas e dispersas. Desta maneira, a transição do mundo real/físico ao ecossistema digital se caracteriza pelo aumento e pela diversificação da oferta, o fortalecimento do poder do público, mas também das majors, acompanhado do aumento da fratura digital (Guèvremont 2013).

Neste novo ecossistema, a medida da diversidade das expressões culturais apresenta desafios interessantes. As dimensões e as ferramentas tradicionais não parecem mais ser tão eficazes nesse ambiente em que coabitam as assimetrias de poder e a chegada de novos atores dominantes (Napoli & Karppinen 2013). Apesar de serem numerosas as áreas nas quais esses desafios se manifestam, trataremos aqui concretamente daqueles que afetam a medida da diversidade audiovisual. Quais são os novos desafios que se impõem para a medida da diversidade audiovisual no novo ecossistema digital? Quais são as experiências de pesquisa em que podemos nos basear? Será que existem ferramentas disponíveis e objeto de consenso para medir a diversidade audiovisual na nova paisagem digital?

Do ponto de vista metodológico, o presente trabalho tem como fonte a pesquisa “A diversidade cultural e audiovisual: boas práticas e indicadores” [3], que tinha, como um de seus objetivos, o de traçar um percurso dos métodos usados para medir a diversidade audiovisual, sistematizando as principais contribuições e noções, e fornecendo dessa forma um quadro geral que permitisse selecionar ou fabricar uma ferramenta (bateria de indicadores) para avaliar as diferentes facetas da diversidade no ambiente da indústria audiovisual, tornando ao mesmo tempo possível a comparação de casos. A esse primeiro estudo geral, veio acrescentar-se outro, mais específico, “Diversidade da indústria audiovisual na era digital”, cujo objetivo é oferecer uma reflexão a respeito das medições existentes aplicadas à indústria audiovisual digital, especialmente na internet, e que podem contribuir para a definição de políticas públicas e estratégias de agentes privados.

As conclusões mostrarão: que existem indicadores destinados principalmente a medir a diversidade dos conteúdos na internet, mas que tais indicadores são orientados para a dimensão linguística; que faltam trabalhos que capturem a diversidade de fontes (ou seja, de produtores, distribuidores, etc.) e que, por isso, mais pesquisas relativas à estrutura da internet e de seus atores são necessárias; e que, apesar de haver algumas experiências interessantes de medição da audiência online – mais interessantes ainda se pensamos no investimento que realizam os grandes publicitários da rede neste ramo –, a pesquisa científica sobre o acesso do público ainda não dispõe da quantidade e da qualidade de dados suficientes para poder avaliar a contribuição da internet para a diversidade audiovisual.

O presente capítulo organiza-se da seguinte maneira: a primeira parte explica brevemente as transformações no ambiente audiovisual como consequência da digitalização, da convergência e do desenvolvimento da internet, assim como seu impacto sobre a diversidade. A seção II examina algumas experiências de medição da diversidade audiovisual na internet, procurando identificar os avanços nesse ramo e suas fraquezas. Enfim, a última seção enfatiza alguns dos principais obstáculos e desafios aos quais se confronta a medição da diversidade audiovisual no novo contexto de produção, distribuição e consumo digitais.

I – Mudanças na paisagem audiovisual: o novo ecossistema digital

O termo “convergência” foi usado nesses últimos anos para referir-se ao fenômeno de aproximação dos ramos de telecomunicações, audiovisual e informática, devido à incorporação, pelas duas primeiras, das linguagens e das tecnologias informáticas[4]. Depois de uma etapa que poderíamos qualificar de “telemática”, em que as grandes companhias de telecomunicação começaram a incorporar a digitalização para a gestão ideal de suas redes e para os intercâmbios de dados entre grandes corporações – quando a informática era restrita ao ramo da burocracia estatal ou de grandes companhias –, a redução do custo de fabricação dos processadores, a simplificação das interfaces informáticas, a aparição do mercado dos computadores pessoais e a extensão da informatização a todos os segmentos da indústria, em particular a indústria cultural, fizeram com que a delimitação das fronteiras entre esses três setores ficasse mais turva. Enquanto esses setores eram independentes até os anos noventa, a “binarização” dos seus conteúdos gerou um hipersetor da comunicação e da cultura, que circula por novas redes (satélites, micro-ondas, redes físicas).

A base da convergência encontra-se na digitalização, ou seja, o processo pelo qual diferentes tipos de informações – basicamente, texto alfanumérico, gráficos, sons e imagens estáticas e em movimento – podem ser traduzidos em código binar, cuja virtude principal é sua precisão ou, como diz Watkinson (2001: 4), “that they are the most resistant to misinterpretation”. A digitalização permite a manipulação informática de todos esses dados, tanto para produção quanto para a transmissão e o consumo de produtos culturais. Se a redução do custo dos processadores afetou em primeiro lugar a gestão das redes de comunicação ou o segmento de produção de conteúdos nas indústrias culturais, a partir da segunda metade dos anos noventa, os preços mais baixos e a miniaturização dos microchips conduziram à explosão de um mercado de consumo massivo de dispositivos orientados tanto para as comunicações pessoais quanto para os produtos culturais de todo tipo. Desde o final do século XX, a desregulação do acesso à internet, a interconexão das redes físicas e sem fio utilizando o protocolo TCP/IP e o acesso comercial massivo da última década, tanto por dispositivos fixos quanto móveis, permitiram uma formidável transformação para os fornecedores de conteúdo com envergadura global, alguns gatekeepers do ecossistema digital (com os fabricantes globais de hardware e software controlando o acesso aos conteúdos culturais), assim como os mercados de consumo.

II – O impacto do novo ecossistema digital sobre a diversidade

As consequências desencadeadas pela convergência, pela digitalização e pelo crescimento da internet sobre o setor das indústrias culturais ainda estão longe de poder ser inteiramente entendidas. Dentre os fatores a serem examinados, estão a extensão dos serviços audiovisuais a todos os mercados mundiais, com o alto grau de capilaridade que oferecem as redes telemáticas físicas e sem fio e as possibilidades de interatividade derivada da aplicação das novas tecnologias, assim como a procura de novas linguagens para a comunicação e novos modos de relação com o consumidor.

Uma boa parte da literatura sobre o impacto dos processos mencionados acima gira em torno de duas grandes posições. Considerando a emergência e existência de uma “esfera pública digital” em oposição à “velha esfera pública” (Schäfer 2015), as vozes dividem-se entre o que poderíamos chamar de “ciberotimistas” versus “ciberpessimistas” (Oates 2008), “utópicos” versus “distópicos” (Papacharissi 2002) ou net-enthousiasts (“entusiastas da net”) versus “críticos” (Dahlberg 1998). Aplicando essas categorias ao estudo da diversidade, é possível descrever a situação atual nos termos seguintes.

A – Os ciberotimistas

Para os ciberotimistas, a nova realidade criada pelo digital é positiva, graças à inclusão de mais atores (diversidade de fontes) e a uma melhor visibilidade de suas posições (pluralidade de conteúdos). Os meios online tornam possível que mais pessoas possam ser ouvidas:

After all, content can be posted rather easily online, without the interference of gate-keeping journalists, and ‘connective action’ (Bennett & Segerberg, 2012) enables user-to-user communication which is less dependent on large-scale infrastructure and also more difficult for authorities to contain. All this might ‘empower’ those who have always wanted to engage in public debate but were previously marginalized by traditional media, e.g. individuals vis-à-vis institutions, smaller vis-à-vis larger, more powerful organizations, dissidents vis-à-vis authoritarian governments, or stakeholders from peripheral regions or developmental countries vis-à-vis ‘Western’, first-world stakeholders (Schäfer 2015: 324).

Assim, baseando-se muitas vezes no paradigma de mass self communication (Castells 2009), uma das principais capacidades que os otimistas observam no novo ecossistema digital é a possibilidade de todos e de cada um poderem tornar-se um produtor de conteúdo e, consequentemente, uma fonte alternativa de conteúdo. A aparição de conceitos como “prosumers” ou “produsers” ou a caraterização das mutações – da comunicação de massa à auto comunicação de massa (Castells 2009), de públicos a participantes e usuários (Silverstone 2006) – enfatizaram a capacidade dos cidadãos de interagirem diretamente com outros e compensarem assim os discursos dominantes.

Se nos concentramos no setor audiovisual, a convergência, a digitalização e, fundamentalmente, o desenvolvimento da internet produziram importantes transformações nesses últimos anos no que toca à interação entre a informática e as indústrias culturais, com a incorporação de computadores no processo de gestão e de produção de conteúdos. Tais efeitos aparecem desde os anos oitenta, com a introdução de sistemas de produção não linear em plataformas digitais – já abundantes e baratos nos anos noventa – e geram uma transformação do tecido produtivo a que podem acessar cada vez mais atores. Por exemplo, diante da produção audiovisual de meados do século XX, cujos custos eram muito altos, a dos anos oitenta e noventa – quando a aplicação da eletrônica e da informática reduziu o preço dos equipamentos – vê florescer cada vez mais atores dispostos a oferecer seus serviços[5]. Ao longo dos últimos anos, a explosão da internet enquanto plataforma comercial, depois de décadas em que funcionou como uma rede experimental de pesquisa acadêmica, viu cristalizar-se um número incalculável de iniciativas em torno das novas possibilidades tecnológicas das mídias digitais, interessantes por seu alcance global (possibilidade de globalizar acontecimentos e conteúdos), assim como pela possibilidade de dividir (e de comercializar) conteúdos audiovisuais sem intermediários.

Desta maneira, para os ciberotimistas, a internet permite, graças à sua arquitetura descentralizada, os baixos custos de produção e seu “end-to-end design”, um aumento da diversidade das fontes e, por isso mesmo, uma capacidade real de contribuir para a democratização.

Junto com essa ampliação do número de vozes, outros pesquisadores (Benkley 2006) acrescentam que a internet pode contribuir para gerar uma nova forma de comunicação e de construção de conhecimento colaborativo (por exemplo, através dos wikis). Esta nova perspectiva resulta em uma produção de conteúdo descentralizada e em rede, mais próxima da ideia original da world wide web tal como foi imaginada pelo seu criador, Tim Berners-Lee, e que, em numerosos casos, por causa dos seus objetivos não-comerciais, consegue superar as barreiras impostas pela lógica comercial dos meios de comunicação tradicionais.

Quanto aos conteúdos, os entusiastas da net consideram que a estrutura descentralizada da internet funciona como uma plataforma neutra, equitativa e transparente que promove uma variedade mais ampla de conteúdos. Como consequência direta do aumento das fontes de produção e da equação linear segundo a qual um aumento do número de atores desencadeia diretamente um aumento da qualidade e dos tipos de conteúdo, a conclusão é de que a revolução digital aumentou o nível de diversidade.

Ao mesmo tempo, as audiências se tornam mais soberanas. A interatividade permite que os usuários possam aumentar seu grau de controle sobre o produto cultural (Marsden & Verlhust 1999), por exemplo, no momento do seu consumo ou de sua modificação para personalizá-lo a partir de preferências individuais. Como consequência da abundância de produtores e de conteúdos, e das mais amplas capacidades dos cidadãos de formatar seu consumo cultural, o novo ambiente digital apresenta-se como um ideal de diversidade.

B – Os ciberpessimistas

Ao contrário desses discursos tecnotimistas, os críticos consideram que as lógicas existentes anteriormente se reproduziram junto com o crescimento do número de fontes, e que, em certos casos, elas se acentuaram. Robert W. McChesney (2013) argumenta que, mais do que um aumento da diversidade de conteúdos midiáticos, a chegada do digital aumentou os níveis de concentração e a tendência a oligopólios. A concentração das indústrias culturais já era uma das características mais notáveis de todos os sistemas de mídia tradicional dentro do contexto de comercialização progressiva e de desregulação dos últimos anos (ver, por exemplo, Bagdikian 2004). Segundo uma perspectiva econômica, as fusões de companhias reduzem o número de atores e, consequentemente, eliminam a concorrência efetiva nos mercados. O tamanho econômico desses atores é, ainda por cima, inédito em termos históricos. Em 2012, a Apple se torna a empresa mais cotada na bolsa de valores desde que existem registros, com 620 bilhões de dólares (Forbes 2012), e três anos depois ela se torna a primeira empresa do mundo a ultrapassar 700 bilhões de dólares (Wakabayashi 2015). Mas, no ramo das indústrias culturais, o problema principal não é só econômico, mas também, e principalmente, sociopolítico. A redução do número de atores supõe a redução do número de vozes e, consequentemente, a concentração afeta as condições de existência da opinião pública. O problema atinge o indivíduo não como consumidor, mas como cidadão participando dos fluxos culturais da esfera pública.

Dentro do contexto atual da internet, muito mais propício à extensão transnacional das corporações, a questão da emergência de novos atores dominantes (como Google, Apple, Facebook, etc.), que as assimetrias de poder perpetuam hoje na rede, refere-se diretamente à diversidade das fontes. Como já o previa Hamelink (2000: 12), “The technical convergence leads to institutional convergence and to the consolidation of national and international provision of information (and culture) into the hands of a few mega providers”.

As empresas multinacionais estão integradas de maneira vertical, horizontal ou em multimídia[6], com interesses transnacionais e sedes fiscais em diversos países, e cuja propriedade é cada vez mais opaca – pela fragmentação da propriedade oferecida pelas bolsas de valores e pelo controle exercido por entidades financeiras ou fundos de investimentos. Sua presença cada vez maior determina uma nova estrutura de ecossistema digital no qual outros produtores concorrentes de conteúdos podem dificilmente entrar. Napoli e Karppinen (2013) resumiram isso de maneira clara, citando as palavras de Eli Noam: “when it comes to media pluralism, the Internet is not the solution, but it is actually becoming the problem, due to the fundamental economic characteristics of the Internet (such as scale economies, capital intensity, etc.)”.

Os ciberpessimistas não criticam a falta de variedade dos produtores de conteúdos (de fato, eles reconhecem que essa variedade é mais ampla), mas o fato de que tal abundância não modificou as relações de poder existentes entre grupos e atores. Pelo contrário, ela reproduz as mesmas lógicas anteriores, hoje com atores diferentes, e conduzindo a que certas vozes sejam mais audíveis que outras. Não é a quantidade de vozes, mas a distribuição do poder destas vozes que é apontada criticamente no novo ambiente digital.

Quanto aos conteúdos, essas posições críticas enfatizam os riscos de aumento das práticas de reciclagem e de repetição, em paralelo à perda de qualidade (Doyle 2010; Fenton 2010; Freedman and Scholsberg 2011). A reutilização tornou-se uma prática comum. Como enfatiza Champion: “a tecnologia digital tornou mais fácil a reciclagem de conteúdo e contribuiu à ascensão do ‘churnalism’ [7], as histórias de segunda mão, a reutilização de conteúdo existente, assim como a reciclagem e a remixagem de conteúdo para múltiplas plataformas” (Champion 2015: 40).

A reprodução e a repetição de ideias existentes e a amplificação dos discursos dominantes foram exacerbadas pela chegada de novos intermediários, motores de busca, agregadores de conteúdos, etc. que abafaram novamente as opções de acesso a diversos conteúdos. A razão disso, entre outras coisas, está na estrutura inerente à internet, pois “os melhores motores de busca, na melhor das hipóteses, só cobrem um quinto do total dos sites” (Picard 2000: 186). A “desintermediação” dos processos comunicativos nada mais é que uma mudança de gatekeepers, onde a seleção e a hierarquização não são mais realizadas pelos atores midiáticos tradicionais, mas pelos algoritmos das novas companhias. Assim, como conclui Karppinen (2009: 166),

it is increasingly clear that limitless number of options is not a value in itself. As the logic of exclusivity is shifting from the production to the filtering of information, it can be argued that the real issue for contemporary media policy is not lack of information but access to new and challenging content, exposure to different ideas, and particularly to new and innovative ideas and opinions of various alternative or minority groups, as opposed to satisfying pre-existing needs.

Isso está em ligação direta com a questão das audiências. A saturação, de um lado, e a segmentação e a personalização, de outro, são as duas causas que afetam a diversidade. Mesmo se a web 2.0 oferece vantagens de universalização da produção e acesso aos conteúdos, o cidadão confronta-se com a supersaturação do fluxo midiático (Gitlin 2002). Existe tantas vozes, que é difícil ser ouvido; a comparação de Picard é bem reveladora quando ele afirma, referindo-se à situação atual: “it is as if one is speaking in one’s seat in a premier league football match and hoping other spectators can hear what you have to say” (2000: 186).

As tecnologias digitais aumentaram a fragmentação, graças à segmentação das audiências e da personalização dos conteúdos para os cidadãos. « In order to survive in the highly competitive environment of fragmented audiences, media managers in broadcasting, cable, and publishing (.…) tend to engage in audience segmentation » (Picard 2000: 184). Com isso, eles sabotaram a diversidade do consumo (Baker 2002; Champion 2015; Helberger 2011, Napoli 2011b).

III – Algumas experiências de medição da diversidade audiovisual na internet

Dentro do novo ecossistema digital, medir a diversidade apresenta desafios interessantes. As ferramentas e as dimensões convencionais não parecem adequadas (Napoli & Karppinen 2013). Apesar de serem numerosos os ramos nos quais esses desafios estão presentes, trataremos de algumas experiências específicas focalizadas na medida da diversidade audiovisual.

Os raros estudos empíricos de medida da diversidade audiovisual na internet analisam sobretudo os conteúdos. Por exemplo, Champion, Doyle e Schlesinger (2012) oferecem uma pesquisa sobre como o crescimento da distribuição digital e multiplataforma afetou o conteúdo e a economia dos meios de comunicação. A questão é saber até que ponto o direcionamento das empresas midiáticas para uma produção e distribuição multiplataforma amplificou ou reduziu a diversidade e o pluralismo dos conteúdos. Para testar essas mudanças, eles sugerem realizar análises de conteúdo. Compaine e Smith (2001) e Carpenter (2010) já haviam realizado uma análise da diversidade dos conteúdos midiáticos, mas examinando um único setor – os primeiros estudaram o caso das rádios na internet e o segundo, o jornalismo cidadão e as matérias de jornais online -. O estudo de Compaine e Smith (2001) partia da premissa de que a rádio na internet trazia maior diversidade à estrutura tradicional da radiodifusão e media o nível de diversidade criado em termos de formato, propriedade, localização do mercado alvo e língua. Lin e Jeffries (2001) tinham previamente comparado os conteúdos dos canais de televisão, de rádio e jornais, mas dentro do contexto de uma única plataforma, a partir da análise de 422 websites.

Champion (2015) levou a cabo uma análise detalhada de conteúdo. Ele considerou como caso de estudo as manchetes de jornais e revistas, assim como os sinais televisuais,[8] e os analisou em três períodos (primaveras de 2013, 2014 e 2015). Suas hipóteses de trabalho eram: 1) que as inovações multiplataforma aumentaram o volume de conteúdo disponível e 2) que elas influenciaram sua diversidade. Dentro da operacionalização dos conceitos, o “volume” calcula-se levando em conta o tempo dos diferentes programas e o número e extensão das matérias, e a “diversidade” mede-se tanto em termos de repetição quanto de concentração.

O estudo parece sugerir que a diversidade linguística dos conteúdos online foi a dimensão mais discutida e promovida nesses últimos tempos no âmbito da internet. Apesar de não terem diretamente o audiovisual como foco, a preocupação desses trabalhos parte da ideia de que:

For many Internet users, the potential benefits of the tremendous variety of content options available online from a vast array of sources essentially run aground against the fact that much of this information may not be available in their native language. As was noted in the IGF 2010 panel on linguistic diversity, there are more than 6,000 languages in the world, though only about 350 of them are represented online (…). And, not surprisingly, there has been an overwhelming proportion of English–language content online, relative to English speakers’ representation in the global population and the online population (Napoli & Karppinen 2013).

A UNESCO (2005), juntamente com a Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, promoveu a medição da diversidade linguística na internet por três metodologias de avaliação: 1) a medição dos perfis de usuários da população online; 2) a análise das línguas usadas no ambiente online pelos usuários; e 3) a análise das línguas empregadas pelos websites (web presence). Gerrand (2007) classifica e sistematiza as tentativas de medição que aplicaram essas metodologias (Figura 1) e propõe uma taxonomia.

Figura 1. Taxonomia das metodologias usadas para estimar a diversidade linguística na internet

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Fonte: Gerrand (2007: 1301)

A partir desses estudos, Napoli e Karppinen (2013) adotam uma abordagem analítica para medir o princípio de diversidade online (apesar de não o desenvolverem). Reformulando a proposição de trabalhos clássicos de Napoli (1997, 1999), o diagrama inclui: 1) a diversidade de fontes (medida através das análises dos perfis de usuários), 2) a diversidade dos conteúdos (medida através da análise linguística dos websites e das comunidades de usuários), e 3) a diversidade de exposição (medida por meio da análise do acesso aos sites) (Figura 2).

Figura 2. O princípio de diversidade online: abordagens analíticas

Fonte: Napoli & Karppinen (2013).

Devido ao número reduzido de indicadores que possam dar conta da diversidade dentro do ambiente digital e, consequentemente, de pesquisas empíricas, apareceram nesses últimos anos estudos que defendem uma “reconexão” entre o princípio de diversidade e as políticas públicas. As políticas de comunicação em torno do que chamamos hoje de “meios tradicionais” foram aplicadas em um contexto que está desaparecendo ou, pelo menos, em transição. Os debates sobre a escassez do espectro radioelétrico, a distribuição de licenças e a configuração de diferentes barreiras, para citar apenas alguns exemplos, os quais historicamente caracterizaram as conversas sobre regulação dos meios de comunicação de massa, tornaram-se hoje assuntos de menor importância (“non-issues”) (Napoli & Karppinen 2013) no ambiente da internet. No entanto, como salienta Napoli (2011a), esse novo contexto criou novas preocupações.

Nesse ponto, Napoli e Karppinen (2013) criticam o grau de desconexão entre o princípio de diversidade nas políticas tradicionais de comunicação e o contexto de governança da internet[9]. Eles denunciam, por exemplo, o fato de que durante as sessões do principal fórum de discussão sobre governança da internet, o Fórum de Governança da Internet (FGI), o conceito de diversidade viu-se limitado a um debate sobre o multilinguismo. Somente à margem das discussões foi estabelecida uma ligação entre esse conceito e os temas de pluralismo e de liberdade de expressão. Como observam esses autores, durante esse fórum estiveram ausentes debates a respeito da relação entre diversidade de fontes e diversidade de conteúdo, que caracterizam o princípio de diversidade nas discussões sobre regulação dos meios tradicionais.

IV – Conclusões, desafios e propostas sobre a medida de diversidade

As raras tentativas de medição da diversidade no ambiente digital e especialmente na internet construíram-se sobre problemas diversos, alguns presentes e outros herdados do passado e não resolvidos. O primeiro deles é a falta de precisão conceitual sobre o que é a diversidade e, portanto, sobre como e sobre o quê deve-se realizar sua medida. A inexistência de categorias conceituais aplicáveis aos bens e serviços culturais[10] é particularmente evidente. É necessário também citar as dificuldades de classificação dos atores. De fato, é praticamente impossível reunir, em uma única categoria, os atores tradicionais da cadeia de valores – produtores, distribuidores, exibidores –, e os novos intermediários, tais como os agregadores de conteúdo e motores de busca (para citar apenas alguns), difíceis de serem catalogados.

O segundo obstáculo herdado do passado é a insuficiência de dados sobre o funcionamento de muitos setores culturais e a diversidade de metodologias de estudo quando essa informação existe. Se dentro do ambiente das indústrias culturais tradicionais já era difícil obter informações, essencialmente estatísticas, que permitissem medir a diversidade, sua expansão à internet agravou mais ainda a situação. Torna-se, portanto, indispensável encorajar a pesquisa científica e pública sobre a economia da cultura digital, assim como promover trabalhos que aprofundem o estabelecimento de metodologias comuns para o estudo do setor.

O terceiro problema é a falta de indicadores consensuais para medir a diversidade ou o pluralismo, como observam Napoli e Karppinen:

(…) it is now commonly acknowledged that the problems of market dominance and concentration of media power have not disappeared in the Internet environment. But as was noted in the 2010 workshop on how to measure communication and media in the digital converged era, the degree of concentration is increasingly difficult to measure in the online environment when there are no commonly accepted means to define relevant markets or assign market shares to different types of sources (Napoli & Karppinen 2013).

Observa-se a mesma coisa a respeito dos indicadores para avaliar o desenvolvimento de conteúdo em diferentes línguas:

(…) with the birth of the Web and the growth of the commercial part of the Internet, the academic sector has partly given up the creation of Internet demographic data to the private sector, and perhaps more controversially to the marketing sector. This has created privately held, rather than publicly available, data. This has often led to the lack of transparency of research methodologies (Pimienta, Prado & Blanco 2009: 7-8).

Do ponto de vista da produção, distribuição e difusão/exibição, o novo setor audiovisual viu aparecerem novos atores e, ao mesmo tempo, grandes transformações para os que já existiam. Os fornecedores globais de conteúdo – alguns vindo diretamente das indústrias de hardware e de software –, assim como os provedores domésticos e os novos intermediários que já não podem ser classificados segundo as antigas categorias baseadas na cadeia de valores das indústrias culturais tradicionais, desenham um roteiro complexo, baseado em lógicas ainda difusas e em tensão, que a medida de diversidade deve levar em conta. O principal obstáculo, neste sentido, é saber como medir o grau de diversidade quando ainda é difícil estabelecer os limites dos mercados nos quais os agentes se movem e, consequentemente, gerar critérios de segmentação do universo infinito da internet para sua avaliação. Em paralelo, existe também a dificuldade de medir o tamanho e a origem geográfica destes agentes em um contexto marcado não só pela opacidade da informação, mas também pela desterritorialização, com fluxos e interações que cada vez podem ser menos pensados em termos espaciais.

Quanto à diversidade dos conteúdos, até agora a maioria dos estudos abordaram-na em sua dimensão linguística. Apesar de importante, é indispensável ultrapassar essas fronteiras e integrar outras dimensões de análise da diversidade. Saber se a evolução em direção a esse novo ecossistema gerou não só mais conteúdos, mas também mais diversidade de conteúdo, é uma questão que somente poderá ser esclarecida estudando outras categorias substanciais – entre elas, as propostas clássicas de McQuail (1998), que são a política, a geografia e o sociocultural –. Ao mesmo tempo, seria igualmente interessante medi-la em função da reciclagem de conteúdos, capturando níveis de originalidade versus reutilização.

Do ponto de vista da diversidade consumida, a digitalização desencadeia a necessidade de desenvolver novos instrumentos de medida que permitam avaliar a visualização direta e diferida, a visualização de conteúdos em movimento, o consumo a partir dos computadores, smartphones, tabletes, etc., e os efeitos da multi-tela. Esses instrumentos devem ultrapassar a medida de audiência offline, utilizada para medir o consumo até hoje. Diferentes organizações e empresas realizam medidas em torno dos meios digitais, mas que variam segundo seu grau de complexidade e seus instrumentos. A inconsistência e a falta de homogeneidade que resultam disso criaram um obstáculo importante no avanço da medida da diversidade de conteúdos produzidos e, mais fundamentalmente, de conteúdos consumidos.

Para medir o nível de diversidade de consumo, seria necessário incluir mecanismos capazes de diferenciar as mídias digitais que permitem repetição de visualização, reproduções ou interatividade (por exemplo, videogames online), das que não o fazem – por exemplo, o episódio de um seriado de TV online – (DMMF Report 2013). As novas possibilidades técnicas de download ou de visualização em streaming, com o consumo de ofertas lineares ou sob demanda, apresentam novos desafios para a medição da diversidade consumida. A estes vêm acrescentar-se outros obstáculos, tais como o de avaliar o consumo em plataformas não legais ou sem autorização, ou o consumo ou downloads a partir das tecnologias peer to peer. Neste sentido, toda tentativa de monitoramento deve ser baseada na substância e não na plataforma, sendo, em última ánalise, tecnologicamente neutra.

Referências

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  1. Este trabalho faz parte do projeto de pesquisa “A diversidade cultural e audiovisual” (ref. CSO2014-52354-R), financiado pelo Programa Nacional I+D+i do Ministério da Economia e da Competitividade da Espanha.
  2. Patricia Marenghi é Professora do Departamento de Direito Público e pesquisadora do Instituto da Iberoamérica, Universidade de Salamanca – USAL, Espanha. Marina Hernández Prieto é Professora do Departamento de Sociologia e Comunicação, Universidade de Salamanca – USAL, Espanha. Ángel Badillo é Professora do Departamento de Sociologia e Comunicação e pesquisadora do Instituto da Iberoamérica, Universidade de Salamanca – USAL, Espanha.
  3. Projeto de pesquisa “Diversidade cultural e audiovisual: boas práticas e indicadores”, do Plano Nacional de Pesquisa Científica, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (I+D+i) do Ministério da Economia e da Competitividade da Espanha (ref. CSO2011-26241) .
  4. O conceito de “convergência” começa a ser usado no final dos anos 70, apesar de ter se desenvolvido no final dos anos 90 para referir-se às profundas mudanças no setor da imprensa ocasionadas pelas tecnologias digitais (Salaverria, García Avilés & Masip 2010: 42).
  5. A informatização também tem um papel importante no processo de surgimento da televisão paga, que se tornou possível pelas tecnologias de encriptação nas redes terrestres de difusão. Além disso, depois dos primeiros anos em que o desenvolvimento da televisão baseava-se na Europa em conquistas tecnológicas e de organização das telecomunicações (Miège 1990: 20), o desenvolvimento de novas tecnologias de telecomunicação, como o cabo – desde os anos quarenta, mas especialmente presente a partir dos anos sessenta nos Estados Unidos e dos anos oitenta na Europa – ou os satélites geoestacionários utilizados para difusão direta de sinal, transforma o comércio audiovisual, primeiramente com a possibilidade de globalizar acontecimentos e conteúdos e, em seguida, de comercializar conteúdos audiovisuais diretamente em domicilio.
  6. A integração – ou consolidação, usando o anglicismo – é uma característica essencial de todas as indústrias, inclusive as de comunicação e de cultura. Gershon (1996) já tinha examinado muitas das suas causas: razões sinergéticas principalmente (possibilidade de comercialização de um produto cultural através diferentes plataformas), razões economico-políticas (maneira de escapar das restrições de crescimento de uma empresa no seu setor de atividade – como consequência da legislação ou atividade antitrust dos governos – ou da própria incapacidade da empresa de crescer mais no seu setor de atividade), e razões tecnológicas (convergência).
  7. O termo de ‘churnalism’ é um trocadilho entre ‘journalism’ (jornalismo) e ‘churn’ (reciclar) que se estendeu para fazer referência à produção de notícias a partir de notas de imprensa e outros materiais préfabricados, para economizar tempo e dinheiro.
  8. Oito organizações foram selecionadas para serem caso de estudo: dois jornais, The Financial Times (Pearson) e The Telegraph (Telegraph Media Group); três canais de televisão, BBC One (BBC), MTV (Viacom International Media Networks Europe) e STV (Scottish Television Group); e três revistas: Elle UK (Hearst Magazines UK), T3 (Future Publishing) e NME (IPC Media).
  9. Esses autores analisam as transcrições das reuniãos preparatórias e as atas das reuniões do Fórum de Governança da Internet (FGI) e outros documentos entre 2006 e 2012 para procurar se o “princípio de diversidade” está tomando forma como princípio diretor da governança da internet e como seu desenvolvimento e sua aplicação seguem um caminho contrário à história do referido princípio nas políticas tradicionais de comunicação.
  10. A tendência foi utilizar as categorias propostas pela indústria na pesquisa acadêmica.


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