14 A contribuição do acervo musical do site do Instituto Moreira Salles para a diversidade. Um estudo de caso: canções natalinas brasileiras

Nísio Teixeira[1]

A partir de breve descrição do acervo do Instituto Moreira Salles e sua importância na difusão cultural e da memória produzida em termos da iconografia, fotografia, literatura e música brasileiras, o artigo destaca e explora a potencialidade deste último a partir do entendimento da canção como narrativa testemunhal e de uma análise de 42 canções em torno do tema do Natal produzidas pela indústria fonográfica brasileira. O escopo maior da amostragem se dispõe entre os anos de 1913 e 1956, graças ao acesso amplo e gratuito possibilitado pelo site do IMS, e inclui ainda uma canção de 1976 e um álbum de 2006. A análise revela quatro perspectivas de leitura intercambiáveis do testemunho natalino: nostalgia, descrição, relacionamento e desalento – leitura que contribui para o exercício de diversidade cultural de ruptura etnocêntrica e também etnocrônica propiciado graças à pesquisa, acesso e escuta das canções de outrora.

A Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais (CDEC), celebrada pela UNESCO em outubro de 2005 e ratificada pelo Brasil em 2007, estabelece em sua seção III, Definições, o artigo 4, no qual o termo “Diversidade Cultural”

refere-se à multiplicidade de formas pelas quais as culturas dos grupos e sociedades encontram sua expressão. Tais expressões são transmitidas entre e dentro dos grupos e sociedades. A diversidade cultural se manifesta não apenas nas variadas formas pelas quais se expressa, se enriquece e se transmite o patrimônio cultural da humanidade mediante a variedade das expressões culturais, mas também através dos diversos modos de criação, produção, difusão, distribuição e fruição das expressões culturais, quaisquer que sejam os meios e tecnologias empregados.

De acordo com seus pontos 4 a 6, ainda na referida seção III da CDEC, atividades, bens e serviços culturais referem-se àqueles que incorporam ou transmitem expressões culturais, independentemente do valor comercial que possam ter, sendo as indústrias culturais aquelas que produzem e distribuem tais bens e serviços, os quais, por sua vez, necessitam de políticas e medidas relacionadas à cultura, seja no plano local, regional, nacional ou internacional. Tais políticas devem ter como foco a cultura como tal, ou a finalidade de exercer efeito direto sobre as expressões culturais de indivíduos, grupos ou sociedades, agindo sobre a criação, produção, difusão e distribuição de atividades, bens e serviços culturais, assim como o acesso aos mesmos.

É sob esta perspectiva que o presente artigo compreende as canções: como formas de expressão da diversidade cultural de uma sociedade, tanto pela perpectiva da letra, como pela perspectiva da música. As canções ajudam a compreender diversas conjunturas sociais e sua incorporação como material de pesquisa tem sido cada vez mais comum em função de seu reconhecimento também como “documento histórico” (Valente 2003; Moraes 2010). Valente sugere mesmo que a canção pode ser entendida como “narrativa testemunhal”, não só quando o texto cultural presente na música for portador de um registro que pode ter sido impedido de acontecer em narrativas como a literária, a historiográfica ou mesmo a jornalística, mas, acima de tudo, como representação de um aspecto individual ou coletivo de uma sociedade. Nestes tempos de evolução das TIC, especialmente a internet, sabemos que o acesso universal a estes acervos torna-se mais fácil, embora se disponha com um duplo desafio: alcançar de fato a canção para ouvi-la e, mais importante, em nosso caso, aquela canção que foi produzida décadas antes do advento do vinil LP (long-play) e que só circulou em discos de 76 ou 78 rotações por minuto (RPM).

A memória aqui emerge como desafio de pesquisa e conceito chave para a compreensão do valor testemunhal da canção, pois aí temos, além da canção como documento, a recordação e/ou a lembrança desencadeada pela combinação da letra e música. Temos na canção o que Valente chama de “cápsula de memória” – não só individual, mas também coletiva (pois sabemos que existem vários exemplos de canções marcantes de determinado período histórico ou grupo social). Por outro lado, há o desafio de acesso e compreensão das indústrias e políticas culturais vinculadas aos dispositivos midiáticos diversos que dispõem essas canções. Dispositivos que, voltamos a salientar, mesmo em tempos de internet, tornam-se mais raros à medida em que retrocedemos mais no tempo de registro e produção fonográfica destas canções.

É nesse ponto que, antes de prosseguirmos, destacamos a contribuição do Instituto Moreira Salles (IMS) como um vetor de extrema importância para o acesso a este acervo musical. O acervo digital do IMS permite não só o exercício da expressão da diversidade cultural numa linha de ruptura etnocêntrica, pois oferece amplo acervo de várias formas de expressão no Brasil, como também de ruptura etnocrônica, pois permite, precisamente, o acesso amplo e gratuito para a escuta destas “cápsulas de memória” produzidas no Brasil de outrora.

Em primeiro lugar, cabe salientar que o acervo de música é apenas um dos quatro pilares patrimoniais do IMS. Além da música, seu acervo inclui literatura, iconografia e (o maior deles) fotografia. Suas ações “são sustentadas por uma dotação, constituída inicialmente pelo Unibanco e ampliada posteriormente pela família Moreira Salles” (IMS 2015). O IMS está presente em três cidades: Poços de Caldas (município do interior de Minas Gerais, onde surgiu o instituto em 1992), Rio de Janeiro e São Paulo. Além de catálogos de exposições, livros de fotografia, literatura e música, o IMS “publica regularmente as revistas ZUM, sobre fotografia contemporânea do Brasil e do mundo, de frequência semestral, e Serrote, de ensaios e ideias, quadrimestral.” (IMS 2015). Todos os acervos passam por processos de conservação, organização e difusão que podem ser assim detalhados:

A Fotografia cuida de 800 mil imagens, dos mais importantes testemunhos do século XIX – e aqui despontam as esplêndidas imagens de Marc Ferrez – a relevantes coleções que abarcam quase todo o século XX. Nessas últimas, convém registrar nomes como os de Marcel Gautherot, José Medeiros, Maureen Bisilliat, Thomaz Farkas, Hans Gunter Flieg e Otto Stupakoff, entre outros. E é prioridade do Instituto incorporar a seus acervos imagens do século XXI. Este formidável conjunto – 40 coleções, sendo 19 de obras completas dos fotógrafos – credencia o IMS como a mais importante instituição de fotografia do país. A Música dá conta dos primórdios das gravações de canções brasileiras. A coleção está abarrotada de discos em 78 rpm, um repositório de 80 mil fonogramas, que tem como sustentáculos os inestimáveis acervos de José Ramos Tinhorão e Humberto Franceschi. Mas há também acervos de três seminais compositores que fecundam a fortuna musical brasileira – Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha. Cartas, papéis, documentos diversos e livros compõem os acervos de Literatura. Arquivos pessoais de Otto Lara Resende, Erico Verissimo, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Paulo Mendes Campos, entre outros, merecem a atenção de pesquisadores e enriquecem com informações valiosas o conhecimento sobre a atividade literária no país. Pré-história da Fotografia, a Iconografia do IMS, toda ela expressa em papel (aquarelas, gravuras, desenhos), é precioso registro feito sobretudo por artistas viajantes que vieram para o Brasil a bordo de expedições diplomáticas ou especificamente culturais no século XIX. São destaques desta coleção as belas aquarelas do inglês Charles Landseer, que aportou aqui em 1825, e os desenhos do alemão Von Martius (Carl Friedrich Philipp), que desbravou a natureza brasileira entre 1817 e 1820. (IMS 2015, grifo nosso).

Além de exposições regulares de seu acervo, em programações que ainda incluem exibição e discussão de obras de artes plásticas e cinema, um dos objetivos centrais do IMS é a ampla divulgação de todo o seu patrimônio. Por essa razão, há um investimento constante na propagação universal e gratuita de seus acervos e programação pela internet através do site www.ims.com.br. No caso aqui examinado, o acervo musical ainda tem o suporte de uma rádio – a rádio Batuta – que explora as potencialidades deste acervo “e produz documentários sobre grandes compositores e intérpretes.”

Assim, nosso foco incidiu no que o site disponibiliza em termos de fonogramas de seu vasto acervo musical. A Reserva Técnica Musical do IMS foi inaugurada no início dos anos 2000 e tem sob sua guarda 14 acervos que contemplam uma dupla vertente de ação: a prática musical propriamente dita, em suas múltiplas funções (compositor, arranjador, regente, etc.) ou as atividades de pesquisa e colecionismo. A grande diversidade de suportes aí existente da representação musical pode ser pensada, grosso modo, em duas diretrizes: aquela que ocorre por meio das partituras e aquela que ocorre por meio das gravações.

Destacaremos as gravações: o IMS disponibiliza em seu portal da internet versões digitalizadas de fonogramas de discos outrora lançados em 76 e 78 rpm, cujas coleções ganham importância especial. “As principais são as de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão, com cerca de seis mil exemplares cada uma, mas há menores amostragens também nos acervos Pixinguinha e Antonio D’Áuria, além das doações recebidas de diversas cidades do Brasil e das colaborações de pequenos colecionadores que nos cedem seus discos para serem aqui digitalizados” (Leme 2015). Todas as gravações apresentam uma detalhada ficha técnica do fonograma.

Somam-se a este material aquelas gravações provenientes de outros suportes, como fitas magnéticas de rolo e cassete, que contêm material não comercial (ensaios, apresentações, entrevistas e programas de rádio), além dos “suportes puramente musicais” como novamente o acervo de Tinhorão, “em que, além de uma biblioteca com mais de seis mil volumes, coleções completas de revistas e diversas obras raras, há cerca de 2.600 fotografias, uma hemeroteca que reúne mais de 15 mil recortes de jornais e revistas, e centenas de documentos importantes, tudo isso focado na grande paixão do pesquisador pela cultura popular urbana” (Leme 2015).

Neste trabalho, destacaremos, deste amplo acervo das gravações do IMS, os testemunhos nas canções brasileiras de Natal para que possamos com elas (e através delas) perceber de que forma a canção, como importante documento histórico e narrativo testemunhal, nos revela aspectos de como parte da sociedade brasileira interpretou o período. O acesso para a escuta desta produção existente no Brasil entre 1913 e 1956 foi possível através, precisamente, do site de pesquisa no acervo do IMS (http://acervo.ims.com.br/) para o qual selecionamos apenas o item “música”, buscando pela expressão Natal e similares (Papai Noel, dezembro, festas etc). Cabe salientar que o lançamento de canções voltadas para a temática natalina, fórmula antes habitual da indústria fonográfica brasileira (a exemplo da existente – até hoje – em outros países, notadamente os Estados Unidos), tem sido cada vez mais raro. Exceções recentes (não incluídas no acervo do IMS) podem ser apontadas, como a cantora Simone, que lançou disco em 1995 (mas com standards e versões da música natalina mundial) e, mais de dez anos depois, em 2006, o álbum de inéditas Um Natal de samba, que reuniu composições próprias dos sambistas Almir Guineto, Cláudio Jorge, Luiz Grande e outros, parte dele incluído na amostragem deste trabalho.

Assim, o artigo apresenta a seguir uma análise de 45 canções em torno do tema do Natal produzidas pela indústria fonográfica brasileira. Como dissemos anteriormente, o escopo maior da amostragem se dispõe entre os anos de 1913 e 1956 – graças ao acervo examinado através do site do IMS – mas inclui ainda uma canção de 1976 e o citado álbum de 2006[2]. Sem nenhuma pretensão de fixar categorias que no fundo são intercambiáveis, dividimos aqui nossas impressões de testemunho das canções natalinas analisadas em nostalgia, descrição, relacionamento e desalento. Pretendemos, com esse pequeno exercício, demonstrar como as canções e, nelas, o papel de um acervo digital como o do IMS, contribuem para a difusão e promoção da diversidade cultural.

Nostalgia

Neste primeiro caso, percebe-se a saudade nas valsas Sinos de Natal (de Erotildes de Campos 1925), gravada por Pedro (irmão de Vicente) Celestino: “Saudades de outrora / Que eu já esquecia / Que alegres crianças / Sonhando esperanças / Quanta alegria / No trono de Deus/ Há tantas doçuras / Imensas ternuras / Que vêm lá do céu”; Meu Natal, por Francisco Alves (dele e Ary Barroso 1934): “Nessa noite em criança / Sempre tinha a esperança / De um presente de valor / Colocava na janela / Meu sapato de fivela / Pensando em nosso Senhor”; ou outra cantada por Alves e Trio de Ouro; Natal (Herivelto Martins e Rogério Nascimento, 1945): “Dorme, dorme filhinho / meu anjinho inocente / Natal chegou, meu santinho / a mamãezinha está contente”. Ou ainda nas valsas gravadas em 1954 por Roberto Paiva, como Boas festas (Rui de Almeida e Guido Medina) e Dezembro (Amil e Gaó, 1954). Esta traz, por exemplo, os seguintes versos: “Dezembro, mês de sonhos e poesias / Tudo era belo e encantador na vida / Natal, presépios, noites de alegria / Da minha infância linda e tão querida / Ó tempo vem por hoje dizimar / Eu punha atrás da porta os sapatinhos / E papai Noel me dava brinquedinhos / Nas noites estreladas de Natal / Dentre os presentes todos que ganhei / Ganhei também um lindo palhacinho / De roupas bonitinhas / Que comigo sempre conservei / Nunca está triste / Invejo-lhe a maneira / Traz nos seus lábios um mordaz sorriso.”

Entre outros exemplos, teríamos ainda Jerusalém, cantada por Zilá Fonseca (Castro Perret e Jane, 1953): “Noite feliz de Natal que nos põe alegria / Dentro da alma cansada na vida vazia / Noite de amor que nos traz novamente a lembrança / Uma janela, um sapato, um cismar de criança”; Papai Noel, por Carlos Galhardo (Ivo Santos e Raul Pompéia, 1956): “Papai Noel / Que saudade que me vem / Já escuto lá longe o badalar / Dos sininhos de Belém / Papai Noel / O meu tempo já passou / Mas na noite tão alegre de Natal / Bem feliz eu sou / Eu também fui pequenino, pequenino / Mas depois eu fui crescendo, fui crescendo / E as minhas ilusões quando menino / Foram desaparecendo / E a vida foi seguindo para frente / Com saudades sou feliz hoje também / Porque já sou papai Noel”; e Papai Noel esqueceu, por João Dias e Ângela Maria (David Nesser e Herivelto Martins, indefinido): “Meu sapato no sereno / Ficava a noite inteirinha / Na janela do meu quarto / Quando eu era criancinha / E dormindo meio acordado / Eu esperava ela vir/ Trazendo um brinquedo novo / Papai Noel era você, mamãezinha.”

Curioso perceber que essa lembrança forte da infância, associada à figura materna, nas noites de Natal, chegou a um período quando este tipo de gravação já começa a escassear no Brasil, os anos 1970, no rock-soul Hoje é Natal, de Cassiano, (dele e Paulo Zdanowski, 1976), que, em que pese toda uma referência europeia (“lareiras”, “cisnes”), no final, tudo é um grito de saudade da mãe: “Hoje é Natal de estrelas no céu / Hoje é Natal, Papai Noel / Deixou pra você os sinos do amor / E em meio às flores na sala, no bar / Lareira e as crianças a brincar / E no jardim o nosso cão a rosnar / Nossos cisnes enfeitam o pomar… Mamãe… ”

Descrição

Ainda sob a égide de valsas e acalantos, mas também com um número maior de ocorrências de marchinhas, temos canções que descrevem tanto a tradicional versão cristã da história do nascimento de Cristo ou como essa festa se processa em locais diversos, na cidade ou no campo, como em Natal do sertão, por Capitão Furtado e Tia Chiquinha (Villa Lobos e O. F. Pessoa 1936): “Meia noite o galo canta / Todo mundo se alevanta / Alegremente dobra o sino / Toda gente vai para a igreja / E a terra toda festeja / O nascer do bom menino / Toda gente tá contente / No terreiro o violeiro cantarola uma suave viola”; ou ainda Natal dos caboclos, por Quarteto Tupã e Paraguassú (dele e Ariovaldo Pires 1938): “Noite de alegria, noite de amor / Nasce nesse dia Cristo Redentor / Como é divinal lá no meu sertão / Ao chegar Natal quanta tradição / Toca alegre o sino na igreja da Serra / É o senhor menino que desceu à Terra”; Cartão de Natal, por Isis de Oliveira e Luiz Gonzaga (dele e Zé Dantas 1954): “Boas-festas / Feliz Ano Novo / Ouvindo os sinos de Deus / Repicando na matriz / Para você e os seus / Peço um Natal bem feliz”; Salve Papai Noel, um dobrado pela Bandinha do Altamiro Carrilho e Carequinha (dele e Mirabeau, ano indefinido): “Salve salve Papai Noel, com alegria vamos todos festejar / Salve salve papai noel, meu sapatinho na janela vou botar / Salve salve Papai Noel, com alegria vamos todos festejar / Salve salve papai noel, meu sapatinho na janela vou botar.”

A própria natureza (o galo, as estrelas, a luz), além dos pequenos centros urbanos, pontuados especialmente pelos sinos, marcam a influência cristã e se transformam para anunciar a vinda de Jesus, aspecto reforçado ainda em outras canções de outrora, como nada menos que três canções denominadas Sinos de Natal. A primeira, cantada por Carlos Galhardo (Sanches de Andrade 1941): “Construí uma casinha / Lá no meio do caminho / Que foi feita de papel (que foi feita de papel) / Vou receber este ano / Com prazer uma visita do Papai Noel (do Papai Noel)”; a outra, por Francisco Alves (Victor Simon e Wilson Roberto 1950): “Numa simples manjedoura / Num presépio de luz / Veio ao mundo um menino / O menino Jesus / Vinte e cinco de dezembro / É o dia de Natal / Luz no céu, paz na Terra, Glória universal!”. A terceira, por Aurora Miranda (André Filho e Orestes Barbosa 1934): “Ôôôôô / O galo já cantou / E o Natal anunciou”. Além destas, temos ainda Natal Divino (Milton Amaral 1935): “ Natal, Natal / a lua cor de ouro emite a luz / vê que a humanidade está risonha / festejando o divino aniversário de Jesus”.

Temos ainda vários outros exemplos como Chegou Papai Noel, por João Petra de Barros (Kid Pepe e Roberto Martins 1934): “Chegou Papai Noel / Faz anos que Jesus nasceu / O galo cantou no terreiro / Uma estrela lá no céu apareceu”; Cantiga de Natal, por Elizeth Cardoso (Lina Pesce, circa 1950): “Uma noite no oriente / Uma estrela apareceu / Anunciando à toda gente / A mensagem lá do céu / Meu Jesus / Jesus menino / Para o nosso bem nasceu / Trouxe paz, trouxe alegria / Quanto amor ofereceu”; Natal das crianças, por Blecaute (dele, 1955): “Natal, Natal das crianças / Natal da noite de luz / Natal da estrela guia / Natal do menino Jesus”; Noite de Natal, por Alvarenga e Ranchinho (de Murilo Alvarenga e Newton Mendonça 1941): “É noite de Natal / A lua no céu anuncia / Reina paz na terra / Nessa noite de alegria / É noite de Natal”; Prece de Natal, por Leny Eversong, com Aloísio, Seu Conjunto e Coro (José Saccomani, Lino Tedesco, Walter Melo 1956): “Lindas estrelas nascem no céu /Anunciando que o Natal chegou / Cubra-se o mal com um véu / Façamos preces ao nosso senhor”; A valsa de Natal, por Orlando Silva (Hilton Gomes e Sivan 1953): “Preces falando de amor neste dia de paz / Sinos vibrando e rezando na mesma oração / Benção de nosso Senhor espalhando clarões / E todos cantam a mesma canção / Natal ao meu Senhor” e Presente de Natal, por Zelinha do Amaral (Alvarenga e Ranchinho 1936): “ Reina paz na Terra / A lua no céu anuncia / Que vai chegar o Papai Noel / Trazendo pra nós alegria / Que belo bailinho no céu /As estrelinhas luzentes / Parece que estão dizendo / Eu também quero um presente”. Presente que o próprio Brasil ganha também: em Sonhos de Natal, pelo pintor-cantor Gastão Formenti (Henrique Vogeler, J. Menra e Lamartine Babo 1929), um jogo de palavras entre a festividade cristã e a capital potiguar: “Nesta noite o bom velhinho / Ao Brasil dera afinal / Lá do fundo do saquinho / A cidade de Natal.”

Nessa toada descritiva, é nos anos 1950 que surgem as clássicas versões em português para standards natalinos estrangeiros como Jingle Bells, por João Dias (James Pierpoint, na famosa versão de Evaldo Rui 1951): “Hoje a noite é bela / Juntos eu e ela / Vamos à capela / Felizes a cantar / Ao soar o sino / Sino pequenino / Vai o Deus menino / Nos abençoar”, versão também gravada como Sinos de Belém por Sônia Delfino e Club do Guri. Ou as versões para O Silent Night (Franz Gruber) como Noite de Natal (Noite Feliz), por Dalva de Oliveira (versão de Mário Rossi, indefinido, c.1950): “Noite feliz, noite lustral / É Natal, é Natal / Em Belém uma estrela irradia / A mensagem que a todos conduz / Filho da Virgem Maria / Nasce o Menino Jesus”; ou Noite de luz, Zilá Fonseca (Osvaldo Moles, indefinido, c. 1950): “Noite de luz / Noite de paz / Nasce Jesus / Pra nos salvar / E as estrelas sentiram o amor”; e ainda Noite Feliz, pelo Duo Moreno (versão de Arlindo Pinto e Mário Zan, indefinido, c.1950): “Noite feliz / O céu também diz / Dobra o sino / Num som divino…”.

Ainda nessa época, os traumas da II Guerra e da iminente Guerra Fria também se fazem presentes nas letras natalinas, como em Paz no sapato do mundo, por Castro Barbosa (dele 1949): “Meu bom Papai Noel / Que coração tão profundo / Pede a Deus a paz do céu / Para o sapato do mundo”; ou ainda Canção de Natal do Brasil, por Francisco Alves (dele, David Nasser e Felisberto Martins 1951): “Varrei o ódio da guerra / Protegei o bem contra o mal / Abençoai nossa terra, Senhor / Nesta noite de Natal.”

Contraponto recente, no citado álbum de 2006, em Momentos de Paz, Luiz Grande (dele, Barbeirinho e Marcos Diniz) já descreve um outro tipo de festa natalina: “Boas-festas compadre / vou me mandar / Hoje é noite de Natal / Eu só vou tomar uma / De maneira alguma / Não posso ficar / Minha nega já está / Com a caxanga arrumada / Não falta mais nada / Vou chegar pra lá / Encontrar os parentes / Amigos da gente / Pra comemorar”. Sim, o interlúdio amoroso também vai pegar carona nas letras natalinas, como nos exemplos a seguir.

Relacionamento

A pessoa amada como presente de Natal obtido, desejado ou perdido também pontua parte do cancioneiro natalino, como a divertida marchinha Dia de Natal por Carmen Miranda (Hervê Cordovil 1935), em que o melhor presente, além da pessoa amada, é fazer chegar logo o Carnaval para a farra: “Hoje é dia de Papai Noel / Hoje é dia de Natal / Vou pedir ao meu Papai Noel pra fazer / Chegar depressa o Carnaval / Eu este ano vou pedir a ele / E quero ver se ele consente / Vou pedir pra nunca mais eu perder / Você que foi o meu melhor presente.” De forma similar, a mesma Carmen Miranda canta ainda Recadinho de Papai Noel (Assis Valente 1934), no qual o amor aparece como um brinquedo de salão e o presente de Natal perfeito em forma de lua-de-mel: “Papai Noel se quiser vai me fazer um favor / Eu quero a lua p’rá mim, para mim e meu amor / Aquela lua-de-mel, em noite nupcial / P’rá ver se assim sou feliz, na linda noite de Natal.” O mesmo se detecta em Noite de Natal por Orlando Silva (Maugeri Neto e Maugeri Sobrinho 1952): “ Noite Feliz / Noite de Natal / Noite tão feliz / Fico a recordar meu lindo sonho de amor / Juntos na capela rezando perto dela / Eu pedi a graça do Senhor / Num prolongado beijo /As nossas vidas se encontraram”; ou mesmo no recente Presente de Natal, do Fundo de Quintal (Roque Ferreira 2006): “Eu gosto de namorar / No pé da ladeira / Debaixo do pé de araçá / Ao pé da fogueira / Amor ardente é o desejo / Quando vem pra pegar / Toca na boca da gente / Um gosto bom de amar / É bom provar do seu mel / Seu beijo fatal / Abre a roda que sou eu / Sou eu o seu presente de Natal.”

Mas pode-se tentar também pedir pra Papai Noel o amado/a, como em Se Papai Noel quisesse, por Sílvio Caldas (Cristóvão Alencar e Hervê Cordovil 1936): “Se Papai Noel quisesse / Eu seria tão feliz / Pois eu lhe pedia que me desse / A mulher que não me quis” ou em Eu sou pobre, pobre, por Aurora Miranda (André filho e Orestes Barbosa 1934): “Papai Noel, tenha pena de mim / Meu sapatinho furou / Não posso mais viver assim / Não tenho amor / Não tenho nada / Sou pobrezinho / Papai Noel, seja meu camarada / Eu sou pobre, pobre pobre de maré deci / Vou te dar meu endereço pra com mais facilidade você me encontrar / Moro na rua da Saudade, longe da felicidade / Será fácil me achar.”

Nesse aspecto, um contraponto malicioso se ouve em Listinha de Natal (Indía e Jorge Henrique 1956), no qual a vedete Virgínia Lane traz um vocal cheio de más intenções para com o bom velhinho: “Papai Noel, eu quero um casaquinho de arminho / Sempre fui pra você, meu velhinho / O que de mais honesto se vê / Papai Noel / Eu quero um Cadillac azulzinho / Diamantes também / E prometo que em troca lhe darei um beijinho / Quanto tempo eu perdi / Quantos brotos eu deixei de namorar / Ano que vem serei igual / Se atender minha listinha de Natal / Papai Noel / Eu quero apartamento e joias também / Talõezinhos de cheque / Prometo ser sua só e de mais ninguém.”

Desalento

Mas nem tudo é alegria no Natal. Como resume Almir Guineto em Meu Natal (dele, Gilson Souza, Mi Barros, 2006): “Pra uns o Natal é feliz / Pra outros é sabor de fel / Vivi o Natal que não quis / Tão cruel… Não ouse dizer pras crianças / Que Papai Noel não existe / Pra ter esperança / Não ser triste / É Natal / É Jesus / Divinal que conduz.” Ou seja, nem todos podem ter tudo o que querem, como ainda em Quando chega o Natal, por Neide Fraga (de Sereno 1950): “Meu sapatinho é tão velho / Que eu tenho vergonha de pôr no fogão / Quando o Natal vem chegando / Eu fico pensando no Papai Noel / Quantos brinquedos bonitos / Soldados de chumbo, trenzinhos de apito / Mas nada disso eu queria / Se Papai Noel me pudesse atender / Era trazer alegria e levar a tristeza / Do meu padecer.” Ou mais criticamente ainda no cantar de Ângela Maria, em Outros Natais (Cláudio Luiz 1956): “Vocês que moram em palácios / E dormem em colchão de mola / Que perdem na mesa de jogo / Bem mais do que dão de esmola / No dia em que os sinos cantarem /Trazendo um Natal a mais / Procurem lembrar-se que existem outros natais / Natal das crianças doentes / Das nossas favelas / Anjinhos da fome que a idade se conta nos dedos / Que pedem a Papai Noel / Que passe também perto delas / Trazendo ao menos remédios / Em vez de brinquedos / Natal das crianças que dormem na dura calçada / Debaixo do teto opulento de nossas marquises / Natal sem castanha, sem bolo, sem cobre, sem nada / Natal das crianças que morrem pra serem felizes.”

Uma felicidade falsificada pelo consumismo – agregada a um casamento frustrado – está também na crítica Sapato na janela, por Emílio Santiago (Claúdio Jorge 2006): “Acho que esse amor não tem mais jeito / O vazio em nosso peito / Tá difícil de aturar / Cenas desse nosso casamento / Desencontro, sofrimento / Veja só, os nossos filhos vão chorar / É melhor partir pra decisão / Libertar essa paixão / E tentar em outro porto ser feliz / Já está chegando o fim do ano / Novos ares, novos planos / De plantar nova raiz / Procurar a paz pela cidade / Enfrentar a realidade / É o que o coração nos diz / Mas na rua vejo a propaganda / É papai Noel chegando / Com presentes pr‘eu comprar / Na TV nos jogam nessa trilha / Um Natal sempre em família / Fora disso não é fácil suportar.”

Canção-síntese nesse aspecto talvez esteja mesmo em um dos maiores sucessos do cancioneiro natalino brasileiro: Boas festas (Assis Valente 1933), famosa na voz de Carlos Galhardo. Suicida e solitário, o compositor Assis Valente resume numa letra mordaz a morte do Papai Noel e da própria felicidade típicas do período, camuflada por uma marchinha que, em contraponto, traz uma melodia alegre e cadencial: “Anoiteceu, o sino gemeu / e a gente ficou feliz a rezar / Papai Noel, vê se você tem / A felicidade pra você me dar / Eu pensei que todo mundo / Fosse filho de Papai Noel / E assim felicidade / Eu pensei que fosse uma / Brincadeira de papel / Já faz tempo que eu pedi / Mas o meu Papai Noel não vem / Com certeza já morreu / Ou então felicidade / É brinquedo que não tem.”

Conclusões

Não foi incluído na análise acima o que talvez seja o primeiro registro fonográfico ao período: Natal das crianças pobres, dobrado gravado em 1913 pela Banda do 10º Regimento da Infantaria para uma composição de Eduardo F. Martins, também disponível no acervo do IMS. Apesar de não se tratar de uma canção, percebemos aqui, nesta que provavelmente é a primeira música dedicada ao período, a temática da infância associada ao Natal, que parece reforçar esse aspecto da citada nostalgia, de tempo sem retorno, um passado que se foi, aspectos que, como vimos, foram reforçados pelo discurso das letras e reiterado pelo mote musical de várias canções – normalmente e, não por acaso, associadas a ritmos como o acalanto, samba-rancho ou valsa. Em outro conjunto de canções, percebemos aquelas de caráter mais descritivo, que detalham aspectos da celebração e, por fim, outras canções fazem uso do Natal para falar de desalentos ou outro tipo de afeto, como o amoroso e aí, em menor grau, fazer ainda algum tipo de chiste com o período – e ao invés de valsas, acalantos ou samba-ranchos, um pouco mais da ocorrência de marchinhas.

Se a rarefação do cancioneiro natalino pode ser interpretada como um sinal da crise da indústria fonográfica brasileira (e mundial) ante as novas reconfigurações de tecnologia e informação, por outro lado, também podem ser interpretadas como uma curiosa lacuna de testemunho social ao período nas décadas recentes. Fenômeno semelhante, aliás, podemos pelo menos por ora especular também junto ao período dedicado às festas juninas, que talvez merecesse abordagem similar pois em ambas ocasiões havia um processo de produção para o repertório específico a essas épocas – e também a saudade: “antigas”, tais canções, já em suas épocas, abordavam a reminiscência, e ouvi-las hoje, como pretendemos apresentar aqui com o cancioneiro natalino é, precisamente, um exemplo da canção como “cápsulas da memória” (Valente 2003) e como testemunho narrativo social de seu tempo.

Em seu preâmbulo, a CDEC reconhece “a necessidade de adotar medidas para proteger a diversidade das expressões culturais incluindo seus conteúdos, especialmente nas situações em que expressões culturais possam estar ameaçadas de extinção ou de grave deterioração”. A análise aqui apresentada é apenas uma de outras tantas que podem hoje acontecer graças à combinação de esforços históricos de pesquisadores, utilização de novas tecnologias e, no presente caso, da missão institucional do Instituto Moreira Salles em disponibilizar ampla e gratuitamente o acesso para a escuta desta vasta produção cultural do Brasil, contribuindo para o exercício de diversidade cultural de ruptura etnocêntrica e também etnocrônica propiciado pela pesquisa, acesso e escuta destas canções de outrora – e agora, também de sempre.

Referências

Instituto Moreira Salles – IMS (2015) História. Site oficial. <http://www.ims.com.br/ims/instituto/historia> (acessado 06 outubro 2016).

Leme, B.P. (2015) Pesquisa no acervo de música. <http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/musica> (acessado 06 outubro 2016).

Moraes, J.G.V. (2010) ‘Entre a memória e a história da música popular’, in Saliba, E.T. & Moraes, J.G.V. (orgs.) História e Música no Brasil, São Paulo: Alameda.

Valente, H. de A.D. (2003) ‘A canção na mídia – ouvidos e olvidos’, in Valente, H. de A.D., As vozes da canção na mídia, São Paulo: Via Lettera.

Canções

Alencar, C. de, Cordovil, H. & Caldas, S. (1936) Se papai noel quisesse, Odeon.

Alvarenga, Ranchinho & Amaral, Z. do. (12/11/1936) Presente de natal, Acompanhado por Regional RCA Victor, Victor.

Alvarenga, M., Teixeira, N., Alvarenga & Ranchinho. (1941) Noite de natal, Odeon.

Amaral, M. & Miranda, A. (1935) Natal divino, Odeon.

Amil, Gaó & Paiva, R. (1954) Dezembro, Odeon.

Andrade, S. de & Galhardo, C. (1941) Sonho de natal, Victor.

André Filho, Barbosa, O. & Miranda, A. (1934) Eu sou pobre… pobre… pobre, Odeon.

André Filho & Miranda, A. (1934) Sinos de natal. Odeon.

Barbosa, C. & Barbosa, C. (indefinido) Paz no sapato do mundo, Acompanhado por Abel, Conjunto Star, Star.

Barroso, A. & Alves, F. (1934) Meu natal, Victor.

Blecaute. (indefinido) Natal das crianças, Acompanhado por Coro, Orquestra, Copacabana.

Campos, E. de & Celestino, P. (Dezembro/1925-Julho/1928) Sinos de natal, Acompanhado por Grupo dos Ases, Odeon.

Carequinha, Mirabeau & Carequinha (indefinido) Salve papai noel. Acompanhado por Altamiro Carrilho, Bandinha, Coro Infantil, Copacabana.

Cassiano, Zdanowski, P. & Cassiano (1976) Hoje é Natal, Polygram.

Cláudio L. & Ângela Maria. (1956) Outros natais. Acompanhado por Coro, Orquestra, Copacabana.

Cordovil, H. & Miranda, C. (1935) Dia de natal, Odeon.

Diniz, M., Barbeirinho, Grande, L & Grande, L. (2006) Momentos de paz, Caravelas.

Ferreira, R. & Fundo de Quintal (2006) Presente de Natal, Caravelas.

Gomes, H., Sivan & Silva, O. (1953) A valsa do natal, Copacabana.

Gonzaga, L., Dantas, Z., Oliveira, I. de & Gonzaga, L. (1954) Cartão de natal, Rca Victor.

Gruber, F., Moles, O. & Fonseca, Z. (indefinido) Noite de luz, Acompanhado por Coro, Orgão, Columbia.

Gruber, F., Pinto, A., Zan, M. & Duo Brasil Moreno (indefinido) Noite feliz, Acompanhado por Coro, Orquestra, Copacabana.

Gruber, F., Rossi, M., Oliveira, D. de & Inglez, R. (indefinido) Noite de natal. Acompanhado por Orquestra, Odeon.

Guineto, A., Souza, G., Barros, M. & Guineto, A. (2006) Meu Natal, Caravelas.

Índia, Henrique, J. & Lane, V. (1956) Listinha de natal, Todamérica.

Jorge, C. & Santiago, E. (2006) Sapato na Janela, Caravelas.

Martins, E. F. & Banda do 10° Regimento de Infantaria do Exército (1913) Natal das crianças pobres, Odeon.

Martins, H., Nascimento, R., Alves, F. & Trio de Ouro. (1945) Natal, Acompanhado por Orquestra Fon-Fon, Odeon.

Maugeri Neto, Maugeri Sobrinho & Silva, O. (1952) Noite de natal, Acompanhado por Coro, Orquestra, Copacabana.

Medina, G., Almeida, R. de & Paiva, R. (1954) Boas festas, Odeon.

Nasser, D., Martins, H., Ângela Maria & Dias, J. (indefinido) Papai noel esqueceu, Acompanhado por Orquestra, Copacabana.

Nasser, D., Martins, F. & Alves, F. (1950) Canção de natal do Brasil, Odeon.

Perret, C., Jane & Fonseca, Z. (indefinida) Jerusalém, Acompanhado por Coro, Orgão, Columbia.

Pepe, K., Martins, R. & Barros, J.P. de (1934) Chegou papai noel, Odeon.

Pesce, L. & Cardoso, E. (indefinido) Cantiga de natal, Acompanhado por Coro, Orquestra, Severino Filho, Copacabana.

Pires, A., Paraguassú & Quarteto Tupan (26/09/1938) Natal dos caboclos, Acompanhado por Regional RCA Victor, Victor.

Rui, E., Pierpont & Dias, J. (04/10/1951) Jingle bells, Acompanhado por Coro, Solo-Vox, Odeon.

Saccomani, J., Tedesco, L., Melo, W. & Eversong, L. (indefinido) Prece de natal, Acompanhado por Aloísio, Conjunto, Coro, Copacabana.

Santos, I., Sampaio, R. & Galhardo, C. (1956) Papai noel, Rca victor.

Sereno & Fraga, N. (indefinido) Quando chega o natal. Acompanhado por Orquestra. Elite especial.

Simon, V., Roberto, W. & Alves, F. (1950) Sinos de natal, Odeon.

Valente, A. & Galhardo, C. (1933) Boas festas. Acompanhado por Diabos do Céu, Victor.

Valente, A. & Miranda, C. (1934) Recadinho de papai noel, Victor.

Villa-Lobos, L.G., Pessoa, O.F., Capitão Furtado & Tia Chiquinha (11/11/1936) Natal do sertão, Acompanhado por Coro do Apiacás, Victor.

Vogeler, H., Menra, J., Babo, L. & Formenti, G. (1929) Sonhos de natal. Odeon.


  1. Nísio Teixeira, professor universitário em Jornalismo desde 1997, atua desde 2010 no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde mantém, na rádio universitária (www.ufmg.br/radio), dois projetos voltados para a canção brasileira: o Conte uma Canção (segunda a sexta, 15h15min – www.conteumacancao.com.br) e o bloco Batuque de Outrora, no programa de samba Batuque na Cozinha (13h05 às 14h). Como jornalista, atuou na rádio Geraes FM e em jornais e revistas, como Hoje em Dia e General, especialmente na área do jornalismo cultural. É membro do grupo U-40 Forum (http://u40net.org/).
  2. A canção de 1976 e as de 2006 podem ser ouvidas através de plataformas da internet como o You Tube.


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