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8 A Revista Policial do Ceará

Edição e circulação, 1929-1938[1]

Francisco Linhares Fonteles Neto

Uma revista policial para o Ceará

No esforço de fazer um balanço alentado sobre a presença da imprensa no Ceará, o historiador Geraldo Nobre avaliou que a década de 1920 marcaria uma nova fase do jornalismo cearense. Com efeito, algumas mudanças podem ser verificadas nesse momento, quais sejam: a chegada de novas máquinas, as quais otimizaram o tempo de produção; a mão de obra especializada para operá-las, o que favoreceu mais impressão em menos tempo; e melhorias técnicas, que ajudaram a potencializar a produção, além de intensificarem e aprimorarem a qualidade do material impresso em todo o estado, sobretudo na sua capital, a cidade de Fortaleza, que contava com a maior quantidade de gráficas e um público capaz de consumir os jornais e revistas em circulação diária na urbe[2].

Esse foi o contexto em que se inseriu a Revista Policial no Ceará; no momento da expansão gráfica e ampliação do universo letrado de Fortaleza, o que possibilitou não só o aumento das edições e circulação dos produtos culturais (jornais, revistas e livros), mas, também, um olhar para diferentes temas, dentre os quais merecem destaque aqueles ligados ao mundo do crime. Com o espaço noticioso sendo estendido, graças à visibilidade que as folhas impressas propiciavam, percebe-se, pois, o interesse dos leitores em consumir esse tipo de assunto.

De fato, nas primeiras décadas do século XX, a palavra impressa estava plenamente disseminada e inserida na paisagem urbana de Fortaleza, revelando ali uma aculturação tipográfica[3]. Nesse período, os impressos podiam ser encontrados nas barbearias, cafés, bancas, casas de comércio, e nas mãos dos jovens que perambulavam pelas ruas gritando o pregão do dia, no intuito de vender números avulsos. Na efervescência da cidade, nos espaços públicos, era possível visualizar pessoas lendo as notícias, fosse esperando o bonde chegar –antes de iniciar uma jornada de trabalho diário–, ou sentadas nos bancos das praças, numa pausa para uma rápida conversa a comentar os últimos acontecimentos estampados nas folhas impressas.

Não resta dúvidas de que, a essa época, o impresso já fazia parte do cotidiano da população de Fortaleza, como aponta o estudo de Eusébio de Sousa[4]. Todavia, paralelo a isso, há outros fatores importantes relacionados a esse contexto, dentre eles o aumento populacional[5], o alargamento do perímetro urbano e o surgimento dos primeiros bairros elegantes, mais afastados do centro da cidade. Este último nos revela a preocupação dos moradores mais abastados em tentar fugir do movimento do centro, buscando lugares mais calmos, longe da criminalidade e da delinquência, que pareciam se alastrar por todas áreas.

Sendo assim, o presente artigo busca compreender, nesse momento de ebulição, o tripé cidade-crime-imprensa, que deu sustentação para o aparecimento da Revista Policial, periódico confeccionado mensalmente nas oficinas da Tipografia Progresso, uma das mais importantes de Fortaleza, entre os anos de 1929-1938.

A produção de uma revista editada por membros da instituição policial, abordando temas inerentes à sua atividade, nos conduz ao pensamento de que, naquele momento, mais do que alimentar o gosto da população por notícias de crime, havia o anseio da inserção desse impresso na tradição da própria cultura policial. Decerto, isso mostra preocupação em criar uma identidade, de instruir e disseminar, entre os mais variados membros da corporação, um conjunto de saberes e técnicas específicas de combate à criminalidade, essenciais ao seu métier.

Essa tentativa de instrução mais sofisticada de seus membros e a introdução de novas técnicas para melhorar a atividade diária da polícia em Fortaleza e, consequentemente, sua profissionalização, pode ser vista desde a administração de Eduardo Torres Câmara, que esteve à frente da chefatura de polícia do Ceará de 1916 a 1919[6]. Seu ideal de uma polícia moderna foi seguido pelos administradores posteriores, contudo, é importante esclarecer que, na prática, esse projeto não passou de um esforço anódino, haja vista que muitos dos policiais atuantes diariamente na rua encontravam-se com sobrecarga de trabalho, fator que contribuía para a fuga do trabalho. Ademais, recebiam baixo soldo e muitos não eram alfabetizados. Esses eram apenas alguns dos problemas enfrentados pela polícia[7].

O surgimento da Revista Policial ocorreu, pois, no bojo de um conjunto de ações que ancorava a tentativa de legitimar a formação do policial e seu saber específico. Assim, a própria revista pode ser pensada como um instrumento de afirmação e fortalecimento desse projeto para a instituição e seus membros, tornando-se, segundo seus mentores, um “lídimo arauto da polícia”[8] do Ceará.

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Capa da Revista Policial. Fortaleza – Ceará, 1937.

No que diz respeito a sua aceitação, encontramos comentários, nos jornais de Fortaleza, fazendo referência à novidade editorial que se encontrava circulando na urbe. Nesses periódicos, recuperados durante este estudo[9], há indícios interessantes que apontam para a circulação da Revista Policial em Fortaleza e outras praças. Durante a leitura dessas fontes, verificamos ainda que as edições da revista eram deixadas de cortesia nas redações dos jornais e que estes destacavam sua apreciação sempre na edição seguinte.

Na própria revista, por outro lado, há pequenas notas sobre outros impressos cujos temas eram inerentes à polícia e que circulavam no Brasil, no mesmo período, sendo comentados nos números 2, 27, e 42, onde tratam-se, respectivamente, das edições da Revista Policial da Paraíba, da revista semanal Polícia-Jornal de Salvador e da Revista Vida Militar do Rio de Janeiro. É difícil acompanhar a recepção desses outros impressos, mas é plenamente plausível afirmar que os editores mantinham contato e estavam atentos ao que estava circulando sobre o tema.

Folheando suas páginas, verificamos matérias escritas por policiais letrados que ocupavam posições de destaque na instituição, fazendo uso da palavra impressa para valorizar seu campo de atuação. Entre os colaboradores, encontramos figuras de relevância na atividade policial no Ceará, como os delegados Waldemar C. Do Rego Falcão e Candido Olegário, o coronel Edgard Facó, os médicos legistas Antônio e Amadeu Furtado, e o tenente Porfirio de Lima Filho, ocupando o cargo de diretor secretário. Entretanto, mesmo sendo editada por policiais de carreira, importantes no cenário local e que assinavam a autoria da maioria dos textos, a revista também recebia colaboração de membros do judiciário, de jornalistas e de policiais de outras partes do Brasil.

Sendo assim, é perfeitamente possível apreendermos a opinião das autoridades policiais sobre o crime, o que não podemos dizer a respeito da opinião do público, que tem sua compreensão limitada, uma vez que não existia uma seção específica reservada para cartas de leitores comuns.

Com relação ao seu conteúdo, algumas vezes a revista traduzia textos de criminalistas europeus e em outros momentos republicava textos de autoridades policiais, como, por exemplo, Elysio de Carvalho e a famosa tese sobre “O papel da imprensa no domínio da Polícia”, proferida na Conferência Judiciaria Policial, em 1917, pelo Chefe de Polícia do Rio de Janeiro Aurelino Leal[10], os quais desfrutavam de grande prestigio sobre o pensamento policial no país. Contos detetivescos também tinham espaço garantido. Enfim, tudo que fosse ligado à aplicação do poder de polícia e à compreensão do universo criminal, das técnicas de investigação e dos demais temas ligados aos assuntos policiais compunham o editorial.

O leitor interessado em adquirir a revista teria que desembolsar 20$000 por ano, no caso de assinatura da mesma, 2$000 por número avulso e 3$000 por números atrasados. No entanto, as vendas não eram suficientes para manter a periodicidade da revista, sendo preciso contar com renda extra, uma vez que os editores não recebiam “nada dos cofres públicos”[11] para manter ativa sua edição. Destarte, algumas estratégias foram adotadas e ceder partes de suas folhas para anúncios era uma opção rentável. Assim, anúncios de venda de perfumes, automóveis, roupas, sapatos, móveis, máquinas de escrever, disponíveis nas lojas da cidade, eram apregoados.

Além de dividirem espaço com os temas ligados ao mundo do crime, esses anúncios ajudavam a garantir a manutenção da revista com a edição seguinte, haja vista que os comerciantes interessados em propagandear seus produtos pagavam por anúncios. Nesse caso, uma página custava 50$000, ½ 30$000 e ¼ de página 20$000. Para propagandear seus produtos, deveriam ir à Secretaria de Polícia e Segurança Pública, dirigindo-se à dependência onde funcionava a Inspetoria Geral de Veículos, no horário de 14 às 16 horas, local onde funcionava, também, a redação da revista.

A Revista Policial circulava no formato de tabloide, sendo bem ilustrada, contendo fotos e charges, com uma média de oitentas páginas. Em seu primeiro número, que data de 25 de agosto de 1929, o editorial registrou que a polícia do Ceará necessitava de um órgão que refletisse seus pensamentos e focalizasse os múltiplos aspectos de sua atividade, daí o propósito de publicar tudo que gravitasse em torno de seu campo de atuação. Logo, técnicas de investigação, assuntos sobre causas da criminalidade e laudos periciais ocupavam boa parte de suas páginas. Deste modo, portanto, os editores definiram sua missão:

A nossa finalidade

É velha a rotina dos programas para a objectivação de um ideal. Nem por isso, deixa a antiquada praxe de estar ainda hoje em voga, e não será amanhã nem depois que venha a dessa a desaparecer. Daí o direito que a nós assiste de, em ligeira synthese, definirmos a finalidade da Revista Policial, que hoje, profundamente grato nos é apresentar ao público.

É, assim pensamos, uma iniciativa feliz e generosa que, certamente, terá o mais franco acolhimento. Nasceu de uma necessidade palpitante, qual a de ter a que reflicta o seu pensamento, trate de tudo que diga respeito a sua complexa aparelhagem, focalizando os múltiplos aspectos da sua atividade.

É um programa largo de acção, trabalho e inteligência.

Não era licito ao Ceará, Estado que já tem projecção definida no concerto da Federação, deixar de tomar os exemplos que lhe oferecem outras unidades federativas brasileiras, onde os instrumentos de publicidade dessa natureza se constituem optimos, excelentes colaboradores das policias locaes.

Achamos mesmo imprescindível aos encarregados da ordem e seguranças públicas, uma publicação nos moldes da que hoje sae a lume, tanto mais que, defendendo-lhe os interesses e prestando-lhes informações uteis no tocante aos serviços da polícia deste e de outros Estados, agitará questões e ventilará factos, que emprestam a Revista Policial uma feição profundamente interessante, de leitura atraente, leve e agradável.

É um plano de actuação amplo, laborioso, que esperamos executar finalmente.

Não só as questões de polícia serão por nos tratadas.

Órgão, que é a polícia, intimamente ligado ao Poder Judiciário, claro que está que a Revista alheia a vida da justiça propriamente dita, divulgando os assumptos de jurisprudência dos tribunaes, despachos, pareceres e sentenças inspirados por factos atinentes a polícia.

Tudo que gire na orbita policial do Ceará, casos que, pela sua natureza, mereçam atenção, será contemplado e divulgado pela Revista Policial que relatará, também, os ocorridos em outros pontos do paiz, que sejam, igualmente, de relevância[12].

O fragmento acima é, pois, bastante elucidativo quanto às intenções de seus mentores. Ao fazerem circular, na arena do jornalismo cearense, um periódico com destaque policial, os editores, certamente, tinham em mente o desafio não só dos temas que compunham suas seções, mas, também, do público que poderia consumir as matérias, assumindo a imensa responsabilidade de manter a publicidade viva como forma de ganhar algum lucro, cobrindo, assim, os custos da editoração.

Assuntos de polícia: ciência, técnica e poder

Como é sabido, no início do século XX, quase nenhuma polícia do mundo havia alcançado alto grau de instrução e profissionalização. No Brasil não foi diferente, vários projetos e modelos de policiamento se confrontavam na difícil tarefa de se moldarem à realidade social brasileira. Mesmo diante dessa realidade, não podemos negar a existência de esforços para a superação desse desafio, organizando, capacitando e tentando implementar modelos de polícia no país.[13]

A Revista Policial editada em Fortaleza se insere nesse contexto de preocupação por parte das autoridades policiais do Ceará em se mostrarem antenadas com as tendências do pensamento policial presente no Brasil. Questões que tanto tiravam o sossego desses homens e fomentavam a criminalidade urbana se apresentavam agora como ponto de pauta em sua agenda. Tal preocupação se materializou, tanto nos esforços administrativos, quanto nos registros policiais, que permitem ao historiador apreender as ações da instituição para instalar uma polícia scientifica. Nesse sentido, a revista é excelente fonte para historicizar o pensamento policial e compreender os limites de suas ações no Ceará.

Fiel a sua proposta editorial, a Revista Policial, geralmente, consagrava a primeira página para apresentar artigos com temas ligados ao ofício dos homens da lei, contemplando: aspectos técnicos de metodologia e investigação, aplicados às pericias criminais; definições do que seria uma moderna polícia; e a necessidade de aperfeiçoar a identificação criminal e equipar o gabinete de identificação da polícia de Fortaleza. Ao publicar esses textos oferecia à polícia do Ceará um “órgão que condignamente a representasse”[14].

Fica claro, portanto, seu entendimento sobre a ação e responsabilidade policial, e de como a Instituição deveria agir enquanto reguladora da vida social e da ordem pública do vasto e complexo organismo que é a sociedade[15]: “A polícia constitui os olhos do Estado, olhos que não se contestam com a visão ordinária das cousas, mas conservam aguçada e penetrante, na procura incessante das forças subterrâneas que minam o terreno social”[16].

Diante das profundas mudanças operadas no mundo moderno, urgia, então, uma readequação da polícia para acompanhar a evolução do crime. O avanço da ciência e a rapidez de trocas de informações processadas pelos meios de comunicação (no caso rádio e televisão) obrigavam o Estado a investir na instituição, para que a conservação da segurança dos indivíduos e da sociedade fossem mantidas. Sendo assim, o uso de métodos propriamente científicos, se corretamente aplicados, segundo as autoridades policiais, aboliria a violência e a força bruta do rol dos policiais.

Com efeito, uma aproximação com a Criminologia forneceria ao trabalho policial uma metodologia “capaz de conhecer o tipo criminal, sua psicologia e sua variabilidade de temperamento, com uma ideia mais completa a respeito do crime e seus diversos modos de manifestação, podendo, desta maneira, aparelhar-se para a consecução dos objetivos que lhe competem”[17].

Importante perceber que, no momento em que a polícia, a fim de valorizar seu ofício, passou a usar a imprensa, no caso a Revista policial, para divulgar seus temas de interesse –seu saber para descortinar o mundo do crime (a partir do domínio da ciência) e a perícia na antecipação às intenções de mentes perigosas–, os jornais também se empenharam em divulgar esses temas, é claro que apresentando uma narrativa totalmente diferente.

Vale lembrar que, os jornais, principais fornecedores de notícias a respeito da lei e da ordem, no início do século XX, vinha oferecendo para seu público não somente uma visão do crime em si, mas o modo como polícia e justiça deveriam agir diante dos delitos, que pareciam se alastrar sem o devido controle pela cidade.

De fato, a criminalidade aparece nos noticiários jornalísticos como um medo social compartilhado[18], entretanto, era esse conteúdo que despertava interesse. Por conseguinte, embora houvesse críticas quanto às matérias sensacionais[19] – que manchavam as folhas dos jornais de sangue, com crimes sarrabulhentos -, era praticamente inevitável que a Revista Policial, por sua vez, fugisse desse formato noticioso, haja vista que, tal como os jornais, pretendia chamar atenção dos leitores. Destarte, também era comum em suas edições matérias com crimes de sangue, anunciadas com títulos sensacionais, como, por exemplo: “A cabeça de um homem envolta em papéis velhos”; “O cadáver nu de uma moça suspenso em uma árvore”; ou “Um pequeno monstro humano”. Este último refere-se à matéria cuja narrativa revela o crime de um garoto de 10 anos, que teria degolado a irmã de três anos e depois a pendurado para baixo. Segundo a revista, este crime chocou a Europa[20].

Com o escopo de defender os interesses da polícia, a Revista Policial lançou uma matéria com o sugestivo título “A imprensa, o povo e a polícia”, publicada em sua quarta edição. A narrativa aborda, de forma muito clara, o entendimento da polícia sobre a relação imprensa e crime, não descartando o dever da imprensa de informar, mas alertando para o perigo dela inflamar a opinião pública contra a polícia. Dizia, portanto, que, antes de se lançar notas questionando o serviço policial, era necessário levar-se em consideração “o sacrifício experimentado dia e noite por um modesto guarda para se manter a ordem social” [21].

O fato é que o crescimento da imprensa especializada nas notícias de crime incomodava sobremaneira as principais autoridades policiais do Brasil, já que revelava para os leitores o cotidiano das delegacias, incluindo –no caso dos jornais– a negligência dos homens da lei no combate à delinquência. Além disso, a imprensa antecipava a apuração dos crimes, o que inquietava bastante a polícia, pois, o mundo do crime era, por excelência, seu campo de atuação.

Indignado com tantos ataques, o poderoso chefe de polícia do Rio de Janeiro, Aurelino Leal, proferiu, durante a conferência judiciário-policial, em 1917, uma palestra que abordou a atividade jornalística e sua ênfase no noticiário criminal[22]. Em sua fala, enfatizou que a imprensa que noticiava crimes não merecia crédito, considerando que, no intuito de vender mais jornais, tomara quase como obrigação a premissa básica de apontar a polícia como “responsável por tudo, pelo que faz, pelo que deixa de fazer. Si fez, fez mal; si não fez, deveria ter feito”[23].

Conforme se pode observar, o desejo de Aurelino Leal era tão somente defender o ofício da polícia, desqualificando a atividade jornalística. Assim, ele, em tom categórico, sentenciou que a imprensa: “exerce, quase sempre, uma influência má, nefasta, perigosa e apaixonada”[24].

Logo, há uma clara tentativa por parte da polícia em separar os papéis sociais de cada um: os jornalistas deveriam deter-se em noticiar a vida artística, econômica e cultural da cidade, deixando os noticiários criminais para uma parte mais secundária dos jornais. Ademais, deveriam evitar textos longos e escandalosos publicados em manchete na primeira página, que causavam sensações nos leitores.

Alegando incoerência no comportamento jornalístico, Aurelino lançou ainda a seguinte questão: como podiam cobrar moralidade e manutenção da ordem e dos bons costumes por parte da polícia e, ao mesmo tempo, em suas folhas impressas, fazer propagandas de contravenções, divulgando jogos proibidos, principalmente os de azar, publicando palpites de cartomancia, notícias de suicídio e assassinatos que manchavam as páginas de sangue, ferindo o Código Penal?

A queixa e argumentos do chefe de polícia do Rio de Janeiro contra a imprensa foram ouvidos e tiveram ressonância. A exemplo, o Desembargador José Moreira da Rocha, Presidente do Estado do Ceará, reproduziu trechos da famosa conferência de Aurelino em seu relatório anual enviado à Assembleia Legislativa do Ceará, e também na Revista policial. Defendendo a polícia de Fortaleza, o desembargador argumentava que, mesmo diante da tarefa árdua de combater o crime, o poder de polícia tinha de ser exercido dentro de “uma atmosfera legal, não devendo confundir-se com o abuso da autoridade”[25]. Todavia, a imprensa teimava em alimentar a antipatia do público para com a polícia, explorando ao máximo suas falhas.

Na leitura desse relatório, fica evidente uma tentativa da autoridade em demonstrar que na relação polícia-imprensa-leitores o peso dos dois últimos colocava em desvantagem a primeira, pois, citando Aurelino Leal, José Moreira da Rocha dizia que “os jornais, se elogiassem a polícia, ficariam desmoralizados”. Prosseguindo, ele comenta que “os jornalistas atribuem ao público a exigência feita à imprensa de desancar a polícia, o que, efetivamente, não deixa de ser uma clamorosa injustiça”. Tais argumentos tentavam mostrar que, mesmo diante das dificuldades para se manter a ordem em Fortaleza – falha identificada principalmente no número exíguo de policiais para conter o avanço das ações criminosas -, havia o esforço, por parte da polícia e demais autoridades competentes, em desempenhar tal tarefa. Todavia, nem por isso eram poupados pelos jornalistas, os quais, por meio de suas notícias tendenciosas, “operavam no sentimento público”[26].

A palestra de Aurelino Leal é, sem dúvida, um dos textos mais importantes e extremamente reveladores sobre o conflito entre a polícia e a imprensa no Brasil da primeira República, mas não é uma fala isolada, pois outras autoridades policiais já vinham se posicionando nessa arena anteriormente, tentando reverter a situação em seu favor e acusando a imprensa de aumentar o apetite da população por assuntos criminais.

Elysio de Carvalho, funcionário da polícia do Rio de Janeiro e editor responsável pelo Boletim Policial, periódico voltado exclusivamente para assuntos policiais, publicou uma matéria com o título Influência dos jornais sobre os crimes. Nela, aponta o desejo de satisfazer a curiosidade dos leitores, sempre contando, com pormenores e ilustrações, os crimes sensacionais, influenciando o “contagio do crime pela imprensa”. Assim ele disse:

O papel da imprensa é, por conseguinte, perfeitamente contrário aos interesses da sociedade. Entretanto, em muitos países será difícil remediar esse mal, mas é preciso não esquecer que os jornais em sua grande maioria são empresas comerciais e que assim são forçadas, para conservar ou aumentar sua clientela, a satisfazer o gosto do público que pede uma sensação nervosa[27].

Decerto, o texto acima indica que as autoridades policiais no Brasil não conseguiam nutrir nenhum respeito por noticiários de crime produzidos pela imprensa não especializada, mostrando, igualmente, que essa intriga fora resultante de uma somatória de conflitos gestados durante anos.

Devemos esclarecer que não temos pretensão de exprimir, neste artigo, um juízo de valor, considerando se jornalistas ou policiais estavam com a razão, mas sim de revelar, por meio do cotejamento das fontes, que as acusações e defesas sobre a origem e propagação do crime vinham de ambas as partes (polícia e imprensa). De um lado da arena, as autoridades policiais se defendiam das acusações da imprensa, que acabava se imiscuindo em suas tarefas. Do outro lado, a imprensa cobrava e divulgava notícias do cotidiano policial com o argumento de que estava fazendo seu papel, pois era uma forma de alertar a população.

Ao fim e ao cabo, o que deve ficar claro é que a relação entre polícia e imprensa não foi das mais amigáveis no início da centúria passada. Essa constatação somente é possível a partir dos noticiários criminais, que puseram em relevo a tensão entre as partes e despertaram a antipatia dos policiais para com os jornalistas. Logo, ao se debruçar sobre essas narrativas, cabe ao historiador a tarefa de tentar entender os pontos geradores desse conflito entre os dois grupos.

Entretendo os leitores

Até aqui, nos ocupamos em mostrar a função da Revista Policial: ajudar a construir a identidade dos membros da corporação em torno de uma cultura policial no Ceará. Porém, neste momento, nos dedicaremos a análise de sua estrutura. Sendo assim, podemos dizer, de início, que a revista se revelou um editorial bem elaborado, preocupado em apresentar aos leitores o saber específico que a moderna ciência criminal passava a oferecer para a investigação e identificação dos criminosos.

Embora, em sua primeira leitura, tenha se mostrado sisuda, ao nos debruçarmos sobre a revista e acompanharmos suas edições, pudemos perceber que também se preocupava em manter uma relação com o leitor comum. Para isso, publicava uma galeria de criminosos, noticiando quem havia sido preso em Fortaleza pela ação policial[28]. O objetivo dessas notícias era de apresentar a eficácia da atuação dos homens da lei junto à população, podendo ser caracterizadas, então, como notícias de utilidade pública.

O uso das fotos de delinquentes, publicadas na sessão “galeria policial”, revelavam a materialidade dos fatos e aproximavam melhor o leitor da intenção dos editores em retratar que o crescimento da criminalidade e as diversas ocorrências registradas nas delegacias estavam sob o controle da atenta polícia da capital do Ceará.

A Revista Policial objetivava apresentar ao seu público leitor um material impresso sofisticado, fosse pela inserção das técnicas gráficas disponíveis ou pela linguagem. Desse modo, as notícias vinham acompanhadas de temas sensacionais, contendo histórias com senas de sangue, dramas diários e tragédias que ocorriam na cidade.

É importante ressaltar que, mesmo apresentando um editorial mais sério, voltado, basicamente, para a atividade policial, ao publicar notícias de crime em suas folhas, a revista apresentava em suas narrativas a mesma estrutura das narrativas contidas nos jornais. Portanto, procurava apresentar as notícias com uma linguagem sempre acessível e de forma sistemática, seguindo o desenrolar dos acontecimentos, desde que o caso tivesse grandes proporções.

Endossando a publicação e circulação de matérias relacionadas aos crimes passionais, a Revista Policial buscou dar a essas narrativas uma feição leve e agradável, relatando as histórias com maior apelo sensacional. Vejamos uma de suas matérias:

O crime do Ceroulinha teve repercussão emocionante. Roído por um ciúme que não tinha limites que crescia à medida que se acentuava o desprezo que a esposa lhe dera, matou-a friamente, barbaramente, embebendo-lhe toda a lamina no coração! Dois gemidos agudos, roucos e a desgraçada rolava, morta, por terra. Foi o episódio chocante dessa tragédia conjugal. Antonio Pereira Costa era casado com Eulampia Sales, mulher muito moça ainda, pois estava, apenas com 16 anos de idade. A vida do casal, ao princípio, foi feliz. Do meio para o fim, porém, encheu-se de dessabores, ‘Ceroulinha’ não ganhava o suficiente para o sustento da família e, além do mais, se entregava a uma existência desregrada de vícios e conquistas amorosas. Tinha amantes e, dahi, as constantes desavenças com a mulher que desposara pela igreja[29].

Em suas primeiras linhas, a narrativa aponta a repercussão emocionante em virtude do desprezo de Eulampia, que já não suportava os casos extraconjugais e o vício do esposo Ceroulinha, decidindo deixá-lo. Tomado de ciúme descontrolado, ele vingou-se desferindo uma facada na esposa. Interessante notar a forma como a narrativa é produzida, recebendo um tom poético, perceptível no seguinte trecho: “dois gemidos agudos, roucos e a desgraçada rolava morta, por terra. Foi o episódio chocante dessa tragédia conjugal”.

Ainda nessa edição, foi apresentado outro caso semelhante. Segue, pois, a narrativa:

A tragédia chocante, estúpida de que foi teatro a Praça do Ferreira as 9: ½ da manhã do dia 1° da corrente, não se acha de toda esclarecida. Há ainda pormenores obscuros desse drama pungente e impressionante, cujo desfecho violento, célere, rápido, abalou toda Fortaleza. Amplamente divulgado pelos jornais, o facto se revestiu de uma tonalidade mais forte, como gesto tresloucado do criminoso, detonando a arma contra se próprio. Raymundo Salles e Ritinha Hollanda, os protagonistas principais desse doloroso drama de amor, se conheceram em Ipueiras. Ambos na idade do sonho, entre eles estabeleceu-se um afeto mutuo, sincero e ardente. Amavam-se, e, enlevados por esse amor, quantos castelos não construíram?! Felizes e contentes sonhavam um lar contente, bonançoso, onde tudo lhes sorria. Mas um dia, o feliz par de namorados sofreu terrível desilusão: a família de Ritinha, prevendo a sua próxima união com Salles, a ela se opôs, tenazmente […] Ritinha fugia de Salles e, embora sofrendo, procurou a todo transe esquecê-lo. Salles, então, premeditou a eliminação de Ritinha e, igualmente a sua […] Sales não tem bons antecedentes, sendo a razão da resistência da família de Ritinha ao casamento[30].

As notícias de crimes de sangue divulgadas na imprensa, seja nos jornais ou na Revista policial de Fortaleza, normalmente seguiam o padrão das duas narrativas acima transcritas. Elas retratavam o ocorrido, apresentando os sujeitos envolvidos e seus dramas. Vale ressaltar que essas notícias eram curtas e se restringiam a uma única edição, pois os casos, na grande maioria das vezes, eram de fácil solução. Desse modo, para que as histórias pudessem surtir o efeito desejado –atrair e provocar sentimentos diversos–, cabia aos editores explorarem o drama nelas contido, expressando seus posicionamentos e extraindo lições morais que pudessem ser significativas para seus leitores.

Por outro lado, haviam as notícias de crimes que envolviam o mistério e o sensacional, as quais eram de difícil solução para os policiais. Estas, por sua vez, rendiam várias edições. Nos jornais, esses crimes passavam dias, e até meses, sendo noticiados, de modo que conseguiam prender a atenção do leitor até se chegar ao desfecho.

No que concerne à Revista Policial, podemos afirmar que sua edição mensal na cidade de Fortaleza, durante nove anos (mesmo com algumas interrupções), aponta o empenho dos policiais letrados das terras alencarianas de se mostrarem atentos às novidades do mundo do crime. Essa percepção implica na compreensão de duas ações primordiais da revista: manter informado um público especializado no assunto; e abarcar outros leitores interessados em temas que provocassem sensação.

Notamos, então, uma contradição das autoridades policiais, que se utilizavam da Revista Policial para tentar expor sua eficaz atuação e censurar a forma da imprensa diária divulgar notícias de crime, mas, muitas vezes, se valia dos mesmos recursos narrativos sensacionais para atrair o leitor, como demonstrado acima.

Vale salientar que a revista também abrigava em suas páginas contos policiais, literatura presente no Brasil desde meados do século XIX. Embora, em um primeiro momento, essa tenha sido considerada como uma literatura menor, não foi desprezada pelo mercado editorial brasileiro, que contou, inclusive, com a colaboração e autoria de alguns dos nossos autores canônicos, entre eles Aluízio Azevedo [31].

Editada no Rio de Janeiro, a revista Vida Policial, apesar da vida curta, teve papel importante na divulgação da literatura de romance policial no Brasil. Entre seus autores, figuram os precursores do gênero (Edgar A. Poe e Conan Doyle) e autores brasileiros, os quais se aventuraram a produzir os contos, tornando-se pioneiros do tema no país, com suas publicações garantidas nas folhas da revista. Lembramos, nesse caso, Medeiros e Albuquerque e Claudio Mendonça, este último criador do detetive diletante Barrios[32].

No Ceará, em sua segunda edição, a Revista Policial publicou um texto de Medeiros e Albuquerque, no qual o autor saiu em defesa do gênero romances policias, pois, para ele, havia um preconceito em relação a essa literatura. No anseio de valorizar ainda mais seus argumentos, Medeiros informa que autores do quilate de Edgar A. Poe e Dumas atuavam no gênero, obtendo grande vendagem de suas obras. Segundo ele, mesmo presidentes e personalidades importantes consumiam esse tipo de literatura. Todavia, na conclusão de seu artigo teceu duras críticas ao Brasil, pois, no país, poucos se aventuraram no tema, afora a experiência de Afrânio Peixoto, Coelho Netto, Viriato Correa e o próprio Medeiros, que participaram de uma brincadeira literária editada no jornal A Folha, escrevendo o romance Mysterio[33]. “Sem nenhum acordo prévio cada um lia à tarde o que o outro escrevera e adiantava a sua parte”, experiência bem-sucedida, no tocante ao aumento na tiragem dos jornais, mas pouco explorada com inteligência[34].

Devido à boa aceitação desse tipo de narrativa, A Revista Policial do Ceará passou a reservar uma seção interessante de contos policiais com textos de autoria de Elysio de Carvalho[35] e Conan Doyle. Quanto à colaboração local na produção e publicação de contos e romances policiais, ficavam a cabo do gaúcho de Alegrete, radicado em Fortaleza, Elias Mallmann. Ele produzia pequenos textos a partir de sua experiência observando as ocorrências de presos nas delegacias, como o relato intitulado Uma noite fantástica[36], ou seu conto A dupla de Chinezes[37].

Pioneiro nos contos policiais no Ceará, Elias Mallmann ainda teve fôlego para produzir uma série chamada Memórias de um criminalista, publicada em alguns livros cujas edições e tiragens infelizmente não puderam ser recuperadas. Um de seus livros, uma novela policial intitulada Enigma Vermelho, aborda a história de sucesso na investigação policial. O interessante é que o próprio autor também era o responsável por ilustrar a obra com suas charges.

Com tanta inovação, a novela teve um grande sucesso editorial, ao ponto de a Revista Policial conceder suas folhas para reeditá-la, sendo apresentada de forma seriada nos números 10, 11 e 12, seguindo o modelo de folhetim[38].

De um modo geral, podemos afirmar que os contos policiais da Revista Policial seguiam, então, duas temáticas variantes: a sagacidade dos policiais; ou a habilidade do criminoso para não deixar rastros que os identificasse. Na Revista Policial cearense, era explorado o fascínio pela ideia de investigação policial como parte do grande espetáculo da ciência moderna. A ideia do policial perspicaz, por ela transmitida, coadunava com o editorial, que visava mostrar o avanço da ciência no processo de investigação. Isso, sem dúvidas, tinha um efeito prático: “tornar a atividade policial um pouco mais agradável aos olhos do público. Pela via da ciência, chegava-se ao criminoso com uma elegância muito distante do cotidiano duro das polícias, produzindo encanto e certeza, na irrefutabilidade das provas constituídas”[39].


  1. Agradeço ao Sr. Nirez pelo acesso às Revistas Policiais do Ceará pertencentes ao seu acervo particular.
  2. Nessa obra, Geraldo Nobre abarca um período sobre a história da imprensa no Ceará que vai de 1824-1969. Entre as novidades na imprensa local, o autor lista a Revista Policial e demais revistas ilustradas que circularam em Fortaleza nos anos de 1920. Cf. Geraldo Nobre, Introdução à História do Jornalismo Cearense, Edição fac-similar/Fortaleza, Nudoc/ Secretaria de Cultura do Estado do Ceará – Arquivo Público do Ceará, 2006 (1º edição 1974).
  3. O conceito de aculturação tipográfica ajuda a pensar como o impresso passou a se inserir na vida urbana. Independente de uma leitura solitária, pensa-se nas várias formas de leitura, seja individual ou coletiva, permitindo o acesso e a circulação de vários modelos culturais, entre eles jornais, livros e revistas. Nesse artigo, nos detivemos à análise da Revista Policial. Para saber mais sobre o conceito ver: Roger Chartier, Leituras e leitores na França do Antigo Regime, São Paulo, Editora UNESP, 2004.
  4. Para saber mais sobre a circularidade da imprensa e sua presença nos espaços públicos de Fortaleza Cf. SOUSA, Eusébio. “A imprensa no Ceará”. Comunicação apresentada no primeiro Congresso Brasileiro de Jornalistas, Rio de Janeiro, 10 a 21 de setembro, 1918. Editado, posteriormente na Revista do Instituto do Ceará, em 1918, e atualizado em 1933, atendendo à solicitação feita pelo Ministério de Educação e Saúde Pública ao Capitão Roberto Carneiro de Mendonça para a elaboração do segundo número do Anuário do Ministério de Educação.
  5. Os números oficiais apresentados no censo de 1920 apontam 78.536 mil, já os relatórios policiais falam de 100 mil almas. Cremos que essa discrepância nos números é devida às constantes secas que provocavam uma forte migração para a cidade de Fortaleza. Esse número de pessoas morando em Fortaleza colocavam-na em oitava posição dentre as capitais do Brasil. Se considerarmos os números registrados pelo Chefe de Polícia, Fortaleza subia para sétima posição. Cf. Relatório do Chefe de Polícia do Ceará, José Pires de Carvalho. Compreendendo o período administrativo de junho de 1924 a 31 de maio, de 1925, p. 25.
  6. Para saber mais, ver: Francisco Linhares Fonteles Neto, “O ‘Bobby’ nos trópicos? Considerações sobre a tentativa de reestruturação da polícia na capital cearense 1916-1919”, História Social. Revista dos pós-graduandos em História da Unicamp, n. 16. Dossiê Poder e Repressão, 2009, p. 105-119.
  7. Para mais informações sobre os problemas da atividade policial em Fortaleza, ver: Francisco Linhares Fonteles Neto, “Cotidiano e atuação policial em Fortaleza: entre o dever e a prática nas primeiras décadas do século XX”. Trajetos: Revista da Pós-Graduação em História Social da UFC. Dossiê: Cultura e Cidade, v. 4, n.7, 2006, p. 95-118.
  8. Revista Policial. Fortaleza – Ce. Ano V, n. 37, 1937, p.1
  9. O jornal Diário do Ceará, em agosto de 1929, lançaria notas seguidas, sempre que recebia nova edição, comentando seu conteúdo e a importância da Revista Policial para os leitores de Fortaleza, interessados em assuntos policiais. Divulgar a edição da Revista Policial nos jornais locais da cidade era estratégia para disseminar seu conteúdo entre um público mais amplo. Os Jornais, Gazeta de Notícias e O Estado, também lançaram notas para divulgar a revista e o empenho de seus editores para manter a circularidade da publicação. Os textos toram reeditados na integra. Cf. Revista Policial. Fortaleza – Ce. Ano V, n. 42, 1928, p. 31-32.
  10. Revista Policial. Fortaleza – Ce. Ano I, n. 4, 1929, p.26.
  11. Ibidem. Ano I, n. 12, 1930, p. 1.
  12. Revista Policial. Fortaleza – Ce. Ano I, n. 1, 1929, p.1.
  13. Com a Conferência Judiciária Policial de 1917, sediada na então Capital Federal, Rio de Janeiro, o universo criminal foi objeto de debate nacional pela primeira vez. Várias autoridades policiais do Brasil participaram, o que possibilitou a troca de informações e um esforço de inserção de novos recursos investigativos nas principais cidades brasileiras. Aurelino Leal, Polícia e poder de polícia, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1917.
  14. Revista Policial. Fortaleza- Ce. Ano III, n. 27, 1936, p. 1.
  15. Ibidem. Ano V, n. 42, 1938, p. 1.
  16. Revista Policial. Fortaleza- Ce. Ano III, n. 27, 1936, p. 1.
  17. Ibidem. Ano III, n. 26, 1936, p. 1.
  18. Francisco Linhares Fonteles Neto, Crimes Impressos: uma História Social dos noticiários criminais de Fortaleza nos anos vinte. Tese (Doutorado em História Social) – UFRJ, 2015.
  19. Pelo menos desde a segunda metade do século XIX a expressão sensação teve um amplo uso, possuindo por si só força suficiente para propiciar ao leitor o reconhecimento imediato do teor do enredo e do que já estava por vir. Logo, para noticiar crimes horripilantes que agitavam o imaginário a imprensa, a partir das décadas iniciais do século XX, também adotou em suas manchetes jornalísticas o sensacional, com o propósito de criar expectativas nos leitores, que acompanhavam com afinco o desenrolar dos acontecimentos, mediante as notícias publicadas nas folhas dos jornais. A introdução desse elemento nas matérias de crimes pretendia fazer com estas, além de informar, chocassem os leitores, provocando-lhes um misto de sensações, entre elas o espanto e a sede de justiça. Alessandra El Far, Páginas de sensação. Literatura popular e pornográfica no Rio de Janeiro 1870-1924, São Paulo, Companhia das letras, 2004.
  20. Revista Policial. Fortaleza – Ce. Ano I, n. 5, 1930, p. 12 e Revista Policial. Fortaleza – Ce. Ano I, n. 6, 1930, p. 25.
  21. Ibidem. Ano I, n. 4, 1929, p.1-2.
  22. Aurelino Leal, “O papel da imprensa no domínio da polícia”, In: Polícia e poder de polícia, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1917, p. 114.
  23. Ibidem, p. 114 -115.
  24. Ibidem. p. 115.
  25. Mensagem apresentada à Assembleia Legislativa, pelo desembargador José Moreira da Rocha, Presidente do Estado. Ordem Pública, 1927, p. 20-21. A famosa palestra de Aurelino Leal também é evocada em um longo texto da Revista Policial de 1929, intitulado: “Problemas policiais”. O artigo faz uma reflexão sobre a publicidade negativa que a imprensa construía sobre o trabalho policial. Cf. Revista Policialm Fortaleza, ano I, n. 1, 1929, p. 46-52.
  26. Ibidem, p. 20.
  27. Boletim Policial. Rio de Janeiro. Ano VII, n.6, julho de 1913.
  28. Um dos livros editados em Fortaleza com esse viés teve boa aceitação do público em geral. Porfirio de Lima Filho, Nos tempos dos látegos e dos grilhões: fatos históricos e perfis de criminosos, Fortaleza, Tipografia progresso, 1931. O livro recebeu mais duas edições, 1941 e uma comemorativa em 2012, respectivamente.
  29. Revista Policial. Fortaleza – Ce. Ano, I. n. I, 1929, p. 33. (Grifos nossos).
  30. Ibidem. Ano, I. n. I, 1929, p. 37 e 58.
  31. Para saber mais sobre o tema, ver: Ana Gomes Porto, Novelas sangrentas: literatura de crime no Brasil 1870-1920. Tese (Doutorado em História Social) -Unicamp, Campinas-Sp, 2009.
  32. Para uma compreensão mais detalhada sobre a literatura policial no Brasil ver: Elena Shizuno Camargo, A Revista Vida Policial (1925-1927): mistérios e dramas em contos e folhetins. Tese (Doutorado em História) – UFPR, Curitiba, 2011.
  33. O livro foi editado em 1920, após a compilação do folhetim retirado das páginas do Jornal A Folha, que tinha por editor Medeiros e Albuquerque. O livro foi um sucesso. Na terceira edição, no ano de 1928, recebeu uma incrível tiragem de 10.000 volumes, uma marca, de fato, expressiva para a realidade do Brasil naquele momento. Coelho Netto, Afrânio Peixoto, Medeiros Albuquerque, Viriato Corrêa, O Mysterio: Romance policial, São Paulo: Companhia editora nacional, 1928.
  34. Revista Policial. Fortaleza – Ce. Ano I, n. 2, 1929, p. 15.
  35. Ibidem. Ano I, n. 3, 1929, p. 44.
  36. Ibidem. Ano I, n. 7, 1930, p. 44.
  37. Ibidem. Ano I, n. 9, 1930, p. 17-22.
  38. Ibidem. Ano I, n. 10, 1930, p. 63,64,65,66 e 68, 72-73. A narrativa continuou nas edições: Ano I, n. 11, 1930, p. 18-24; Ano I, n. 12, 1930, p. 37-47.
  39. Marcos Luiz Bretas, “Revista Policial: formas de divulgação das polícias no Rio de Janeiro 1903”, História Social, Unicamp, n. 16. Dossiê Poder e Repressão, 2009, p. 87-104.


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