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14 “O nome define a cousa”

Crime e militância nas páginas do Archivo Vermelho (1918-1921)

Joseli M. N. Mendonça

A revista Archivo Vermelho, dedicada a ser “um minucioso noticiário dos crimes ocorridos na Capital da República, nos estados e no exterior”, circulou entre 1918 e 1921. Seu fundador, Silva Paranhos, era jornalista de vasta experiência na reportagem policial. Tinha trabalhado por mais de 20 anos como “efetivo” no Jornal do Brasil, passando “à reserva do grande órgão” em 1918[1]. Mesmo não compondo a equipe daquele diário, Paranhos dele não se afastou quando deu início à edição do Archivo: até 1920, enquanto esteve à frente da direção da revista, esta teve sua redação e administração instaladas no quarto andar daquele jornal, no número 110 da Avenida Rio Branco, na cidade do Rio de Janeiro[2].

A proximidade com o Jornal do Brasil e as relações nele constituídas certamente favoreceram a calorosa recepção do periódico ao Archivo. Desde julho de 1917, em suas páginas era anunciada a intenção de Paranhos: Tem o sugestivo título de “Archivo Vermelho” a revista de noticiário criminal, cujo aparecimento se anuncia ainda para esta quinzena, dirigida pelo conhecido repórter policial Sr. Silva Paranhos, nosso antigo companheiro[3]. Em janeiro de 1918, também A Rua noticiava o lançamento próximo do periódico, cujo futuro era considerado “muitíssimo próspero”[4]. Ao longo de sua existência, era comum que os jornais utilizassem largos adjetivos enaltecendo a revista, nas colunas que, com o título “Recebemos”, eram destinadas a divulgar os lançamentos enviados às suas redações.

As relações constituídas por Silva Paranhos devem ter favorecido também a adesão de colaboradores, como Teixeira e Silva, com quem trabalhara no Jornal do Brasil e Abel de Assumpção, jornalista d’A Razão e d’A Lanterna[5]. Integravam também a equipe da revista ilustradores renomados, como Julião Machado, Raul Pederneiras, Calixto Luz, Fritz e Amaro.

Até 1920, Archivo Vermelho teve periodicidade quinzenal, lançados os exemplares nos dias 4 e 19 de cada mês, com as datas de 1 a 15 e 16 a 30/31, “para que a resenha dos fatos alcance o fim de cada quinzena”[6]. A partir de 1920, sua edição passou a ser semanal. Era vendida em bancas e para assinantes. De 1918 a 1921, quando circulou quinzenalmente, o preço do exemplar avulso era de 300 réis, valor próximo ao normalmente cobrado por outros editores: o Jornal das Moças, de circulação semanal, era vendido a 400 réis; o Tico-Tico, voltado para crianças, tinha preço de 200 réis e a Revista Contemporânea, para a qual escreviam Jackson de Figueiredo, Lima Barreto e Viriato Correa, custava 200 réis. Pela assinatura anual, os leitores do Archivo Vermelho pagavam 7 mil réis, enquanto os da Revista Contemporânea e do Jornal das Moças gastariam 10 mil e os da diária Gazeta de Notícias desembolsavam 20 mil. Silva Paranhos considerava sua revista “de caráter eminentemente popular pela sua fatura e preço de número avulso”[7]. Em 1920, quando passou a ser editada semanalmente com direção de Clodoveu de Oliveira e a estar sediada na sobreloja do nº 60 da rua do Lavradio, o exemplar avulso passou a custar 200 réis e a assinatura anual 10 mil réis.

Os nove primeiros números da revista tiveram tiragem de 12 mil exemplares, indo para 15 mil a partir do número 10, assim permanecendo até 1920, quando passaram a ser impressos 20 mil exemplares. Tinha em geral de 38 páginas, variando pouco esse número de uma edição a outra.

Inicialmente, nos nove primeiros números, os anúncios eram inseridos nas duas últimas páginas. Anunciavam na revista: Usina São Gonçalo, distribuidora de doces e bebidas; Sonho de Ouro, agência de loterias; A Vila de Barcellos, petisqueiras minhotas com salas reservadas e gabinetes; Camisaria Ramos Sobrinho; Consultório Científico de Beleza de Mm. Quezada, este ocupando página inteira, com um texto dedicado a explicar os procedimentos estéticos e suas vantagens. Cafés e charutarias eram anunciantes constantes: Charutaria Vitalo; Café e Charutaria da Ordem, Charutaria Flora. A Cervejaria Brahma tornou-se anunciante por algum tempo, a partir da edição de número 4. Um dos mais constantes patrocinadores, nos primeiros meses de circulação da revista, foi o Club Tenentes do Diabo, “franqueado aos srs. Sócios das 5 da tarde até pela manhã, com salões suntuosos, restaurante de 1ª, cozinha inimitável, preços reduzidos, serviço sem igual”, de cuja diretoria Silva Paranhos – o diretor do Archivo – fazia parte[8]. A partir da edição 10, os anúncios passaram a ocupar outros espaços do periódico, aparecendo nos pés de página, na contracapa, em meio às matérias. Ficaram também mais diversificados, incluindo estabelecimentos e produtos femininos: Água de Colônia para Toucador de J. L. Santos; Parc Royal, artigos para senhoras. A partir de 1921, alguns anúncios passam a agregar aspectos noticiados pela revista: “Para curar o ciúme, que tanto sangue anda a derramar, há uma receita infalível: – fumar cigarros Embaixadores, da Companhia Nacional de Tabacos”[9]. Ou ainda, com o título de “É roubado quem quer”, o texto que, depois de demonstrar a quantidade assombrosa de roubos ocorridos na cidade, concluía:

não havendo policiamento, cabe ao povo se defender e isso é fácil: não guarde ninguém dinheiro e joias em suas casas. Não faltam no Rio cofres fortes para as joias, e para o dinheiro há bancos, destacando-se, entre eles, o Banco do Rio de Janeiro, que é o que mais se recomenda aos que desejam pôr o seu dinheiro ao abrigo dos amigos do alheio. Depositado ali o dinheiro, fica ele perfeitamente garantido e nem é necessário tirá-lo para despesas e outros pagamentos, que podem ser feitos em cheques, o que é mais elegante e prático[10].

Em 1920, advogados passaram a anunciar na revista: Dr Avelino de Assis Andrade, Capitão Almeida Marques e Elias Jacob Cury, por exemplo, foram anunciantes na edição 47. A quantidade e a diversidade dos anunciantes sugere que o periódico tinha grande aceitação e atingia um público bastante diversificado. A identificação do interesse do leitor, segundo Silva Paranhos, estivera na origem de seu empreendimento jornalístico. A revista, como explicou no editorial do número de lançamento, respondia a um anseio do público leitor, ávido por relatos de crimes e caracterização dos criminosos: “o nosso povo”, dizia ele, “devora os livros em que os crimes são obra da fantasia dos escritores”. “Pois bem”, prometia, “aqui nesta revista quinzenal, ele assistirá a passagem de tipos reais”, cenas equiparáveis às narradas pelos romances, “cheios de sangue da primeira à última página” e, no entanto, reais[11].

De fato, a narrativa de crimes e a caracterização de criminosos foram aspectos que fizeram parte do Archivo Vermelho em todo o período em que esteve em circulação. Mas havia, desde o princípio, o propósito de divulgar um “programa”, voltado à correção de problemas associados à criminalidade, realizando o que um jornalista caracterizou como uma “orientação moralizadora do meio social”[12]. Em determinados períodos, destacava-se a divulgação de opiniões favoráveis aos operários, bastante mobilizados à época. Em outros, ainda, a crítica ao governo. Se, como comentou um advogado acerca do título da revista, “o nome define a cousa”[13], tal definição variou em ênfase ao longo do tempo. Sem nunca se dissociar da imagem do sangue, o vermelho que se inscrevia no título do periódico em determinados períodos de sua trajetória parecia também estar associado à militância. Dessa trajetória e dessa alternância de ênfase, tratarei nas linhas que seguem.

Vermelha, a cor do crime

Em fevereiro de 1918, falando da revista que há pouco havia lançado, Silva Paranhos explicou o que o leitor encontraria em suas páginas. O Archivo Vermelho, dizia ele, “propõe-se a registrar toda essa série de monstruosidades que impressionam, comovem, apavoram, infundem terror”. Na revista, o leitor se defrontaria com “assassinos, ladrões, caftens, estelionatários, desvirginadores, os criminosos políticos, ratoneiros, falsários, sedutores, os que perturbam a felicidade dos lares alheios, os que fazem do amor o caminho para chegar à fortuna, os espancadores, os que maltratam menores, os aberrados de toda espécie […]”[14].

Essa ênfase na apresentação de notas policiais relacionadas aos crimes e criminosos predominou nas edições de 1918 e início de 1919. O próprio editor, então, caracterizava a revista como um “cadastro da polícia”[15]. Organizadas cronologicamente, no conjunto, as notícias configuravam um registro das ocorrências da quinzena. Assim, “16 de março” era a data que, na edição de número 4, precedia a notícia de que, em São Paulo, por ter sido demitido, um operário ferira o chefe. E assim por diante: 16 de março – roubo de joias de uma residência; 16 de março – homicídio e suicídio envolvendo um casal que “pretos na cor, tinham, porém, a maior brancura nos seus atos”; 19 de março – suicídio de um cirurgião dentista que, aos 21 anos, percebendo-se “neurastênico”, “descarregou em seu peito a carga de uma espingarda Flaubert”; 20 de março – tentativa de suicídio empreendido por uma jovem que ingeriu iodo; 25 de março – degolamento de um imigrante polonês, no Paraná, por seu senhorio; 26 de março – maus tratos impingidos a uma menor por uma mulher que a recebera para cuidar. E assim por diante, uma espécie de cadastro policial ia se compondo nas páginas da revista[16].

Apesar de o diretor do periódico, ao apresentá-lo aos seus leitores, tê-lo contraposto aos romances envolvendo crimes e tipos criminosos, era central a intenção de provocar fortes impressões, como faziam os textos literários. Os títulos já evidenciavam isso: “Vingança Brutal”, “Travessuras de Cupido – tentativa de rapto, projetos de posse violenta, maquinações infernais”; “Besta Humana” “Pai Monstro – corrompeu as próprias filhas”[17]; “Morreu por Amar demais”;“Crime Emocionante” e “Crime Hediondo”[18]. Outros títulos faziam pilhérias, buscando provocar riso, como o que precedeu notícia sobre esposa que espancava o marido: “Mulher de cabelo na venta”[19]; ou outro, que dizia de uma mãe que fizera na polícia uma denúncia: “Trocaram-lhe o filho: – O José era mais gordo”[20].

Também os textos se compunham de maneira romanesca, buscando emocionar. A respeito do suicídio de uma moça, que ingerira Lysol por ter sido proibida de namorar um homem casado:

Junto ao leito trágico, onde Marina se contorcia, sob os efeitos violentos do tóxico, lá estava a carta. A letra, minúscula, nervosa, dizia tudo daquele supremo desespero da franqueza, suprema angústia de mulher que se vê contrariada nos seus desejos. Amava fervorosamente aquele homem, amava-o com toda a força da primeira afeição que desponta num coração ainda alheio ao afeto, ainda virgem desse sentimento natural nos seres.

As mãos crispadas, os olhos revolvendo-se nas órbitas, os lábios entreabertos, aquela criaturinha gemia, queimadas as entranhas pelo veneno. […]

Vivera, até bem pouco, como uma criança. Sorria para tudo, traduzindo a felicidade que lhe ia n’alma. […] Fizer-se mulher. Mas suas pupilas de moça luziam os seus olhos maravilhosos e nos seus lábios palpitava um leve rubro umedecido, dizendo bocadinhos de volúpia.[21]

A cada número, um caso que pudesse causar algum impacto era tomado como central e apresentado minuciosamente, em um texto longo, em geral de três a quatro páginas. Esses casos, com recorrência, envolviam membros de uma família: genro que matara o sogro, pai que molestara filhas, maridos matadores de esposas adúlteras.

Ainda que no Archivo as imagens não predominassem em relação ao texto escrito, a revista as apresentava fartamente. Fotografias mostravam locais das ocorrências, expunham vítimas e criminosos, faziam de curiosos que posavam para a câmera personagens das narrativas criminais ou das tragédias, grandes ou pequenas[22].

Desenhos, em geral utilizados nas capas, também constituíam narrativas cujo propósito, mais que registrar visualmente, era de emocionar os leitores:

http://memoria.bn.br/DocReader/cache/123004803739/I0000157-6Alt=000584Lar=000394LargOri=002102AltOri=003115.JPG

Capa da edição n. 6, 1 a 15 de abril de 1918, sem designação do ilustrador.

Seguindo a tradição constituída pela imprensa ilustrada do século XIX, a revista de Silva Paranhos certamente buscava atrair leitores pela possibilidade que lhes dava de “ver” as cenas descritas e seus protagonistas, diferenciando-se da imprensa diária que, embora noticiasse, tinha limitações muito maiores para narrar visualmente os fatos[23]. A partir da edição de número 5, o periódico passou a agregar ao seu título a designação Revista Policial Ilustrada.

Mesmo que enfatizasse as notícias criminais, desde o seu lançamento, o Archivo tinha também o propósito de divulgar um “programa”, como registrara o Silva Paranhos na primeira edição da revista. De fato, opiniões relativas a comportamentos sociais, críticas a instituições, apelos por saneamento de áreas da cidade consideradas perigosas eram comumente destacados nas páginas do periódico. Às vezes elas eram inseridas no interior das notícias veiculadas, como, por exemplo, na matéria “As criadinhas muito boas – quem não as conhecer que as compre”, em que se noticiava um roubo de joias atribuído a uma criada, comentando: “a polícia e a Prefeitura tem maior culpa, porque não organizam o registro obrigatório da criadagem, para que da sua caderneta conste o abono da sua conduta. Enquanto não se fizer isso teremos a repetição de fatos como este”[24]. Na mesma edição, intitulado “As vítimas do dever”, outro texto registrava a morte de um servente de pedreiro que trabalhava na demolição de um prédio, considerando que “o obscuro operário merece-nos tanta atenção quanto os cidadãos altamente colocados; por isso, não podemos deixar de registrar o caso desse infeliz que morreu em consequência de um desastre no cumprimento do dever”[25]. Fosse pelo compromisso expresso, pela tragédia que o fato envolvia; fosse porque se configurava como uma ocorrência policial, os acidentes de trabalho eram fartamente noticiados pelo Archivo[26].

Eram comuns na revista textos que se manifestavam contra o caftismo e argumentavam sobre a necessidade de se regular a prostituição[27]; que se posicionavam contra os candomblés[28], contra os curandeiros (n. 5, p. 19), contra a absolvição de uxoricidas pelo júri (n. 2, p. 5; n. 7, p. 10).

Além de realizar um programa de moralização, a revista também tinha em vista outra “utilidade”, a de servir como uma espécie de repositório de informações para consulta de jornalistas e mesmo de profissionais forenses. A isso se referia um texto publicado na edição de número 4, em que se reproduzia uma matéria publicada em A Noite, na qual o jornalista considerava que o Archivo era muito mais que uma “revista de crime”. Porque publicava “o histórico, bem tratado, e ilustrado, de todos os acontecimentos nos quais a polícia tem ação”, era “uma necessidade para os que, nesta vida de jornal, precisam a todo momento recordar fatos, consultar detalhes, para a boa concatenação dessas histórias emocionantes, que se repetem todos os dias”[29]. Da mesma maneira, o advogado Bento de Faria, em carta ao editor, considerava: “é minha opinião, sem lisonja, que o amigo está prestando um magnífico serviço para o futuro com a criação desse interessante e utilíssimo repositório de informações seguras”[30]. Essa motivação voltada à “guarda” de informações era comum entre os periódicos que se denominavam “Archivos”. Os Archivos de Medicina, Cirurgia e Pharmacia no Brasil, revista que circulou em 1880-1881, no Rio de Janeiro, por exemplo, colocava entre seus objetivos “registrar, não só todas as nossas conquistas nos campos da medicina e cirurgia, como as fórmula e investigações terapêuticas dos velhos práticos, umas e outras se perdendo, infelizmente, já nos livros das antigas farmácias que se extinguem, já na apagada memória de seus próprios autores e contemporâneos”[31]. O Archivo, lançado em Alfenas, em 1914, atrelava o compromisso que dizia ter com a verdade ao fato de pretender ser também um “registro para o futuro”: “o jornal deve ser antes de tudo verdadeiro, não pode mentir porque é um auxiliar do futuro historiador. […] O Archivo não faltará a tais fins. Será sempre sincero, honesto […]”[32]. Assim, esses periódicos frequentemente expressavam a missão da guarda de registros para estudos contemporâneos e futuros. Por isso, não raro, retomavam também informações pretéritas, para que elas não se perdessem. O Archivo Vermelho em várias ocasiões fez esse tipo de registro em uma coluna denominada “Os Crimes Antigos”. Alguns casos mereciam destaque por terem tido solução especialmente difícil, como o “Roubo da Relojoaria Meyat”, publicado em 1921[33]. Outros, pela brutalidade, como os cometidos pelo “Bandido Lucas da Feira”, “cujos crimes monstruosos ocorreram por todas as províncias, especialmente na Bahia”[34]. Outros, ainda, porque, sendo verdadeiros ou inventados, podiam divertir, como uma queixa-crime endereçada a um juiz de paz em 1834, divulgada na coluna Archeologia Criminal – Um documento interessante:

Diz José Soares da Cunha, morador em Merim, fazenda de Sant’Ana de Vila Nova, que, sendo canonicamente casado com Anna do Rosario […] à vista de Deus e todo mundo […] sucedeu que no dia 2 de fevereiro do corrente ano de 1834, pelas 8 ou 9 horas da noite ou as que na verdade eram pois ali ninguém tem relógio certo senão Manoel Teixeira da Silva e o compadre Manoel Borges tem outro que trocou por uma égua, que não regula, o suplicante e mais moradores se regulam pelo sol, que, quando está claro regula certo.

Indo a dita mulher muito quieta para fiar algodão em casa de sua visinha [….] lhe saiu repentinamente ao encontro na estrada junto ao córrego, o vadio e desaforado José Bento […] que se o juiz de paz soubesse cumprir com suas obrigações, fazia prendê-lo e pô-lo em Angola; e de repente arrumou uma forte e tremenda umbigada na mulher do suplicante que logo a derrubou e ficou sem sentidos, com as partes puberdadas à mostra […] Cujas partes só ao suplicante compete ver como cousa de sua propriedade e que recebeu até a morte. […]

[…] E o suplicante não requereu logo o corpo de delito por ser a pancada no baixo ventre entre o umbigo e aquela parte mimosa da geração que só ao suplicante e a parteira podem ver […]

E porque a umbigada foi de má tenção e rixa muito velha para experimentar se a mulher do suplicante se deixasse ficar como pata para ele galar, porém, vá galar para o inferno, pois a mulher do suplicante não é dessas vadias […] podendo isto mesmo atestar o vigário pelo depoimento de suas confissões […]”[35].

Como esse, outros textos jocosos eram inseridos na revista com a evidente intenção de divertir os leitores, sem deixar de tratar das questões relacionadas ao crime. Foi o caso das crônicas Reminiscências de um Rábula Criminalista, escritas por Evaristo de Moraes, que advogava no Rio de Janeiro, com bastante projeção. Narrando os casos forenses nos quais atuara, a série iniciou em abril de 1918, na edição de n. 7, sendo posteriormente, em 1922, publicada em livro pela Editora Garnier. Outros textos que tinham essas características eram os folhetins: De Vidigal a Wenceslau, um “romance histórico” escrito por Múcio Teixeira, circulou em algumas edições, no final de 1918 e início de 1919; também A Ilha dos Esquifes (“Empolgantes e extraordinárias aventuras – do grande Arsenio Lupin traduzidas especialmente para o Archivo Vermelho”), publicado em edições de 1920 e 1921. Algumas colunas também tinham o objetivo de divertir, e permaneciam na revista por algum tempo. Foi o caso de “Memórias do Necrotério”, assinadas por “Fabrício”, publicadas em algumas edições de 1920 e 1921, narrando casos ocorridos na “morgue”, de forma anedótica, fazendo graça com as coisas da morte.

Vermelha, a cor da militância

A ênfase na apresentação de crimes e de tipos criminosos, muito predominante no primeiro ano de circulação da revista, foi cedendo lugar a outros temas, que passaram a tomar espaço privilegiado no periódico, entre eles os assuntos forenses e os relacionados às manifestações operárias.

Já em novembro de 1918, depois de ter estado suspenso por seis meses devido às conturbações geradas pela epidemia de gripe que assolou a cidade, o Archivo passou por uma significativa remodelação. Anunciando estar “reencetando nova fase”, a edição número 10, de novembro de 1918, apresentava seus novos colaboradores, “uma plêiade de notáveis criminalistas, jornalistas e oradores”: Bento de Faria, Nicanor do Nascimento, Gregório Garcia, Seabra Junior, Pinto Lima, Augusto Goldschmidt, Eliseu Cezar, Edmundo Azurem Furtado, Abel de Assunção, Xavier Pinheiro, Henrique Magalhães, Fernando Mendes de Almeida Junior, Mario Lessa, Francisco Guimarães e Henrique Tamborim. Outros, esses ilustradores, eram apresentados como “mestres do lápis”: Dr. Raul Pederneiras, Julião Machado, Calixto Cordeiro, Joaquim Guerreiro, Luiz Peixoto, Amaro Amaral, Fritz e outros. O editor informava que a revista tinha então um correspondente na Argentina e no Uruguai, Placido Isazi, fixado em Buenos Aires, na Calle Libertad 160 a 172. A redação da revista foi transferida para a Rua do Lavradio, 60, e a tiragem foi elevada a 15 mil exemplares. Evaristo de Moraes, que já publicava ali as crônicas “Reminiscências de um Rábula Criminalista” tornou-se redator-chefe do periódico.

Havia entre os colaboradores da revista advogados bastante atuantes no foro do Rio de Janeiro, destacadamente Augusto Goldschimidt, Xavier Pinheiro e o próprio Evaristo de Moraes. Tinham, todos, sido colegas de turma Faculdade de Direito Teixeira de Freitas, na qual se formaram em 1916[36]. A colaboração de advogados atuantes explica o maior espaço que as questões forenses passaram a ocupar nas páginas do periódico neste período. Colunas denominadas “O Foro Criminal”, “Nas Varas Criminais”, “Dia a Dia no Foro”, “Página Forense” noticiavam julgamentos e andamentos de inventários, relatavam sessões do júri, diziam sobre a situação de processos e pedidos de habeas corpus. Por algumas edições, a partir da de número 12, uma coluna específica sobre jurisprudência dirigia-se especialmente a operadores do judiciário: “Das mais recentes publicações oficiais das decisões do Supremo Tribunal Federal”. A presença de assuntos do foro acentuou-se ao longo de 1919 e, em 1920, o Archivo Vermelho trocara o subtítulo de “Revista Policial Ilustrada” para “Revista Policial, Criminal e Forense”.

A dedicação de Evaristo de Moraes, editor-chefe, às questões então nomeadas como “de patologia social” também ensejou um posicionamento mais enfático do periódico em relação à prostituição, ao alcoolismo e, sobretudo, ao lenocínio. À época em que fez parte da equipe do Archivo, Evaristo preparava o livro Ensaios de Patologia Social, que em 1921 seria publicado pela Livraria Leite Ribeiro. As ideias divulgadas na obra não diferiam das que a revista propagara em relação às mesmas questões. “Quadros Vivos – Antros e Bordéis”, matéria publicada na edição de número 14, em 1919, por exemplo, prometia que os jornalistas do Archivo, a partir de então, iriam “visitar durante qualquer hora do dia ou da noite os antros da podridão, dos vícios, percorrer os bordeis, as hospedarias, as casas de rendez-vouz” para “ver, examinar, estudar o que ali se passa, cena por cena, quadro por quadro”. Isso porque, explicava o jornalista, tendo o Rio de Janeiro se tornado “paraíso dos caftens”, o Archivo Vermelho tomaria para si a tarefa de realizar a “campanha” de combate ao lenocínio, “certo de que presta um grande serviço à sociedade”[37].

As opiniões impressas nas páginas da revista passaram também a exprimir a posição de colaboradores ligados às organizações operárias. Neste sentido, mais uma vez, destacava-se Evaristo de Moraes, além de Nicanor do Nascimento. Este – advogado e, à época, deputado federal – atuava na Câmara dos Deputados em prol da criação de uma legislação trabalhista tendo, em 1911 apresentado um projeto de lei (não aprovado) que proibia o trabalho de menores de 10 anos e, em 1917, junto com Maurício de Lacerda, proposto o projeto de regulamentação das relações de trabalho que tramitava com o título de Código do Trabalho[38]. Na edição de número 11, em novembro de 1918 – cuja capa trazia a inscrição “Momento Rubro” – este posicionamento favorável às demandas dos trabalhadores já foi expressa de forma contundente, em texto que, opinando sobre a repressão da polícia à mobilização de trabalhadores anarquistas, considerava:

Segundo a frase consagrada, “a Polícia descobriu mais um complô”. A nossa experiência no assunto nos obriga a, antes de noticiar os fatos, dar a nossa franca e sincera opinião.

Nesse caso dos anarquistas, ou supostos tais, que tanto ocupou os noticiários durante quatro ou cinco dias, misturou-se, como quase sempre acontece, uma parte de “conspiração” com outra, talvez não menor, de provocação policial.

Tratando dos motivos que teriam levado os trabalhadores às ações, que incluíram a explosão de bomba na 10ª Delegacia de Polícia, ponderava:

Os que, mesmo não sendo fanáticos do Anarquismo, nem partidários do Socialismo reconhecem a mísera situação dos operários e a razão de muitas das suas queixas, reprovam o excessivo da polícia, e mais ainda os seus recursos de provocação e excitação, que não parecem dignos do nosso tempo, nem de homens cultos.

E, considerava que, apesar da repressão, os operários tinham obtido uma vantagem:

O decantado Código do Trabalho, que se arrasta dificultosamente na Câmara, recebeu por contrachoque dos acontecimentos, poderoso empurrão, devido, não há como negar, à habilidade do nosso companheiro Dr. Nicanor Nascimento[39].

No mesmo número e em outros seguintes, vários textos informavam sobre o fechamento de sindicatos operários – entre eles União dos Operários em Fábrica de Tecidos e a União da Construção Civil.

A defesa dos trabalhadores e de suas associações feita pelo Archivo acentuou-se no ano de 1920, quando Clodoveu de Oliveira assumiu a direção da revista. Jornalista de longa data, o novo diretor tinha uma acentuada militância em prol das demandas operárias. Em 1921, quando ainda dirigia o Archivo Vermelho, participou da fundação e passou a integrar o Grupo Clarté, que publicava uma revista com o mesmo título. Definindo-se como uma “Liga Intelectual para o triunfo da causa internacional”[40], o grupo foi concebido para ser uma sucursal brasileira do movimento francês – criado em 1919, sob coordenação de Henri Barbusse. Não obstante a filiação reconhecida, o grupo brasileiro distinguiu-se bastante daquele outro, pois, ao invés de aglutinar literatos como ocorreu na França e em outros países, congregou principalmente jornalistas, publicistas e políticos, entre eles Evaristo de Moraes e o próprio Clodoveu de Oliveira[41].

A partir da direção de Clodoveu de Oliveira, acentuou-se a divulgação de notícias e opiniões sobre a “questão operária”, articuladas, sobretudo, à crítica contundente à repressão policial. Nesse período, em que recrudescia o enfrentamento do patronato e do Estado às greves de trabalhadores que vinham ocorrendo desde 1917, o movimento operário passou a ser criminalizado e a ser intensamente reprimido pela polícia[42]. Em novembro de 1920, a revista divulgava:

As autoridades do 23º distrito policial lavraram um tento, perseguindo ferozmente os operários metalúrgicos m greve, naquela zona. Para os esbirros do 23º distrito não há direito de greve e os trabalhadores, ou se submetem servilmente aos patrões, ou tem que ficar reclusos em suas residências. Do contrário… xadrez.

Um comissário do referido distrito pregava abertamente tal doutrina; dizendo a todos os grevistas que encontrava: “vá para a fábrica trabalhar, ou, então, meta-se em casa… Do contrário vai pra o xadrez. Não quero histórias”.[43]

Na edição subsequente, uma matéria acusava a polícia de “ter prendido centenas e centenas de trabalhadores laboriosos e honestos, de proletários honrados, espancando-os, torturando-os à fome e à sede, invadindo-lhes os lares, desacatando-lhes as famílias” E . indagava:

Acaso os pobres, os humildes, os que trabalham e produzem, vivendo em casebres, sem frequentarem clubs e terem amantes chics e perfumadas, não são arbitrariamente detidos, sem fundamento algum, ou, quase sempre, porque se atrevem a reclamar o direito de não morrer à míngua?[44]

Já em 1921, na edição de número 53, a revista denunciava o fechamento da União dos Operários da Construção Civil, criticando o relatório policial que, investigando explosões realizadas na cidade, responsabilizou a associação ao invés de buscar identificar os responsáveis individuais pelo atentado. Em edição posterior, um extenso texto intitulado “Polícia Homicida” dava notícia das greves nas Docas de Santos e divulgava o Manifesto das Comissões Operárias[45]. Outro artigo publicado também em janeiro de 1921, com título “A Polícia e a questão trabalhista”, considerava que a instituição policial era:

a menos apta e mais imprópria para dirimir os conflitos trabalhistas, nos quais sua intervenção cabe, apenas, para a manutenção da ordem e da propriedade quando ameaçadas de fato. Entretanto, se vem acentuando cada vez mais a orientação oficial de ser a questão trabalhista um problema simplesmente policial, como o jogo, a prostituição, o latrocínio e outras chagas que são frutos da organização burguesa. A começar do Sr. Aurelino Leal, que serviu a dois governos, a Chefatura de Polícia tem mesmo tido como principal missão enfrentar o movimento trabalhista, esmagando-o sem tréguas. Aproveitando o trabalho de seu antecessor, o sr. Geminiano da Franca [então chefe de polícia] tem, nesse terreno, obtido grandes vitórias pelas quais é credor da gratidão sincera e entusiástica do patronato e do capitalismo. […] Os direitos de reunião e de associação foram policialmente suprimidos […]. a polícia do Sr. Epitácio Pessoa importa em flagrante violação dos princípios constitucionais, em verdadeira escravização dos trabalhadores, que se encontram entre as pontas do dilema: submissão total ao patronato, apoiado pela polícia, ou miséria e fome.[46]

A crítica em retrospectiva à atuação de Aurelino Leal na Chefatura de Polícia não expressa fielmente a postura da revista em relação à instituição. Até o final de 1918, pode-se considerar que havia entre o periódico e autoridade policial uma relação de parceria. O então chefe de polícia era constantemente elogiado pelo Archivo. A edição de número 6, por exemplo, ressaltou a atuação correta que tivera junto ao meretrício na cidade, em texto cujo título era: “Um alto problema de defesa social: o Archivo Vermelho oferece estas linhas ao homem enérgico e de força de vontade que é o Sr. Dr. Aurelino Leal, Chefe de Polícia”[47]. Outras autoridades policiais também mereciam a aprovação da revista. A edição de número 3, por exemplo, ressaltava a importância da ação de Bandeira de Mello, do Corpo de Segurança, na repressão ao uso de cocaína[48]. Em relação aos policiais de uma determinada delegacia, o Archivo avaliava: “é incontestável a probidade de tais funcionários, que até mesmo nos dias feriados e domingos trabalham em turmas previamente escaladas”[49]. Foi a partir do final de 1918 que as críticas à ação da polícia na repressão aos trabalhadores começaram a ser divulgadas, mas ainda não eram tão contundentes. Em meados de 1919, quando Geminiano de Franca assumia a Chefatura da Polícia e Clodoveu de Oliveira estava à frente do Archivo é que a revista passou a se pronunciar de forma implacável nas críticas à polícia e ao seu chefe.

A diminuição da divulgação de notícias policiais após o final de 1918 e a acentuação dessa tendência no período posterior certamente guarda relação com a postura da revista em relação à instituição. Um editorial publicado no final de 1920 comentou sobre a dependência da revista em relação à boa vontade dos funcionários da polícia:

Única publicação que, no Brasil, exclusivamente se dedica aos assuntos policiais, estar em boa harmonia com as respectivas autoridades é, para o Archivo Vermelho uma verdadeira necessidade, pois assim, obtém, com mais facilidade, os dados e informações seguras que tem por fim transmitir a seus leitores sobre o movimento policial e criminal[50].

Assim, na medida em acentuava a crítica à polícia, a revista tinha mais dificuldade para obter informações que pudessem ser veiculadas na revista e, provavelmente, a relação de hostilidade acentuava-se ainda mais. Sobretudo porque as críticas à instituição não se restringiam à repressão empreendida ao movimento operário. Elas arrolavam também a “incompetência” administrativa, como na edição 55, em que se considerava que a polícia não era capaz de realizar estatística correta sobre crimes[51]. Referiam-se à incompetência de funcionários nomeados[52]. Acusavam delegados de não respeitarem ordens judiciais, como na edição 47, em que denunciavam que alguns deles estariam escondendo presos para os quais “já foi, está para ser, ou pode vir a ser requerido habeas corpus[53]. Acusavam o chefe de polícia de haver subornado eleitores para que não votassem em Nicanor Nascimento, candidato à deputação[54].

Mas, certamente, a relação de hostilidade estabelecida entre a direção do periódico e a polícia devia-se, sobretudo, ao alinhamento político que a revista assumia em relação aos interesses dos trabalhadores. Tal alinhamento expressava-se também na divulgação de matérias de interesse do operariado, como a publicação que fez do teor das Resoluções Internacionais do Trabalho de Washington que, aprovada em 1919, entrou em vigor em junho de 1921[55].

Foi também em nome do interesse dos operários que o Archivo engajou-se na campanha à deputação de Nicanor do Nascimento e de Maurício de Lacerda[56] e, posteriormente, contra a impugnação das candidaturas dos mesmos[57]. O posicionamento político de oposição, que já se expressava na crítica ao governo em curso de Epitácio Pessoa, manifestou-se também no antagonismo à candidatura de Arthur Bernardes. Tal era o engajamento neste período que, a partir de julho de 1921, a revista já se designava com o subtítulo de “Revista de Combate”[58] e o vermelho, mais do que nunca, parecia associar-se à militância política e social.

Considerações finais

Archivo Vermelho circulou para noticiar fatos policiais. Tais fatos, entretanto, de acordo com a direção que assumia a edição da revista, adquiriam características específicas. Em 1918, mesmo quando as questões relativas às mobilizações operárias já estavam bastante acirradas, com Silva Paranhos à frente da revista, as notas criminais e as matérias para provocar a emoção dos leitores eram predominantes, praticamente absolutas. A partir do final deste primeiro ano de circulação, quando Evaristo de Moraes e outros advogados e jornalista passaram a tomar parte do rol de colaboradores, notícias forenses e, ainda, matérias contemplando as “patologias sociais”, bem como algumas – ainda tímidas – críticas à repressão policial ao movimento operário foram se definindo. Eram, então, estes os aspectos que, no âmbito da abordagem realizada, relacionavam-se com a atuação da polícia e definiam o “programa” que a revista visava propagar.

A partir de meados de 1920, com Clodoveu de Oliveira à frente do periódico, tomaram lugar de destaque as notícias e opiniões relativas à mobilização operária. Daí por diante, ainda que não tenham deixado de ser veiculadas notícias sobre fatos criminais e sobre ocorrências forenses, as “questões trabalhistas” tomaram corpo no periódico que passou a expressar, cada vez mais, seu posicionamento de oposição também ao governo federal, sobretudo no âmbito da eleição de 1921-1922.

O último exemplar de que se dispõe, no acervo da Biblioteca Nacional, é de agosto de 1921. Não é possível saber se a revista deixou de circular a partir de então, até porque vários números não estão resguardados nesse conjunto documental. Há indício de que se pretendia dar continuidade, porque nesta edição, que tem o número 81, constou a promessa que seria realizada uma série de reportagens com o título de “Antros do Rio”. De outro lado, se considerarmos que nesse mês de agosto começava a vigorar o Estado de Sítio que, recém decretado por Epitácio Pessoa, perduraria por todo o mandato de Arthur Bernardes – que, para contragosto do editor da revista, foi eleito – não é de se admirar que, de fato, o Archivo tenha saído de circulação a partir de então. Mas, para essa e para tantas outras questões sobre esse fascinante periódico, pesquisas de amplitude maior por certo poderão dar respostas que, por aqui, ficam suspensas.


  1. Archivo Vermelho, n. 4, Rio de Janeiro, 1º a 15/03/1918, p. 4.
  2. Archivo Vermelho, n. 5, op. cit., 16 a 3/03/1918, p. 4.
  3. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5/07/1917, p. 6.
  4. A Rua, Rio de Janeiro, 19/01/1918, p. 5.
  5. Archivo Vermelho, n. 2, op. cit., 1 a 15/02/1918, p. 4.
  6. Archivo Vermelho, n. 1, op. cit., 15 a 31/01/1918, p. 2.
  7. Archivo Vermelho, n.2, op. cit., 1 a 15/02/1918, p. 3.
  8. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13/04/1919, p. 13.
  9. Archivo Vermelho, n. 61, op. cit., 23/03/1921.
  10. Archivo Vermelho, n. 64, op. cit., 13/04/1921, p. 13.
  11. Archivo Vermelho, n. 1, op. cit., 15 a 31/01/1918, p. 3.
  12. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5/07/1917, p. 6.
  13. Augusto Pinto Lima, Archivo Vermelho, n. 7, op. cit., 16 a 30/04/1918, p. 4.
  14. Archivo Vermelho, n. 1, op. cit., 15 a 30/01/1918, p. 3.
  15. Archivo Vermelho, n. 14, op. cit., 1 a 15/01/1919.
  16. Archivo Vermelho, todos no n. 4, op. cit., 16 a 31/03/1918.
  17. Archivo Vermelho, n. 6, op. cit., 1 a 15/04/1918, p. 12 e 15.
  18. Archivo Vermelho, op. cit., respectivamente: ns. 3 e 4, 16 a 28/02/1918, p. 4 e 15 a 31/1918, p. 17.
  19. Archivo Vermelho, n. 6, op. cit., 1 a 15/04/1918, p. 9.
  20. Archivo Vermelho, n. 6, op. cit., 1 a 15/04/1918, p. 15.
  21. Archivo Vermelho, n. 3, op. cit.16 a 28/02/1918, p. 9.
  22. Ver, por exemplo, a bela imagem de curiosos observando um bonde envolvido em um acidente, na qual a multidão é feita protagonista da cena. Archivo Vermelho, n. 15, op. cit., 16 a 31/03/1918, p. 20. Acessível em: http://memoria.bn.br/DocReader/347841/144 (03/11/2016).
  23. Sobre esse aspecto, ver, entre outros: Luiz Guilherme Sodré Teixeira, O traço como texto: a história da charge no Rio de Janeiro de 1860 a 1930, Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, 2001 e Marcelo Balaban, Poeta do Lápis. Sátira e política na trajetória de Angelo Agostini no Brasil Imperial (1864-1888), São Paulo, Editora da UNICAMP, 2009.
  24. Archivo Vermelho, n. 5, op. cit., 15 a 31/03/1918, p. 11.
  25. Archivo Vermelho, n. 5, op. cit., 15 a 31/03/1918, p. 11.
  26. Cfe., entre outros, Archivo Vermelho, n. 6, 1 a 15/05/1918, p. 9 e n. 9, 15 a 30/05/1918, p. 8.
  27. Por exemplo, Archivo Vermelho, n. 6, op. cit., 1 a 15/05/1918, p. 6.
  28. Archivo Vermelho, n. 4, op. cit., 16 a 31/03/1918, p. 11 e segs.
  29. A Noite, Rio de Janeiro, 9 de março de 1918; Archivo Vermelho, n. 4, op. cit., 1 a 15/03/1918.
  30. Archivo Vermelho, n. 9, op. cit., 15 a 31/05/1918, p. 6.
  31. Archivos de Medicina, Cirurgia e Pharmacia no Brasil, n. 1, Rio de Janeiro, 01 a 10/ 1800, p. 2.
  32. Archivo, n. 1, Alfenas, 12/1914, p. 1.
  33. Archivo Vermelho, n. 69, op. cit., 05/1921, p. 10.
  34. Archivo Vermelho, n. 68, op. cit., 11/05/1921, p. 7.
  35. Archivo Vermelho, n.48, op. cit., 1/12/1920, p. 100-11.
  36. Joseli Maria Nunes Mendonça, Evaristo de Moraes: tribuno da República. Campinas, Ed. da UNICAMP, 2000, p. 499.
  37. Archivo Vermelho, n. 14, op. cit., 1 a 31/01/1919, p. 5.
  38. Claudio Batalha (org.), Dicionário do movimento operário: Rio de Janeiro do século XIX aos anos 1920, militantes e organizações. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2009, p. 113.
  39. Archivo Vermelho, n. 11, op. cit., 16 a 30/11/1918, p. 11.
  40. “Estatutos da sociedade civil Clarté”. Clarté, nº 1, Rio de Janeiro, 1/09/1921, p. 16.
  41. Michael M. Hall e Paulo Sérgio Pinheiro. “O grupo Clarté no Brasil: da revolução nos espíritos ao ministério do Trabalho”. In: Antonio Arnoni Prado (org.). Libertários no Brasil – memória, lutas, cultura, 2ª edição, São Paulo, Brasiliense, 1987, p. 251-287.
  42. Sheldon Leslie Maram. Anarquistas, imigrantes e o movimento operário brasileiro – 1890-1920, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978 e Claudio Batalha, O movimento operário na Primeira República, Rio de Janeiro, Zahar, 2000.
  43. Archivo Vermelho, n. 47, op. cit., 24/11/1920, p. 14.
  44. Archivo Vermelho, n. 48, op. cit., 1/12/1920, p. 12.
  45. Archivo Vermelho, n 54, op. cit., 25/01/1921, p. 17.
  46. Archivo Vermelho, n. 53, op. cit., 01/01/1921, p. 5.
  47. Archivo Vermelho, n. 6, op. cit., 1 a 15/04/1918, p. 3.
  48. Archivo Vermelho, n. 3, op. cit., 16 a 28/02/1918, p. 3.
  49. Idem.
  50. Archivo Vermelho, n. 50, op. cit., 15/12/1920, p. 2.
  51. Archivo Vermelho, n. 55, op. cit., 02/02/1921, p. 5.
  52. Archivo Vermelho, n. 66, op. cit., 27/04/1921, p. 14.
  53. Archivo Vermelho, n. 47, op. cit., 24/11/1920, p. 14.
  54. Archivo Vermelho, n. 65, op. cit., 20/04/1921, p. 6.
  55. Archivo Vermelho, n. 55, op. cit., 02/02/1921, p. 2.
  56. Archivo Vermelho, ns. 55 e 58, op. cit., 02/02/1921 e 01/03/1921, respectivamente.
  57. Archivo Vermelho, ns. 68 e 69, op. cit., 11 e 18/05/1921, respectivamente.
  58. Archivo Vermelho, n. 74, 13/07/1921, capa.


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